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Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Venceslau Brás

Retrato oficial de Venceslau Brás
Foto: Governo do Brasil, c. 1914. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaPRMViés: oligarquia mineira

Venceslau Brás

Governou de 15/11/1914 a 15/11/1918

Venceslau Brás, do Partido Republicano Mineiro, governou de 1914 a 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, quando a queda das importações fez crescer a indústria nacional. No governo dele, a greve geral de julho de 1917 parou São Paulo, e o governo mandou tropas e navios de guerra para intimidar os grevistas. Em outubro de 1917, o Brasil entrou na guerra contra a Alemanha.

Partido
Partido Republicano Mineiro (PRM)
Como chegou
eleição direta de 1914, com o apoio de Hermes da Fonseca e de Pinheiro Machado
Como saiu
fim do mandato
Nascimento
São Caetano da Vargem Grande, hoje Brasópolis (MG), 1868
Morte
Itajubá (MG), 1966
Antes da presidência
advogado; secretário do Interior de Minas Gerais, deputado federal pelo PRM, presidente de Minas Gerais (1909-1910) e vice-presidente (1910-1914)

O governo em datas

Venceslau Brás, 1914–1918

  1. 15/11/1914Posse de Venceslau Brás.Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau
  2. 14/10/1915A COB reúne no Rio um Congresso da Paz contra a guerra.Astrojildo Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil
  3. 01/01/1916Sancionado o Código Civil, em vigor desde 1º de janeiro de 1917.Congresso Nacional e Presidência da República, Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916
  4. 03/04/1917Submarino alemão afunda o navio brasileiro Paraná.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  5. 27/10/1917Declaração de estado de guerra contra a Alemanha.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  6. 15/11/1918Fim do mandato; assume Delfim Moreira.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Um mineiro na guerra

Venceslau Brás Pereira Gomes nasceu em São Caetano da Vargem Grande, hoje Brasópolis (MG), em 1868, foi deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro, presidente de Minas Gerais e vice-presidente de Hermes da Fonseca. Ele tomou posse em 15 de novembro de 1914, pouco depois do início da Primeira Guerra Mundial. Venceslau cumpriu uma decisão do Supremo que dava o governo do estado do Rio a Nilo Peçanha, contra a vontade de Pinheiro Machado, que fez oposição ao governo até ser assassinado, em 1915. Em 1916, ele promoveu o acordo de limites entre Paraná e Santa Catarina na região do Contestado, onde o Exército esmagou os sertanejos rebelados desde 1912. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 19-20; Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau, seção "Na presidência da República")

A guerra e a indústria

A guerra reduziu a capacidade de importar, e a indústria nacional aumentou a produção para substituir as importações. O governo emitiu letras do Tesouro, cortou despesas, incentivou siderúrgicas e a exploração de carvão e construiu escolas profissionais para formar operários. Segundo uma estatística citada por Nelson Werneck Sodré, as indústrias fundadas entre 1915 e 1919 reuniam 24,2% do capital industrial, a maior parcela entre os períodos de fundação desde 1885. Para Sodré, a guerra disfarçou com as suas consequências econômicas as transformações políticas que se acumulavam e que explodiriam depois. (Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau, seção "Na presidência da República"; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 313 e 315)

Para conter a carestia, o governo criou o Comissariado de Alimentação, que tabelava os preços dos gêneros de primeira necessidade e fiscalizava os depósitos de mercadorias. Em 1º de janeiro de 1916, Venceslau sancionou o Código Civil, que entrou em vigor um ano depois. O Arquivo Nacional registra que, para segurar o preço do café diante da queda das exportações, foram queimadas três milhões de sacas estocadas, o que levou à segunda valorização do produto, de 1917 a 1920. (Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau, seção "Na presidência da República"; Congresso Nacional e Presidência da República, Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, ementa e art. 1.806; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 20)

A greve geral de 1917

Em julho de 1917, uma greve que começou em duas fábricas têxteis de São Paulo virou greve geral, com cerca de 50 mil trabalhadores, e parou a cidade por alguns dias. O governo mobilizou tropas e mandou dois navios de guerra para o porto de Santos para intimidar os grevistas. Segundo Astrojildo Pereira, essa greve abriu uma onda de greves de massa que foi de 1917 a 1920 e se espalhou por muitas cidades, com pedidos de aumento de salário e de melhores condições de trabalho. Para Astrojildo, as vitórias não estiveram à altura do tamanho do movimento, porque faltava a direção política que só um partido da classe operária poderia dar. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 20; Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil)

O Brasil entra na guerra

Em 3 de abril de 1917, um submarino alemão afundou o navio brasileiro Paraná, e o governo confiscou os navios alemães ancorados nos portos do país. Depois do afundamento do Macau, o Brasil declarou estado de guerra contra a Alemanha em outubro de 1917 e mandou à Europa um corpo expedicionário naval, comandado pelo almirante Pedro Max de Frontin, para patrulhar o Atlântico Norte. Astrojildo Pereira afirma que o governo entrou na guerra cedendo à pressão imperialista e que o movimento operário, que fazia comícios contra a guerra desde 1915, manteve a posição pela paz. Octávio Brandão via Venceslau, industrial em Itajubá, como um agente da política norte-americana e lembrava que ele fez do dia da independência dos Estados Unidos um feriado. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 20; Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau, seção "Na presidência da República"; Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil; Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 95)

O fim do governo

Em 1918, o governo combateu a epidemia de gripe espanhola e apoiou a eleição de Rodrigues Alves, que não chegou a tomar posse. Venceslau deixou o cargo em 15 de novembro de 1918 e voltou para Itajubá (MG), onde morreu em 1966. (Helena Faria (CPDOC/FGV), BRÁS, Venceslau, seção "Na presidência da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 20)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
oligarquias do café de Minas Gerais e São Paulo, com uma burguesia industrial em crescimento pela substituição de importações durante a guerra (Sodré, pp. 313-315; CPDOC)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão, concessão

Lutas de classes no governo

  • Greve geral de 1917 · 1917 · Cidade de São Paulo, a partir do bairro operário da Mooca, com greves também no Rio de Janeiro e em Porto Alegre

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (25)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Helena Faria (CPDOC/FGV). BRÁS, Venceslau (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  4. Congresso Nacional e Presidência da República. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 (Código Civil). planalto.gov.br, 01/01/1916. Abrir ↗
  5. PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952. Abrir ↗
  6. BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
  7. Astrojildo Pereira. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil (Problemas, n. 39, mar.-abr. 1952). marxists.org. Abrir ↗
  8. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
  9. Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
  10. Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV). PEÇANHA, Nilo (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗