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Nova RepúblicaPTViés: neodesenvolvimentista, com ajuste fiscal em 2015
Dilma Rousseff
Governou de 01/01/2011 a 01/01/2015 e de 01/01/2015 a 31/08/2016
Economista presa e torturada pela ditadura, foi a primeira mulher eleita presidente, em 2010, e se reelegeu em 2014. Baixou os juros e sancionou a lei de cotas nas federais, mas em 2015 fez um ajuste fiscal e em 2016 foi deposta por impeachment. Para Armando Boito, a crise nasceu da ofensiva do campo neoliberal contra a frente neodesenvolvimentista, e os marxistas divergem sobre se houve golpe.
- Partido
- Partido dos Trabalhadores (PT)
- Como chegou
- eleita no segundo turno de 2010, com cerca de 56 milhões de votos, tendo Michel Temer como vice; reeleita em 26 de outubro de 2014, com 51,64% dos votos válidos, contra Aécio Neves
- Como saiu
- afastada em 12 de maio de 2016, quando o Senado abriu o processo de impeachment, e condenada por crime de responsabilidade em 31 de agosto de 2016, por 61 votos a 20, sem perder os direitos políticos
- Nascimento
- Belo Horizonte (MG), 1947
- Antes da presidência
- economista; militante da VAR-Palmares, presa pela Operação Bandeirante em 1969 e encarcerada até 1972; fundadora do PDT no Rio Grande do Sul; secretária da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988) e secretária estadual de Minas, Energia e Comunicações; ministra de Minas e Energia (2003) e ministra-chefe da Casa Civil (a partir de 2005)
O governo em datas
Dilma Rousseff, 2011–2016
- 01/01/2011Dilma toma posse como a primeira presidenta do Brasil.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 18/11/2011Lei nº 12.528 cria a Comissão Nacional da Verdade.Congresso Nacional, Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011
- 29/08/2012Lei nº 12.711 cria as cotas nas universidades federais.Congresso Nacional, Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012
- 02/04/2013Emenda nº 72 estende direitos aos trabalhadores domésticos.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de 2013
- 26/10/2014Dilma é reeleita com 51,64% dos votos válidos.Agência Senado, Dilma é reeleita presidente do Brasil
- 17/04/2016A Câmara autoriza o processo de impeachment por 367 votos a 137.Agência Senado, Impeachment
- 12/05/2016O Senado abre o processo, e Dilma é afastada.Agência Senado, Impeachment
- 31/08/2016O Senado condena Dilma por 61 votos a 20.Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos
O que o governo fez
Principais medidas
- 2011
Valorização do salário mínimo
Reajuste pela inflação e aumento real igual ao crescimento do PIB de dois anos antes, de 2012 a 2015.
Congresso Nacional, Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011 - 2011
Comissão Nacional da Verdade
Comissão para examinar as graves violações de direitos humanos de 1946 a 1988.
Congresso Nacional, Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011 - 2012
Lei de cotas
Reserva de ao menos metade das vagas das universidades federais para estudantes de escola pública.
Congresso Nacional, Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012 - 2011
Lei de Acesso à Informação
Regras para o acesso dos cidadãos às informações públicas.
Congresso Nacional, Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 - 2013
Mais Médicos
Programa para diminuir a falta de médicos nas regiões prioritárias para o SUS.
Congresso Nacional, Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013 - 2015
Seguro-desemprego
Exigência de 12 meses de trabalho nos últimos 18 para a primeira solicitação.
Congresso Nacional, Lei nº 13.134, de 16 de junho de 2015
Para entender o governo
Da resistência à ditadura à Casa Civil
Dilma Rousseff nasceu em Belo Horizonte, em 14 de dezembro de 1947, e começou a militar aos 16 anos em organizações contra a ditadura, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VAR-Palmares). Presa em 1969 pela Operação Bandeirante, em São Paulo, foi torturada e ficou no presídio Tiradentes até 1972. Ela retomou o curso de economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ajudou a fundar o PDT gaúcho, entrou no PT em 2000 e foi ministra de Minas e Energia em 2003 e da Casa Civil a partir de 2005, coordenando o PAC e o Minha Casa, Minha Vida. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65)
Candidata em 2010, com o presidente do PMDB, Michel Temer, de vice, Dilma venceu o segundo turno com cerca de 56 milhões de votos e foi a primeira mulher a presidir o Brasil. Em 26 de outubro de 2014, ela se reelegeu com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves, do PSDB, uma diferença de 3.459.963 votos. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65; Agência Senado, Dilma é reeleita presidente do Brasil)
O primeiro mandato
A Lei nº 12.382, de fevereiro de 2011, fixou a política de valorização do salário mínimo até 2015, com a reposição da inflação e um aumento real igual ao crescimento do PIB de dois anos antes. Em novembro de 2011 vieram a Lei de Acesso à Informação e a Comissão Nacional da Verdade, criada para examinar as graves violações de direitos humanos de 1946 a 1988. A Lei nº 12.711, de 2012, reservou ao menos metade das vagas das universidades federais para quem estudou em escola pública, e a Emenda nº 72, de 2013, estendeu aos trabalhadores domésticos direitos dos demais trabalhadores. (Congresso Nacional, Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, art. 2º; Congresso Nacional, Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, ementa; Congresso Nacional, Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011, art. 1º; Congresso Nacional, Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, art. 1º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de 2013, artigo único)
Armando Boito e Tatiana Berringer registraram que o governo reduziu a taxa básica de juros e o spread bancário, que é a diferença entre o juro que o banco cobra e o que ele paga, e interveio para desvalorizar o real. Para Boito, essa nova matriz econômica tentou favorecer o capital produtivo da grande burguesia interna em detrimento do seu setor bancário, e a reação do capital internacional começou no início de 2013. Alfredo Saad Filho acrescenta que a burguesia financeira se afastou do governo com a tentativa de desmontar o tripé macroeconômico neoliberal, de metas de inflação, câmbio flutuante com livre movimento de capitais e aperto fiscal, e que a burguesia interna se afastou pelas políticas que ele chama de erráticas. (Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 32; Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 157; Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, pp. 171 e 174)
Os protestos de junho de 2013 começaram contra o aumento das tarifas de transporte e se ampliaram para críticas ao sistema político, à corrupção e aos gastos públicos, segundo o Arquivo Nacional. Boito avalia que essas manifestações afastaram do governo boa parte da baixa classe média, beneficiada pela expansão do ensino superior. (Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff; Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 159)
Ajuste fiscal e crise
No segundo mandato, a inflação subiu, o PIB caiu, e a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda trouxe um ajuste fiscal com medidas impopulares. A Lei nº 13.134, de junho de 2015, endureceu o acesso ao seguro-desemprego, que passou a exigir na primeira solicitação 12 meses de trabalho nos 18 anteriores à demissão. Valerio Arcary chamou essa virada de ajuste ultrarreacionário. (Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff; Congresso Nacional, Lei nº 13.134, de 16 de junho de 2015, art. 1º; Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 150)
Para Boito, a crise foi provocada pela ofensiva do campo neoliberal ortodoxo, formado pelo capital internacional, pela fração da burguesia brasileira integrada a ele e pela alta classe média, contra a frente neodesenvolvimentista. A alta classe média forneceu a base de massa dos protestos de 2015 e agiu por dentro do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. Diante da ofensiva, o governo escolheu recuar e aplicou o ajuste, sem mobilizar os setores populares para defender o próprio mandato. (Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, pp. 155-158 e 161)
Boito registra que as greves passaram de cerca de 300 em 2003 para mais de 2 mil por ano uma década depois. Ainda assim, demandas históricas do sindicalismo, como a jornada de 40 horas semanais e limites à terceirização, ficaram de fora, e parte do movimento sindical foi atraída para o campo neoliberal. (Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 160)
O impeachment
O pedido de impeachment dos juristas Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior foi aceito em dezembro de 2015 pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A acusação era de crime de responsabilidade por decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e por atrasos nos repasses do Plano Safra ao Banco do Brasil. Em 17 de abril de 2016, a Câmara autorizou o processo por 367 votos a 137, e em 12 de maio o Senado o abriu por 55 votos a 22, afastando Dilma do cargo. (Agência Senado, Impeachment; Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos)
Em 31 de agosto de 2016, o Senado a condenou por 61 votos a 20, e Michel Temer tomou posse na mesma tarde. Numa segunda votação, 42 senadores votaram pela perda dos direitos políticos, menos que os 54 exigidos, e ela os manteve. O Arquivo Nacional registra que Dilma se declarou vítima de um golpe e que, em 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região a inocentou das chamadas pedaladas fiscais. (Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos; Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff)
Golpe ou não, na leitura dos marxistas
Boito escreveu que o imperialismo e a fração da burguesia integrada a ele usaram a denúncia de corrupção da Operação Lava Jato para destruir a hegemonia que a grande burguesia interna obtivera com os governos do PT. Thiago Barison sustenta que houve golpe de Estado porque o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal agiram para depor o governo e para tirar Lula da eleição seguinte, coagindo o Congresso. Pablo Biondi, citado por Barison, defende de um ponto de vista marxista que o impeachment não foi golpe, nem num sentido alargado. (Boito Jr., A corrupção como ideologia, p. 16; Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, pp. 77 e 82)
Em artigo publicado em 2016, Arcary considerava exageradas as análises que, em 2015, viam um golpe iminente e avaliava que a maioria da classe dominante preferia enfraquecer o governo e apostar em Levy. Angelita Matos Souza, na resenha de Caio Bugiato, aponta que a guinada industrialista do primeiro mandato abriu espaço para a oposição e para a Lava Jato. A coletânea organizada por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso, segundo Luciana Raimundo, mostra a Fiesp, sob Paulo Skaf, à frente do apoio empresarial à deposição, com o grande capital industrial neutro. (Arcary, Junho de 2013 a 2015, pp. 148 e 151; Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 153; Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 150)
O que dizem os historiadores marxistas
Armando Boito Jr.
A crise política foi provocada pela ofensiva restauradora do campo neoliberal ortodoxo contra a frente neodesenvolvimentista, e não pela luta operária e popular.
Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, pp. 155-161Armando Boito Jr.
O imperialismo e a burguesia a ele integrada usaram a denúncia de corrupção para destruir a hegemonia que a grande burguesia interna obteve com o PT.
Boito Jr., A corrupção como ideologia, p. 16Alfredo Saad Filho
A política distributiva superposta ao tripé neoliberal era insustentável, e a tentativa de desmontar o tripé afastou a burguesia financeira.
Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, pp. 173-176Thiago Barison
Houve golpe de Estado, porque a burocracia judicial e policial agiu para depor o governo e coagiu o Congresso.
Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 82Pablo Biondi, segundo Thiago Barison
O impeachment não pode ser considerado golpe de Estado, nem numa acepção alargada.
Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 77Valerio Arcary
Em 2015, as previsões de golpe eram exageradas, e o governo virou para um ajuste ultrarreacionário.
Arcary, Junho de 2013 a 2015, pp. 148-151Angelita Matos Souza, segundo Caio Bugiato
A guinada industrialista do primeiro mandato atacou o pacto vigente e abriu espaço para a oposição e para a Lava Jato.
Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 153André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso (orgs.), segundo Luciana Raimundo
A Fiesp e o pequeno e médio capital industrial lideraram o apoio empresarial à deposição, e o capital internacional teve papel importante no impeachment.
Raimundo, A burguesia brasileira em ação, pp. 150-151
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- frente neodesenvolvimentista dirigida pela grande burguesia interna, minada a partir de 2013 pela ofensiva do capital internacional, da burguesia a ele integrada e da alta classe média (Boito, 2016, pp. 155-157)
- Relação com o imperialismo
- barganha
- Relação com os trabalhadores
- conciliação, concessão, ampliação de direitos
Lutas de classes no governo
- Jornadas de Junho · 2013 · São Paulo, de onde os atos se espalharam para outras capitais e cidades do país
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando. A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia. Crítica Marxista, n. 42, pp. 155-162, 2016. Onde ler: pp. 155-162.
Ler grátis: A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia ↗
A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro. 2021. Onde ler: não lido; conteúdo pela resenha de Raimundo, 2024.
RAIMUNDO, Luciana. A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro (resenha do livro organizado por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso). Crítica Marxista, n. 57, pp. 149-151, 2024. Onde ler: pp. 150-151.
BOITO JR., Armando. A corrupção como ideologia. Crítica Marxista, n. 44, pp. 9-19, 2017. Onde ler: p. 16.
SAAD FILHO, Alfredo. Avanços, contradições e limites dos governos petistas. Crítica Marxista, n. 42, pp. 171-177, 2016. Onde ler: pp. 171-177.
Ler grátis: Avanços, contradições e limites dos governos petistas ↗
BOITO JR., Armando; BERRINGER, Tatiana. Brasil: classes sociais, neodesenvolvimentismo e política externa nos governos Lula e Dilma. Curitiba: Revista de Sociologia e Política (UFPR), v. 21, n. 47, pp. 31-38, 2013. Onde ler: p. 32.
SOUZA, Angelita Matos. Dependência e governos do PT. 2021. Onde ler: cap. 5 (não lido; conteúdo pela resenha de Bugiato, 2025).
BUGIATO, Caio. Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza). Crítica Marxista, n. 58, pp. 151-154, 2025. Onde ler: p. 153.
Ler grátis: Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza) ↗
ARCARY, Valerio. Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? Crítica Marxista, n. 42, pp. 147-153, 2016. Onde ler: pp. 147-153.
Ler grátis: Junho de 2013 a 2015: as “placas tectônicas” começaram a se mover? ↗
BARISON, Thiago. O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado. Crítica Marxista, n. 56, pp. 77-84, 2023. Onde ler: pp. 77-84.
Ler grátis: O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado ↗
BOITO JR., Armando. Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT. Campinas; São Paulo: Editora da Unicamp; Editora Unesp, 2018. Onde ler: caps. 7 a 11 (não lido; sumário visto na amostra da editora).
De onde vem cada afirmação desta página (43)
- FatoA acusação de crime de responsabilidade tratava da edição de decretos de crédito suplementar sem autorização do Congresso e de atrasos nos repasses do Plano Safra ao Banco do Brasil.Agência Senado, Impeachment
- FatoA Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, disciplinou o terrorismo e excluiu dessa definição a conduta de pessoas em manifestações políticas e em movimentos sociais, sindicais e reivindicatórios.Congresso Nacional, Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016, art. 2º, § 2º
- Interpretação · Valerio ArcaryA conjuntura de 2015 estava mediada pela crise econômica e pelo giro do governo Dilma para um ajuste ultrarreacionário.Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 150
- Interpretação · Valerio ArcaryAs análises que viam nas manifestações de 2015 a ameaça iminente de um golpe à la paraguaia eram exageradas.Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 148
- Interpretação · Valerio ArcaryA política majoritária na classe dominante era fazer tremer o governo Dilma, mas não derrubá-lo, porque apostava que Joaquim Levy faria o ajuste melhor que um governo de legitimidade duvidosa.Arcary, Junho de 2013 a 2015, p. 151
- Interpretação · Thiago BarisonO aparato repressivo civil (Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal) desenvolveu ações para depor o governo petista e interditar eleitoralmente Lula, coagiu o parlamento e foi o elemento decisivo para caracterizar a deposição de Dilma como golpe de Estado.Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 82
- FatoO governo Dilma reduziu a taxa básica de juro e o spread bancário e interveio para desvalorizar o real, visando baratear o investimento produtivo e encarecer as importações.Boito Jr. e Berringer, Brasil, p. 32
- Interpretação · Pablo Biondi, segundo Thiago BarisonO impeachment de Dilma Rousseff não pode ser considerado golpe de Estado, nem mesmo numa acepção alargada.Barison, O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado, p. 77
- Interpretação · Armando Boito Jr.A alta classe média deu base de massa à ofensiva nos protestos de 2015 e agiu por meio do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, denunciando e julgando quase só a corrupção do PT e de seus aliados.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 158
- FatoEm 2003 ocorreram cerca de 300 greves e, dez anos depois, mais de 2 mil, segundo Boito.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 160
- Interpretação · Armando Boito Jr.As manifestações de junho de 2013 afastaram do governo grande parte da baixa classe média, beneficiada pela expansão do ensino universitário.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 159
- Interpretação · Armando Boito Jr.Com a Operação Lava Jato, o imperialismo e a fração da burguesia brasileira a ele integrada usaram politicamente a denúncia de corrupção para destruir a hegemonia que a grande burguesia interna obteve com os governos do PT.Boito Jr., A corrupção como ideologia, p. 16
- Interpretação · Armando Boito Jr.A nova matriz econômica de 2011 e 2012 tentou beneficiar o segmento produtivo da grande burguesia interna em detrimento do seu segmento bancário e despertou a reação do capital internacional e da fração da burguesia brasileira a ele integrada, que iniciaram uma ofensiva contra o governo no início de 2013.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 157
- Interpretação · Armando Boito Jr.A crise política foi provocada pela ofensiva restauradora do campo neoliberal ortodoxo, formado pelo grande capital internacional, pela fração da burguesia brasileira integrada a esse capital e pela alta classe média, contra a frente neodesenvolvimentista, e não pela luta operária e popular.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, pp. 155-156
- Interpretação · Armando Boito Jr.Diante da ofensiva, o governo Dilma optou por uma política de recuo, aplicou o ajuste fiscal e não mobilizou os setores populares nem para defender o próprio mandato.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 161
- Interpretação · Armando Boito Jr.O neodesenvolvimentismo ignorou demandas históricas do movimento sindical, como a redução da jornada semanal para 40 horas, a regulamentação restrita da terceirização e o fim do fator previdenciário, e parte do sindicalismo foi atraída pelo campo neoliberal ortodoxo.Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 160
- FatoEm 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados autorizou o Senado a instaurar o processo, por 367 votos a 137.Agência Senado, Impeachment
- FatoDilma retomou o curso de economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, participou da fundação do PDT no Rio Grande do Sul em 1979, foi secretária municipal da Fazenda de Porto Alegre (1986-1988) e secretária estadual de Minas, Energia e Comunicações, filiou-se ao PT em 2000, foi ministra de Minas e Energia em 2003 e, a partir de 2005, ministra-chefe da Casa Civil, com a gestão do PAC e do Minha Casa, Minha Vida.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65
- FatoA Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011, criou a Comissão Nacional da Verdade para examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período do art. 8º do ADCT, de 1946 a 1988.Congresso Nacional, Lei nº 12.528, de 18 de novembro de 2011, art. 1º
- FatoEm 31 de agosto de 2016, o Senado condenou Dilma Rousseff por crime de responsabilidade, por 61 votos a 20, numa sessão presidida pelo presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e Michel Temer foi empossado na tarde do mesmo dia.Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos
- FatoA Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, determinou que as instituições federais de educação superior reservem no mínimo 50% das vagas para estudantes que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas.Congresso Nacional, Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, art. 1º
- FatoNa segunda votação, 42 senadores votaram pela perda dos direitos políticos, 36 pela manutenção e 3 se abstiveram; eram necessários pelo menos 54 votos.Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos
- FatoA Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de 2013, estabeleceu a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 72, de 2 de abril de 2013, artigo único
- FatoCandidata pela coligação Para o Brasil Seguir Mudando, tendo como vice o presidente do PMDB, Michel Temer, Dilma venceu no segundo turno de 2010 com cerca de 56 milhões de votos e tornou-se a primeira presidenta do Brasil.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65
- FatoNo julgamento final, Dilma compareceu ao Senado, afirmou ser vítima de um golpe e negou ter cometido crimes.Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff
- FatoAs manifestações de junho de 2013 começaram contra o aumento das tarifas de transporte e se ampliaram para críticas ao sistema político, à corrupção e aos gastos públicos.Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff
- FatoA Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, regulou o acesso a informações públicas.Congresso Nacional, Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, ementa
- FatoA Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, instituiu o Programa Mais Médicos, com o objetivo de diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS.Congresso Nacional, Lei nº 12.871, de 22 de outubro de 2013, art. 1º
- FatoDilma Rousseff, economista, nasceu em Belo Horizonte (MG), em 14 de dezembro de 1947, e aos 16 anos iniciou sua militância em organizações de combate ao regime militar.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65
- FatoO pedido de impeachment apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior foi aceito em 2 de dezembro de 2015 pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.Agência Senado, Dilma Rousseff perde o mandato de presidente da República, mas mantém direitos políticos
- FatoMilitante da VAR-Palmares, Dilma foi presa em 1969 pela Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo, submetida à tortura e cumpriu pena no presídio Tiradentes até 1972.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 65
- FatoEm 26 de outubro de 2014, Dilma foi reeleita com 51,64% dos votos válidos, contra 48,36% de Aécio Neves (PSDB), uma diferença de 3.459.963 votos, na eleição mais equilibrada desde 1988.Agência Senado, Dilma é reeleita presidente do Brasil
- Interpretação · Alfredo Saad FilhoA burguesia financeira se afastou do governo Dilma com a tentativa de desmonte do tripé macroeconômico, e a burguesia interna se afastou devido às políticas erráticas do governo e à falta de influência sobre o Executivo.Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, p. 174
- Interpretação · Alfredo Saad FilhoO que era sustentável na onda rosa era a sua base neoliberal, e o que era insustentável era a política distributiva superposta ao modelo econômico.Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, p. 176
- Interpretação · Alfredo Saad FilhoO tripé macroeconômico neoliberal imposto em 1999 combina metas de inflação, liberdade de movimento de capitais com flutuação cambial e políticas fiscais contracionistas.Saad Filho, Avanços, contradições e limites dos governos petistas, p. 171
- FatoA Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, estabeleceu a política de valorização do salário mínimo de 2012 a 2015, com reajuste pelo INPC e aumento real igual ao crescimento do PIB de dois anos antes.Congresso Nacional, Lei nº 12.382, de 25 de fevereiro de 2011, art. 2º
- FatoO segundo mandato, iniciado em 2015, teve inflação em alta e queda do PIB, e a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda indicou um ajuste fiscal que resultou em medidas impopulares.Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff
- FatoA Lei nº 13.134, de 16 de junho de 2015, passou a exigir, na primeira solicitação do seguro-desemprego, ao menos 12 meses de trabalho nos 18 meses anteriores à dispensa.Congresso Nacional, Lei nº 13.134, de 16 de junho de 2015, art. 1º, que dá nova redação ao art. 3º da Lei nº 7.998/1990
- FatoEm 12 de maio de 2016, o Senado aprovou a admissibilidade do processo por 55 votos a 22, o que afastou Dilma do cargo por até 180 dias.Agência Senado, Impeachment
- Interpretação · Angelita Matos Souza, segundo Caio BugiatoOs resultados negativos da guinada industrialista do primeiro governo Dilma, ao atacar aspectos centrais do pacto vigente, abriram espaço para a oposição e para ofensivas como a Operação Lava Jato.Bugiato, Dependência e governos do PT, p. 153
- FatoEm 2023, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região inocentou Dilma das pedaladas fiscais, segundo o Arquivo Nacional.Arquivo Nacional, Dilma Vana Rousseff
- Interpretação · André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso (orgs.), segundo Luciana RaimundoO capital internacional, presente nas esferas produtiva, comercial e financeira do Brasil, teve papel importante no impeachment de Dilma.Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 151
- Interpretação · André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso (orgs.), segundo Luciana RaimundoO apoio à deposição de Dilma foi liderado por Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e envolveu o pequeno e o médio capital industrial, enquanto o grande capital industrial se manteve neutro.Raimundo, A burguesia brasileira em ação, p. 150
Fontes desta página
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- BARISON, Thiago. O impeachment de 2016 e o conceito de golpe de Estado. Crítica Marxista, n. 56, pp. 77-84, 2023. Abrir ↗
- BUGIATO, Caio. Dependência e governos do PT (resenha do livro de Angelita Matos Souza). Crítica Marxista, n. 58, pp. 151-154, 2025. Abrir ↗
- RAIMUNDO, Luciana. A burguesia brasileira em ação: de Lula a Bolsonaro (resenha do livro organizado por André Flores Penha Valle e Pedro Felipe Narciso). Crítica Marxista, n. 57, pp. 149-151, 2024. Abrir ↗
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- Congresso Nacional. Lei nº 13.260, de 16 de março de 2016 (terrorismo). planalto.gov.br, 16/03/2016. Abrir ↗