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Conceitos / Ideologia e disputa de ideias / Extrema direita

MBL

Em poucas palavras

O Movimento Brasil Livre é um grupo liberal e conservador de direita que ganhou projeção na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff. Para Oliveira e Machado, é um movimento-apoio, em que frações da classe média apoiam frações da burguesia. Pelo cadastro do TSE, o Partido Missão teve Renan Santos como candidato a presidente em 2026 e elegeu Kim Kataguiri deputado federal.

Eixo e tema
Ideologia e disputa de ideias · Extrema direita
Obra principal
Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, de Diego Batista Rodrigues de Oliveira e Eliel Ribeiro Machado

Explicação

Um movimento liberal e conservador

O Movimento Brasil Livre, o MBL, é, segundo Diego Oliveira e Eliel Machado, um movimento de cunho liberal e conservador e, junto com o Vem Pra Rua, o grupo de maior relevância da direita na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff. Para esses autores, liberal é a ideologia de mercado, da liberdade individual, do Estado mínimo e das privatizações, e conservador é quem se opõe às práticas coletivistas de defesa da igualdade e da inclusão social, no plano dos costumes. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 98, 99 e 102)

A origem

Oliveira e Machado contam que o MBL nasceu de quadros do Estudantes pela Liberdade, foi criado em junho de 2013, no calor dos protestos iniciados pelo Movimento Passe Livre em São Paulo, e se destacou a partir de novembro de 2014, quando passou a promover protestos contra Dilma e o PT. O próprio MBL diz ter sido fundado em 1º de novembro de 2014 por Renan Santos, Kim Kataguiri, Alexandre Santos, Rafael Rizzo e outros. Segundo o movimento, a primeira manifestação foi no MASP, em São Paulo, e em 2015 ele fez uma marcha de 1.100 quilômetros até Brasília para entregar à oposição um pedido de impeachment. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, p. 102; Movimento Brasil Livre, Academia MBL, apresentação; Movimento Brasil Livre, MBL | Movimento Brasil Livre, linha do tempo)

O MBL se apresentou de início como apartidário e, depois dos protestos, passou a se dizer suprapartidário, recusando todos os partidos de esquerda e se aliando a partidos que considerava neutros. Segundo Oliveira e Machado, o grupo chegou a ter mais de 2,6 milhões de seguidores na sua página do Facebook, e Sávio Cavalcante registra que, em 2018, só o MBL e o Vem Pra Rua passavam de 5 milhões de seguidores nas suas páginas na internet. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 102 e 103; Cavalcante, Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro, p. 124)

Classe média em movimento

Oliveira e Machado analisam o MBL pela teoria marxista das classes e o tratam como um movimento-apoio, isto é, uma organização de frações da classe média que apoia as frações da burguesia em disputa pela hegemonia no bloco no poder, que Armando Boito Jr. define como a unidade contraditória da burguesia organizada como classe dominante. Para eles, esse apoio não é pura ilusão, porque envolve interesses materiais, como a preservação de privilégios da classe média sob o neoliberalismo. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 98 e 102; Boito Jr., A burguesia no governo Lula, p. 54)

Os autores mostram que o MBL juntou pautas econômicas liberais, antipetismo, crítica à corrupção e apoio às contrarreformas dos governos Temer e Bolsonaro, e passou a disputar as chamadas guerras culturais com um discurso que pede punições mais duras e é contrário às bandeiras dos movimentos LGBT, feministas e negros. Segundo eles, as bandeiras do grupo tocam só em parte os interesses da sua base e atendem sobretudo às frações burguesas mais beneficiadas pelas reformas pró-mercado. Uma pesquisa citada pelos autores mostrou que os manifestantes pelo impeachment eram a favor da gratuidade da saúde, com 92%, e da educação, com 74%. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 103, 105, 106 e 107)

Kiane Follmann da Silva, segundo a resenha de Danilo Peixoto de Miranda, viu no MBL o principal articulador da direita naquela conjuntura, com bandeiras como o antipetismo, o combate à corrupção e uma agenda ultraliberal. Para ela, o MBL capturou o descontentamento de parcelas da classe média com a política do governo e adotou ideias muito próximas às da UDN, partido de direita e conservador fundado em 1945. (Miranda, A reemergência da direita reacionária, pp. 169 a 171)

O MBL e o bolsonarismo

Armando Boito Jr. explica que o movimento de massa reacionário que surgiu em 2015 na campanha pela deposição de Dilma deu origem, depois de uma depuração, ao bolsonarismo. Sávio Cavalcante registra que o MBL e o Vem Pra Rua declararam voto em Bolsonaro no segundo turno de 2018 e considera essa declaração decisiva, pelo alcance das páginas dos dois grupos. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 115; Cavalcante, Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro, p. 124)

Do movimento ao partido

O MBL lançou os primeiros candidatos em 2016 e, segundo Oliveira e Machado, conquistou cargos nas eleições municipais desse ano e, em 2018, nas assembleias estaduais e no Legislativo federal. O site do Partido Missão diz que ele nasceu em 2025, usa o número 14 e tem Renan Santos como presidente nacional. (Movimento Brasil Livre, MBL | Movimento Brasil Livre, linha do tempo; Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, p. 102; Partido Missão, Missão 14, página inicial)

No cadastro de candidaturas do TSE para 2026, o Partido Missão lançou Renan Antonio Ferreira dos Santos, o Renan Santos, à Presidência, e ele teve 2.675.887 votos no primeiro turno, 2,24% dos válidos, sem ser eleito. Pelo mesmo partido, Kim Kataguiri foi eleito deputado federal por São Paulo, e Rafa Minato, deputado estadual, também em São Paulo. (Tribunal Superior Eleitoral, Candidatos das eleições de 2026, consulta_cand_2026_BRASIL.csv; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno)

No Brasil

MBL no Brasil

Em 2015, o MBL convocou e organizou manifestações nacionais contra o governo Dilma Rousseff, segundo a linha do tempo do próprio movimento; Oliveira e Machado tratam o MBL como movimento-apoio de frações da classe média às frações burguesas em disputa pela hegemonia. (Movimento Brasil Livre, MBL | Movimento Brasil Livre, linha do tempo, 2015; Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 102 e 106)

Confusões comuns

Para se aprofundar

Principal
  • OLIVEIRA, Diego Batista Rodrigues de; MACHADO, Eliel Ribeiro. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil. 2019. Onde ler: pp. 98 a 107.

    “A proposição de que as classes se expressam também em movimentos sociais e que estes remetem às classes, sustenta a hipótese de que é pertinente pensar os movimentos de classe média apoiados em ideais liberais e conservadores como “movimentos-apoio” das frações burguesas que disputam posições no interior do bloco no poder, uma vez que estas não se organizam em movimentos, mas podem se valer destes apoios político-ideológicos.”

    p. 106

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Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (25)

Fontes desta página

  1. OLIVEIRA, Diego Batista Rodrigues de; MACHADO, Eliel Ribeiro. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil. 2019. Abrir ↗
  2. Movimento Brasil Livre. Academia MBL (página institucional). mbl.org.br. Abrir ↗
  3. Movimento Brasil Livre. MBL | Movimento Brasil Livre (página inicial, com a linha do tempo do movimento). mbl.org.br. Abrir ↗
  4. CAVALCANTE, Sávio. Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro. 2020. Abrir ↗
  5. BOITO JR., Armando. A burguesia no governo Lula. Crítica Marxista, n. 21, pp. 52-76, 2005. Abrir ↗
  6. MIRANDA, Danilo Peixoto de. A reemergência da direita reacionária (resenha de MBL, crise política e conflitos de classe no Brasil, de Kiane Follmann da Silva). 2020. Abrir ↗
  7. BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Abrir ↗
  8. Partido Missão. Missão 14 (página inicial do Partido Missão). missao.org.br. Abrir ↗
  9. Tribunal Superior Eleitoral. Candidatos das eleições de 2026 (consulta_cand_2026.zip, arquivo consulta_cand_2026_BRASIL.csv, Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  10. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  11. Armando Boito Jr.. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo (Crítica Marxista, n. 50, 2020). econtents.sbu.unicamp.br. Abrir ↗
  12. Armando Boito Jr.. A burguesia no governo Lula (Crítica Marxista, n. 21, 2005). econtents.sbu.unicamp.br. Abrir ↗
  13. Sávio Cavalcante. Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro (Crítica Marxista, n. 50, 2020). econtents.sbu.unicamp.br. Abrir ↗
  14. Danilo Peixoto de Miranda. A reemergência da direita reacionária, resenha de MBL, crise política e conflitos de classe no Brasil (Lutas Sociais, v. 24, n. 44, 2020). revistas.pucsp.br. Abrir ↗
  15. Diego Batista Rodrigues de Oliveira e Eliel Ribeiro Machado. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil (Lutas Sociais, v. 23, n. 42, 2019). revistas.pucsp.br. Abrir ↗