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República OligárquicaPRMViés: oligarquia cafeeira
Afonso Pena
Governou de 15/11/1906 a 14/06/1909
Afonso Pena, mineiro, governou de 1906 a 1909 e deu o aval da União ao empréstimo externo que pôs em prática o Convênio de Taubaté, a primeira política de valorização do café. No governo dele, o Decreto nº 1.641, a Lei Adolfo Gordo, passou a permitir a expulsão de estrangeiros vistos como ameaça à ordem. Ele morreu no cargo em junho de 1909.
- Partido
- Partido Republicano Mineiro (PRM)
- Como chegou
- eleição direta de março de 1906, com o apoio de Pinheiro Machado
- Como saiu
- morreu no cargo em 14 de junho de 1909
- Nascimento
- Santa Bárbara (MG), 1847
- Morte
- Rio de Janeiro (RJ), 1909
- Antes da presidência
- advogado; no Império, ministro da Guerra, da Agricultura e da Justiça; fundou a Faculdade de Direito de Minas Gerais, governou o estado (1892-1894), presidiu o Banco da República e foi vice-presidente (1902-1906)
O governo em datas
Afonso Pena, 1906–1909
- 15/11/1906Posse de Afonso Pena, com Nilo Peçanha como vice.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
- 07/01/1907Decreto nº 1.641 permite expulsar estrangeiros que comprometam a segurança nacional ou a tranquilidade pública.Congresso Nacional e Presidência da República, Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907
- 14/06/1909Afonso Pena morre no cargo; assume Nilo Peçanha.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
O que o governo fez
Principais medidas
- 1907
Lei de expulsão de estrangeiros
O Decreto nº 1.641, projeto do deputado Adolfo Gordo, permitiu expulsar estrangeiros considerados ameaça à ordem; 132 pessoas foram expulsas só em 1907.
Michel Goulart da Silva, Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias - 1908
Aval da União ao Convênio de Taubaté
A União garantiu o empréstimo externo para a compra e a estocagem de café, com a inclusão dos cafés de Minas e do Rio.
Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso Caixa de Conversão
Mecanismo para fixar a taxa de câmbio e evitar oscilações bruscas, apoiado por Pena.
Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, AfonsoServiço militar obrigatório
Reorganização do Exército pelo ministro da Guerra Hermes da Fonseca, com o sorteio militar obrigatório.
Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, AfonsoMinistério da Agricultura, Indústria e Comércio
Pasta criada no governo Pena, que só funcionou depois da sua morte.
Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso
Para entender o governo
Um mineiro do Império
Afonso Augusto Moreira Pena nasceu em Santa Bárbara (MG), em 1847, foi ministro em três pastas do Império, fundou a Faculdade de Direito de Minas Gerais e governou o estado de 1892 a 1894. Ele presidiu o Banco da República e foi vice-presidente de Rodrigues Alves, eleito no lugar de Silviano Brandão, que morreu antes da posse. Com o apoio do senador gaúcho Pinheiro Machado, Afonso Pena foi eleito em março de 1906 e tomou posse em 15 de novembro, com Nilo Peçanha como vice. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Presidente da República")
O aval à valorização do café
O Convênio de Taubaté, aprovado em 1906, previa comprar e estocar café para segurar o preço, mas os credores estrangeiros exigiam uma garantia que São Paulo sozinho não podia dar. Afonso Pena só deu o aval da União ao empréstimo em novembro de 1908, depois que os paulistas aceitaram incluir os cafés inferiores de Minas e do Rio nas compras e apoiar a candidatura de Davi Campista à sucessão. O Arquivo Nacional registra que o financiamento permitiu comprar cerca de oito milhões de sacas, quase metade da safra, e que o governo mandou o Banco do Brasil comprar safras, na primeira intervenção do Estado para defender um produto. A Caixa de Conversão, que Pena apoiou, passou a garantir o câmbio estável. (Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção "Presidente da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17)
Quem pagava a conta
Para Nelson Werneck Sodré, a federação deu aos governos estaduais o papel de defender a valorização do café, que dependia de empréstimos externos caros, e por isso o capital financeiro assumiu o controle do mercado do produto. Sodré afirma que a valorização por retenção de safras foi sustentada em grande parte com emissões de moeda, que pioravam a vida das classes menos favorecidas e das regiões fora da economia de exportação. Octávio Brandão escreveu, em 1926, que toda a política nacional girava em torno da valorização do café e que o Estado construía armazéns e emitia dinheiro para guardar e valorizar o produto. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 305-306 e 318; Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 36)
A lei de expulsão
Em 7 de janeiro de 1907, o governo sancionou o Decreto nº 1.641, que permitia expulsar do país o estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometesse a segurança nacional ou a tranquilidade pública. O projeto era do deputado Adolfo Gordo, e só em 1907, segundo o historiador Michel Goulart da Silva, 132 pessoas foram expulsas com base nessa lei. A lei não permitia expulsar quem morasse no país havia dois anos seguidos, ou havia menos tempo quando casado com brasileira ou viúvo com filho brasileiro. (Congresso Nacional e Presidência da República, Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907, arts. 1º e 3º; Michel Goulart da Silva, Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias, p. 13)
O movimento operário
A Confederação Operária Brasileira, cujas bases tinham sido lançadas no Congresso Operário de abril de 1906, no Rio de Janeiro, foi organizada em 1908, já no governo Pena. Segundo Astrojildo Pereira, havia no congresso uma corrente a favor de formar um partido operário, mas venceu a corrente anarcossindicalista, contrária à luta política, que predominou no movimento operário de 1906 a 1920. (Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil)
O Exército, os imigrantes e a sucessão
O governo instituiu o serviço militar obrigatório, por iniciativa do ministro da Guerra, Hermes da Fonseca, e reequipou a Marinha. Afonso Pena incentivou a imigração, e no seu mandato chegaram 781 imigrantes japoneses para trabalhar no café paulista, num total estimado de cem mil colonos estrangeiros. A sucessão dividiu a base do governo, e Pinheiro Machado lançou a chapa de Hermes da Fonseca com Venceslau Brás contra o candidato de Pena. Afonso Pena morreu no cargo em 14 de junho de 1909, e o vice Nilo Peçanha assumiu. (Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção "Presidente da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 17-18)
Para Sodré, a candidatura de Hermes resultou de uma manobra das forças oligárquicas, que fizeram de um militar, representante da classe média, o candidato oficial, e isso já indicava o declínio delas. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315)
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
A valorização do café pelos estados dependia de empréstimos externos caros, que deram ao capital financeiro o controle do mercado, e foi sustentada por emissões que pioravam a vida dos mais pobres.
Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 305-306 e 318Nelson Werneck Sodré
A candidatura militar de Hermes foi uma manobra das oligarquias que já indicava o declínio delas.
Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315Octávio Brandão
Toda a política nacional girava em torno da valorização do café.
Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 36
Leitura de classe do governo
- Regime
- oligárquico
- Bloco no poder
- cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a União como avalista da valorização financiada pelo capital estrangeiro (CPDOC; Sodré, pp. 305-306)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
- Relação com os trabalhadores
- repressão
Para estudar este governo
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: pp. 305-306, 315 e 318.
BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Onde ler: p. 36.
PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952.
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De onde vem cada afirmação desta página (24)
- FatoAfonso Pena nasceu em Santa Bárbara do Mato Dentro, atual Santa Bárbara (MG), em 30 de novembro de 1847.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, primeiro parágrafo
- FatoA estabilidade cambial foi garantida pela Caixa de Conversão, que Afonso Pena apoiou contra a posição de Rodrigues Alves.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- Interpretação · Nelson Werneck SodréPara Sodré, a descentralização federativa permitiu que os governos estaduais defendessem a valorização do café, que exigia o apoio do capital financeiro externo, com empréstimos obtidos a alto preço, e os fornecedores desses empréstimos assumiram o controle do mercado.Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 305-306
- Interpretação · Nelson Werneck SodréPara Sodré, a valorização por retenção de safras foi mantida em grande parte por emissões, que agravavam as condições de vida das classes menos favorecidas e das regiões fora da economia de exportação.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 318
- Interpretação · Octávio BrandãoPara Brandão, toda a política nacional gira em torno da valorização do café, e o Estado constrói armazéns gerais, contrai empréstimos e emite moeda para valorizá-lo.Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 36
- FatoO Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907, permitia expulsar de parte ou de todo o território nacional o estrangeiro que, por qualquer motivo, comprometesse a segurança nacional ou a tranquilidade pública.Congresso Nacional e Presidência da República, Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907, art. 1º
- FatoO Decreto nº 1.641 vedava a expulsão do estrangeiro que residisse no país por dois anos contínuos, ou por menos tempo quando casado com brasileira ou viúvo com filho brasileiro.Congresso Nacional e Presidência da República, Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907, art. 3º
- FatoO Decreto nº 1.641 resultou de projeto do deputado Adolfo Gordo, e só em 1907 foram expulsas 132 pessoas com base nele.Michel Goulart da Silva, Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias, p. 13
- FatoA Confederação Operária Brasileira foi organizada em 1908, sobre bases lançadas pelo Congresso Operário reunido no Rio de Janeiro em abril de 1906.Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil, parte inicial do artigo
- Interpretação · Astrojildo PereiraSegundo Astrojildo Pereira, no Congresso Operário de 1906 havia uma corrente favorável à formação de um partido operário, mas a corrente anarcossindicalista, com seu preconceito antipolítico, predominou, e o anarquismo dominou o movimento operário de 1906 a 1920.Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil, parte inicial do artigo
- FatoO governo Afonso Pena reorganizou o Exército, com a instituição do serviço militar obrigatório pelo ministro da Guerra Hermes da Fonseca, e reaparelhou a Marinha com a compra de navios.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoNo Império, Afonso Pena foi ministro da Guerra (1882), da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (1883-1884) e da Justiça (1885).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17
- FatoNo governo Afonso Pena vieram 781 imigrantes japoneses para trabalhar na cafeicultura paulista, e estima-se que cerca de cem mil colonos entraram no Brasil ao longo do mandato.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoO governo Pena criou o Ministério dos Negócios da Agricultura, Indústria e Comércio, que só funcionou efetivamente depois da morte do presidente.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoDiante do veto à candidatura de Davi Campista, Pinheiro Machado articulou a chapa Hermes da Fonseca-Venceslau Brás.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoAfonso Pena morreu no Rio de Janeiro em 14 de junho de 1909, sem concluir o mandato, e Nilo Peçanha assumiu a presidência.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 17-18
- Interpretação · Nelson Werneck SodréPara Sodré, a sucessão de Afonso Pena foi marcada por uma manobra das forças oligárquicas que fez de um militar, representante da classe média, o candidato oficial, o que já era prova do declínio delas.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315
- FatoAfonso Pena fundou a Faculdade de Direito de Minas Gerais, governou Minas Gerais (1892-1894) e presidiu o Banco da República do Brasil.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17
- FatoAfonso Pena tornou-se vice-presidente de Rodrigues Alves em substituição a Silviano Brandão, que morreu antes da posse.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17
- FatoO senador gaúcho Pinheiro Machado patrocinou a candidatura de Afonso Pena, com Nilo Peçanha como vice; eleito em março de 1906, Pena tomou posse em 15 de novembro.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção Presidente da República
- FatoEm 1891, Afonso Pena foi convidado pelo recém-criado Partido Republicano Mineiro a se candidatar a senador estadual constituinte.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção A República no Brasil
- FatoO aval da União era necessário ao empréstimo do Convênio de Taubaté porque os credores internacionais exigiam garantias além das disponibilidades de São Paulo.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoAfonso Pena condicionou o aval à inclusão dos tipos inferiores de café de Minas e do Rio nas compras, à presença de fiscais mineiros e fluminenses na classificação e ao apoio paulista à candidatura de Davi Campista; o aval só ocorreu em novembro de 1908.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoO financiamento do Convênio de Taubaté viabilizou a compra de cerca de oito milhões de sacas de café, quase metade da safra, e Afonso Pena determinou que o Banco do Brasil adquirisse safras, na primeira intervenção estatal para a defesa de um produto.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 17
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV). ALVES, Rodrigues (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
- Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV). PENA, Afonso (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
- Congresso Nacional e Presidência da República. Decreto nº 1.641, de 7 de janeiro de 1907 (publicação original). www2.camara.leg.br, 07/01/1907. Abrir ↗
- Michel Goulart da Silva. Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias (Perseu, n. 15, ano 12, 2018). revistaperseu.fpabramo.org.br. Abrir ↗
- PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952. Abrir ↗
- Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
- Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
- Astrojildo Pereira. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil (Problemas, n. 39, mar.-abr. 1952). marxists.org. Abrir ↗