Estudos / História do Brasil / Nova República / Luiz Inácio Lula da Silva

Nova RepúblicaPTViés: neodesenvolvimentista
Luiz Inácio Lula da Silva
Governou de 01/01/2003 a 01/01/2007 e de 01/01/2007 a 01/01/2011
Metalúrgico e fundador do PT, governou de 2003 a 2010 com juros altos e superávit primário, ao lado do Bolsa Família, do ProUni, do PAC e do aumento real do salário mínimo. Para Armando Boito, o governo abriu espaço para a grande burguesia interna, numa frente que ele chama de neodesenvolvimentista. Leda Paulani e Francisco de Oliveira viram continuidade com Fernando Henrique e com o poder do capital financeiro.
- Partido
- Partido dos Trabalhadores (PT)
- Como chegou
- eleito em 2002 com cerca de 53 milhões de votos, contra José Serra; reeleito em 2006, no segundo turno, com 58.295.042 votos
- Como saiu
- terminou o segundo mandato em 1º de janeiro de 2011 e passou o cargo a Dilma Rousseff, que apoiou na eleição de 2010
- Nascimento
- Garanhuns (PE), 1945
- Antes da presidência
- metalúrgico e torneiro mecânico; presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema a partir de 1975; fundador do PT (1980) e da CUT (1983); deputado federal constituinte, eleito em 1986; candidato derrotado à Presidência em 1989, 1994 e 1998
O governo em datas
Luiz Inácio Lula da Silva, 2003–2011
- 01/01/2003Lula toma posse e anuncia o Fome Zero.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 19/12/2003Emenda nº 41 muda a previdência dos servidores.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003
- 09/01/2004Lei nº 10.836 cria o Bolsa Família.Congresso Nacional, Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004
- 13/01/2005Lei nº 11.096 institui o ProUni.Congresso Nacional, Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005
- 22/01/2007Lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 07/07/2009Lei nº 11.977 cria o Minha Casa, Minha Vida.Congresso Nacional, Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009
- 22/12/2010Lei nº 12.351 cria o regime de partilha no pré-sal.Congresso Nacional, Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010
O que o governo fez
Principais medidas
- 2003
Reforma da previdência dos servidores
Mudança nas regras de aposentadoria do serviço público e contribuição de aposentados e pensionistas.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003 - 2004
Bolsa Família
Transferência de renda com condicionalidades, que unificou programas como o Bolsa Escola.
Congresso Nacional, Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004 - 2005
ProUni
Bolsas em faculdades privadas em troca da isenção de tributos.
Congresso Nacional, Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 - 2007
PAC
Programa de investimento em energia, transporte, habitação e saneamento.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 2009
Minha Casa, Minha Vida
Programa habitacional com subvenção às famílias de menor renda.
Congresso Nacional, Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009 - 2010
Partilha do pré-sal
Regime de partilha de produção, com a Petrobras como operadora de todos os blocos.
Congresso Nacional, Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010
Para entender o governo
Do ABC à Presidência
Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em Garanhuns, em Pernambuco, em 27 de outubro de 1945, e migrou criança com a família para São Paulo, onde virou torneiro mecânico. Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema a partir de 1975, ele liderou em 1979 uma paralisação de cerca de 150 mil metalúrgicos e foi preso e processado pela Lei de Segurança Nacional. Ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e foi o deputado federal constituinte mais votado do país, em 1986. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59)
Derrotado por Fernando Collor em 1989 e por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, Lula foi eleito em 2002 com cerca de 53 milhões de votos, contra o candidato governista José Serra. Em 2006, ele se reelegeu com 58.295.042 votos. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60)
Juros altos e reforma da previdência
O Arquivo Nacional descreve como austera a política econômica do início do governo, com juros altos e prioridade ao controle da inflação e ao superávit primário, que é a sobra das receitas sobre as despesas do governo sem contar os juros da dívida. Em dezembro de 2003, a Emenda Constitucional nº 41 mudou a previdência dos servidores e passou a cobrar contribuição dos aposentados e pensionistas do serviço público. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, art. 4º)
Leda Paulani escreveu, em maio de 2004, que o governo usou o diagnóstico de um país à beira do precipício como álibi para continuar e aprofundar a política econômica de Fernando Henrique. Segundo ela, a taxa básica de juros chegou a 26,5% ao ano e a meta de superávit primário subiu para 4,25% do PIB, acima dos 3,75% exigidos pelo FMI. Para Paulani, o governo escolheu deliberadamente manter o país na mesma armadilha externa, desde que isso não pusesse em risco o projeto de poder do PT. (Paulani, Quando o medo vence a esperança, pp. 11-12)
Francisco de Oliveira, um dos fundadores do PT, disse em 2003 que a reforma da previdência tinha caráter fiscal e servia ao capital financeiro, porque abria um mercado de fundos privados de previdência. Para ele, uma nova classe tinha se formado dentro do partido, com sindicalistas que passaram a administrar fundos de pensão e a conviver com órgãos como o BNDES. Octavio Ianni viu no governo a continuação do desmonte do projeto nacional segundo o Consenso de Washington e criticou o discurso que tratava os aposentados como peso morto. (Oliveira, Esta reforma é um ornitorrinco, §§ 7, 13 e 31-33; Ianni, “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington”, §§ 13 e 19)
Bolsa Família, ProUni e PAC
Em janeiro de 2004, a Lei nº 10.836 criou o Bolsa Família, que juntou numa só gestão as transferências de renda do governo federal, como o Bolsa Escola. Em janeiro de 2005, a Lei nº 11.096 instituiu o ProUni, que dá bolsas em faculdades privadas em troca da isenção de alguns tributos. Nesse mandato vieram também as CPIs dos Correios e do Mensalão, sobre compra de votos e financiamento de campanhas. (Congresso Nacional, Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, art. 1º; Congresso Nacional, Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 60)
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado em 22 de janeiro de 2007, previa ampliar o investimento público em infraestrutura, e a taxa de investimento do país subiu de 16,9% para 18,2% do PIB entre os dois mandatos. Em 2009 veio o Minha Casa, Minha Vida, e em dezembro de 2010 a Lei nº 12.351 fez da Petrobras a operadora de todos os blocos do pré-sal contratados no regime de partilha. O Arquivo Nacional registra que o salário mínimo teve aumento real de 67% e que foram criados 14 milhões de empregos com carteira assinada entre 2003 e 2010. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 61-62; Congresso Nacional, Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009, ementa; Congresso Nacional, Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010, art. 4º)
Na política externa, tropas brasileiras foram ao Haiti em 2004, na missão de paz da ONU que o Brasil liderou, e em 2005 o país se opôs, com os parceiros do Mercosul, ao cronograma da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Para Armando Boito e Tatiana Berringer, o arquivamento da Alca e a aproximação com os países do Sul protegeram a grande burguesia interna na disputa com o capital estrangeiro. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 60 e 63; Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 37)
Como os marxistas leram o governo
Em 2003, Boito via um governo que mantinha e aprofundava o modelo neoliberal dependente herdado de Fernando Henrique, a serviço dos grandes bancos e do capital financeiro internacional. Em 2005, ele passou a sustentar que o governo promoveu a ascensão da grande burguesia interna industrial e agrária, a fração que fica entre a burguesia compradora, mera extensão do imperialismo, e uma burguesia nacional anti-imperialista, sem quebrar a hegemonia das finanças. A grande burguesia interna seguia, para ele, como força secundária no bloco no poder, que é a unidade contraditória das frações da classe dominante. (Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 10 e 12; Boito Jr., A burguesia no governo Lula, pp. 53-54, 62 e 65)
Em 2013, Boito e Berringer chamaram de neodesenvolvimentismo o programa da frente que unia essa burguesia ao operariado, à baixa classe média e aos pobres atendidos pelas transferências de renda. O neodesenvolvimentismo era o desenvolvimento possível dentro do capitalismo neoliberal, com menos crescimento e menos distribuição de renda que o velho desenvolvimentismo, e o orçamento do BNDES para juros subsidiados às grandes empresas era cerca de sete vezes o do Bolsa Família. Décio Saes também vê, a partir de 2003, o poder presidencial a serviço de um projeto da burguesia interna. (Boito Jr. e Berringer, Brasil, pp. 31-34; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 17)
Boito criticou a tese do cientista político André Singer, para quem o lulismo seria um bonapartismo, um governo que arbitra entre as classes, apoiado no subproletariado, isto é, nos trabalhadores que não conseguem vender a força de trabalho por um preço que garanta a sua reprodução normal. Para Boito, o primeiro mandato fez concessões ao capital financeiro internacional, e o perfil neodesenvolvimentista só ficou claro no segundo. (Boito Jr., O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer, pp. 172-174)
Outras leituras marxistas divergem dessas. Francisco de Oliveira viu continuidade com Fernando Henrique sob o predomínio do capital financeiro e chamou os programas assistenciais de políticas de funcionalização da pobreza, contraparte da decomposição da classe trabalhadora. Angelita Matos Souza, na resenha de Caio Bugiato, sustenta que a hegemonia continuou com o grande capital bancário e financeiro, e Valerio Arcary chamou o lulismo de reformismo quase sem reformas. (Oliveira, O momento Lênin, pp. 23 e 37-38; Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 152; Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 147)
Nesta leitura
O que dizem os historiadores marxistas
Armando Boito Jr.
No primeiro ano, o governo manteve e aprofundou o modelo neoliberal dependente, a serviço dos grandes bancos e do capital financeiro internacional.
Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 10 e 12Armando Boito Jr.
O governo promoveu a ascensão da grande burguesia interna industrial e agrária sem quebrar a hegemonia do grande capital financeiro.
Boito Jr., A burguesia no governo Lula, pp. 53, 62 e 65Armando Boito Jr. e Tatiana Berringer
Os governos do PT dirigiram uma frente neodesenvolvimentista, liderada pela grande burguesia interna e apoiada em classes populares.
Boito Jr. e Berringer, Brasil, pp. 31-33Leda Maria Paulani
O governo continuou e aprofundou por escolha deliberada a política econômica de Fernando Henrique.
Paulani, Quando o medo vence a esperança, pp. 11-12Francisco de Oliveira
Uma nova classe, ligada aos fundos de pensão, ganhou peso no PT, e os programas sociais funcionalizaram a pobreza num quadro de predomínio do capital financeiro.
Oliveira, O momento Lênin, pp. 23, 34 e 37-38Octavio Ianni
O governo deu continuidade ao desmonte do projeto nacional segundo o Consenso de Washington.
Ianni, “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington”, § 13Décio Saes
A partir de 2003, o presidencialismo forte passou a servir a um projeto da burguesia interna.
Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 17Angelita Matos Souza, segundo Caio Bugiato
A burguesia interna ganhou espaço, mas a hegemonia continuou com o grande capital bancário e financeiro.
Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 152Valerio Arcary
O lulismo foi um reformismo quase sem reformas, que consolidou o regime democrático-eleitoral.
Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 147
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- grande capital financeiro, com a ascensão da grande burguesia interna industrial e agrária (Boito, 2005, pp. 62 e 65); para Boito e Berringer (2013, p. 31), a grande burguesia interna ascendeu em prejuízo do capital financeiro internacional
- Relação com o imperialismo
- barganha
- Relação com os trabalhadores
- conciliação, concessão
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando; BERRINGER, Tatiana. Brasil: classes sociais, neodesenvolvimentismo e política externa nos governos Lula e Dilma. Curitiba: Revista de Sociologia e Política (UFPR), v. 21, n. 47, pp. 31-38, 2013. Onde ler: pp. 31-38.
BOITO JR., Armando. A burguesia no governo Lula. Crítica Marxista, n. 21, pp. 52-76, 2005. Onde ler: pp. 52-76.
BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Onde ler: pp. 10-12 e 35.
SAAD FILHO, Alfredo. Avanços, contradições e limites dos governos petistas. Crítica Marxista, n. 42, pp. 171-177, 2016. Onde ler: pp. 171-173.
Ler grátis: Avanços, contradições e limites dos governos petistas ↗
SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Onde ler: p. 17.
SOUZA, Angelita Matos. Dependência e governos do PT. 2021. Onde ler: caps. 3 a 5 (não lido; conteúdo pela resenha de Bugiato, 2025).
BUGIATO, Caio. Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza). Crítica Marxista, n. 58, pp. 151-154, 2025. Onde ler: p. 152.
Ler grátis: Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza) ↗
OLIVEIRA, Francisco de. Esta reforma é um ornitorrinco (entrevista ao Jornal da Unicamp, agosto de 2003). 2003. Onde ler: §§ 7, 13 e 31-33.
Ler grátis: Esta reforma é um ornitorrinco (entrevista ao Jornal da Unicamp, agosto de 2003) ↗
ARCARY, Valerio. Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? Crítica Marxista, n. 42, pp. 147-153, 2016. Onde ler: p. 147.
Ler grátis: Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? ↗
BOITO JR., Armando. O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer. Crítica Marxista, n. 37, pp. 171-181, 2013. Onde ler: pp. 171-174.
Ler grátis: O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer ↗
OLIVEIRA, Francisco de. O momento Lênin. São Paulo: Novos Estudos CEBRAP, n. 75, pp. 23-47 (separata reproduzida no MIA), 2006. Onde ler: pp. 23, 34 e 37-38.
PAULANI, Leda Maria. Quando o medo vence a esperança (um balanço da política econômica do primeiro ano do governo Lula). Crítica Marxista, n. 19, pp. 11-26, 2004. Onde ler: pp. 11-12.
BOITO JR., Armando. Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT. Campinas; São Paulo: Editora da Unicamp; Editora Unesp, 2018. Onde ler: caps. 1 a 6 (não lido; sumário visto na amostra da editora).
IANNI, Octavio. “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington” (entrevista ao Jornal da Unicamp, julho de 2003). 2003. Onde ler: §§ 13, 19 e 23.
De onde vem cada afirmação desta página (48)
- Interpretação · Valerio ArcaryA obra do lulismo, um reformismo quase sem reformas, foi a consolidação do regime democrático-eleitoral, uma solução histórica reacionária.Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 147
- FatoO orçamento que o BNDES reserva para empréstimos com juros subsidiados a um número reduzido de grandes empresas nacionais é cerca de sete vezes maior que o do Bolsa Família, segundo Boito e Berringer.Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 33, nota 2
- Interpretação · Armando Boito Jr. e Tatiana BerringerA grande burguesia interna é a fração da classe capitalista que mantém base própria de acumulação e disputa posições com o capital financeiro internacional; nos governos Lula e Dilma, ela ascendeu politicamente apoiada numa frente com os principais setores das classes populares.Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 31
- Interpretação · Armando Boito Jr. e Tatiana BerringerO arquivamento da Alca, o adiamento das negociações do Mercosul com a União Europeia e da Rodada Doha e as relações Sul-Sul fizeram parte da política de proteção do Estado à grande burguesia interna em disputa com o capital estrangeiro.Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 37
- Interpretação · Armando Boito Jr. e Tatiana BerringerO operariado urbano e a baixa classe média participam da frente neodesenvolvimentista pelo sindicalismo e pelo PT, e a massa marginal foi incluída pelas transferências de renda, sem organização própria.Boito Jr. e Berringer, Brasil, pp. 33-34
- Interpretação · Armando Boito Jr. e Tatiana BerringerO neodesenvolvimentismo é o desenvolvimento possível nos marcos do capitalismo neoliberal, com crescimento e capacidade distributiva menores que os do velho desenvolvimentismo.Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 32
- Interpretação · Armando Boito Jr.O governo Lula revelou-se uma espécie de terceira via da periferia, que mantinha e aprofundava os pilares do modelo capitalista neoliberal dependente herdado de Fernando Henrique.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, p. 10
- Interpretação · Armando Boito Jr.Os beneficiários da política neoliberal mantida pelo governo eram a grande burguesia brasileira, sobretudo bancária, e o capital imperialista, sobretudo financeiro.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, p. 12
- Interpretação · Armando Boito Jr.O governo Lula melhorou a posição da grande burguesia interna industrial e agrária no bloco no poder, sem quebrar a hegemonia das finanças, e essa fração permaneceu como força secundária.Boito Jr., A burguesia no governo Lula, pp. 53, 62 e 65
- Interpretação · Armando Boito Jr.A política dos governos Lula e Dilma contempla prioritariamente a grande burguesia interna; o primeiro governo Lula fez concessões importantes ao capital financeiro internacional, e no segundo mandato o perfil neodesenvolvimentista estava claro.Boito Jr., O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer, p. 174
- Interpretação · Armando Boito Jr.O bloco no poder designa a unidade contraditória da burguesia organizada como classe dominante, dividida em frações com interesses específicos.Boito Jr., A burguesia no governo Lula, p. 54
- Interpretação · Armando Boito Jr.O conceito de burguesia interna, de Nicos Poulantzas, indica a fração da burguesia em posição intermediária entre a burguesia compradora, mera extensão dos interesses imperialistas, e a burguesia nacional, que em alguns movimentos de libertação nacional assumiu posições anti-imperialistas.Boito Jr., A burguesia no governo Lula, p. 53, nota 2
- FatoA Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, criou o Programa Bolsa Família, destinado à transferência de renda com condicionalidades e à unificação da gestão das transferências do governo federal, como o Bolsa Escola.Congresso Nacional, Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, art. 1º
- FatoNo primeiro mandato, o governo e o Congresso atravessaram crises resultantes de denúncias de compra de votos e de financiamento de campanhas, com as CPIs dos Correios e do Mensalão.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 60
- FatoLula foi derrotado no segundo turno de 1989 por Fernando Collor e perdeu as eleições de 1994 e 1998, vencidas em primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- FatoEm 2002, Lula foi eleito presidente com cerca de 53 milhões de votos, derrotando o candidato governista José Serra, e tomou posse em 1º de janeiro de 2003, anunciando o Fome Zero.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- FatoA Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, determinou que os servidores inativos e os pensionistas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios contribuíssem para o custeio do regime de previdência.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, art. 4º
- FatoEm 2003 foram promulgadas as emendas constitucionais que alteraram os sistemas previdenciário e tributário.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60
- FatoEntre 2003 e 2010 foram criados 14 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, e o desemprego ficou perto de 6% no fim do governo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 62
- FatoNa página seguinte, o mesmo registro do Arquivo Nacional fala em 15 milhões de empregos formais criados entre 2003 e 2010.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 63
- FatoEm 2004, tropas brasileiras desembarcaram no Haiti como parte da missão da ONU, e em 2005 os países do Mercosul, com a Venezuela, se opuseram ao cronograma da Alca proposto pelos Estados Unidos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 60
- FatoO Brasil liderou a missão de paz da ONU no Haiti.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 63
- Interpretação · Octavio IanniA discussão da previdência era conduzida satanizando os aposentados, tratados como peso morto.Ianni, “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington”, § 19
- Interpretação · Octavio IanniDesde 1964, primeiro os militares e depois os governos civis desmontaram o projeto nacional seguindo o Consenso de Washington, e o governo Lula dava continuidade a esse processo.Ianni, “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington”, §§ 9 e 13
- FatoA Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009, dispôs sobre o Programa Minha Casa, Minha Vida.Congresso Nacional, Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009, ementa
- FatoO governo Lula manteve uma política macroeconômica baseada em metas de inflação e de superávit primário.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 61
- FatoLuiz Inácio Lula da Silva, metalúrgico, nasceu em Garanhuns (PE), em 27 de outubro de 1945, migrou com a família para Santos em 1952 e para São Paulo em 1956 e obteve no Senai o diploma de torneiro mecânico.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- Interpretação · Francisco de OliveiraOs primeiros anos do governo petista, calcados no continuísmo em relação ao governo anterior, se inserem num quadro de bases de classe em decomposição, populismo emergente e predomínio do capital financeiro.Oliveira, O momento Lênin, p. 23
- FatoFrancisco de Oliveira esteve entre os fundadores do PT, segundo a apresentação da entrevista de 2003.Oliveira, Esta reforma é um ornitorrinco, § 3
- Interpretação · Francisco de OliveiraPredominava no PT uma nova classe, formada por trabalhadores levados à administração de fundos de previdência, de estatais e do Fundo de Amparo ao Trabalhador e à convivência com o BNDES.Oliveira, Esta reforma é um ornitorrinco, §§ 31-33
- Interpretação · Francisco de OliveiraAs políticas assistencialistas são políticas de funcionalização da pobreza, contraparte da liquidação da classe em curso no desenvolvimento brasileiro, e se multiplicaram no governo Lula, a começar pelo Fome Zero, num novo populismo que ele chama de lulismo-petismo.Oliveira, O momento Lênin, pp. 37-38
- Interpretação · Francisco de OliveiraA reforma da previdência de 2003 tinha objetivo fiscalista e interessava sobretudo ao capital financeiro, porque criava um grande mercado de fundos de previdência complementar.Oliveira, Esta reforma é um ornitorrinco, §§ 7 e 13
- FatoO Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi criado em 22 de janeiro de 2007, planejado como estímulo ao investimento privado e ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura, e ajudou a taxa de investimento a subir de 16,9% do PIB, no primeiro mandato, para 18,2%, no segundo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 61
- FatoA Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010, criou o regime de partilha de produção no pré-sal e determinou que a Petrobras seria a operadora de todos os blocos contratados nesse regime.Congresso Nacional, Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010, art. 4º
- Interpretação · Leda Maria PaulaniEscrevendo em maio de 2004, Paulani sustentou que, ancorados no diagnóstico de que o país estava à beira do precipício, os que tomaram posse em 2003 encontraram o álibi para continuar e aprofundar a política econômica dos oito anos de Fernando Henrique, numa escolha deliberada de manter o Brasil enredado na mesma armadilha externa, desde que isso não colocasse em risco o projeto de poder do PT.Paulani, Quando o medo vence a esperança, p. 11
- FatoNo início de 2003, a taxa Selic chegou a 26,5% ao ano e o superávit primário foi elevado a 4,25% do PIB, acima dos 3,75% exigidos pelo FMI, segundo Paulani.Paulani, Quando o medo vence a esperança, p. 12
- FatoNo início do governo, a política econômica austera privilegiou o controle da inflação, a estabilidade e a obtenção de superávit primário, com juros altos criticados por defensores de uma política de desenvolvimento.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- FatoEm 1979 e 1980 o sindicato sofreu intervenção do Ministério do Trabalho, e vários dirigentes, entre eles Lula, foram presos e processados pela Lei de Segurança Nacional.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- FatoA Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, instituiu o Programa Universidade para Todos (ProUni).Congresso Nacional, Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, art. 1º
- FatoO ProUni concede bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior em contrapartida à isenção de alguns tributos para as entidades que aderem ao programa.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 60
- FatoO manifesto de lançamento do PT foi apresentado em fevereiro de 1980; Lula participou da fundação da CUT em 1983 e, em 1986, tornou-se o deputado federal constituinte mais votado do país.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- FatoEm 2006, candidato pelo PT, Lula foi reeleito com 58.295.042 votos; o Arquivo Nacional diz, na página seguinte, que a reeleição ocorreu no segundo turno, com cerca de 58 milhões de votos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 60-61
- Interpretação · Alfredo Saad FilhoOs governos do PT viveram a contradição entre as ambições de suas políticas sociais e o tripé macroeconômico neoliberal imposto em 1999, de metas de inflação, livre movimento de capitais e câmbio flutuante e política fiscal contracionista.Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, p. 171
- Interpretação · Décio SaesA partir de 2003, o presidencialismo forte se colocou a serviço de um projeto político da burguesia interna, que se chocava com os interesses do capital estrangeiro e da burguesia associada.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 17
- FatoDurante os dois mandatos, o salário mínimo teve aumento real de 67%, e a participação dos salários no PIB passou de 31% para 35%.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 62
- FatoLula tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema em 1975, foi reeleito em 1978 e, em 1979, destacou-se como líder na paralisação de cerca de 150 mil metalúrgicos do estado de São Paulo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 59
- Interpretação · André Singer, segundo Armando Boito Jr.André Singer interpretou o lulismo como um tipo de bonapartismo, que arbitraria entre as classes fundamentais apoiado no subproletariado, definido como os trabalhadores que não encontram quem compre a sua força de trabalho por um preço que assegure a sua reprodução em condições normais, e realizaria um reformismo fraco, segundo o resumo de Boito.Boito Jr., O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer, pp. 172-173
- Interpretação · Angelita Matos Souza, segundo Caio BugiatoA burguesia interna conquistou mais espaço nos governos do PT, mas não a hegemonia, que continuou com o grande capital bancário-financeiro em convergência com o capital financeiro internacional.Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 152
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003 (previdência dos servidores). planalto.gov.br, 19/12/2003. Abrir ↗
- PAULANI, Leda Maria. Quando o medo vence a esperança (um balanço da política econômica do primeiro ano do governo Lula). Crítica Marxista, n. 19, pp. 11-26, 2004. Abrir ↗
- OLIVEIRA, Francisco de. Esta reforma é um ornitorrinco (entrevista ao Jornal da Unicamp, agosto de 2003). 2003. Abrir ↗
- IANNI, Octavio. “O Presidente está simplesmente servindo ou recitando uma diretriz do consenso de Washington” (entrevista ao Jornal da Unicamp, julho de 2003). 2003. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004 (cria o Programa Bolsa Família). planalto.gov.br, 09/01/2004. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005 (institui o ProUni). planalto.gov.br, 13/01/2005. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 11.977, de 7 de julho de 2009 (Programa Minha Casa, Minha Vida). planalto.gov.br, 07/07/2009. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010 (partilha de produção no pré-sal). planalto.gov.br, 22/12/2010. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando; BERRINGER, Tatiana. Brasil: classes sociais, neodesenvolvimentismo e política externa nos governos Lula e Dilma. Curitiba: Revista de Sociologia e Política (UFPR), v. 21, n. 47, pp. 31-38, 2013. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. A burguesia no governo Lula. Crítica Marxista, n. 21, pp. 52-76, 2005. Abrir ↗
- SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. O lulismo é um tipo de bonapartismo? Uma crítica às teses de André Singer. Crítica Marxista, n. 37, pp. 171-181, 2013. Abrir ↗
- OLIVEIRA, Francisco de. O momento Lênin. São Paulo: Novos Estudos CEBRAP, n. 75, pp. 23-47 (separata reproduzida no MIA), 2006. Abrir ↗
- BUGIATO, Caio. Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza). Crítica Marxista, n. 58, pp. 151-154, 2025. Abrir ↗
- ARCARY, Valerio. Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? Crítica Marxista, n. 42, pp. 147-153, 2016. Abrir ↗
- SAAD FILHO, Alfredo. Avanços, contradições e limites dos governos petistas. Crítica Marxista, n. 42, pp. 171-177, 2016. Abrir ↗