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Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Rodrigues Alves

Retrato oficial de Rodrigues Alves
Foto: Governo do Brasil, c. 1902. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaPRPViés: oligarquia cafeeira

Rodrigues Alves

Governou de 15/11/1902 a 15/11/1906

Rodrigues Alves, ex-conselheiro do Império, governou de 1902 a 1906 com obras no porto e no centro do Rio, pagas com empréstimo do banco Rothschild. A reforma urbana derrubou cortiços e expulsou os pobres do centro, e a vacinação obrigatória provocou a Revolta da Vacina, reprimida pelo Exército e pela Marinha. Reeleito em 1918, ele morreu de gripe espanhola sem tomar posse.

Partido
Partido Republicano Paulista (PRP); no Império, Partido Conservador
Como chegou
eleição direta de 1º de março de 1902, como candidato de Campos Sales
Como saiu
fim do mandato; reeleito em 1918, não tomou posse por doença e morreu em 16 de janeiro de 1919
Nascimento
Guaratinguetá (SP), 1848
Morte
Rio de Janeiro (RJ), 1919
Antes da presidência
advogado; no Império, deputado e presidente da província de São Paulo pelo Partido Conservador e conselheiro (1888); na República, ministro da Fazenda de Floriano e de Prudente e senador pelo PRP

O governo em datas

Rodrigues Alves, 1902–1906

  1. 01/03/1902Rodrigues Alves é eleito presidente.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  2. 15/11/1902Posse.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  3. 15/08/1903Operários têxteis iniciam a primeira greve geral da capital.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  4. 16/11/1904Revolta da Vacina: o governo revoga a vacinação obrigatória e põe Exército, Marinha e polícia nas ruas.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  5. 15/11/1906Fim do mandato; posse de Afonso Pena.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  6. 01/03/1918Rodrigues Alves é eleito presidente pela segunda vez.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  7. 15/11/1918Doente, não toma posse; assume o vice Delfim Moreira.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  8. 16/01/1919Morte de Rodrigues Alves.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Um conselheiro do Império na presidência

Francisco de Paula Rodrigues Alves nasceu em Guaratinguetá (SP), em 1848, foi deputado e presidente da província de São Paulo pelo Partido Conservador e conselheiro do Império em 1888. Na República, ele foi ministro da Fazenda de Floriano e de Prudente e senador pelo Partido Republicano Paulista. Com o apoio de Campos Sales, que via nele um antigo servidor da monarquia comprometido com o programa financeiro, Rodrigues Alves foi eleito em 1º de março de 1902 e tomou posse em 15 de novembro. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 16; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República"; Américo Freire (CPDOC/FGV), SALES, Campos, seção "Presidente da República")

O porto, a avenida e os cortiços

O governo fez do Rio de Janeiro a sua prioridade, com a reforma do porto, a abertura da avenida Central e o saneamento da cidade, e tomou empréstimo do banco Rothschild, de Londres, para as obras do porto. O prefeito Pereira Passos, nomeado para conduzir a reforma, derrubou cortiços e casas simples e expulsou a população mais pobre do centro, o que levou à revolta popular. O Arquivo Nacional registra que a modernização também proibiu o comércio ambulante e a venda de bilhetes de loteria nas ruas. Para Nelson Werneck Sodré, os empréstimos para as obras do porto, para ferrovias e para outros serviços se somavam a investimentos estrangeiros generosamente garantidos, que consumiam os saldos do comércio exterior. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 16; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 312)

A Revolta da Vacina

O médico Osvaldo Cruz, à frente da saúde pública, combateu a febre amarela, a peste bubônica e a varíola, doenças que atingiam mais a população pobre, moradora de habitações precárias. Em novembro de 1904, a vacinação obrigatória contra a varíola, feita por agentes sanitários que invadiam casas e vacinavam à força, provocou a Revolta da Vacina. Moradores destruíram bondes e apedrejaram prédios públicos, e em 16 de novembro o governo revogou a obrigatoriedade e pôs nas ruas o Exército, a Marinha e a polícia. Sodré registra que o governo, apesar das obras pelas quais ficou conhecido, foi tumultuado por motins e pronunciamentos, entre os quais se destacaram os militares. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República"; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315)

Greves

Em 15 de agosto de 1903, operários têxteis iniciaram a primeira greve geral da capital, pedindo aumento de salário e jornada de oito horas para todas as categorias. Astrojildo Pereira lembra também a grande greve dos cocheiros e carroceiros do Rio, em 1903, e uma greve de ferroviários da Companhia Paulista, em São Paulo, em 1905, que a polícia reprimiu com extrema brutalidade. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 16; Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil)

Rio Branco e o Acre

O barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores, negociou o Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil ficou com o Acre, pagou à Bolívia uma compensação de 2 milhões de libras e se comprometeu a construir a ferrovia Madeira-Mamoré. O governo boliviano tinha arrendado a região ao Bolivian Syndicate of New York, que o Brasil se comprometeu a indenizar. Rio Branco também transformou a representação brasileira em Washington na primeira embaixada do país. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 16; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República")

O café e Taubaté

Com a queda do preço do café, os governos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro propuseram o Convênio de Taubaté, pelo qual o governo federal compraria e estocaria safras com dinheiro emprestado no exterior. Rodrigues Alves recusou o plano, que contrariava a sua política de câmbio firme para pagar os empréstimos das obras, e deixou a decisão ao Congresso, que apoiou o convênio em 1906. Octávio Brandão escreveu, em 1926, que toda a política nacional girava em torno da valorização do café e que São Paulo e Minas eram os senhores da nação. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 16; Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 36-37)

Reeleito sem posse

Em 1º de março de 1918, Rodrigues Alves foi eleito de novo presidente, com Delfim Moreira como vice. Já doente, ele pegou a gripe espanhola e não tomou posse em 15 de novembro, quando Delfim Moreira assumiu. Rodrigues Alves morreu em 16 de janeiro de 1919, e uma nova eleição foi marcada para 13 de abril. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Última eleição")

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
fração cafeeira paulista e capital financeiro inglês, que financiou as obras do porto; o presidente pôs o pagamento dos empréstimos externos à frente da valorização pedida pelos cafeicultores (CPDOC; Sodré, p. 312)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão

Lutas de classes no governo

  • Revolta da Vacina · 1904 · Rio de Janeiro, então capital federal, do centro a bairros como Saúde, Gamboa, Botafogo e Tijuca

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (26)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV). ALVES, Rodrigues (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. Américo Freire (CPDOC/FGV). SALES, Campos (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  4. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  5. PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952. Abrir ↗
  6. BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
  7. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
  8. Astrojildo Pereira. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil (Problemas, n. 39, mar.-abr. 1952). marxists.org. Abrir ↗
  9. Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗