Pular para o conteúdo

Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Prudente de Morais

Retrato oficial de Prudente de Morais
Foto: Governo do Brasil, c. 1894. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaPRFViés: oligarquia cafeeira

Prudente de Morais

Governou de 15/11/1894 a 15/11/1898

Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil, eleito em 1894 pelo Partido Republicano Federal com o apoio dos cafeicultores paulistas. O governo dele destruiu o arraial de Canudos, no sertão da Bahia, e enfrentou os jacobinos florianistas, que tentaram matá-lo em 1897. Ele também negociou com banqueiros ingleses o funding loan, o empréstimo que consolidou a dívida externa.

Partido
Partido Republicano Federal (PRF) e Partido Republicano Paulista (PRP)
Como chegou
eleição direta de 1º de março de 1894, com o apoio do Partido Republicano Federal
Como saiu
fim do mandato; passou o cargo a Campos Sales
Nascimento
Itu (SP), 1841
Morte
Piracicaba (SP), 1902
Antes da presidência
advogado e chefe do PRP; governou São Paulo (1889-1890), presidiu a Assembleia Constituinte (1890-1891) e o Senado (até 1894)

O governo em datas

Prudente de Morais, 1894–1898

  1. 01/03/1894Prudente de Morais é eleito na primeira eleição presidencial direta.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de
  2. 15/11/1894Posse do primeiro presidente civil.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  3. 23/08/1895Acertada a paz com os federalistas do Rio Grande do Sul.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  4. 11/11/1896Doente, Prudente passa o governo ao vice-presidente Manuel Vitorino.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de
  5. 04/03/1897Prudente reassume a presidência.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de
  6. 05/11/1897Atentado contra o presidente; o ministro da Guerra, Machado Bittencourt, é morto.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de
  7. 15/11/1898Prudente transmite o cargo a Campos Sales.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

O primeiro presidente civil

Prudente José de Morais Barros nasceu em Itu (SP), em 1841, era advogado e foi um dos chefes do Partido Republicano Paulista. Depois da Proclamação, ele governou São Paulo e presidiu a Assembleia Constituinte, e em 1891 perdeu para Deodoro a eleição indireta para a presidência. Na eleição direta de 1º de março de 1894, Prudente venceu com o apoio do Partido Republicano Federal e tomou posse em 15 de novembro. O Arquivo Nacional registra que a eleição dele encerrou a presença de militares no governo e inaugurou a representação das oligarquias agrícolas paulistas, sobretudo as do café. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 14; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de, seção "Presidente da República")

Os jacobinos e o atentado

Prudente começou o governo sob a oposição dos jacobinos, os florianistas radicais, e com a Revolução Federalista ainda em curso no Sul. Em agosto de 1895, o governo fechou a paz com os federalistas, e em outubro o Congresso aprovou a anistia. Doente, Prudente passou o cargo ao vice, Manuel Vitorino, em 11 de novembro de 1896 e o reassumiu de surpresa em 4 de março de 1897, ao saber de uma conspiração contra ele. Em 5 de novembro de 1897, o soldado Marcelino Bispo tentou matar o presidente no Rio e matou o ministro da Guerra, marechal Machado Bittencourt, e o jacobinismo deixou de existir como movimento depois desse atentado. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de, seção "Presidente da República"; Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seções "As guerras civis" e "Administração e política"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 14)

Canudos

Em novembro de 1896, começou no sertão da Bahia a guerra contra o arraial de Canudos, onde milhares de sertanejos viviam em torno do beato Antônio Conselheiro. O Arquivo Nacional registra que a comunidade foi vista como uma reação monarquista, apesar do caráter messiânico e regional, e o CPDOC aponta como motivos a contestação dos impostos e as condições precárias de vida da população. As primeiras expedições foram derrotadas, e o arraial só foi destruído por uma expedição federal em 1897. O fracasso das expedições e a morte de seus comandantes provocaram uma onda de violência no Rio, onde milícias florianistas assassinaram monarquistas. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 14; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de, seção "Presidente da República")

Para Nelson Werneck Sodré, Canudos foi a manifestação violenta, e até heroica, de uma população mantida por muito tempo no nível mais baixo da sociedade, por baixo do manto do fanatismo religioso. Ele aproxima Canudos e, depois, o Contestado como lutas de gente sem terra e desprotegida, que cobria o desespero com a religião. Octávio Brandão, em 1926, citava Antônio Conselheiro e o padre Cícero entre as manifestações do que chamava de medievalite brasileira, num país dominado pelo coronel, que ele descrevia como um novo barão feudal. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 309; Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 48-49)

A dívida e os banqueiros ingleses

O governo herdou do Encilhamento uma grande dívida com credores estrangeiros. Com os ministros da Fazenda Rodrigues Alves e Bernardino de Campos, Prudente negociou com banqueiros ingleses o funding loan, um empréstimo para consolidar a dívida externa, cuja operação é de 1898. Segundo Sodré, a operação juntou os juros de todos os empréstimos em libras num novo empréstimo a 5%, por três anos, e suspendeu por treze anos o pagamento das amortizações. Para ele, a partir de 1898 o imperialismo passou a estar instalado oficialmente na política do café. (Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), MORAIS, Prudente de, seção "Presidente da República"; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 306)

O sentido do governo

Décio Saes chama de democracia oligárquica o regime da Primeira República, em que só o Partido Republicano tinha chance real de vencer e os grandes proprietários controlavam o voto rural e as juntas eleitorais. Para Saes, esse regime convinha à hegemonia da burguesia comercial-exportadora, formada por comissários, exportadores e bancos ligados ao café. Sodré situa o governo Prudente como a fase de transição em que os remanescentes florianistas foram liquidados, antes que o domínio das oligarquias ganhasse forma acabada com Campos Sales. Prudente passou o cargo a Campos Sales em 15 de novembro de 1898 e morreu em Piracicaba (SP), em dezembro de 1902. (Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 8 e 15-16; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 309-310; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 14-15)

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
classe senhorial reunificada sob a fração ligada ao café, com as oligarquias agrícolas paulistas à frente (Sodré, p. 305; Arquivo Nacional, p. 14)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão

Lutas de classes no governo

  • Guerra de Canudos · 1896–1897 · Arraial de Belo Monte, às margens do rio Vaza-Barris, no sertão da Bahia

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (29)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV). MORAIS, Prudente de (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. Renato Lemos (CPDOC/FGV). PEIXOTO, Floriano (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  4. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  5. BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
  6. SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
  7. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
  8. Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
  9. Décio Azevedo Marques de Saes. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo (Novos Rumos, v. 52, n. 1, 2015). revistas.marilia.unesp.br. Abrir ↗
  10. Silvia Noronha Sarmento (CPDOC/FGV). VITORINO, Manuel (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗