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Estudos / História do Brasil / República da Espada / Floriano Peixoto

Retrato oficial de Floriano Peixoto
Foto: Governo do Brasil, c. 1891. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República da Espadasem partido (militar)Viés: florianismo: nacionalismo militar de classe média

Floriano Peixoto

Governou de 23/11/1891 a 15/11/1894

Floriano Peixoto assumiu a presidência com a renúncia de Deodoro, em 1891, e governou até 1894 sem convocar nova eleição. Ele enfrentou a Revolução Federalista e a Revolta da Armada com estado de sítio, desterro de opositores e Justiça Militar. Teve o apoio dos cafeicultores paulistas e de militares e camadas médias urbanas, que formaram o jacobinismo.

Partido
sem partido (militar); base no Partido Republicano Paulista e, a partir de 1893, no Partido Republicano Federal
Como chegou
vice-presidente eleito pelo Congresso em 1891; assumiu com a renúncia de Deodoro e ficou até o fim do mandato sem convocar nova eleição
Como saiu
fim do mandato; não esteve no palácio para transmitir o cargo a Prudente de Morais
Nascimento
Ipioca, distrito de Maceió (AL), 1839
Morte
Divisa, distrito de Barra Mansa (RJ), 1895
Antes da presidência
militar e engenheiro; lutou na Guerra do Paraguai, presidiu a província de Mato Grosso, foi ministro da Guerra (1890-1891) e vice-presidente (1891)

O governo em datas

Floriano Peixoto, 1891–1894

  1. 23/11/1891Floriano assume a presidência, revoga o estado de sítio e reabre o Congresso.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  2. 06/04/1892Manifesto de treze generais e almirantes pede nova eleição; os signatários são reformados.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  3. 12/04/1892Estado de sítio na capital; opositores presos e mandados para o desterro.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  4. 06/09/1893Começa a Revolta da Armada, comandada por Custódio de Melo.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  5. 28/02/1894Decreto nº 1.681 leva à Justiça Militar os crimes ligados à rebelião.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  6. 13/03/1894Os revoltosos da Armada buscam asilo em navios portugueses.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano
  7. 15/11/1894Fim do mandato; posse de Prudente de Morais.Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Um vice que ficou até o fim

Floriano Vieira Peixoto nasceu em 1839, em Ipioca, distrito de Maceió (AL), formou-se em engenharia e lutou na Guerra do Paraguai. Eleito vice-presidente pelo Congresso em fevereiro de 1891, ele assumiu a presidência em 23 de novembro, no dia da renúncia de Deodoro, revogou o estado de sítio e reabriu o Congresso. A Constituição mandava fazer nova eleição se o cargo vagasse antes de dois anos de mandato, mas as disposições transitórias permitiam outra leitura, e Floriano governou até o fim do período. Em 6 de abril de 1892, treze generais e almirantes publicaram um manifesto pedindo eleição, e Floriano os reformou à força. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 13; Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seção "Presidente da República")

Estado de sítio e desterro

Em dezembro de 1891, com o apoio do Partido Republicano Paulista, o governo federal ajudou a derrubar os governadores que tinham apoiado o golpe de Deodoro, com exceção do governador do Pará. Em 12 de abril de 1892, depois de uma manifestação a favor de Deodoro, Floriano decretou estado de sítio na capital, e opositores civis e militares foram presos e mandados para o desterro em pontos distantes do país. O Supremo Tribunal Federal negou o habeas corpus pedido para os generais reformados por um voto de diferença, resultado que foi atribuído a ameaças que Floriano teria feito aos juízes. (Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seção "Presidente da República")

As guerras civis

No Rio Grande do Sul, a disputa entre os federalistas de Silveira Martins, antigos monarquistas, e os republicanos de Júlio de Castilhos virou guerra a partir de 1892, com tropas privadas dos coronéis latifundiários dos dois lados e com o Exército a favor de Castilhos. Em 6 de setembro de 1893, oficiais da Marinha comandados por Custódio de Melo se revoltaram na baía de Guanabara, no movimento chamado de Revolta da Armada, e a capital chegou a ser bombardeada. Em dezembro, a adesão do almirante Saldanha da Gama deu um tom monarquista à revolta. Os federalistas tomaram Curitiba em janeiro de 1894, mas os revoltosos da baía se renderam em 13 de março e buscaram asilo em navios portugueses. (Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seção "As guerras civis")

Floriano respondeu ampliando o poder de repressão do Estado. O Decreto nº 1.681, de 28 de fevereiro de 1894, levou para a Justiça Militar os crimes ligados à rebelião, e o Decreto nº 1.685, de 5 de março, ampliou essa regra. Depois da vitória, a cidade de Desterro, capital de Santa Catarina, passou a se chamar Florianópolis. (Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seção "As guerras civis")

Quem apoiava Floriano

O governo federal e a prefeitura do Rio de Janeiro baixaram o aluguel das casas operárias e o preço da carne e combateram a especulação com gêneros de primeira necessidade e os cortiços. Essas medidas aproximaram de Floriano um grupo republicano radical, formado por militares, positivistas e gente das camadas médias urbanas, que se chamava de jacobino e era nacionalista a ponto de hostilizar os portugueses. O Partido Republicano Paulista, dos cafeicultores, foi o maior apoio político e material do governo durante as guerras civis. Em 1893, a base do governo no Congresso fundou o Partido Republicano Federal, que escolheu Prudente de Morais, representante dos cafeicultores paulistas, para a sucessão. (Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seções "Administração e política" e "Sucessão presidencial")

Como os marxistas leem o florianismo

Para Nelson Werneck Sodré, o florianismo foi a representação típica da classe média, com a marca militar, lutando para impedir a volta de uma situação já condenada depois da mudança de regime. Ele afirma que os grupos de classe média se articulavam em torno de Floriano contra a pressão das oligarquias, enquanto a classe dominante ligada à exportação queria tirar do poder a componente militar que a atrapalhava. Para Sodré, os adversários de Floriano pretendiam usar as novas instituições para os mesmos fins da época do Império, sem restaurar a monarquia. A derrota do florianismo, segundo ele, entregou o aparelho de Estado às oligarquias. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 300, 304 e 305)

Octávio Brandão via a Revolta da Armada como um movimento reacionário, chefiado pelo monarquista Saldanha da Gama e apoiado em Londres pelo jornal The Times e, no Rio, por monarquistas, clérigos e firmas inglesas. Brandão associava o agrarismo, isto é, o domínio dos fazendeiros, à Inglaterra, e o industrialismo aos Estados Unidos, para onde se voltavam os republicanos de 1891. (Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 106-107)

O movimento operário também tentava se organizar. Segundo Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista em 1922, um congresso reunido na capital em 1892 tentou formar um partido operário de tipo social-democrata ou trabalhista, mas a iniciativa não deixou resultado duradouro. (Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil; Arquivo Marxista na Internet, Astrojildo Pereira)

Floriano deixou o governo em 15 de novembro de 1894 e não esteve no palácio para transmitir o cargo a Prudente de Morais. Ele morreu em junho de 1895, numa fazenda em Divisa, distrito de Barra Mansa (RJ). (Renato Lemos (CPDOC/FGV), PEIXOTO, Floriano, seção "Sucessão presidencial"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 13)

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita
Bloco no poder
classe média representada pelos militares, em aliança com a fração cafeeira paulista organizada no PRP, que sustentou o governo nas guerras civis (Sodré, pp. 300 e 304; CPDOC)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
concessão, repressão

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (31)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Renato Lemos (CPDOC/FGV). PEIXOTO, Floriano (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  4. BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
  5. PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952. Abrir ↗
  6. Arquivo Marxista na Internet. Astrojildo Pereira (verbete biográfico). marxists.org. Abrir ↗
  7. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
  8. Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
  9. Astrojildo Pereira. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil (Problemas, n. 39, mar.-abr. 1952). marxists.org. Abrir ↗