Explicação
Organizações de massa
Em Que fazer?, de 1902, Lênin separou as organizações de massa dos trabalhadores da organização de revolucionários. Ele escreveu que a organização dos operários para a luta econômica deve ser sindical e a mais ampla possível. Dela deve participar, segundo Lênin, todo operário que entenda a necessidade da união para lutar contra os patrões e o governo, e seria um erro exigir que só os militantes do partido fossem membros. (Lênin, Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento, cap. IV, alínea c, §§ 2, 4 e 19)
Centros de resistência
Em 1865, num informe ao Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores, Karl Marx disse que os sindicatos funcionam bem como centros de resistência contra os abusos do capital. Para ele, os sindicatos falham quando se limitam a escaramuças contra os efeitos do sistema existente, em vez de usarem as suas forças organizadas como alavanca para a emancipação da classe operária, isto é, para abolir o trabalho assalariado. (Marx, Salário, preço e lucro, índice e cap. 14, § 21)
Marx também avisou que os trabalhadores não devem exagerar o resultado das lutas diárias, porque elas combatem os efeitos e não as causas e contêm a queda das condições de vida sem mudar a sua direção. Por isso, segundo ele, a classe operária deveria trocar a palavra de ordem de um salário justo por uma jornada justa pela abolição do sistema de trabalho assalariado. (Marx, Salário, preço e lucro, cap. 14, § 17)
Rosa Luxemburgo chamou a luta sindical de trabalho de Sísifo, isto é, um esforço que precisa ser recomeçado sem fim, porque a entrada de novos trabalhadores no mercado ultrapassa sempre a organização e o aumento da produtividade reduz sempre a parte dos operários na riqueza. Para ela, esse trabalho é indispensável para que o operário receba o salário que a situação do mercado permite e para atenuar a tendência de piora das suas condições, mas não transforma o modo de produção capitalista. (Luxemburgo, Reforma social ou revolução?, parte II, cap. 2, §§ 8, 9 e 12)
Escolas da classe
Em 1919, Antonio Gramsci observou que muitos operários sentiam o aparelho sindical como uma máquina estranha a eles, que esmagava o homem e esterilizava o espírito criador. Ele via no conselho de fábrica, eleito por equipes de trabalho dentro da empresa, a primeira célula de uma nova organização dos produtores e um órgão de educação recíproca dos trabalhadores. (Gramsci, Sindicatos e conselhos, §§ 2, 5, 6 e 8)
Em 1922, já sob o poder soviético, Lênin chamou os sindicatos de escola do comunismo. Ele defendeu a filiação voluntária e escreveu que os sindicatos não devem exigir dos membros um credo político, porque só são eficazes quando reúnem camadas muito amplas de operários sem partido. Lênin acrescentou que a ligação com a grande maioria dos operários é a condição mais importante para o êxito dos sindicatos. (Lênin, Sobre o papel e as tarefas dos sindicatos nas condições da nova política econômica, §§ 2, 10, 14, 17 e 24)
Movimento e partido
Lênin avisou que a organização sindical e a organização política são diferentes e que, em países com liberdade política, ninguém propõe confundir o sindicato com o partido. Em 1991, Florestan Fernandes cobrou do PT um estudo sério dos movimentos sociais, como o movimento negro, o agrário, o estudantil e o das mulheres. Para ele, esses movimentos têm conteúdos reformistas e revolucionários que precisam ser entendidos junto com a luta de classes e o movimento sindical. (Lênin, Que fazer? Problemas candentes do nosso movimento, cap. IV, alínea c, § 3; Fernandes, O PT em movimento, § 66)
Um exemplo brasileiro
Em 1979, cerca de 150 mil metalúrgicos do estado de São Paulo pararam, e em 1980 a greve dos metalúrgicos do ABC paulista durou 41 dias e terminou com demissões, intervenção nos sindicatos e prisão de líderes sindicais. Em 1981 reuniu-se a primeira Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, e em 1983 foi criada a Central Única dos Trabalhadores, a CUT. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 50 e 59)
Florestan Fernandes escreveu que a greve de 1978 fez uma ruptura, porque pôs de um lado o grande capital e a ditadura e do outro os operários e o movimento sindical. Para ele, esse novo sindicalismo tinha as suas bases dentro das fábricas e nas comissões formadas para enfrentar a repressão, e o Partido dos Trabalhadores se vinculou a ele. (Fernandes, O PT em movimento, § 31)