Explicação
Das massas para as massas
Em 1943, num texto escrito em nome do Comitê Central do Partido Comunista da China, Mao Tsé-tung disse que os comunistas devem usar dois métodos em todo o trabalho. O primeiro é ligar o geral ao particular, e o segundo é ligar a direção às massas. (Mao, Algumas questões sobre os métodos de direção, ficha da página e item 1)
Para Mao, toda direção correta vai das massas para as massas. Isso quer dizer recolher as ideias das massas, que chegam dispersas e sem sistema, concentrá-las pelo estudo em ideias sistematizadas e voltar às massas para explicá-las até que elas as tomem como suas e as ponham em prática. A justeza dessas ideias se verifica na própria ação das massas, e o processo se repete, de modo que as ideias ficam cada vez mais corretas e mais ricas. Mao chama isso de teoria marxista do conhecimento. (Mao, Algumas questões sobre os métodos de direção, item 4)
O núcleo dirigente e as três camadas
Mao escreveu que onde há massas há, em geral, três camadas de pessoas, as relativamente ativas, as intermediárias e as relativamente atrasadas. O dirigente deve unir à sua volta o pequeno número de ativos e apoiar-se neles para elevar os intermediários e ganhar os atrasados. Para ele, um núcleo dirigente ligado às massas só se forma aos poucos, dentro da luta, e um núcleo ativo isolado das massas se reduz ao esforço inútil de um punhado de pessoas. (Mao, Algumas questões sobre os métodos de direção, item 3)
Mao também criticou o dirigente que só lança apelos gerais. Para ele, o apelo geral precisa vir junto com a direção concreta de algumas unidades estudadas a fundo, e quem não faz isso cai no burocratismo, com apelos que ficam no papel ou na sala de reuniões. (Mao, Algumas questões sobre os métodos de direção, itens 2 e 5)
A vida das massas
Em 1934, Mao pediu aos comunistas que pusessem na ordem do dia todos os problemas práticos da vida das massas, da terra e do trabalho ao sal, à escola, à ponte e à saúde. Segundo ele, é assim que as massas entendem que os comunistas representam os seus interesses e chegam, a partir dessas realidades, à compreensão das tarefas mais elevadas. (Mao, Maior preocupação com a vida das massas e maior atenção aos métodos de trabalho, §§ 2 e 5)
Agitação, propaganda e convivência
Em Que fazer?, Lênin distinguiu o propagandista, que explica muitas ideias a poucas pessoas, do agitador, que toma um fato conhecido de todos e faz uma única ideia chegar às massas. Em 1922, ele pediu que os sindicatos tivessem militantes, comunistas ou não, que vivessem na vida operária, conhecessem o ânimo e as necessidades das massas e medissem o grau de consciência delas sem idealizá-las. Lênin via como um dos maiores perigos para um partido pequeno o de se afastar das massas e avançar sem que a frente estivesse alinhada. (Lênin, Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento, cap. III, alínea b, § 4; Lênin, Sobre o papel e as tarefas dos sindicatos nas condições da nova política econômica, § 17)
Antonio Gramsci escreveu nos Cadernos que o elemento popular sente, mas nem sempre compreende ou sabe, e que o intelectual sabe, mas nem sempre compreende e, sobretudo, nem sempre sente. Para ele, o erro do intelectual é achar que pode saber sem sentir as paixões do povo, sem compreendê-las e sem explicá-las na situação histórica concreta. (Gramsci, Cadernos do cárcere, Q 11, § 67, seção 4, § 43)
Um exemplo brasileiro
Em 15 de julho de 1945, num discurso ao povo de São Paulo, Luiz Carlos Prestes disse que a tarefa fundamental dos comunistas era organizar o povo do campo e da cidade e atraí-lo para a vida política e para a luta pelas suas reivindicações imediatas. Ele anunciou que os Comitês Democráticos Populares já se organizavam em todo o país como células iniciais dessa organização, nas quais o povo diria as suas reivindicações e revelaria os seus próprios líderes. Prestes pediu também que as massas do campo fossem reunidas em clubes, associações e ligas camponesas pela luta das reivindicações mais sentidas. (Prestes, Problemas atuais da democracia, “Organizar o povo para a democracia”, ficha da página e §§ 15, 62, 63 e 68)