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Estudos / História do Brasil / Nova República / Michel Temer

Retrato oficial de Michel Temer
Foto: Beto Barata/PR, 2017. CC BY 2.0. Wikimedia Commons ↗

Nova RepúblicaPMDBViés: neoliberal

Michel Temer

Governou de 31/08/2016 a 01/01/2019

Procurador do estado e líder do PMDB, foi vice de Dilma Rousseff e assumiu a Presidência com o impeachment de 2016, de forma interina em maio e efetiva em agosto. O governo dele aprovou o teto de gastos, a terceirização da atividade principal e a reforma trabalhista. Para a coletânea organizada por André Valle e Pedro Narciso, foi o governo de uma aliança neoliberal do capital internacional com a burguesia associada.

Partido
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)
Como chegou
vice-presidente eleito com Dilma Rousseff em 2010 e 2014; assumiu como presidente em exercício em 12 de maio de 2016, com o afastamento dela, e tomou posse em 31 de agosto de 2016, depois da condenação de Dilma pelo Senado
Como saiu
terminou o mandato em 1º de janeiro de 2019 e passou o cargo a Jair Bolsonaro
Nascimento
Tietê (SP), 1940
Antes da presidência
bacharel em direito pela USP (1963) e procurador do estado de São Paulo (1970); procurador-geral do estado e secretário de Segurança Pública de São Paulo; deputado federal constituinte e por seis mandatos seguidos pelo PMDB; presidente da Câmara dos Deputados três vezes a partir de 1997; presidente nacional do PMDB a partir de 2002; vice-presidente da República (2011-2016)

O governo em datas

Michel Temer, 2016–2019

  1. 12/05/2016Temer assume como presidente em exercício.Agência Senado, Senado abre processo de impeachment contra Dilma Rousseff
  2. 31/08/2016Temer toma posse no Plenário do Senado.Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos
  3. 29/11/2016Lei nº 13.365 tira da Petrobras a operação obrigatória do pré-sal.Congresso Nacional, Lei nº 13.365, de 29 de novembro de 2016
  4. 15/12/2016Emenda nº 95 cria o teto de gastos por vinte anos.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016
  5. 16/02/2017Lei nº 13.415 reforma o ensino médio.Congresso Nacional, Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017
  6. 31/03/2017Lei nº 13.429 muda o trabalho temporário e a terceirização.Congresso Nacional, Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017
  7. 13/07/2017Lei nº 13.467, a reforma trabalhista.Congresso Nacional, Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017
  8. 16/02/2018Decreto nº 9.288 cria a intervenção federal no Rio de Janeiro.Presidência da República, Decreto nº 9.288, de 16 de fevereiro de 2018

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Do PMDB à vice-presidência

Michel Temer nasceu em Tietê, em São Paulo, em 23 de setembro de 1940, filho de imigrantes libaneses, formou-se em direito na USP em 1963 e virou procurador do estado em 1970. Filiado ao PMDB desde 1981, foi secretário de Segurança Pública no governo paulista de Franco Montoro e deputado na Assembleia Nacional Constituinte. Ali se manifestou contra a pena de morte, a estabilidade no emprego, a reforma agrária e a redução da jornada para 40 horas semanais, e a favor do direito de greve e da aposentadoria proporcional. (Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Reeleito deputado federal seis vezes seguidas, ele foi relator da reforma da previdência em 1996, presidiu a Câmara dos Deputados três vezes a partir de 1997 e assumiu a presidência nacional do PMDB em 2002. Foi eleito vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff em 2010 e reeleito em 2014. (Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Do impeachment à posse

No fim de 2015, Temer passou a sinalizar apoio ao processo de impeachment, e em março de 2016 o PMDB deixou oficialmente a base do governo. O Arquivo Nacional registra que os críticos chamaram o processo de golpe branco, apontando que as práticas fiscais da acusação eram recorrentes em governos anteriores. (Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Em 12 de maio de 2016, o Senado notificou Temer de que ele era o presidente em exercício, com o afastamento de Dilma, e em 31 de agosto, depois da condenação dela, ele tomou posse no Plenário do Senado. Ao assumir, reduziu o número de ministérios, montou uma equipe só de homens e viu ministros acusados de corrupção deixarem os cargos poucos dias depois da posse. (Agência Senado, Senado abre processo de impeachment contra Dilma Rousseff; Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos; Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Teto de gastos e reforma trabalhista

A Emenda Constitucional nº 95, de dezembro de 2016, criou o Novo Regime Fiscal por vinte anos. A despesa primária da União, que é o gasto sem os juros da dívida, ganhou um limite anual igual ao do ano anterior corrigido pela inflação do IPCA, o que impede o crescimento real desse gasto. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016, arts. 106 e 107)

Em novembro de 2016, a Lei nº 13.365 deixou de obrigar a Petrobras a ser a operadora dos blocos do pré-sal e lhe deu apenas o direito de preferência. Em fevereiro de 2017 veio a reforma do ensino médio, por medida provisória convertida na Lei nº 13.415. (Congresso Nacional, Lei nº 13.365, de 29 de novembro de 2016, ementa; Congresso Nacional, Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, ementa)

A Lei nº 13.429, de março de 2017, mudou as regras do trabalho temporário e da terceirização. A reforma trabalhista, Lei nº 13.467, de julho de 2017, deu à convenção e ao acordo coletivo prevalência sobre a lei em temas como a jornada, criou o contrato de trabalho intermitente, com períodos de serviço alternados com períodos sem trabalho, e condicionou a contribuição sindical à autorização prévia e expressa de cada trabalhador. A mesma lei permitiu terceirizar qualquer atividade da empresa, inclusive a principal. (Congresso Nacional, Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017, ementa; Congresso Nacional, Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017, art. 1º, arts. 443, 578 e 611-A da CLT, e art. 2º, art. 4º-A da Lei nº 6.019)

Em fevereiro de 2018, o Decreto nº 9.288 pôs a segurança pública do Rio de Janeiro sob intervenção federal até o fim do ano e nomeou interventor o general Walter Souza Braga Netto, num cargo de natureza militar. O Arquivo Nacional registra que o governo teve baixa popularidade e enfrentou protestos frequentes. (Presidência da República, Decreto nº 9.288, de 16 de fevereiro de 2018, arts. 1º e 2º; Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Como os marxistas leram o governo

A coletânea organizada por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso chama esse período de aliança neoliberal, segundo a resenha de Luciana Raimundo. O capital internacional e a burguesia associada a ele apoiaram o teto de gastos e o corte dos subsídios do Tesouro aos empréstimos do BNDES, e o grande capital nacional se articulou para aprovar medidas contra os trabalhadores. (Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151)

Ricardo Souza Araujo vê no governo, que ele chama de ilegítimo, a terceira fase do que ele chama de austericídio fiscal, com retrocessos históricos em direitos trabalhistas e sociais, baseada no programa Ponte para o Futuro, de 2015, e depois intensificada no governo Bolsonaro. Para ele, o teto proibiu o aumento real das despesas sociais por vinte anos, e a reforma trabalhista autorizou contratos precários e o trabalho intermitente, com o negociado acima do legislado. (Araujo, Arcabouço fiscal, p. 600)

Armando Boito avaliou, em 2018, que as reformas avançaram pela fraqueza da frente neodesenvolvimentista e do campo popular fora das eleições. Para ele, as maiores dificuldades de Temer vieram do próprio campo golpista, com as duas denúncias da Procuradoria-Geral da República, e do lado popular houve só a greve de 28 de abril, que foi forte. (Boito Jr., Conflito distributivo de classes inundou e continua inundando o processo político nacional, resposta sobre o avanço das reformas de Temer)

Em 2020, Boito pôs a reforma trabalhista de Temer na série de derrotas populares que abriu caminho para a eleição de Jair Bolsonaro, ao lado do impeachment e da prisão de Lula. A coletânea de Valle e Narciso vê na impopularidade do governo uma crise de hegemonia que levou de um governo golpista a um governo fascista. Thiago Barison acrescenta que a prisão e a inelegibilidade de Lula abriram caminho para legitimar nas urnas uma alternativa ao neodesenvolvimentismo. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 116; Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151; Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 82)

Depois de deixar a Presidência, Temer foi preso preventivamente em março de 2019, na Operação Radioatividade, sob suspeita de fraudes em contratos da usina nuclear de Angra 3, e foi absolvido dessas acusações em 2022. (Arquivo Nacional, Michel Miguel Elias Temer Lulia)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita
Bloco no poder
aliança neoliberal do capital internacional com a burguesia associada, com apoio do grande capital nacional às medidas contra os trabalhadores (Valle e Narciso, segundo Raimundo, 2024, p. 151)
Relação com o imperialismo
alinhamento

Lutas de classes no governo

  • Greve geral de 2017 · 2017 · Todo o país, em 26 estados e no Distrito Federal, segundo os organizadores

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (28)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Michel Miguel Elias Temer Lulia (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  2. Agência Senado. Senado abre processo de impeachment contra Dilma Rousseff (Senado Notícias, 12/05/2016). www12.senado.leg.br, 12/05/2016. Abrir ↗
  3. Agência Senado. Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos (Senado Notícias, 31/08/2016). www12.senado.leg.br, 31/08/2016. Abrir ↗
  4. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016 (Novo Regime Fiscal). planalto.gov.br, 15/12/2016. Abrir ↗
  5. Congresso Nacional. Lei nº 13.365, de 29 de novembro de 2016 (Petrobras no regime de partilha). planalto.gov.br, 29/11/2016. Abrir ↗
  6. Congresso Nacional. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017 (reforma do ensino médio). planalto.gov.br, 16/02/2017. Abrir ↗
  7. Congresso Nacional. Lei nº 13.429, de 31 de março de 2017 (trabalho temporário e terceirização). planalto.gov.br, 31/03/2017. Abrir ↗
  8. Congresso Nacional. Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017 (reforma trabalhista). planalto.gov.br, 13/07/2017. Abrir ↗
  9. Presidência da República. Decreto nº 9.288, de 16 de fevereiro de 2018 (intervenção federal no Rio de Janeiro). planalto.gov.br, 16/02/2018. Abrir ↗
  10. RAIMUNDO, Luciana. A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro (resenha do livro organizado por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso). Crítica Marxista, n. 57, pp. 149-151, 2024. Abrir ↗
  11. ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Abrir ↗
  12. BOITO JR., Armando. Conflito distributivo de classes inundou e continua inundando o processo político nacional (entrevista ao IHU On-Line, julho de 2018). 2018. Abrir ↗
  13. BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Abrir ↗
  14. BARISON, Thiago. O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado. Crítica Marxista, n. 56, pp. 77-84, 2023. Abrir ↗
  15. BOITO JR., Armando. A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia. Crítica Marxista, n. 42, pp. 155-162, 2016. Abrir ↗