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Nova RepúblicaPSDBViés: neoliberal
Fernando Henrique Cardoso
Governou de 01/01/1995 a 01/01/1999 e de 01/01/1999 a 01/01/2003
Sociólogo e ministro da Fazenda no Plano Real, foi eleito em 1994 e reeleito em 1998, sempre no primeiro turno. No governo dele, emendas à Constituição abriram o petróleo e as telecomunicações, a Vale e a Telebrás foram privatizadas, e vieram a reeleição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e acordos com o FMI. Para Armando Boito, a política do período priorizou os grandes bancos e o capital financeiro internacional.
- Partido
- Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)
- Como chegou
- eleito no primeiro turno em 3 de outubro de 1994, com 54,3% dos votos válidos, pela coligação PSDB, PFL e PTB; reeleito no primeiro turno em 4 de outubro de 1998, com 53,06%, depois da emenda da reeleição
- Como saiu
- terminou o segundo mandato em 1º de janeiro de 2003 e passou o cargo a Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2002
- Nascimento
- Rio de Janeiro (RJ), 1931
- Antes da presidência
- sociólogo; professor da USP aposentado pelo AI-5 (1969), fundador do Cebrap, senador por São Paulo (assumiu em 1983 e foi reeleito em 1986), fundador do PSDB (1988), ministro das Relações Exteriores (1992-1993) e da Fazenda (1993-1994)
O governo em datas
Fernando Henrique Cardoso, 1995–2003
- 01/01/1995Fernando Henrique toma posse.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 15/08/1995Emendas nº 6 e nº 8 mudam a ordem econômica e as telecomunicações.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995
- 09/11/1995Emenda nº 9 autoriza a contratação de empresas privadas no petróleo.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995
- 04/12/1995Lei nº 9.140 reconhece como mortos os desaparecidos políticos.Congresso Nacional, Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995
- 04/06/1997Emenda nº 16 permite a reeleição.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997
- 04/10/1998Fernando Henrique é reeleito no primeiro turno.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 15/12/1998Emenda nº 20 muda a previdência social.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998
- 04/05/2000Lei de Responsabilidade Fiscal.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000
O que o governo fez
Principais medidas
- 1995
Emendas da ordem econômica
Fim da definição de empresa brasileira de capital nacional e abertura das telecomunicações e do petróleo a empresas privadas.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995 - 1995
Lei dos desaparecidos
Reconhecimento como mortos dos desaparecidos políticos de 1961 a 1979.
Congresso Nacional, Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995 - 1997
Privatizações
Novo Programa Nacional de Desestatização, com a venda do controle da Vale do Rio Doce e, em 1998, da Telebrás.
Congresso Nacional, Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997 - 1997
Reeleição
Presidente, governadores e prefeitos podem ser reeleitos para um período seguinte.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997 - 1998
Reformas administrativa e da previdência
Novas regras para a administração pública, os servidores e a previdência social.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 - 2000
Lei de Responsabilidade Fiscal
Metas de resultado entre receitas e despesas e limites para os gastos com pessoal.
Congresso Nacional, Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000
Para entender o governo
Do Cebrap ao PSDB
Fernando Henrique Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1931, e era sociólogo. Depois do golpe de 1964, ele se exilou no Chile e trabalhou na Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), da ONU; de volta ao Brasil, foi aposentado da USP pelo AI-5, em 1969, e ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Com o chileno Enzo Faletto, escreveu o livro Dependência e desenvolvimento na América Latina. Suplente de senador pelo MDB, ele assumiu a vaga em 1983, fundou o PSDB em 1988 e foi chanceler e ministro da Fazenda de Itamar Franco. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55)
Duas vitórias no primeiro turno
Candidato pela coligação do PSDB com o PFL e o PTB, Fernando Henrique foi eleito no primeiro turno de 1994, com 54,3% dos votos válidos. A Emenda Constitucional nº 16, de junho de 1997, permitiu que o presidente, os governadores e os prefeitos fossem reeleitos para um único período seguinte. Com o PPB somado à mesma coligação, ele se reelegeu no primeiro turno, em 4 de outubro de 1998, com 53,06% dos votos. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 55-56; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997, art. 1º)
Emendas e privatizações
Em 1995, a Emenda nº 6 revogou o artigo da Constituição que definia a empresa brasileira de capital nacional, a Emenda nº 8 abriu os serviços de telecomunicações à exploração por autorização, concessão ou permissão, e a Emenda nº 9 autorizou a União a contratar empresas estatais ou privadas para as atividades do monopólio do petróleo. A Lei nº 9.478, de 1997, criou a Agência Nacional do Petróleo e permitiu que essas atividades fossem exercidas por empresas, mediante concessão ou autorização. Em 1998, a Emenda nº 19 mudou as regras da administração pública e dos servidores, e a Emenda nº 20 mudou o sistema de previdência social. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 6, de 15 de agosto de 1995, art. 3º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995, art. 1º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995, art. 1º; Congresso Nacional, Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, arts. 4º e 5º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, ementa; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, ementa)
A Lei nº 9.491, de 1997, refez o Programa Nacional de Desestatização. A distribuição e a geração regional de energia elétrica foram privatizadas, o controle da Companhia Vale do Rio Doce passou, em maio de 1997, a um consórcio de bancos nacionais e estrangeiros e fundos de pensão, e a Telebrás e as empresas telefônicas estaduais foram vendidas na segunda metade de 1998. O Arquivo Nacional registra que a oposição questionava o valor atribuído às empresas e, no caso da Vale, o valor estratégico do setor. (Congresso Nacional, Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55)
Juros, crises e FMI
Segundo o Arquivo Nacional, os juros altos usados para defender o real reduziram o crescimento, e o desemprego chegou a 5,6% em 1997 e a 7,6% em 1998, pelos dados do IBGE. As crises do México, em dezembro de 1994, e da Rússia, em 1998, provocaram grande saída de divisas, e em 1998 o país assinou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um acordo que exigia um superávit fiscal elevado, isto é, receitas bem maiores que as despesas do governo. Em janeiro de 1999, o real foi desvalorizado, e o Banco Central deixou o dólar flutuar livremente. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 56-57)
A Lei de Responsabilidade Fiscal, de maio de 2000, fixou normas de finanças públicas para a gestão fiscal, com metas de resultado entre receitas e despesas e limites para os gastos com pessoal. Entre junho de 2001 e março de 2002, uma crise de energia levou ao racionamento de eletricidade, e em agosto de 2002 o país fechou um novo acordo de 30 bilhões de dólares com o FMI. O ano de 2002 terminou com inflação de dois dígitos e desemprego de 9,4%. (Congresso Nacional, Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57)
Terra, desaparecidos e desigualdade
A Lei nº 9.140, de dezembro de 1995, reconheceu como mortas as pessoas desaparecidas por participação, ou acusação de participação, em atividades políticas entre 1961 e 1979. No campo, as ocupações de terra do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se multiplicaram, e o Arquivo Nacional registra a morte de 19 integrantes do movimento em Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996, que descreve como confronto com a polícia. O mesmo registro cita programas como a Bolsa Escola e o Programa Saúde da Família e o relatório de 1999 das Nações Unidas que pôs o Brasil no topo da concentração de renda entre 174 países. (Congresso Nacional, Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 56-57)
Como os marxistas leram o governo
Armando Boito explica a política desse período com três círculos de interesses. O maior, o da desregulamentação do trabalho e do corte de direitos sociais, uniu toda a burguesia; o do meio, o das privatizações, favoreceu o grande capital monopolista e o capital estrangeiro, que arremataram empresas lucrativas a preço vil, pagando em boa parte com títulos públicos desvalorizados, as chamadas moedas podres, e com empréstimos do BNDES. O menor, o da abertura comercial e financeira e dos juros altos, atendeu plenamente só aos grandes bancos e ao capital financeiro internacional, e nos mandatos de Fernando Henrique a lucratividade dos bancos foi sempre maior que a da indústria. (Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, pp. 18-21)
Em 2003, Boito escreveu que Fernando Henrique combinou a crítica aos privilégios do funcionalismo com políticas sociais compensatórias e focalizadas, como as bolsas, e apresentou a vitória sobre a inflação como obra pessoal, quando a moeda estável atendia a uma necessidade do capital financeiro. Para ele, a reforma da previdência desse governo piorou a aposentadoria dos trabalhadores do setor privado. (Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25-26 e 33)
Octavio Ianni escreveu, em 2000, que a partir de 1994 o governo se empenhou em completar a instalação de um capitalismo transnacionalizado, seguindo as diretrizes do Consenso de Washington, que ele identificava com o neoliberalismo. Para Ianni, a reforma do Estado significava desregulação, privatização, abertura de mercados e venda de empresas nacionais a transnacionais, e o Estado se convertia em aparelho administrativo dos blocos de poder transnacionais. (Ianni, O declínio do Brasil-nação, pp. 52 e 55)
Jacob Gorender viu em Fernando Henrique o candidato preparado pela cúpula da classe dominante, que manteve a tese da burguesia dependente e associada ao imperialismo e só trocou o sinal da avaliação. Florestan Fernandes disse, em dezembro de 1994, que o mais preocupante no novo governo era a aceitação integral da influência do FMI, do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, que ele via como braço da política econômica dos Estados Unidos. (Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 9º e 17º parágrafos; Fernandes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 6)
Nesta leitura
O que dizem os historiadores marxistas
Armando Boito Jr.
A política neoliberal unificou a burguesia pelo corte de direitos, favoreceu o capital monopolista nas privatizações e priorizou os grandes bancos e o capital financeiro internacional.
Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, pp. 18-21Armando Boito Jr.
O governo praticou um populismo regressivo, com políticas compensatórias e a vitória sobre a inflação apresentada como obra pessoal.
Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25-26 e 33Octavio Ianni
A partir de 1994 o governo completou a instalação do capitalismo transnacionalizado, e o Estado virou aparelho administrativo dos blocos de poder transnacionais.
Ianni, O declínio do Brasil-nação, pp. 52 e 55Jacob Gorender
Fernando Henrique foi o candidato preparado pela cúpula da classe dominante, leal à burguesia dependente e associada ao imperialismo.
Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito"Florestan Fernandes
O novo governo aceitava integralmente a influência do FMI, do Banco Mundial e do BID.
Fernandes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 6Décio Saes
De 1990 a 2002, o presidencialismo forte serviu para impor uma política neoliberal favorável ao capital estrangeiro e à burguesia associada.
Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 16-17
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- grande capital monopolista e capital imperialista, com prioridade aos grandes bancos e ao capital financeiro internacional (Boito, 2002, pp. 19-21)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
- Relação com os trabalhadores
- conciliação, concessão
Lutas de classes no governo
- Greve dos petroleiros de 1995 · 1995 · Refinarias, plataformas, terminais e escritórios da Petrobras em todo o país
- Massacre de Corumbiara · 1995 · Fazenda Santa Elina, perto de Colorado do Oeste, no município de Corumbiara (RO)
- Massacre de Eldorado dos Carajás · 1996 · Curva do S da rodovia PA-150, hoje BR-155, no município de Eldorado dos Carajás (PA)
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando. Neoliberalismo e relações de classe no Brasil. Campinas: Idéias (IFCH-Unicamp), v. 9, n. 1, pp. 13-48, 2002. Onde ler: pp. 13-21.
BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Onde ler: pp. 10, 25-26 e 33.
SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Onde ler: pp. 16-17.
FERNANDES, Florestan. Entrevista ao programa Roda Viva (dezembro de 1994). 1994. Onde ler: § 6.
Ler grátis: Entrevista ao programa Roda Viva (dezembro de 1994) ↗
GORENDER, Jacob. Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94. 1995. Onde ler: seção "A fabricação do eleito".
Ler grátis: Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94 ↗
BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Onde ler: p. 104.
IANNI, Octavio. O declínio do Brasil-nação. São Paulo: Estudos Avançados (IEA-USP), v. 14, n. 40, pp. 51-58, 2000. Onde ler: pp. 52-55.
BOITO JR., Armando. Política neoliberal e sindicalismo no Brasil. 1999. Onde ler: cap. Neoliberalismo e bloco no poder, pp. 49-76 (não lido; citado por Boito, 2002, p. 18).
De onde vem cada afirmação desta página (45)
- FatoUm grupo de 25 bancos controlava 81% do ativo total do setor bancário brasileiro, segundo Boito.Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, p. 21
- Interpretação · Armando Boito Jr.Só o setor bancário do capital monopolista e o capital imperialista têm os interesses plenamente contemplados pela abertura comercial e financeira, e durante os mandatos de Fernando Henrique a lucratividade do setor bancário foi sempre maior que a do industrial.Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, pp. 20-21
- Interpretação · Armando Boito Jr.A política neoliberal pode ser pensada como três círculos concêntricos, o da desregulamentação do trabalho e da redução de direitos, que une toda a burguesia, o da privatização, que favorece o capital monopolista e o imperialismo, e o da abertura comercial e financeira, que divide o grande capital.Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, pp. 18-20
- Interpretação · Armando Boito Jr.Fernando Henrique criticava os privilégios do funcionalismo e implantava políticas sociais compensatórias e focalizadas, como a bolsa-escola, a bolsa-renda e a bolsa-alimentação.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25 e 33
- Interpretação · Armando Boito Jr.O discurso da vitória do presidente sobre a inflação apresentava como conquista popular uma necessidade do capital financeiro, que requer moeda estável para entrar e sair do país sem perdas.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, p. 33
- FatoBoito retoma em 2002, com modificações, a análise do capítulo Neoliberalismo e bloco no poder, pp. 49-76, do seu livro Política neoliberal e sindicalismo no Brasil (São Paulo, Xamã, 1999).Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, p. 18, nota 3
- FatoA CUT, por iniciativa do seu presidente, Vicentinho, fez um pacto com o governo Fernando Henrique para viabilizar as mudanças na Previdência Social.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 104
- Interpretação · Armando Boito Jr.Os grandes grupos arremataram a preço vil, pagando em grande parte com moedas podres e empréstimos favorecidos do BNDES, empresas lucrativas dos setores siderúrgico, petroquímico, de fertilizantes, de mineração e de serviços urbanos.Boito Jr., Neoliberalismo e relações de classe no Brasil, p. 19
- Interpretação · Armando Boito Jr.A previdência dos trabalhadores do setor privado, que já era precária, foi piorada pela reforma do governo Fernando Henrique.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, p. 26
- FatoSuplente de Franco Montoro na eleição de 1978 para o Senado, Fernando Henrique assumiu a vaga em 1983, fundou o PSDB em 1988, foi líder do partido no Senado (1988-1992), ministro das Relações Exteriores (1992-1993) e ministro da Fazenda (1993-1994).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoAs crises do México, iniciada em dezembro de 1994, e da Rússia, que declarou moratória em 1998, provocaram expressiva saída de divisas do Brasil.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 56
- FatoFernando Henrique publicou, com o sociólogo chileno Enzo Faletto, Dependência e desenvolvimento na América Latina.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoA manutenção de juros altos para defender a moeda levou a crescimento lento e a desemprego de 5,6% em 1997 e 7,6% em 1998, segundo o IBGE.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 56
- FatoEm 1995, o governo proibiu o reajuste automático dos salários pela inflação e estabeleceu a livre negociação entre patrões e empregados.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoEm janeiro de 1999, o real foi desvalorizado, e o Banco Central adotou a livre flutuação do dólar.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- FatoCandidato pela coligação PSDB, PFL e PTB, Fernando Henrique se elegeu no primeiro turno, em 3 de outubro de 1994, com 54,3% dos votos válidos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoA Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997, permitiu que o presidente, os governadores e os prefeitos fossem reeleitos para um único período subsequente.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997, art. 1º
- FatoA Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, modificou o regime e as normas da administração pública e dos servidores.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 19, de 4 de junho de 1998, ementa
- FatoA Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, modificou o sistema de previdência social.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, ementa
- FatoA Emenda Constitucional nº 6, de 15 de agosto de 1995, revogou o art. 171 da Constituição, que definia a empresa brasileira de capital nacional.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 6, de 15 de agosto de 1995, art. 3º
- FatoA Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995, deu à União a exploração dos serviços de telecomunicações diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, nos termos da lei.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995, art. 1º
- FatoA Emenda Constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995, autorizou a União a contratar empresas estatais ou privadas para as atividades do monopólio do petróleo.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995, art. 1º
- FatoEm 4 de junho de 1997, o Senado aprovou a emenda que permitia a reeleição para mandatos do Executivo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 56
- FatoDepois do golpe de 1964, Fernando Henrique se exilou no Chile e integrou a Cepal; voltou em 1968, assumiu a cátedra de ciência política na USP e foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5, em 1969, ano em que foi membro fundador do Cebrap.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- Interpretação · Florestan FernandesO mais preocupante no governo de Fernando Henrique era a aceitação integral, já demonstrada na prática, da influência do FMI, do Banco Mundial e do BID, braço direito da política econômica dos Estados Unidos na América Latina.Fernandes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 6
- FatoO acordo com o FMI assinado em 1998 exigia metas rígidas, entre elas um superávit fiscal elevado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- FatoEm agosto de 2002, o Brasil fechou um acordo de 30 bilhões de dólares com o FMI, e o ano terminou com inflação de dois dígitos e desemprego de 9,4%.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- Interpretação · Jacob GorenderA candidatura de Fernando Henrique foi projetada e preparada para assegurar um mandato comprometido com as diretrizes do Consenso de Washington, e ele foi coautor dela, ao lado de Roberto Marinho e de outros caciques da classe dominante.Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 17º parágrafo
- Interpretação · Jacob GorenderFernando Henrique não precisou abandonar sua tese sociológica sobre a burguesia dependente e associada ao imperialismo; bastou mudar o sinal de valoração.Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 9º parágrafo
- Interpretação · Octavio IanniO Estado se transformava em mero aparelho administrativo dos blocos de poder transnacionais.Ianni, O declínio do Brasil-nação, p. 55
- Interpretação · Octavio IanniA partir de 1994, o governo se empenhou em completar a instalação do projeto de capitalismo transnacionalizado, segundo as diretrizes do neoliberalismo e do Consenso de Washington, com desregulação, privatização, abertura de mercados e favorecimento de fusões e aquisições de empresas nacionais por transnacionais.Ianni, O declínio do Brasil-nação, p. 52
- FatoA Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995, reconheceu como mortas as pessoas desaparecidas em razão de participação, ou acusação de participação, em atividades políticas de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.Congresso Nacional, Lei nº 9.140, de 4 de dezembro de 1995, art. 1º
- FatoA Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, instituiu a Agência Nacional do Petróleo e permitiu que as atividades do monopólio fossem exercidas, mediante concessão ou autorização, por empresas constituídas sob as leis brasileiras.Congresso Nacional, Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, arts. 4º e 5º
- FatoA Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997, alterou os procedimentos do Programa Nacional de Desestatização, que tinha entre os objetivos transferir à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público.Congresso Nacional, Lei nº 9.491, de 9 de setembro de 1997, art. 1º
- FatoA Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, estabeleceu normas de finanças públicas para a responsabilidade na gestão fiscal, com metas de resultados entre receitas e despesas e limites para despesas com pessoal.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, art. 1º, § 1º
- FatoNo governo Fernando Henrique, houve diversas manifestações e ocupações de terra promovidas pelo MST, e em 1996 dezenove integrantes do MST foram mortos em confronto com a polícia em Eldorado dos Carajás, no Pará, nas palavras do Arquivo Nacional.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 56-57
- FatoFernando Henrique Cardoso, sociólogo, nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de junho de 1931.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoA oposição questionava as avaliações do valor das empresas privatizadas e, no caso da Vale do Rio Doce, o valor estratégico do setor.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoEm 1999, o relatório do PNUD situou o Brasil no ápice da concentração de renda entre 174 países.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- FatoA distribuição e a geração regional de energia elétrica foram privatizadas; a Telebrás e as telefônicas estaduais passaram à iniciativa privada na segunda metade de 1998; e o controle da Vale do Rio Doce passou, em maio de 1997, a um consórcio de bancos nacionais e estrangeiros e fundos de pensão.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- FatoEntre os programas sociais do período, o Arquivo Nacional cita a Bolsa Escola, o Programa de Saúde da Família e o Programa Comunidade Solidária.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- FatoA crise de energia, entre 1º de junho de 2001 e 1º de março de 2002, levou ao racionamento de eletricidade.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 57
- FatoPela coligação PSDB, PFL, PTB e PPB, Fernando Henrique venceu o primeiro turno de 4 de outubro de 1998, com 53,06% dos votos, e tomou posse em 1º de janeiro de 1999.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 56
- FatoO governo submeteu ao Congresso mudanças na Constituição de 1988, como as reformas administrativa e previdenciária, desregulamentação de mercados, flexibilização das regras de contratação e fim do monopólio estatal em siderurgia, energia e telecomunicações.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55
- Interpretação · Décio SaesEntre 1990 e 2002, o reforço do Poder Executivo impôs à sociedade e a segmentos da classe dominante uma política neoliberal favorável ao capital estrangeiro e à burguesia associada.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 16-17
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 16, de 4 de junho de 1997 (reeleição). planalto.gov.br, 04/06/1997. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 6, de 15 de agosto de 1995. planalto.gov.br, 15/08/1995. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995 (telecomunicações). planalto.gov.br, 15/08/1995. Abrir ↗
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