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Estudos / História do Brasil / Nova República / Itamar Franco

Retrato oficial de Itamar Franco
Foto: Getúlio Gurgel, 1992. Public domain. Wikimedia Commons ↗

Nova RepúblicaViés: neoliberal, com o Plano Real

Itamar Franco

Governou de 02/10/1992 a 01/01/1995

Vice de Collor, assumiu em 1992 com o processo de impeachment e governou até 1995. No governo dele, o plebiscito de 1993 manteve a república e o presidencialismo, e o ministro Fernando Henrique Cardoso lançou o Plano Real. Para Jacob Gorender, Fernando Henrique manteve na Fazenda a mudança iniciada por Collor, e o real sustentou a eleição dele como candidato da classe dominante.

Como chegou
vice eleito com Collor em 1989; assumiu de forma provisória em 2 de outubro de 1992, com o afastamento de Collor, e foi efetivado em 29 de dezembro de 1992, depois da renúncia
Como saiu
terminou o mandato em 1º de janeiro de 1995 e passou o cargo a Fernando Henrique Cardoso, eleito em 1994
Nascimento
a bordo de um navio na rota entre Salvador e o Rio de Janeiro; registrado em Salvador (BA), 1930
Morte
São Paulo (SP), 2011
Antes da presidência
engenheiro; prefeito de Juiz de Fora (1967-1971 e 1973-1974), senador por Minas Gerais (eleito em 1974 e em 1982) e vice-presidente (1990-1992)

O governo em datas

Itamar Franco, 1992–1995

  1. 02/10/1992Itamar assume de forma provisória com o afastamento de Collor.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
  2. 29/12/1992Itamar é efetivado depois da renúncia de Collor.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  3. 17/03/1993Emenda nº 3 autoriza o imposto provisório sobre a movimentação financeira.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993
  4. 21/04/1993Plebiscito confirma a república e o presidencialismo.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 2, de 25 de agosto de 1992
  5. 01/03/1994Emenda de Revisão nº 1 cria o Fundo Social de Emergência.Mesa do Congresso Nacional, Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1º de março de 1994
  6. 27/05/1994Lei nº 8.880 institui a URV.Congresso Nacional, Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994
  7. 01/07/1994O real passa a ser a moeda do país.Congresso Nacional, Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995
  8. 03/10/1994Fernando Henrique Cardoso é eleito no primeiro turno.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

De Juiz de Fora à vice-presidência

Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu em 28 de junho de 1930, a bordo de um navio que fazia a rota entre Salvador e o Rio de Janeiro, foi registrado em Salvador e era engenheiro. Pelo MDB, ele foi prefeito de Juiz de Fora em duas gestões, entre 1967 e 1974, e senador eleito em 1974, reeleito pelo PMDB em 1982. Em 1986, passou para o Partido Liberal (PL), e em 1989 foi eleito vice-presidente na chapa de Fernando Collor. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54)

Com o afastamento de Collor pelo processo de impeachment, Itamar assumiu a presidência de forma provisória em 2 de outubro de 1992. Ele foi efetivado no cargo em 29 de dezembro de 1992, depois da renúncia de Collor. (Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54)

Plebiscito, imposto e um novo ministro

O Arquivo Nacional registra que Itamar assumiu apoiado por um amplo leque de partidos e que, em janeiro de 1993, reuniu os presidentes de 19 partidos para firmar um pacto de governabilidade. Em março, uma emenda constitucional permitiu à União criar, até o fim de 1994, um imposto provisório sobre a movimentação financeira, com alíquota de até 0,25%. Em 21 de abril de 1993, o plebiscito previsto na Constituição confirmou a república e o presidencialismo. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993, art. 2º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 2, de 25 de agosto de 1992, artigo único)

Em maio de 1993, Itamar nomeou ministro da Fazenda o chanceler Fernando Henrique Cardoso, que Jacob Gorender contou como o quarto ministro da Fazenda do governo em menos de um ano. O novo ministro defendia que o combate à inflação dependia da reforma do Estado, com corte de gastos públicos e mais privatizações, segundo o Arquivo Nacional. O programa de privatizações do governo abrangeu a Companhia Siderúrgica Nacional, a Açominas, a Cosipa e subsidiárias da Petrobras. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54; Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 4º parágrafo)

O Plano Real

A Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1º de março de 1994, criou o Fundo Social de Emergência para 1994 e 1995, com o objetivo declarado de sanear as finanças federais e estabilizar a economia. A Lei nº 8.880, de maio de 1994, instituiu a Unidade Real de Valor (URV), uma unidade com curso legal que servia só como padrão de valor monetário e preparou a troca da moeda. Em 1º de julho de 1994, o real passou a ser a moeda do país. (Mesa do Congresso Nacional, Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1º de março de 1994, art. 71 do ADCT; Congresso Nacional, Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54; Congresso Nacional, Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, art. 1º)

O Arquivo Nacional registra que o plano derrubou a inflação e que o fundo, aprovado apesar das críticas da oposição, permitia ao governo dispor com autonomia do dinheiro arrecadado. Gorender escreveu que o Fundo Social de Emergência, apesar do nome, servia para tapar buracos do orçamento e evitar um déficit, e que a bancada federal do PT votou a favor dele. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 54; Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 10º parágrafo, e seção "A fabricação do derrotado", 19º parágrafo)

A eleição de 1994

Fernando Henrique deixou o ministério em 2 de abril de 1994 para ser candidato pela coligação do PSDB com o PFL e o PTB. Ele foi eleito no primeiro turno, em 3 de outubro de 1994, com 54,3% dos votos válidos. Gorender registra que, no início de maio, uma pesquisa do Datafolha dava 42% das intenções de voto a Lula e 16% a Fernando Henrique, e que o quadro se inverteu depois da entrada da nova moeda em circulação. (Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, seção "A fabricação do eleito", 13º e 20º parágrafos, e seção "A fabricação do derrotado", 1º parágrafo; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 55)

Como os marxistas leram o governo

Para Gorender, a inflação chegou no governo Itamar ao patamar da superinflação, à beira da hiperinflação, e castigou sobretudo os mais pobres, que nem tinham conta em banco. Ele afirma que os economistas trazidos por Fernando Henrique da PUC do Rio de Janeiro eram os do Plano Cruzado, agora atentos à ortodoxia monetarista do FMI, e que o ministro deixou claro que manteria a mudança iniciada por Collor, com abertura às importações, privatizações e tratamento liberal ao capital estrangeiro. Gorender escreveu ainda que o governo Itamar, antes marcado por trapalhadas e inoperância, se entrosou na campanha de Fernando Henrique, junto com o dinheiro do grande capital e a grande mídia. (Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 12º parágrafo, e seção "A fabricação do eleito", 10º, 11º, 19º e 21º parágrafos)

Armando Boito registra que, na câmara setorial do setor automotivo, um fórum que reunia governo, montadoras e sindicatos, o governo Itamar, por meio do ministro da Fazenda Ciro Gomes, proibiu o reajuste mensal dos salários, um dos pontos mais importantes do acordo para os operários. Em 2003, ele descreveu a fórmula dessa câmara como isenção fiscal para as montadoras multinacionais e crédito subsidiado aos compradores de veículos. Florestan Fernandes disse, em dezembro de 1994, que a esperança e a ilusão em torno do Plano Real tinham sido criadas pela mídia eletrônica. (Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 96; Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, p. 22; Fernandes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 80)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita
Bloco no poder
núcleo dirigente da classe dominante, com grandes empresas nacionais e transnacionais, grande mídia e oligarquias regionais em torno do Plano Real e da candidatura de Fernando Henrique (Gorender, 1995, seção "A fabricação do eleito")
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
conciliação

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (35)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Câmara dos Deputados. 20 anos do impeachment do Collor (Escrevendo a História, Departamento de Taquigrafia da Câmara dos Deputados). www2.camara.leg.br. Abrir ↗
  3. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993. planalto.gov.br, 17/03/1993. Abrir ↗
  4. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 2, de 25 de agosto de 1992 (data do plebiscito). planalto.gov.br, 25/08/1992. Abrir ↗
  5. GORENDER, Jacob. Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94. 1995. Abrir ↗
  6. Mesa do Congresso Nacional. Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1º de março de 1994 (Fundo Social de Emergência). planalto.gov.br, 01/03/1994. Abrir ↗
  7. Congresso Nacional. Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994 (Programa de Estabilização Econômica e URV). planalto.gov.br, 27/05/1994. Abrir ↗
  8. Congresso Nacional. Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995 (Plano Real). planalto.gov.br, 29/06/1995. Abrir ↗
  9. BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Abrir ↗
  10. BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Abrir ↗
  11. FERNANDES, Florestan. Entrevista ao programa Roda Viva (dezembro de 1994). 1994. Abrir ↗