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Luta de classes · greve

Greve geral de 2017

2017 · Todo o país, em 26 estados e no Distrito Federal, segundo os organizadores

Em 28 de abril de 2017, as centrais sindicais fizeram uma greve geral contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência do governo Temer, com 35 milhões de trabalhadores, segundo os organizadores. Uma segunda greve geral ocorreu em 30 de junho. A reforma trabalhista virou lei em 13 de julho, e a da Previdência foi suspensa ainda no governo Temer.

Quando
de 28/04/2017 a 28/04/2017
Onde
Todo o país, em 26 estados e no Distrito Federal, segundo os organizadores
Quem lutou
Trabalhadores representados pelas centrais sindicais, segundo Marcelino e Galvão; Assalariados ameaçados de perder direitos trabalhistas e previdenciários
Contra quem
Governo Michel Temer, que pôs as reformas trabalhista e da Previdência no centro da sua agenda; Setores empresariais que defendiam a flexibilização das relações de trabalho, segundo Krein
Organizações
Centrais sindicais, entre elas a Força Sindical e a Conlutas; Sindicatos, partidos de esquerda e movimentos sociais, segundo Feres Júnior e coautores
Desfecho
A greve não impediu a reforma trabalhista, sancionada como Lei nº 13.467 em 13 de julho de 2017 e em vigor desde novembro. A reforma da Previdência foi suspensa ainda no governo Temer, segundo Marcelino e Galvão.

Como aconteceu

Greve geral de 2017, 2017

  1. 2016O governo Temer apresenta a PEC 287/2016, da reforma da Previdência.Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 168
  2. 28/04/2017Greve geral convocada pelas centrais sindicais.Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 165
  3. 30/06/2017Segunda greve geral contra as reformas.Feres Júnior e Candido e Melo e Vieira, A cobertura jornalística das greves gerais de 2017, p. 496
  4. 13/07/2017Sanção da Lei nº 13.467, a reforma trabalhista.Congresso Nacional, Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, ementa e art. 6º
  5. 11/2017A reforma trabalhista entra em vigor.Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 166

Leitura marxista

Quem estava de cada lado

A convocação

Em 28 de abril de 2017, as centrais sindicais fizeram uma greve geral contra a reforma trabalhista e a reforma da Previdência do governo Michel Temer. Paula Marcelino e Andréia Galvão, editoras da revista Crítica Marxista, registram que a greve foi convocada por todas as centrais politicamente relevantes, inclusive as que ficaram em lados opostos no impeachment de Dilma Rousseff, como a Força Sindical e a Conlutas, para evitar o retrocesso nos direitos trabalhistas e previdenciários. Para elas, o movimento sindical demorou a organizar essa greve, ao contrário do que tinha anunciado quando o processo de impeachment foi admitido. (Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, pp. 165 e 182)

Segundo João Feres Júnior e coautores, Temer pôs as duas reformas como principais itens da agenda do governo no Congresso, embora afetassem particularmente a classe trabalhadora. A reforma da Previdência era a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que fixava idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres e desvinculava os benefícios do salário mínimo. Para José Dari Krein, a reforma trabalhista ganhou prioridade porque mudava leis comuns, que não exigem a maioria qualificada das emendas constitucionais, e teve tramitação muito veloz, como estratégia do governo para ganhar apoio empresarial e do mercado. Krein registra que, com o impeachment, vários setores empresariais passaram a defender com mais ênfase a flexibilização das relações de trabalho. (Feres Júnior e Candido e Melo e Vieira, A cobertura jornalística das greves gerais de 2017, p. 496; Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 168; Krein, O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o esvaziamento da ação coletiva, pp. 86 e 87)

O dia da greve e a cobertura

Segundo os organizadores, citados por Marcelino e Galvão, a greve de 28 de abril alcançou 35 milhões de trabalhadores em 26 estados e no Distrito Federal. Feres Júnior e coautores estudaram a cobertura do Jornal Nacional e dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo e concluíram que ela seguiu o chamado paradigma de protesto, conceito da literatura internacional sobre o tratamento que a grande mídia dá a manifestações políticas. Os enquadramentos predominantes apresentavam as greves como violência e vandalismo, ação egoísta e desorganizada, transtorno ao espaço público, prejuízo à economia e movimento sem legitimidade popular. (Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 165; Feres Júnior e Candido e Melo e Vieira, A cobertura jornalística das greves gerais de 2017, p. 495)

A segunda greve e a lei

Em 2017 houve seis manifestações contra as reformas de Temer, entre elas uma segunda greve geral, em 30 de junho, às vésperas da votação da reforma trabalhista. Os autores do estudo da cobertura registram que a aprovação popular de Temer, de 26% no começo do mandato, caiu para 7% em setembro de 2017. (Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 165; Feres Júnior e Candido e Melo e Vieira, A cobertura jornalística das greves gerais de 2017, p. 496)

A reforma foi sancionada como Lei nº 13.467 em 13 de julho de 2017, alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e entrou em vigor 120 dias depois da publicação, em novembro. Segundo Souto Maior e Severo, citados por Krein, ela mudou 201 aspectos da legislação. Para Marcelino e Galvão, a lei desconstrói uma série de direitos, ataca as instituições públicas que regulam o trabalho, em especial a Justiça do Trabalho, e fragiliza os sindicatos. (Congresso Nacional, Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, ementa e art. 6º; Krein, O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o esvaziamento da ação coletiva, p. 87; Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 166)

O Arquivo Nacional registra que a reforma trabalhista trouxe mudanças significativas na CLT, como a flexibilização de normas e a ampliação das formas de contratação, defendidas pelo governo como modernizadoras e criticadas por seus efeitos sobre direitos e condições de trabalho. A reforma da Previdência gerou grande insatisfação popular e foi suspensa ainda no governo Temer, segundo Marcelino e Galvão. (Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia, parágrafo sobre as reformas do governo; Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, p. 165)

Por que a greve não barrou a reforma

Para Marcelino e Galvão, a reforma trabalhista não provocou mobilizações muito expressivas na fase final da aprovação. Elas apontam como causas a precariedade em que a maioria dos trabalhadores já vivia, a adesão de parte do sindicalismo ao discurso da modernização e da flexibilização, a difusão desse discurso pela mídia e do culto ao empreendedorismo, a lógica do menos pior, segundo a qual é melhor ter menos direitos do que perder o emprego, e a divisão das centrais, parte das quais apostou em negociar com o governo uma medida provisória. Em 2019, segundo elas, não houve resistência importante às mudanças do governo Bolsonaro, ao contrário das duas greves gerais de 2017. (Marcelino e Galvão, O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora, pp. 165, 166 e 175)

Krein, que escreveu em 2018, lê 2017 como o ano em que o governo e o Congresso desmontaram direitos sociais e trabalhistas conquistados em cem anos, com medidas que seguiam o documento Uma Ponte para o Futuro, lançado pelo PMDB em 2015. (Krein, O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o esvaziamento da ação coletiva, p. 77)

O que se reivindicava

Para se aprofundar

Principal
  • MARCELINO, Paula; GALVÃO, Andréia. O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora. São Paulo: Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 32, n. 1, pp. 157-182, jan./abr. 2020, 2020. Onde ler: pp. 165, 166, 168, 175 e 182.

    “Mas, ao contrário do anunciado quando da admissibilidade do processo de impeachment, o movimento sindical demorou a organizar uma greve geral, realizada apenas em 28 de abril de 2017.”

    p. 165

    Ler grátis: O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora ↗

Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (22)

Fontes desta página

  1. MARCELINO, Paula; GALVÃO, Andréia. O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora. São Paulo: Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 32, n. 1, pp. 157-182, jan./abr. 2020, 2020. Abrir ↗
  2. FERES JÚNIOR, João; CANDIDO, Marcia Rangel; MELO, Patricia Bandeira de; VIEIRA, Lidiane Rezende. A cobertura jornalística das greves gerais de 2017: paradigma de protesto ou militância política. Campinas: Opinião Pública (CESOP/Unicamp), v. 25, n. 3, pp. 495-530, set./dez. 2019, 2019. Abrir ↗
  3. KREIN, José Dari. O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o esvaziamento da ação coletiva: consequências da reforma trabalhista. São Paulo: Tempo Social, revista de sociologia da USP, v. 30, n. 1, pp. 77-104, abr. 2018, 2018. Abrir ↗
  4. Congresso Nacional. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017 (reforma trabalhista). planalto.gov.br, 13/07/2017. Abrir ↗
  5. Arquivo Nacional. Michel Miguel Elias Temer Lulia (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  6. Paula Marcelino e Andréia Galvão. O sindicalismo brasileiro diante da ofensiva neoliberal restauradora (Tempo Social, v. 32, n. 1, 2020). scielo.br. Abrir ↗
  7. João Feres Júnior, Marcia Rangel Candido, Patricia Bandeira de Melo e Lidiane Rezende Vieira. A cobertura jornalística das greves gerais de 2017: paradigma de protesto ou militância política (Opinião Pública, v. 25, n. 3, 2019). scielo.br. Abrir ↗
  8. José Dari Krein. O desmonte dos direitos, as novas configurações do trabalho e o esvaziamento da ação coletiva (Tempo Social, v. 30, n. 1, 2018). scielo.br. Abrir ↗