Pular para o conteúdo

Do momento / MBL

MBL

O MBL é, para Diego Oliveira e Eliel Machado, um movimento liberal e conservador de frações da classe média que apoiam frações da burguesia. O partido ligado a ele, o Missão, registrado pelo TSE em novembro de 2025, elegeu em 2026 um deputado federal e um estadual por São Paulo. O candidato do partido a presidente, Renan Santos, teve 2,24% dos votos válidos.

● Último fato

04/10/2026

No primeiro turno, o Missão elegeu Kim Kataguiri deputado federal por São Paulo, com 520.071 votos, e Rafa Minato deputado estadual; Renan Santos, candidato do partido a presidente, teve 2,24% dos votos válidos. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização das Eleições Gerais Estaduais 2026, São Paulo, 1º turno, 6259_SP_SÃO-PAULO_2026_T1.pdf, pp. 190 e 226 do PDF (Anexo IX))

A pauta sai de "Do momento" quando passa 90 dias sem fato novo.

Onde a pauta estáatualizado em 31/10/2026

O Missão, partido ligado ao MBL e registrado pelo TSE em 4 de novembro de 2025, elegeu em 2026 um deputado federal e um deputado estadual, os dois por São Paulo. O candidato do partido a presidente, Renan Santos, teve 2,24% dos votos válidos no primeiro turno. (Tribunal Superior Eleitoral, Candidatos das eleições de 2026, consulta_cand_2026_BRASIL.csv, contagem nossa das linhas do partido 14 (método no RELATORIO))

O que é e de onde vem

O Movimento Brasil Livre (MBL) diz ter sido fundado em 1º de novembro de 2014 por Renan Santos, Kim Kataguiri, Alexandre Santos, Rafael Rizzo e outros. Diego Oliveira e Eliel Machado, na revista Lutas Sociais, descrevem o MBL como um movimento liberal e conservador que ganhou expressão na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff. Segundo eles, o grupo conquistou os primeiros cargos eletivos em 2016 e 2018 e lança candidatos próprios. (Movimento Brasil Livre, Academia MBL, apresentação do MBL; Movimento Brasil Livre, MBL | Movimento Brasil Livre, linha do tempo, 2014; Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 98, 102 e 104)

Em 4 de novembro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou por unanimidade a criação do partido Missão, que reuniu 577.999 assinaturas de eleitores, acima do mínimo legal de 547 mil. Segundo a Agência Brasil, o partido é ligado ao MBL e defende o fim de privilégios do funcionalismo público, leis penais mais duras, responsabilidade fiscal e combate ao desmatamento. (Agência Brasil, TSE aprova por unanimidade criação do partido Missão, reportagem de 04/11/2025)

Onde a pauta está

No primeiro turno de 2026, o candidato do Missão a presidente, Renan Santos, teve 2.675.887 votos, 2,24% dos válidos, e ficou em quarto lugar. O arquivo de candidaturas do TSE traz 547 registros do partido, entre eles 9 candidatos a governador, 6 a senador e 334 a deputado federal, e só dois eleitos, Kim Kataguiri, deputado federal, e Rafa Minato, deputado estadual, os dois por São Paulo. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 6257_BR_BRASIL_2026_T1_PRESIDENTE.pdf, p. 4 do PDF; Tribunal Superior Eleitoral, Candidatos das eleições de 2026, consulta_cand_2026_BRASIL.csv, contagem nossa das linhas do partido 14 (método no RELATORIO))

Kim Kataguiri, que o MBL apresenta como um dos seus fundadores, teve 520.071 votos e foi eleito pelo quociente partidário, isto é, por uma das vagas que cabem ao partido pela divisão dos seus votos válidos pelo quociente eleitoral, o total de votos válidos dividido pelo número de vagas. Rafa Minato teve 185.582 votos. Para deputado federal em São Paulo, o Missão somou 656.391 votos válidos e ficou com uma vaga. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização das Eleições Gerais Estaduais 2026, São Paulo, 1º turno, 6259_SP_SÃO-PAULO_2026_T1.pdf, pp. 168, 171, 190 e 226 do PDF; Movimento Brasil Livre, MBL | Movimento Brasil Livre, linha do tempo, 2014)

Quem quer o quê

O site do partido diz que a Missão nasceu em 2025 para representar uma nova geração de brasileiros que, nas palavras dele, sofre há décadas nas mãos de um cartel partidário, e para fazer política sem conchavos e sem os velhos caciques. Essa é a voz do próprio partido, que entra aqui como contraponto declarado. (Partido Missão, Missão 14, página inicial, §§ 5 a 7)

A leitura marxista

Oliveira e Machado leem o MBL pela teoria marxista das classes, como um movimento-apoio, isto é, uma organização de frações da classe média que apoia frações da burguesia na disputa pelo poder. Para eles, esse apoio não é pura ilusão, porque envolve interesses materiais, como a preservação de privilégios da classe média sob o neoliberalismo. Os autores dizem que as pautas do MBL tocam só em parte os interesses da sua base e servem sobretudo às frações burguesas mais beneficiadas pelas reformas pró-mercado. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, pp. 98, 102, 106 e 107)

Segundo Oliveira e Machado, o MBL somou às pautas liberais as chamadas guerras culturais, com um discurso punitivista e contrário às bandeiras dos movimentos LGBT, feministas e negros. Kiane Follmann da Silva, segundo a resenha de Danilo Peixoto de Miranda, diz que o MBL capturou o descontentamento de parte da classe média e adotou ideias muito próximas às da UDN, partido de direita conservador fundado em 1945. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, p. 103; Miranda, A reemergência da direita reacionária, pp. 169 e 170)

Divergências

Oliveira e Machado chamam o MBL de liberal e conservador, enquanto Danilo Peixoto de Miranda, ao resenhar o livro de Kiane Follmann da Silva, fala da reemergência de uma direita de caráter ultraliberal e reacionário. Sávio Cavalcante registra que, em 2018, o MBL e o Vem Pra Rua tinham mais de 5 milhões de seguidores e que a declaração de voto dos dois grupos em Bolsonaro no segundo turno foi decisiva. Armando Boito Jr., professor da Unicamp, diz que o bolsonarismo saiu, depois de uma depuração, do movimento de massa formado em 2015 pela deposição de Dilma. (Oliveira e Machado, Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil, p. 98; Miranda, A reemergência da direita reacionária, p. 169; Cavalcante, Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro, p. 124; Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 115)

Em 2026, o Missão lançou candidato próprio a presidente, e Flávio Bolsonaro concorreu pelo PL, segundo os dados do TSE. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 6257_BR_BRASIL_2026_T1_PRESIDENTE.pdf, p. 4 do PDF)

Os conceitos que explicam a pauta

MBLLiberalismo econômicoClasses sociaisDisputa de baseBolsonarismo

Para ler

Principal
  • OLIVEIRA, Diego Batista Rodrigues de; MACHADO, Eliel Ribeiro. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil. 2019. Onde ler: pp. 98, 102 a 104, 106 e 107.

    “tal apoio não se trata apenas de “pura ilusão ideológica”, uma vez que, sob o neoliberalismo, há interesses materiais envolvidos como, por exemplo, a preservação de determinados privilégios para as classes médias. Nesse sentido, as frações da classe média atuam na cena política como classes-apoio das frações que buscam melhorar sua posição ou garantir sua hegemonia no bloco no poder.”

    p. 102

    Ler grátis: Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil ↗

Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (20)

Fontes desta página

  1. Movimento Brasil Livre. Academia MBL (página institucional). mbl.org.br. Abrir ↗
  2. Movimento Brasil Livre. MBL | Movimento Brasil Livre (página inicial, com a linha do tempo do movimento). mbl.org.br. Abrir ↗
  3. OLIVEIRA, Diego Batista Rodrigues de; MACHADO, Eliel Ribeiro. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil. 2019. Abrir ↗
  4. Agência Brasil. TSE aprova por unanimidade criação do partido Missão (Agência Brasil, 04/11/2025). agenciabrasil.ebc.com.br, 04/11/2025. Abrir ↗
  5. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  6. Tribunal Superior Eleitoral. Candidatos das eleições de 2026 (consulta_cand_2026.zip, arquivo consulta_cand_2026_BRASIL.csv, Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  7. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização das Eleições Gerais Estaduais 2026, São Paulo, 1º turno (Relatorio_Resultado_Totalizacao_2026_SP.zip, Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  8. Partido Missão. Missão 14 (página inicial do Partido Missão). missao.org.br. Abrir ↗
  9. MIRANDA, Danilo Peixoto de. A reemergência da direita reacionária (resenha de MBL, crise política e conflitos de classe no Brasil, de Kiane Follmann da Silva). 2020. Abrir ↗
  10. CAVALCANTE, Sávio. Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro. 2020. Abrir ↗
  11. BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Abrir ↗
  12. Armando Boito Jr.. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo (Crítica Marxista, n. 50, 2020). econtents.sbu.unicamp.br. Abrir ↗
  13. Sávio Cavalcante. Classe média e ameaça neofascista no Brasil de Bolsonaro (Crítica Marxista, n. 50, 2020). econtents.sbu.unicamp.br. Abrir ↗
  14. Danilo Peixoto de Miranda. A reemergência da direita reacionária, resenha de MBL, crise política e conflitos de classe no Brasil (Lutas Sociais, v. 24, n. 44, 2020). revistas.pucsp.br. Abrir ↗
  15. Diego Batista Rodrigues de Oliveira e Eliel Ribeiro Machado. Vem pra Rua e MBL no contexto do golpe parlamentar no Brasil (Lutas Sociais, v. 23, n. 42, 2019). revistas.pucsp.br. Abrir ↗