Do momento / Ajuste fiscal
Ajuste fiscal
O arcabouço fiscal, criado pela Lei Complementar nº 200, de 2023, limita o crescimento do gasto do governo a 70% do aumento da receita, entre 0,6% e 2,5% acima da inflação. Em 2026, o governo contém R$ 16,1 bilhões em despesas para cumprir a meta e o limite de gastos. Para o marxista Ricardo Souza Araujo, a regra torna permanente o subfinanciamento das políticas sociais em favor da dívida pública.
● Último fato
22/10/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, e o Ministério do Planejamento anunciou um remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões no projeto, sem elevar o limite de despesas. (Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026)
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Onde a pauta estáatualizado em 31/10/2026
Em setembro de 2026, o governo contingenciou R$ 13,6 bilhões e manteve R$ 2,4 bilhões bloqueados para cumprir a meta de resultado primário zero e o limite de gastos do arcabouço. O projeto de Orçamento de 2027 prevê superávit de R$ 83,4 bilhões depois das compensações permitidas, acima da meta de R$ 73,2 bilhões. (Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, §§ 5 e 6)
O que é o arcabouço fiscal
O arcabouço fiscal é o regime criado pela Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023, que substituiu o teto de gastos da Emenda Constitucional nº 95, de 2016, que limitava a despesa ao valor do ano anterior corrigido pela inflação por vinte anos. Pela lei de 2023, a despesa primária, que é o gasto do governo sem contar os juros da dívida, só pode crescer 70% do aumento real da receita, ou 50% se a meta do ano anterior falhar, e nunca menos de 0,6% nem mais de 2,5% acima da inflação. A lei também manda fixar uma meta de resultado primário, a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta sem os juros, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos. (Congresso Nacional, Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023, arts. 2º, 5º e 11; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016, arts. 106 e 107 do ADCT; Araujo, Arcabouço fiscal, p. 602)
Em dezembro de 2024, a Lei Complementar nº 211 acrescentou gatilhos à regra. Se o governo central fechar um ano com déficit primário a partir de 2025, fica proibido, no ano seguinte ao da apuração, aprovar novo benefício tributário e, até 2030, programar aumento real do gasto com pessoal acima do piso de 0,6%. (Congresso Nacional, Lei Complementar nº 211, de 30 de dezembro de 2024, art. 1º, novo art. 6º-A)
Onde as contas estão
A meta de 2026 é de resultado primário zero, o equilíbrio entre receitas e despesas sem os juros. Em 24 de setembro, o relatório bimestral do governo reduziu a contenção de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, com R$ 2,4 bilhões de bloqueio, para respeitar o limite de gastos, e R$ 13,6 bilhões de contingenciamento, para não ficar abaixo do piso da meta. O Decreto nº 13.130, de 30 de setembro, distribuiu esses limites entre os ministérios. (Ministério do Planejamento e Orçamento, Governo reduz contenção total das despesas em 2026 para R$ 16,1 bilhões, notícia de 24/09/2026, §§ 1 a 3 e 7; Presidência da República, Decreto nº 13.130, de 30 de setembro de 2026, arts. 1º e 2º e anexo I)
Segundo o Ipea, o governo central teve déficit primário de R$ 93,7 bilhões de janeiro a agosto de 2026, e a dívida bruta do governo geral chegou a cerca de 82,9% do PIB em agosto. O projeto de Orçamento de 2027 prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, que sobe para R$ 83,4 bilhões com as compensações permitidas, sobretudo a exclusão dos precatórios, as dívidas judiciais da União, acima da meta de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do PIB. Em 22 de outubro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a previsão de superávit está mantida, e o Ministério do Planejamento anunciou que vai propor um remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões no projeto, sem elevar o limite de despesas. (Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, §§ 2, 4 e 6; Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026)
Quem quer o quê
O ministro Durigan sustenta que as medidas de 2026, como o reajuste de cerca de 15% do Bolsa Família, as ações sobre o preço dos combustíveis e a proposta de tarifa zero nos fins de semana, cabem nas regras fiscais sem alterá-las. O Ipea estima que o reajuste do Bolsa Família e a proibição das apostas de quota fixa pioram em R$ 27,8 bilhões as contas previstas para 2027. As expectativas do mercado financeiro, reunidas nos levantamentos Focus e Prisma Fiscal e citadas pelo Ipea, apontam déficit até 2029 e dívida bruta de 95,1% do PIB em 2030. (Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026; Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, §§ 7 e 8)
Para Elaine Behring, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o arcabouço nasceu de uma exigência da negociação da PEC de Transição, que pedia ao novo governo uma âncora fiscal justificada pelo controle da dívida e da inflação. Ela vê como objetivo principal da regra assegurar a governabilidade, sinalizando ao mercado financeiro que o risco de calote está controlado. (Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, pp. 770, 772 e 773)
A leitura marxista
Ricardo Souza Araujo analisa o arcabouço com o método dialético, a partir do capitalismo dependente e da superexploração da força de trabalho descrita por Ruy Mauro Marini. Para ele, a regra é uma legitimação, com verniz progressista, do teto de gastos, porque transforma o ajuste fiscal e o subfinanciamento das políticas sociais em política de Estado permanente, em favor da rolagem da dívida pública. Araujo afirma que a banda de 0,6% a 2,5% fica muito abaixo do crescimento médio de 5% ao ano das despesas sociais nos dois primeiros governos Lula, segundo David Deccache, e que os novos limites ameaçam os pisos constitucionais da saúde e da educação. (Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 594, 595 e 602)
Behring vê no arcabouço mais um capítulo do ajuste fiscal permanente iniciado com o Plano Real e com o acordo de 1999 com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que criou a meta de superávit primário. Com juros perto de 15% ao ano, diz ela, a regra corta o gasto primário e quase não toca no gasto com juros. Ela lembra que o fundo público é feito de mais-valia, o valor que os trabalhadores produzem além do próprio salário, e de trabalho necessário, a parte que corresponde aos salários, e que ele pesa mais sobre os salários porque no país prevalecem os impostos sobre o consumo. (Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, pp. 770, 771, 773 e 778)
O economista polonês Michał Kalecki explicou em 1943 por que os industriais resistem ao pleno emprego garantido pelo gasto público, porque com emprego para todos a demissão perde o papel de disciplina na fábrica e cresce a consciência de classe dos trabalhadores. A economista Clara Mattei, em A ordem do capital, mostra que as austeridades fiscal, monetária e industrial trabalharam juntas para baixar os salários e transferir riqueza para as classes altas. (Kalecki, Aspectos políticos do pleno emprego, §§ 10 e 16; Mattei, A ordem do capital, introdução, livreto da Boitempo, p. 6)
Divergências
O governo e os dois autores divergem no diagnóstico, já que o ministro Durigan diz que as medidas de 2026 cabem nas regras, e Araujo e Behring afirmam que a própria regra impede a expansão dos direitos. Behring reconhece que o arcabouço é mais flexível que o teto de gastos, e Araujo o chama de avanço em relação à emenda de 2016, mas os dois concluem que ele mantém o país nos trilhos do ajuste. Araujo defende lutar contra a agenda de ajuste fiscal, seja qual for o governo que a aplique. (Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026; Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, pp. 772 e 773; Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 602 e 606)
Os conceitos que explicam a pauta
AusteridadeDívida públicaPleno empregoRentismoDireitos universaisExército de reservaPrivatização
Para ler
ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Onde ler: pp. 594, 595, 602 e 606.
“Neste contexto, surge o Arcabouço Fiscal, como uma legitimação com verniz “progressista’ da “Teto de Gastos” instituído por Temer, que transforma o ajuste fiscal e o subfinanciamento das políticas sociais em política de Estado permanente, em favor da manutenção da rolagem da Dívida Pública e em detrimento do orçamento da Educação, Saúde e demais políticas sociais.”
p. 595Ler grátis: Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula ↗
MATTEI, Clara E.. A ordem do capital: como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo. Trad. Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2023. Onde ler: introdução, livreto da Boitempo, p. 6.
KALECKI, Michał. Aspectos políticos do pleno emprego. 1943. Onde ler: §§ 10 e 16.
Ler grátis: Aspectos políticos do pleno emprego ↗Ficha da obra: Aspectos políticos do pleno emprego
BEHRING, Elaine Rossetti. Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais: para onde aponta o Novo Arcabouço Fiscal brasileiro? (entrevista especial com Elaine Rossetti Behring, por Franci Gomes Cardoso). São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 770-778, 2025, 2025. Onde ler: pp. 770 a 773 e 778.
De onde vem cada afirmação desta página (32)
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoO arcabouço é um avanço em relação à emenda do teto de gastos, mas está aquém das necessidades populares.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 602
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoO arcabouço fiscal é uma legitimação com verniz progressista do teto de gastos e transforma o ajuste fiscal e o subfinanciamento das políticas sociais em política de Estado permanente, em favor da rolagem da dívida pública e em detrimento da educação, da saúde e das demais políticas sociais.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 595
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoÉ necessário lutar contra a agenda de ajuste fiscal, independentemente do governo que a exerça.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 606
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoA banda de 0,6% a 2,5% está muito aquém da média dos governos Lula I e II, cujas despesas sociais cresciam em média 5% ao ano, segundo David Deccache.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 602
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoOs novos limites põem em risco os pisos constitucionais da saúde, de 15% da receita corrente líquida, e da educação, de 18% da receita de impostos.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 602
- FatoO Projeto de Lei Complementar nº 93/2023, aprovado como Lei Complementar nº 200/2023, instituiu o Regime Fiscal Sustentável para substituir a Emenda Constitucional nº 95/2016.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 602
- FatoAraujo analisa o arcabouço com o método dialético, no contexto do capitalismo dependente, e se apoia em Marini para tratar da superexploração da força de trabalho na América Latina.Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 594 e 595
- Interpretação · Elaine Rossetti BehringO novo arcabouço é mais flexível que o teto de gastos, mas mantém o país nos trilhos do ajuste fiscal, com metas de déficit zero e de retomada gradual do superávit primário.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, pp. 772 e 773
- Interpretação · Elaine Rossetti BehringO fundo público é um compósito de mais-valia socialmente produzida e de trabalho necessário e se sustenta de forma regressiva sobre os salários, porque prevalece a tributação indireta sobre o consumo.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, p. 778
- Interpretação · Elaine Rossetti BehringCom juros em torno de 15% ao ano, o arcabouço pouco incide sobre o gasto financeiro, e o seu objetivo principal é assegurar governabilidade, sinalizando ao mercado financeiro o controle dos riscos de calote.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, p. 773
- Interpretação · Elaine Rossetti BehringDesde o Plano Real, e mais ainda desde o acordo com o FMI de 1999, que instaurou o superávit primário, o Brasil vive sob um ajuste fiscal permanente, com implicações contrarreformistas sobre os direitos da Constituição de 1988.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, pp. 770 e 771
- Interpretação · Elaine Rossetti BehringUma das exigências da PEC de Transição foi que o novo governo propusesse uma âncora fiscal, e daí veio o novo arcabouço, sempre justificado pelo controle da dívida pública e da inflação.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, p. 772
- FatoElaine Rossetti Behring é professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no Departamento de Política Social da Faculdade de Serviço Social.Behring, Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais, p. 770, nota 1
- FatoO Decreto nº 13.130, de 30 de setembro de 2026, alterou os anexos do decreto de programação orçamentária e financeira de 2026, entre eles o dos limites de movimentação e empenho e contenção de despesas.Presidência da República, Decreto nº 13.130, de 30 de setembro de 2026, arts. 1º e 2º e anexo I
- FatoEm 22 de outubro de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a previsão de superávit primário no Orçamento de 2027 está mantida e que as medidas anunciadas em 2026 foram planejadas dentro das regras fiscais vigentes, sem alterar o arcabouço.Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026
- FatoEntre as medidas anunciadas em 2026 estão o reajuste do Bolsa Família em cerca de 15%, ações para reduzir o custo dos combustíveis, o Desenrola 3.0 e uma PEC para instituir tarifa zero no transporte público nos fins de semana e feriados.Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026
- FatoO Ministério do Planejamento anunciou que o governo pretende enviar ao Congresso uma alteração do projeto de Orçamento de 2027, com remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões, sem elevar o limite total de despesas.Agência Brasil, Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan, reportagem de 22/10/2026
- FatoA Emenda Constitucional nº 95, de 2016, instituiu o Novo Regime Fiscal por vinte exercícios, com limites para as despesas primárias iguais ao limite do ano anterior corrigido pela variação do IPCA.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016, arts. 106 e 107, § 1º, II, do ADCT
- FatoEntre janeiro e agosto de 2026, o governo central registrou déficit primário de R$ 93,7 bilhões, a preços de agosto de 2026, ante R$ 87,4 bilhões no mesmo período de 2025.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 2
- FatoEm agosto de 2026, a dívida bruta do governo geral atingiu cerca de 82,9% do PIB.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 4
- FatoO reajuste do Bolsa Família e a proibição das apostas de quota fixa representam deterioração fiscal estimada em R$ 27,8 bilhões em relação às projeções do projeto de Orçamento de 2027, antes de medidas compensatórias.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 7
- Interpretação · Expectativas de mercado do Focus e do Prisma Fiscal, segundo o IpeaAs expectativas de mercado de setembro de 2026 indicam ajuste fiscal gradual sem superávit primário até 2029, e no Focus a dívida bruta passaria de 83,4% do PIB em 2026 para 95,1% em 2030.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 8
- FatoO projeto de Orçamento de 2027 prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões, 0,13% do PIB, e, com compensações de R$ 64,7 bilhões, sobretudo pela exclusão de precatórios, o resultado para fins da meta chega a R$ 83,4 bilhões, acima da meta central de R$ 73,2 bilhões, 0,50% do PIB.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 6
- FatoNo relatório do quarto bimestre de 2026, o déficit primário projetado passou de R$ 52,01 bilhões para R$ 80,94 bilhões, e, depois das deduções autorizadas, de R$ 67,29 bilhões, o resultado ficou R$ 13,65 bilhões abaixo do limite inferior da meta, o que exige limitação de empenho nesse montante.Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea), Panorama Fiscal, § 5
- Interpretação · Michał KaleckiSob pleno emprego permanente, as demissões perderiam o papel de medida disciplinar, a posição social do chefe seria minada e a autoconfiança e a consciência de classe dos trabalhadores aumentariam.Kalecki, Aspectos políticos do pleno emprego, § 16
- Interpretação · Michał KaleckiA oposição dos líderes industriais ao pleno emprego permitido pelos gastos do governo tem três razões, a aversão à interferência do governo no emprego, à direção dos gastos públicos e às mudanças sociais e políticas do pleno emprego duradouro.Kalecki, Aspectos políticos do pleno emprego, § 10
- FatoA variação real dos limites da despesa primária fica limitada a 70% da variação real da receita primária, ou a 50% se a meta de resultado primário do ano anterior não for cumprida, e não pode ser inferior a 0,6% nem superior a 2,5% ao ano.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023, art. 5º, I e II, e § 1º
- FatoA lei de diretrizes orçamentárias fixa metas anuais de resultado primário do governo central compatíveis com a trajetória sustentável da dívida pública, com intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para menos e para mais.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023, art. 2º e art. 11, na nova redação do art. 4º, § 5º, IV, da LRF
- FatoSe o governo central apurar déficit primário a partir de 2025, ficam vedadas no ano seguinte ao da apuração, até haver superávit, a lei que conceda ou amplie benefício tributário e, até 2030, a programação de crescimento real da despesa com pessoal acima do índice inferior do arcabouço.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 211, de 30 de dezembro de 2024, art. 1º, novo art. 6º-A da LC nº 200
- Interpretação · Clara E. MatteiAs austeridades fiscal, monetária e industrial trabalharam juntas para pressionar os salários para baixo e transferir a riqueza e os recursos nacionais para as classes altas.Mattei, A ordem do capital, introdução, livreto da Boitempo, p. 6
- FatoEm 24 de setembro de 2026, ao publicar o relatório de avaliação do quarto bimestre, o governo reduziu a contenção total de despesas de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, com bloqueio de R$ 2,4 bilhões e contingenciamento de R$ 13,6 bilhões.Ministério do Planejamento e Orçamento, Governo reduz contenção total das despesas em 2026 para R$ 16,1 bilhões, notícia de 24/09/2026, §§ 1 a 3
- FatoO contingenciamento de R$ 13,6 bilhões serve para cumprir o limite inferior da meta de resultado primário de 2026, que é zero, o equilíbrio entre receitas e despesas.Ministério do Planejamento e Orçamento, Governo reduz contenção total das despesas em 2026 para R$ 16,1 bilhões, notícia de 24/09/2026, § 7
Fontes desta página
- Congresso Nacional. Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023 (regime fiscal sustentável). planalto.gov.br, 30/08/2023. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016 (Novo Regime Fiscal). planalto.gov.br, 15/12/2016. Abrir ↗
- ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei Complementar nº 211, de 30 de dezembro de 2024 (altera o regime fiscal sustentável). planalto.gov.br, 30/12/2024. Abrir ↗
- Ministério do Planejamento e Orçamento. Governo reduz contenção total das despesas em 2026 para R$ 16,1 bilhões (Ministério do Planejamento e Orçamento, 24/09/2026). gov.br, 24/09/2026. Abrir ↗
- Presidência da República. Decreto nº 13.130, de 30 de setembro de 2026 (programação orçamentária e financeira de 2026). planalto.gov.br, 30/09/2026. Abrir ↗
- Marco A. F. H. Cavalcanti e Sergio Fonseca Ferreira (Ipea). Panorama Fiscal: evolução recente e perspectivas (Carta de Conjuntura do Ipea, 08/10/2026). ipea.gov.br, 08/10/2026. Abrir ↗
- Agência Brasil. Previsão de superávit no Orçamento de 2027 está mantida, diz Durigan (Agência Brasil, 22/10/2026). agenciabrasil.ebc.com.br, 22/10/2026. Abrir ↗
- BEHRING, Elaine Rossetti. Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais: para onde aponta o Novo Arcabouço Fiscal brasileiro? (entrevista especial com Elaine Rossetti Behring, por Franci Gomes Cardoso). São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 770-778, 2025, 2025. Abrir ↗
- KALECKI, Michał. Aspectos políticos do pleno emprego. 1943. Abrir ↗
- MATTEI, Clara E.. A ordem do capital: como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo. Trad. Heci Regina Candiani. São Paulo: Boitempo, 2023.
- Ricardo Souza Araujo. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula (Revista de Políticas Públicas, v. 29, n. 2, 2025). periodicoseletronicos.ufma.br. Abrir ↗
- Elaine Rossetti Behring e Franci Gomes Cardoso. Políticas de desenvolvimento econômico, ajustes fiscais ou direitos sociais: para onde aponta o Novo Arcabouço Fiscal brasileiro? (entrevista com Elaine Rossetti Behring, Revista de Políticas Públicas, v. 29, n. 2, 2025). periodicoseletronicos.ufma.br. Abrir ↗
- Michał Kalecki. Aspectos políticos do pleno emprego (tradução de José Carlos Ruy, do Portal Vermelho), no MIA. marxists.org. Abrir ↗
- Clara E. Mattei. Austeridade, antes e agora (livreto da Boitempo, fev. 2026, com o texto de A ordem do capital, pp. 24-39). blogdaboitempo.com.br, 01/02/2026. Abrir ↗