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Nova RepúblicaPSLViés: neofascista
Jair Bolsonaro
Governou de 01/01/2019 a 01/01/2023
Capitão da reserva e deputado por 28 anos, foi eleito em 2018 com Lula preso e impedido de concorrer. O governo dele fez a reforma da previdência, privatizou a Eletrobras e minimizou a covid-19, e em 2025 ele foi condenado pelo STF pela tentativa de golpe de Estado. Para Armando Boito, o bolsonarismo é um movimento neofascista; o marxista Atilio Boron recusa esse rótulo.
- Partido
- Partido Social Liberal (PSL)
- Como chegou
- eleito no segundo turno de 2018, com 55,13% dos votos válidos, contra Fernando Haddad
- Como saiu
- derrotado por Lula no segundo turno de 2022, com 49,10% dos votos válidos, terminou o mandato em 1º de janeiro de 2023
- Nascimento
- Glicério (SP), 1955
- Antes da presidência
- oficial de artilharia formado na Academia Militar das Agulhas Negras (1977) e paraquedista do Exército; vereador do Rio de Janeiro, eleito em 1988, quando passou à reserva como capitão; deputado federal por sete mandatos seguidos (28 anos)
O governo em datas
Jair Bolsonaro, 2019–2023
- 01/01/2019Bolsonaro toma posse.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- 20/09/2019Lei nº 13.874, a Lei de Liberdade Econômica.Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019
- 12/11/2019Emenda nº 103, a reforma da previdência.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019
- 02/04/2020Lei nº 13.982 cria o auxílio emergencial.Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020
- 24/02/2021Lei Complementar nº 179 dá autonomia ao Banco Central.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021
- 12/07/2021Lei nº 14.182 autoriza a privatização da Eletrobras.Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021
- 14/07/2022Emenda nº 123 cria benefícios extras no ano eleitoral.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022
- 30/10/2022Bolsonaro perde a reeleição para Lula.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos
O que o governo fez
Principais medidas
- 2019
Reforma da previdência
Idade mínima de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres no regime geral.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019 - 2019
Liberdade Econômica
Declaração de direitos de liberdade econômica e garantias de livre mercado.
Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019 - 2020
Auxílio emergencial
600 reais por mês, por três meses, aos trabalhadores sem emprego formal, aprovados pelo Congresso.
Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020 - 2021
Autonomia do Banco Central
Mandatos fixos para o presidente e os diretores do Banco Central.
Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021 - 2021
Privatização da Eletrobras
Desestatização da Centrais Elétricas Brasileiras S.A.
Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021 - 2021
Auxílio Brasil
Programa que substituiu o Bolsa Família e revogou a lei de 2004.
Congresso Nacional, Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021
Para entender o governo
Do quartel à Câmara
Jair Bolsonaro nasceu em Glicério, em São Paulo, em 21 de março de 1955, entrou no Exército em 1973 e se formou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1977, na artilharia, e depois se tornou paraquedista. Em 1986, como capitão, publicou na revista Veja um artigo contra os salários militares e foi punido com prisão disciplinar. No ano seguinte, a revista divulgou acusações de que ele e outro oficial planejavam atentados a bomba no Rio de Janeiro, e ele foi considerado culpado pelo Conselho de Justificação do Exército e depois absolvido pelo Superior Tribunal Militar por falta de provas conclusivas. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)
Eleito vereador do Rio de Janeiro em 1988, ele passou à reserva como capitão e, dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados, onde ficou sete mandatos seguidos, por partidos como PTB, PFL, PP, PSC e PSL. O Arquivo Nacional registra as suas manifestações reiteradas a favor da ditadura de 1964 a 1985 e a homenagem que ele fez, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, órgão de repressão que a Comissão Nacional da Verdade associou à tortura. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)
A eleição de 2018
Pré-candidato desde 2016, Bolsonaro defendeu a redução do papel do Estado, mais acesso a armas de fogo e penas mais duras, e foi esfaqueado durante a campanha, em Juiz de Fora. No primeiro turno de 2018, teve 46,03% dos votos válidos, contra 29,28% de Fernando Haddad, e no segundo venceu com 55,13%, ou 57.797.847 votos. Tomou posse em 1º de janeiro de 2019. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos)
Lula tinha sido preso em 2018 e ficou impedido de concorrer, depois de condenado em processos da Operação Lava Jato que o Supremo Tribunal Federal anulou em 2021, por reconhecer a incompetência da vara e a parcialidade do juiz. Armando Boito lembra que, em abril de 2018, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, enquadrou publicamente o STF para que negasse o habeas corpus pedido pela defesa de Lula. (Arquivo Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva; Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 112)
Previdência, privatização e pandemia
Na economia, o ministro Paulo Guedes buscou uma agenda liberal, de redução do Estado, privatizações e ajuste fiscal. A Lei de Liberdade Econômica veio em setembro de 2019, e a reforma da previdência, Emenda nº 103, de novembro de 2019, fixou a idade mínima de aposentadoria no regime geral em 65 anos para os homens e 62 para as mulheres. A Lei Complementar nº 179, de 2021, deu autonomia ao Banco Central, com mandato de quatro anos para o seu presidente começando no terceiro ano do mandato do presidente da República, e a Lei nº 14.182 autorizou a privatização da Eletrobras. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro; Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, ementa; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, art. 1º; Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, art. 4º; Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021, ementa)
Segundo o Arquivo Nacional, Bolsonaro minimizou a covid-19, criticou o isolamento social e defendeu remédios sem eficácia comprovada, como a cloroquina. O Ministério da Saúde teve quatro ministros, as vacinas foram compradas com atraso, faltou oxigênio em Manaus, e o país chegou ao fim de 2022 com cerca de 700 mil mortes. A CPI da Covid apontou falhas na gestão e recomendou o indiciamento do presidente. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)
O Congresso aprovou em abril de 2020 o auxílio emergencial de 600 reais por mês, por três meses, aos trabalhadores sem emprego formal. Em dezembro de 2021, o Auxílio Brasil substituiu o Bolsa Família, e a Emenda nº 123, de julho de 2022, reconheceu um estado de emergência pela alta dos combustíveis e deu às famílias do programa 200 reais a mais por mês, de agosto a dezembro, no ano da eleição. (Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, art. 2º; Congresso Nacional, Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021, ementa; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, ementa e art. 5º)
Na política externa, o governo se alinhou aos Estados Unidos de Donald Trump e criticou o multilateralismo, e foi criticado pelo aumento do desmatamento na Amazônia e pelo enfraquecimento dos órgãos de fiscalização. O governo também facilitou a posse e a compra de armas por caçadores, atiradores e colecionadores. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)
Derrota, 8 de janeiro e condenação
Em 30 de outubro de 2022, Bolsonaro perdeu a reeleição para Lula, com 49,10% dos votos válidos, contra 50,90%. Depois do resultado, ele questionou o sistema eleitoral, apoiadores fizeram protestos e bloqueios, e em 8 de janeiro de 2023 manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral o declarou inelegível por oito anos. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos; Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro)
Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF o condenou a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, como líder da organização criminosa que tentou o golpe. Os crimes foram tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Em 25 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes declarou o fim dos recursos e mandou cumprir as penas. (Supremo Tribunal Federal, STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado; Supremo Tribunal Federal, AP 2668)
Neofascismo, na leitura dos marxistas
Armando Boito caracteriza o bolsonarismo como um movimento neofascista e o governo como predominantemente neofascista, sem que o país tenha virado uma ditadura fascista. Para ele, o fascismo é um movimento reacionário de massa das camadas intermediárias, e o bolsonarismo saiu da campanha de 2015 pela deposição de Dilma. A base principal é a classe média, mobilizada pelo anticomunismo, pelo culto da violência e pela crítica à corrupção e à política parlamentar, e organizada pelas redes sociais. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, pp. 111-112 e 115-116)
Boito sustenta que esse governo devolveu a hegemonia ao grande capital internacional e à burguesia associada, deslocando a grande burguesia interna para uma posição subordinada. A coletânea organizada por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso, segundo Luciana Raimundo, vê o capital internacional, a burguesia associada, a grande burguesia interna e os proprietários de terras como as frações mais atendidas. Valerio Arcary, na resenha de Pedro Felipe Narciso, também define o bolsonarismo como neofascista e chama o 8 de janeiro de semi-insurreição. (Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 116; Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151; Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 1-2)
O marxista argentino Atilio Boron, em janeiro de 2019, considerou um erro grave chamar o governo de fascista. Para ele, o fascismo é uma forma excepcional do Estado capitalista do período entre as guerras mundiais e não pode se repetir, porque as condições que o produziram desapareceram. Boito responde que o conceito pode ser generalizado, como se faz com democracia e ditadura. (Boron, Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave; Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 113)
O que dizem os historiadores marxistas
Armando Boito Jr.
O bolsonarismo é um movimento neofascista de base de classe média, e o governo, predominantemente neofascista, restabeleceu a hegemonia do capital internacional e da burguesia associada, numa democracia burguesa deteriorada.
Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, pp. 111-117André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso (orgs.), segundo Luciana Raimundo
No período neofascista, o capital internacional, a burguesia associada, a grande burguesia interna e os proprietários de terras foram as frações mais contempladas.
Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151Valerio Arcary, segundo Pedro Felipe Narciso
O bolsonarismo é neofascista, e o 8 de janeiro foi uma semi-insurreição.
Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 1-2Atilio Boron
Caracterizar o governo Bolsonaro como fascista é um erro grave, porque o fascismo foi uma forma excepcional e irrepetível do Estado capitalista do entreguerras.
Boron, Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro graveThiago Barison
A inabilitação e a prisão de Lula pela Lava Jato pavimentaram a legitimação eleitoral de uma alternativa ao neodesenvolvimentismo.
Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 82
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- hegemonia do grande capital internacional e da burguesia associada, com a grande burguesia interna deslocada para posição subordinada (Boito, 2020, p. 116); para Valle e Narciso, também a grande burguesia interna e os proprietários de terras foram atendidos (Raimundo, 2024, p. 151)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
- Relação com os trabalhadores
- repressão, concessão
Depois da presidência
- 08/01/2023 Manifestantes invadem e depredam as sedes dos Três Poderes.
- 11/09/2025 O STF o condena a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
- 25/11/2025 O STF declara o fim dos recursos e manda cumprir a pena.
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Onde ler: pp. 111-119.
Ler grátis: Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo ↗
ARCARY, Valerio. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo. 2024. Onde ler: não lido; conteúdo pela resenha de Narciso, 2026.
NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Onde ler: pp. 1-2.
A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro. 2021. Onde ler: não lido; conteúdo pela resenha de Raimundo, 2024.
RAIMUNDO, Luciana. A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro (resenha do livro organizado por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso). Crítica Marxista, n. 57, pp. 149-151, 2024. Onde ler: p. 151.
BORON, Atilio. Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave. São Paulo: Brasil de Fato, 2 de janeiro de 2019 (artigo publicado também no Página/12), 2019.
Ler grátis: Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave ↗
BARISON, Thiago. O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado. Crítica Marxista, n. 56, pp. 77-84, 2023. Onde ler: p. 82.
Ler grátis: O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado ↗
De onde vem cada afirmação desta página (43)
- FatoNo primeiro turno de 2018, Bolsonaro teve 49.277.010 votos, 46,03% dos válidos, e Fernando Haddad, 31.342.051, 29,28%.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos
- FatoNo segundo turno de 2018, Bolsonaro foi eleito com 57.797.847 votos, 55,13% dos válidos, contra 47.040.906 de Fernando Haddad, 44,87%.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos
- FatoNo segundo turno de 30 de outubro de 2022, Lula teve 60.345.999 votos, 50,90% dos válidos, e Bolsonaro, 58.206.354, 49,10%.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos
- FatoDepois da derrota, Bolsonaro questionou a confiabilidade do sistema eleitoral, apoiadores realizaram protestos e bloqueios, e em 8 de janeiro de 2023 manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoO Arquivo Nacional registra que a prisão preventiva de Bolsonaro foi decretada em novembro de 2025, pouco antes da sua condenação.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- Interpretação · Valerio Arcary, segundo Pedro Felipe NarcisoO bolsonarismo é um movimento neofascista, e os atentados de 8 de janeiro na Praça dos Três Poderes tiveram caráter insurrecional, de semi-insurreição.Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 1-2
- FatoO governo flexibilizou o acesso a armas para caçadores, atiradores esportivos e colecionadores.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoA Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, concedeu auxílio emergencial de 600 reais mensais, por três meses, ao trabalhador que cumprisse os requisitos, entre eles não ter emprego formal ativo.Congresso Nacional, Lei nº 13.982, de 2 de abril de 2020, art. 2º
- FatoA Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021, instituiu o Programa Auxílio Brasil e revogou a Lei nº 10.836, de 2004, que criara o Bolsa Família.Congresso Nacional, Lei nº 14.284, de 29 de dezembro de 2021, ementa
- Interpretação · Thiago BarisonA inabilitação eleitoral e o encarceramento de Lula pavimentaram o caminho para a legitimação, pelas urnas, de uma alternativa ao neodesenvolvimentismo.Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 82
- FatoA Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, dispôs sobre a autonomia do Banco Central e fixou mandato de quatro anos para o seu presidente, com início no terceiro ano do mandato do presidente da República.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021, art. 4º, § 1º
- Interpretação · Armando Boito Jr.O neofascismo brasileiro tem base principalmente de classe média, ideologia de anticomunismo, culto da violência e crítica à corrupção e à velha política, politização do machismo, do racismo e da homofobia, e organização frouxa pelas redes sociais.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 116
- Interpretação · Armando Boito Jr.Contra quem confina o fascismo à Itália e à Alemanha, o conceito de fascismo deve ser generalizado como os de democracia e ditadura; Atilio Boron sustenta que o fascismo é irreproduzível.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 113
- Interpretação · Armando Boito Jr.O movimento fascista é um movimento reacionário de massa das camadas intermediárias da sociedade capitalista, e a ditadura fascista é um regime reacionário de massa.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 115
- Interpretação · Armando Boito Jr.O grupo neofascista assumiu a presidência e restabeleceu a hegemonia política do grande capital internacional e da burguesia dependente associada, deslocando a grande burguesia interna para posição subordinada no bloco no poder.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 116
- Interpretação · Armando Boito Jr.O movimento de apoio a Bolsonaro e o seu governo são neofascistas, mas o Brasil segue numa democracia burguesa deteriorada, e não numa ditadura fascista.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, pp. 111-112
- Interpretação · Armando Boito Jr.No Brasil, o movimento de massa reacionário se formou em 2015 na campanha pela deposição de Dilma Rousseff, e dele saiu, após depuração, o movimento neofascista, o bolsonarismo.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 115
- Interpretação · Armando Boito Jr.No neofascismo brasileiro houve agressões verbais e ameaças, manifestações de preconceito contra a população do Nordeste, os negros e a população de baixa renda, com a colaboração do aparato judicial e policial para ameaçar reuniões dos movimentos populares e prender suas lideranças.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 118
- Interpretação · Atilio BoronDo ponto de vista do materialismo histórico, o fascismo é uma forma excepcional do Estado capitalista, irrompida na crise da democracia burguesa entre as duas guerras mundiais, e não pode ser reproduzido porque as condições que o tornaram possível desapareceram; por isso, caracterizar o governo Bolsonaro como fascista é um erro grave.Boron, Caracterizar o governo de Jair Bolsonaro como “fascista” é um erro grave
- FatoEm 1988, Bolsonaro se elegeu vereador no Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão e passou à reserva como capitão; dois anos depois, elegeu-se deputado federal, cargo que ocupou por sete mandatos consecutivos, ao longo de 28 anos, passando por legendas como PTB, PFL, PP, PSC e PSL.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoEm 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF concluiu o julgamento da Ação Penal 2668 e fixou para Jair Bolsonaro, considerado o líder da organização criminosa, a pena de 27 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado.Supremo Tribunal Federal, STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado
- FatoBolsonaro minimizou a gravidade da covid-19, criticou medidas de isolamento social e defendeu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoQuatro ministros ocuparam a pasta da Saúde, houve atrasos na compra de vacinas e falta de oxigênio em Manaus, e ao final de 2022 o Brasil registrava cerca de 700 mil mortes, segundo o Arquivo Nacional.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoA CPI da Covid apontou falhas na gestão da pandemia e recomendou o indiciamento do presidente.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoOs réus do núcleo 1, com exceção de Alexandre Ramagem, foram condenados por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.Supremo Tribunal Federal, STF fixa penas de 16 a 27 anos para condenados por tentativa de golpe de Estado
- FatoEm 25 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes declarou o trânsito em julgado das condenações do núcleo 1 e determinou o início do cumprimento das penas.Supremo Tribunal Federal, AP 2668
- FatoNa Câmara, Bolsonaro destacou-se por reiteradas manifestações favoráveis à ditadura militar (1964-1985) e, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, órgão de repressão associado a práticas de tortura, conforme a Comissão Nacional da Verdade.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoA Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021, dispôs sobre a desestatização da Eletrobras.Congresso Nacional, Lei nº 14.182, de 12 de julho de 2021, ementa
- FatoA Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, reconheceu o estado de emergência decorrente da alta dos preços dos combustíveis e concedeu às famílias do Auxílio Brasil um acréscimo mensal de 200 reais de 1º de agosto a 31 de dezembro de 2022.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 123, de 14 de julho de 2022, ementa e art. 5º
- FatoNa política externa, o governo adotou alinhamento ideológico com os Estados Unidos, sobretudo sob Donald Trump, e postura crítica ao multilateralismo; no campo ambiental, enfrentou críticas pelo aumento do desmatamento na Amazônia e pelo enfraquecimento dos órgãos de fiscalização.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoNa economia, sob o ministro Paulo Guedes, buscou-se uma agenda liberal, com foco na redução do Estado, em privatizações e no ajuste fiscal.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoEm 2023, Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoO Arquivo Nacional chama a Emenda nº 123 de PEC Kamikaze, que ampliou benefícios sociais em ano eleitoral.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoA Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, instituiu a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica e estabeleceu garantias de livre mercado.Congresso Nacional, Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, ementa
- FatoLula, alvo da Operação Lava Jato desde 2014, foi condenado, preso em 2018 e impedido de concorrer naquele ano; em 2021, o STF anulou as condenações, reconhecendo a incompetência da vara que o julgou e a parcialidade do juiz.Arquivo Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva
- FatoJair Bolsonaro nasceu em 21 de março de 1955, em Glicério (SP), ingressou na carreira militar em 1973 e formou-se em 1977 pela Academia Militar das Agulhas Negras, na arma de artilharia, tornando-se depois paraquedista do Exército.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoBolsonaro tomou posse em 1º de janeiro de 2019.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoA Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, fixou para o regime geral de previdência a idade de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres, observado tempo mínimo de contribuição.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, art. 1º, art. 201, § 7º, I, da Constituição
- FatoA partir de 2016, pré-candidato, Bolsonaro defendeu a redução do papel do Estado, a ampliação do acesso a armas de fogo e o endurecimento das políticas penais, e na campanha de 2018 foi vítima de um atentado a faca em Juiz de Fora (MG).Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- FatoSubmetido ao Conselho de Justificação do Exército, Bolsonaro foi considerado culpado, mas acabou absolvido pelo Superior Tribunal Militar por falta de provas conclusivas.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- Interpretação · André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso (orgs.), segundo Luciana RaimundoNo período neofascista, o capital internacional e a burguesia associada, a grande burguesia interna e os proprietários de terras foram as frações mais contempladas em seus interesses pelo governo.Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151
- FatoEm 1986, como capitão, Bolsonaro publicou na revista Veja o artigo O salário está baixo, que lhe rendeu prisão disciplinar; no ano seguinte, a revista divulgou acusações de que ele e outro oficial planejavam atentados com explosivos no Rio de Janeiro.Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro
- Interpretação · Armando Boito Jr.Em abril de 2018, o general Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército, enquadrou publicamente o STF para que rejeitasse o habeas corpus pedido pela defesa de Lula, exemplo da tutela das Forças Armadas sobre as instituições.Boito Jr., Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo, p. 112
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Jair Messias Bolsonaro (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2018, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- Arquivo Nacional. Luiz Inácio Lula da Silva (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. Por que caracterizar o bolsonarismo como neofascismo. Crítica Marxista, n. 50, pp. 111-119, 2020. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica). planalto.gov.br, 20/09/2019. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019 (reforma da previdência). planalto.gov.br, 12/11/2019. Abrir ↗
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