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Estudos / História do Brasil / Nova República / Jair Bolsonaro

Retrato oficial de Jair Bolsonaro
Foto: Isac Nóbrega/PR, 2019. CC BY 2.0. Wikimedia Commons ↗

Nova RepúblicaPSLViés: neofascista

Jair Bolsonaro

Governou de 01/01/2019 a 01/01/2023

Capitão da reserva e deputado por 28 anos, foi eleito em 2018 com Lula preso e impedido de concorrer. O governo dele fez a reforma da previdência, privatizou a Eletrobras e minimizou a covid-19, e em 2025 ele foi condenado pelo STF pela tentativa de golpe de Estado. Para Armando Boito, o bolsonarismo é um movimento neofascista; o marxista Atilio Boron recusa esse rótulo.

Partido
Partido Social Liberal (PSL)
Como chegou
eleito no segundo turno de 2018, com 55,13% dos votos válidos, contra Fernando Haddad
Como saiu
derrotado por Lula no segundo turno de 2022, com 49,10% dos votos válidos, terminou o mandato em 1º de janeiro de 2023
Nascimento
Glicério (SP), 1955
Antes da presidência
oficial de artilharia formado na Academia Militar das Agulhas Negras (1977) e paraquedista do Exército; vereador do Rio de Janeiro, eleito em 1988, quando passou à reserva como capitão; deputado federal por sete mandatos seguidos (28 anos)

O governo em datas

Jair Bolsonaro, 2019–2023

  1. 01/01/2019Bolsonaro toma posse.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
  2. 20/09/2019Lei nº 13.874, a Lei de Liberdade Econômica.Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019
  3. 12/11/2019Emenda nº 103, a reforma da previdência.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019
  4. 02/04/2020Lei nº 13.982 cria o auxílio emergencial.Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020
  5. 24/02/2021Lei Complementar nº 179 dá autonomia ao Banco Central.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021
  6. 12/07/2021Lei nº 14.182 autoriza a privatização da Eletrobras.Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021
  7. 14/07/2022Emenda nº 123 cria benefícios extras no ano eleitoral.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022
  8. 30/10/2022Bolsonaro perde a reeleição para Lula.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Do quartel à Câmara

Jair Bolsonaro nasceu em Glicério, em São Paulo, em 21 de março de 1955, entrou no Exército em 1973 e se formou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1977, na artilharia, e depois se tornou paraquedista. Em 1986, como capitão, publicou na revista Veja um artigo contra os salários militares e foi punido com prisão disciplinar. No ano seguinte, a revista divulgou acusações de que ele e outro oficial planejavam atentados a bomba no Rio de Janeiro, e ele foi considerado culpado pelo Conselho de Justificação do Exército e depois absolvido pelo Superior Tribunal Militar por falta de provas conclusivas. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)

Eleito vereador do Rio de Janeiro em 1988, ele passou à reserva como capitão e, dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados, onde ficou sete mandatos seguidos, por partidos como PTB, PFL, PP, PSC e PSL. O Arquivo Nacional registra as suas manifestações reiteradas a favor da ditadura de 1964 a 1985 e a homenagem que ele fez, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, órgão de repressão que a Comissão Nacional da Verdade associou à tortura. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)

A eleição de 2018

Pré-candidato desde 2016, Bolsonaro defendeu a redução do papel do Estado, mais acesso a armas de fogo e penas mais duras, e foi esfaqueado durante a campanha, em Juiz de Fora. No primeiro turno de 2018, teve 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Fernando Haddad, e no segundo venceu com 55,13%, ou 57.797.847 votos. Tomou posse em 1º de janeiro de 2019. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos)

Lula tinha sido preso em 2018 e ficou impedido de concorrer, depois de condenado em processos da Operação Lava Jato que o Supremo Tribunal Federal anulou em 2021, por reconhecer a incompetência da vara e a parcialidade do juiz. Armando Boito lembra que, em abril de 2018, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, enquadrou publicamente o STF para que negasse o habeas corpus pedido pela defesa de Lula. (Arquivo Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva; Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 112)

Previdência, privatização e pandemia

Na economia, o ministro Paulo Guedes buscou uma agenda liberal, de redução do Estado, privatizações e ajuste fiscal. A Lei de Liberdade Econômica veio em setembro de 2019, e a reforma da previdência, Emenda nº 103, de novembro de 2019, fixou a idade mínima de aposentadoria no regime geral em 65 anos para os homens e 62 para as mulheres. A Lei Complementar nº 179, de 2021, deu autonomia ao Banco Central, com mandato de quatro anos para o seu presidente começando no terceiro ano do mandato do presidente da República, e a Lei nº 14.182 autorizou a privatização da Eletrobras. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro; Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, ementa; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, art. 1º; Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, art. 4º; Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021, ementa)

Segundo o Arquivo Nacional, Bolsonaro minimizou a covid-19, criticou o isolamento social e defendeu remédios sem eficácia comprovada, como a cloroquina. O Ministério da Saúde teve quatro ministros, as vacinas foram compradas com atraso, faltou oxigênio em Manaus, e o país chegou ao fim de 2022 com cerca de 700 mil mortes. A CPI da Covid apontou falhas na gestão e recomendou o indiciamento do presidente. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)

O Congresso aprovou em abril de 2020 o auxílio emergencial de 600 reais por mês, por três meses, aos trabalhadores sem emprego formal. Em dezembro de 2021, o Auxílio Brasil substituiu o Bolsa Família, e a Emenda nº 123, de julho de 2022, reconheceu um estado de emergência pela alta dos combustíveis e deu às famílias do programa 200 reais a mais por mês, de agosto a dezembro, no ano da eleição. (Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, art. 2º; Congresso Nacional, Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021, ementa; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, ementa e art. 5º)

Na política externa, o governo se alinhou aos Estados Unidos de Donald Trump e criticou o multilateralismo, e foi criticado pelo aumento do desmatamento na Amazônia e pelo enfraquecimento dos órgãos de fiscalização. O governo também facilitou a posse e a compra de armas por caçadores, atiradores e colecionadores. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)

Derrota, 8 de janeiro e condenação

Em 30 de outubro de 2022, Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula, com 49,10% dos votos válidos, contra 50,90%. Depois do resultado, ele questionou o sistema eleitoral, apoiadores fizeram protestos e bloqueios, e em 8 de janeiro de 2023 manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral o declarou inelegível por oito anos. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos; Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF o condenou a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, como líder da organização criminosa que tentou o golpe. Os crimes foram tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Em 25 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes declarou o fim dos recursos e mandou cumprir as penas. (Supremo Tribunal Federal, STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado; Supremo Tribunal Federal, AP 2668)

Neofascismo, na leitura dos marxistas

Armando Boito caracteriza o bolsonarismo como um movimento neofascista e o governo como predominantemente neofascista, sem que o país tenha virado uma ditadura fascista. Para ele, o fascismo é um movimento reacionário de massa das camadas intermediárias, e o bolsonarismo saiu da campanha de 2015 pela deposição de Dilma. A base principal é a classe média, mobilizada pelo anticomunismo, pelo culto da violência e pela crítica à corrupção e à política parlamentar, e organizada pelas redes sociais. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, pp. 111-112 e 115-116)

Boito sustenta que esse governo devolveu a hegemonia ao grande capital internacional e à burguesia associada, deslocando a grande burguesia interna para uma posição subordinada. A coletânea organizada por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso, segundo Luciana Raimundo, vê o capital internacional, a burguesia associada, a grande burguesia interna e os proprietários de terras como as frações mais atendidas. Valerio Arcary, na resenha de Pedro Felipe Narciso, também define o bolsonarismo como neofascista e chama o 8 de janeiro de semi-insurreição. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 116; Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151; Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 1-2)

O marxista argentino Atilio Boron, em janeiro de 2019, considerou um erro grave chamar o governo de fascista. Para ele, o fascismo é uma forma excepcional do Estado capitalista do período entre as guerras mundiais e não pode se repetir, porque as condições que o produziram desapareceram. Boito responde que o conceito pode ser generalizado, como se faz com democracia e ditadura. (Boron, Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave; Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 113)

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita
Bloco no poder
hegemonia do grande capital internacional e da burguesia associada, com a grande burguesia interna deslocada para posição subordinada (Boito, 2020, p. 116); para Valle e Narciso, também a grande burguesia interna e os proprietários de terras foram atendidos (Raimundo, 2024, p. 151)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão, concessão

Depois da presidência

  • 08/01/2023 Manifestantes invadem e depredam as sedes dos Três Poderes.
  • 11/09/2025 O STF o condena a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
  • 25/11/2025 O STF declara o fim dos recursos e manda cumprir a pena.

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (43)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Jair Messias Bolsonaro (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  2. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  3. Arquivo Nacional. Luiz Inácio Lula da Silva (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  4. BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Abrir ↗
  5. Congresso Nacional. Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica). planalto.gov.br, 20/09/2019. Abrir ↗
  6. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019 (reforma da previdência). planalto.gov.br, 12/11/2019. Abrir ↗
  7. Congresso Nacional. Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021 (autonomia do Banco Central). planalto.gov.br, 24/02/2021. Abrir ↗
  8. Congresso Nacional. Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021 (desestatização da Eletrobras). planalto.gov.br, 12/07/2021. Abrir ↗
  9. Congresso Nacional. Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020 (auxílio emergencial). planalto.gov.br, 02/04/2020. Abrir ↗
  10. Congresso Nacional. Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021 (Programa Auxílio Brasil). planalto.gov.br, 29/12/2021. Abrir ↗
  11. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022 (estado de emergência e benefícios em 2022). planalto.gov.br, 14/07/2022. Abrir ↗
  12. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  13. Supremo Tribunal Federal. STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado (Notícias STF, 11/09/2025). noticias.stf.jus.br, 11/09/2025. Abrir ↗
  14. Supremo Tribunal Federal. AP 2668: STF determina cumprimento da pena de condenados do Núcleo 1 da tentativa de golpe de Estado (Notícias STF, 25/11/2025). noticias.stf.jus.br, 25/11/2025. Abrir ↗
  15. RAIMUNDO, Luciana. A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro (resenha do livro organizado por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso). Crítica Marxista, n. 57, pp. 149-151, 2024. Abrir ↗
  16. NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Abrir ↗
  17. BORON, Atilio. Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave. São Paulo: Brasil de Fato, 2 de janeiro de 2019 (artigo publicado também no Página/12), 2019. Abrir ↗
  18. BARISON, Thiago. O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado. Crítica Marxista, n. 56, pp. 77-84, 2023. Abrir ↗