Estudos / História do Brasil / República de 1946 / João Goulart

República de 1946PTBViés: trabalhismo reformista
João Goulart
Governou de 07/09/1961 a 31/03/1964
Vice eleito em 1955 e 1960, assumiu em 1961 sob o parlamentarismo, saída para o veto militar à sua posse, e recuperou os plenos poderes no plebiscito de 1963. No seu governo vieram o 13º salário, a lei de remessas de lucros e o Estatuto do Trabalhador Rural. Defensor das reformas de base, foi deposto pelo golpe de 1964, feito por militares e empresários com apoio dos Estados Unidos, e morreu no exílio.
- Partido
- Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
- Como chegou
- vice-presidente eleito em 1960; assumiu em 7 de setembro de 1961, depois da renúncia de Jânio e do veto militar, sob o parlamentarismo
- Como saiu
- deposto pelo golpe militar de 31 de março e 1º de abril de 1964; exilou-se no Uruguai
- Nascimento
- São Borja (RS), 1918
- Morte
- Mercedes (Argentina), 1976
- Antes da presidência
- advogado; ministro do Trabalho de Vargas (1953-1954), presidente nacional do PTB (1952-1964) e vice-presidente da República (1956-1961)
O governo em datas
João Goulart, 1961–1964
- 07/09/1961Goulart toma posse sob o parlamentarismo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 13/07/1962Lei nº 4.090 cria o 13º salário.Congresso Nacional, Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962
- 03/09/1962Lei nº 4.131 limita as remessas de lucros.Congresso Nacional, Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962
- 06/01/1963Plebiscito restabelece o presidencialismo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 02/03/1963Lei nº 4.214 cria o Estatuto do Trabalhador Rural.Congresso Nacional, Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963
- 13/03/1964Comício da Central do Brasil e decreto de desapropriação de terras.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 19/03/1964Marcha da Família com Deus pela Liberdade.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 31/03/1964Tropas de Juiz de Fora marcham para o Rio; começa o golpe.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
O que o governo fez
Principais medidas
- 1962
13º salário
Gratificação de Natal para os trabalhadores.
Congresso Nacional, Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962 - 1962
Lei de remessas de lucros
Remessas anuais limitadas a 10% do capital estrangeiro registrado.
Congresso Nacional, Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962 - 1962
Plano Trienal
Plano de Celso Furtado para conter a inflação com crescimento, com as reformas de base.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1963
Estatuto do Trabalhador Rural
Direitos trabalhistas para os trabalhadores do campo.
Congresso Nacional, Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963 - 1963
Medidas de dezembro
Previdência social rural, ensino gratuito nas empresas com mais de cem empregados, 13º salário do funcionalismo e revisão das concessões de jazidas.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1964
Decreto de desapropriação
Terras às margens de rodovias, ferrovias e açudes federais declaradas de interesse social para desapropriação.
Presidência da República, Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964
Para entender o governo
O herdeiro do trabalhismo
João Belchior Marques Goulart, o Jango, nasceu em São Borja (RS), em 1918, e era advogado. Ajudou a fundar o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) na cidade, presidiu o partido no Rio Grande do Sul e depois em todo o país, de 1952 a 1964, e foi ministro do Trabalho de Getúlio Vargas de 1953 a 1954. Eleito vice-presidente em 1955 e reeleito em 1960, na chapa que se opunha a Jânio Quadros, ele estava em viagem à China quando Jânio renunciou. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39)
Os ministros militares vetaram a posse de Goulart, e a crise terminou com a Emenda Constitucional nº 4, que instituiu o parlamentarismo. Jango tomou posse em 7 de setembro de 1961, com Tancredo Neves como primeiro-ministro. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 37-39; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961)
Do parlamentarismo às reformas
Ainda sob o parlamentarismo, a Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, criou a gratificação de Natal, o 13º salário, e a Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, limitou as remessas anuais de lucros ao exterior a 10% do capital estrangeiro registrado. No plebiscito de 6 de janeiro de 1963, cerca de 11,5 milhões dos 18 milhões de eleitores votaram, e a maioria escolheu a volta do presidencialismo, confirmada pela Emenda Constitucional nº 6, de 23 de janeiro. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39; Congresso Nacional, Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, art. 1º; Congresso Nacional, Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, art. 31; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 6, de 23 de janeiro de 1963)
O Plano Trienal, elaborado por Celso Furtado e conduzido pelo ministro da Fazenda San Tiago Dantas, queria conter a inflação sem parar o crescimento. Caio Navarro de Toledo mostra que o plano pedia aos trabalhadores que apertassem os cintos e que o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) o denunciou como reacionário. No fim de 1963, segundo ele, o resultado foi inflação sem crescimento. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39; Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 16-17)
O governo dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional condicionavam os empréstimos a medidas que freavam o crescimento. Em 1963, Dantas negociou em Washington um empréstimo de 398 milhões de dólares, dos quais só 84 milhões foram liberados de imediato, e o resto ficou preso às reformas econômicas exigidas. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39)
As reformas de base
O governo defendeu as reformas de base, mudanças na estrutura agrária, bancária, fiscal e eleitoral do país. Toledo lembra que a Constituição de 1946 só permitia desapropriar terra com indenização prévia em dinheiro, o que travava a reforma agrária, e que Goulart propôs mudar essa regra em 1º de maio de 1962. Em 2 de março de 1963, a Lei nº 4.214 criou o Estatuto do Trabalhador Rural, e em dezembro o governo estendeu a previdência social aos trabalhadores do campo. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 39-40; Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 17 e 21; Congresso Nacional, Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963)
Entre 1961 e 1963, segundo Toledo, o sindicalismo viveu um dos seus momentos de atividade mais intensa. Ele conta mais de 430 greves nos três primeiros anos de Goulart, contra cerca de 180 entre 1958 e 1960, e registra a expansão das Ligas Camponesas no Nordeste. Ele observa, porém, que Jango preferia líderes sindicais que trocavam a independência política por favores do governo. (Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 19-21)
Caio Prado Júnior usou as lutas do campo em 1963, travadas em torno do Estatuto do Trabalhador Rural, para criticar a tese do PCB de que a revolução brasileira seria antifeudal. Para ele, a mola dessas lutas eram as relações de emprego, e não restos feudais. (Prado Júnior, A revolução brasileira)
O golpe
Em novembro de 1961, empresários fundaram o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), que se tornou um centro de oposição ao governo. Em 13 de março de 1964, Goulart falou para 150 mil pessoas na Central do Brasil e anunciou reformas como a encampação das refinarias privadas de petróleo, e no mesmo dia assinou o decreto que declarava de interesse social, para desapropriação, terras às margens de rodovias, ferrovias e açudes federais. Em 19 de março, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia e pela Sociedade Rural Brasileira, entre outras entidades, foi às ruas contra o governo. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40; Presidência da República, Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964)
Em 25 de março, marinheiros e fuzileiros desobedeceram ao ministro da Marinha e foram anistiados por Goulart, e em 30 de março ele discursou numa reunião de sargentos. Em 31 de março, o comandante da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, pôs as tropas em marcha para o Rio de Janeiro, e Goulart reconheceu que não tinha como resistir. O presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, reconheceu o novo governo poucas horas depois. Jango se exilou no Uruguai e morreu em Mercedes, na Argentina, em 1976. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 39-40)
Como os marxistas leram o golpe
Para Toledo, 1964 foi um golpe contra as reformas sociais e contra a incipiente democracia política burguesa nascida em 1945. Ele endossa a leitura de Florestan Fernandes, para quem o golpe quis impedir a passagem de uma democracia restrita para uma democracia de participação ampliada. Toledo aponta como protagonistas as facções duras das Forças Armadas e o empresariado, com apoio dos Estados Unidos, e considera o livro de René Dreifuss o documento mais completo sobre a ação dos empresários e do capital multinacional no golpe. (Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 14, 22 e 27; Fernandes, Brasil, em compasso de espera, p. 113; Dreifuss, 1964: a conquista do Estado)
Toledo cita ainda Jacob Gorender, para quem os primeiros meses de 1964 esboçaram uma situação pré-revolucionária e o golpe teve caráter contrarrevolucionário preventivo. O próprio Toledo afirma que Goulart queria consolidar o capitalismo industrial com as reformas e alimentava o mito de um capitalismo nacional e civilizado. (Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 22 e 25; Gorender, Combate nas trevas, pp. 66-67)
Carlos Marighella escreveu em 1966 que os comunistas não resistiram porque a política do PCB dependia da política do governo, isto é, da direção do setor da burguesia que ocupava o poder. Ele criticou a ilusão de que a burguesia faria as reformas pacíficas sob a pressão das massas e enfrentaria os golpistas. Gorender também reconheceu que o partido não preparou uma resistência de massas ao golpe. (Marighella, A crise brasileira, pp. 3-4; Gorender, Entrevista à Margem Esquerda)
O que dizem os historiadores marxistas
Caio Navarro de Toledo
1964 foi um golpe contra as reformas e contra a democracia política nascida em 1945, planejado pelas classes dominantes; Goulart alimentava o mito de um capitalismo nacional e civilizado.
Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 14, 22 e 24Florestan Fernandes
O golpe quis impedir a transição de uma democracia restrita para uma democracia de participação ampliada.
Fernandes, Brasil, em compasso de espera, p. 113René Armand Dreifuss
O empresariado nacional e o capital multinacional, organizados no complexo IPES/IBAD, prepararam e desencadearam o golpe.
Dreifuss, 1964: a conquista do EstadoJacob Gorender
Em 1964 havia uma situação pré-revolucionária, e o golpe foi contrarrevolucionário preventivo.
Gorender, Combate nas trevas, pp. 66-67Carlos Marighella
O PCB não resistiu porque subordinou a sua política à do governo, com ilusões na burguesia.
Marighella, A crise brasileira, pp. 3-4
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- PTB e parte do PSD, com o movimento sindical e os nacionalistas, contra a UDN, o empresariado do IPES, as facções duras das Forças Armadas e o governo dos Estados Unidos (Toledo, pp. 16-24; Arquivo Nacional, p. 40)
- Relação com o imperialismo
- nacional-desenvolvimentista
- Relação com os trabalhadores
- ampliação de direitos, conciliação, tutela
Lutas de classes no governo
- Greve geral de 1962 · 1962 · Rio de Janeiro, então Guanabara, e estado do Rio, Baixada Santista, porto de Paranaguá, capitais do Nordeste e Rio Grande do Sul, entre outras regiões
- Golpe de 1964 · 1964 · Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, e Brasília, entre outras cidades
Para estudar este governo
DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. 1981.
TOLEDO, Caio Navarro de. 1964: o golpe contra as reformas e a democracia. São Paulo: Revista Brasileira de História (Associação Nacional de História), v. 24, n. 47, pp. 13-28, 2004. Onde ler: pp. 13-27.
Ler grátis: 1964: o golpe contra as reformas e a democracia ↗
MARIGHELLA, Carlos. A crise brasileira (ensaios políticos). 1966. Onde ler: pp. 3-4.
PRADO JÚNIOR, Caio. A revolução brasileira. 1966.
FERNANDES, Florestan. Brasil, em compasso de espera. 1980. Onde ler: p. 113.
GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 1987. Onde ler: pp. 66-67.
GORENDER, Jacob. Entrevista à Margem Esquerda. 2007.
De onde vem cada afirmação desta página (46)
- FatoA Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, instituiu a gratificação de Natal para os trabalhadores, paga em dezembro de cada ano.Congresso Nacional, Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962, art. 1º
- FatoO artigo 141 da Constituição de 1946 condicionava as desapropriações de terra à prévia indenização em dinheiro, e Goulart propôs a sua revisão em discurso de 1º de maio de 1962.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 21
- Interpretação · Caio Prado JúniorAs lutas no campo de 1963, travadas pela aplicação do Estatuto do Trabalhador Rural, mostram que a revolução no campo brasileiro não tem a sua mola em luta antifeudal, e sim nas relações de emprego, ao contrário da tese do PCB.Prado Júnior, A revolução brasileira
- FatoEm 13 de março de 1964, Goulart discursou na Central do Brasil para 150 mil pessoas, anunciando reformas como a encampação de refinarias particulares de petróleo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- FatoQuando Jânio renunciou, Goulart estava em missão na China, e três ministros militares vetaram a sua posse.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 37
- FatoEm 1963, San Tiago Dantas obteve em Washington um empréstimo de 398 milhões de dólares, com liberação imediata de 84 milhões e o restante vinculado às reformas econômicas exigidas.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoO Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964, declarou de interesse social, para fins de desapropriação, áreas rurais ao longo de rodovias e ferrovias federais e terras beneficiadas por obras federais de irrigação, drenagem e açudagem.Presidência da República, Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964, ementa
- FatoEm dezembro de 1963, Goulart aprovou a previdência social para os trabalhadores rurais, a obrigação de ensino gratuito nas empresas com mais de cem empregados e o 13º salário para o funcionalismo, com escala móvel de reajuste.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 39-40
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoO livro de Dreifuss é o documento mais completo sobre a atuação do empresariado nacional e do capital multinacional na preparação e no desencadeamento do golpe de 1964.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 27, nota 16
- FatoO livro de Dreifuss foi publicado pela Vozes em 1981; a resenha de Benevides situa a editora em Petrópolis, e Toledo, no Rio de Janeiro.Maria Victoria de Mesquita Benevides, 1964, um golpe de classe? Sobre um livro de René Dreifuss, p. 255
- Interpretação · René Armand DreifussNa tese de Dreifuss, o complexo IPES/IBAD foi o núcleo ativo de um golpe de classe e o verdadeiro partido da burguesia, no sentido de Gramsci.Dreifuss, 1964: a conquista do Estado, descrito na resenha de Benevides, p. 256
- FatoA Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, instituiu o sistema parlamentar.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961, ementa
- FatoA Emenda Constitucional nº 6, de 23 de janeiro de 1963, revogou a Emenda nº 4 e restabeleceu o sistema presidencial.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 6, de 23 de janeiro de 1963, ementa
- FatoA Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963, dispôs sobre o Estatuto do Trabalhador Rural.Congresso Nacional, Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963, ementa
- FatoDeposto pelo golpe de 1964, Goulart exilou-se no Uruguai e morreu em Mercedes, na Argentina, em 6 de dezembro de 1976.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- Interpretação · Florestan FernandesO que se procurava impedir era a transição de uma democracia restrita para uma democracia de participação ampliada, em que setores das classes trabalhadoras contavam com espaço político crescente.Fernandes, Brasil, em compasso de espera, p. 113; citado por Toledo, p. 14
- FatoO governo dos Estados Unidos e o FMI condicionavam os empréstimos externos à adoção de medidas restritivas ao crescimento.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoEm 31 de março de 1964, o comandante da 4ª Região Militar, em Juiz de Fora, movimentou tropas para o Rio de Janeiro, e Goulart reconheceu a impossibilidade de se opor ao movimento.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- Interpretação · Jacob GorenderNos primeiros meses de 1964, esboçou-se uma situação pré-revolucionária, e o golpe direitista se definiu pelo caráter contrarrevolucionário preventivo.Gorender, Combate nas trevas, pp. 66-67; citado por Toledo, p. 25, nota 2
- Interpretação · Jacob GorenderO PCB não preparou uma resistência de massas ao golpe de 1964 e deveria tê-la preparado.Gorender, Entrevista à Margem Esquerda
- FatoEnquanto de 1958 a 1960 houve cerca de 180 greves, nos três primeiros anos de Goulart foram mais de 430.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 19-20
- FatoEm novembro de 1961, empresários fundaram o IPES, que se tornou um centro de oposição ao governo Goulart.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- FatoO novo governo foi reconhecido pelo presidente norte-americano Lyndon Johnson poucas horas após tomar o poder.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- FatoDe 1959 a 1962, as Ligas Camponesas tiveram acelerada expansão no Nordeste.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, pp. 20-21
- FatoEm 19 de março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia e pela Sociedade Rural Brasileira, entre outras entidades, mobilizou a opinião contra o governo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- Interpretação · Carlos MarighellaA resistência dos comunistas ao golpe tornou-se impossível porque a política do partido era feita sob a dependência da política do governo, isto é, da liderança do setor da burguesia que ocupava o poder.Marighella, A crise brasileira, pp. 3-4
- Interpretação · Carlos MarighellaAcreditava-se que a burguesia seguiria o caminho das reformas pacíficas sob a pressão das massas e que, se a direita se levantasse, a burguesia tomaria a iniciativa da resistência.Marighella, A crise brasileira, p. 4
- FatoEm 25 de março, marinheiros e fuzileiros contrariaram ordens do ministro da Marinha e foram anistiados por Goulart; em 30 de março, ele discursou numa reunião de sargentos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 40
- FatoGoulart foi ministro do Trabalho, Indústria e Comércio do governo Vargas (1953-1954).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoJoão Belchior Marques Goulart, advogado, nasceu em São Borja (RS), em 1º de março de 1918.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoO Plano Trienal, elaborado por Celso Furtado e conduzido pelo ministro da Fazenda San Tiago Dantas, tinha como objetivo conter a inflação com crescimento real e previa as reformas de base.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoNo plebiscito de 6 de janeiro de 1963, 11,5 milhões dos 18 milhões de eleitores votaram e confirmaram o presidencialismo por larga margem.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoGoulart foi empossado em 7 de setembro de 1961, após a aprovação da emenda parlamentarista, tendo como primeiro-ministro Tancredo Neves.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoGoulart fundou o PTB em São Borja (1946), presidiu o diretório do Rio Grande do Sul (1950-1954) e foi presidente nacional do partido (1952-1964).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoAs reformas de base incidiam sobre as estruturas agrária, bancária, fiscal, entre outras.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
- FatoDepois do fracasso do Plano Trienal, o governo empunhou a bandeira das reformas de base, agrária, bancária, fiscal e eleitoral.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 17
- FatoA Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, limitou as remessas anuais de lucros para o exterior a 10% do valor dos investimentos registrados.Congresso Nacional, Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962, art. 31
- FatoNo triênio 1961-1963, o sindicalismo brasileiro alcançou um de seus momentos de mais intensa atividade.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 19
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoA rigor, o governo de Goulart se inicia em janeiro de 1963, após a derrota do regime parlamentarista.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 15
- FatoNa prática, o Plano Trienal pedia que os trabalhadores apertassem os cintos; no início de fevereiro de 1963, o CGT denunciou o caráter reacionário do plano.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 16
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoAo fim de 1963, o malogro do Plano Trienal era reconhecido: houve inflação sem crescimento.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 17
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoO movimento de abril de 1964 foi um golpe contra as reformas sociais defendidas por amplos setores e contra a incipiente democracia política burguesa nascida em 1945.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 14
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoGoulart entendia ser possível consolidar o capitalismo industrial brasileiro com as reformas e alimentava o mito de um capitalismo nacional e civilizado.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 22
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoGoulart preferiu lideranças e organizações sindicais que, em troca da sua independência política e ideológica, recebiam facilidades e favores governamentais.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 20
- Interpretação · Caio Navarro de ToledoOs protagonistas do golpe foram as facções duras das Forças Armadas e o empresariado nacional, com o apoio da embaixada e de agências dos Estados Unidos.Toledo, 1964: o golpe contra as reformas e a democracia, p. 22
- FatoGoulart foi vice-presidente no governo Juscelino e, em 1960, reelegeu-se vice na chapa de oposição ao candidato udenista Jânio Quadros.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 39
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 4, de 2 de setembro de 1961 (institui o sistema parlamentar). planalto.gov.br, 02/09/1961. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.090, de 13 de julho de 1962 (institui a Gratificação de Natal). planalto.gov.br, 13/07/1962. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962 (capital estrangeiro e remessas de lucros). planalto.gov.br, 03/09/1962. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 6, de 23 de janeiro de 1963 (restabelece o sistema presidencial). planalto.gov.br, 23/01/1963. Abrir ↗
- TOLEDO, Caio Navarro de. 1964: o golpe contra as reformas e a democracia. São Paulo: Revista Brasileira de História (Associação Nacional de História), v. 24, n. 47, pp. 13-28, 2004. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.214, de 2 de março de 1963 (Estatuto do Trabalhador Rural). planalto.gov.br, 02/03/1963. Abrir ↗
- PRADO JÚNIOR, Caio. A revolução brasileira. 1966. Abrir ↗
- Presidência da República. Decreto nº 53.700, de 13 de março de 1964 (desapropriação de áreas rurais às margens de rodovias, ferrovias e açudes federais). planalto.gov.br, 13/03/1964. Abrir ↗
- FERNANDES, Florestan. Brasil, em compasso de espera. 1980.
- DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. 1981.
- GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. A esquerda brasileira: das ilusões perdidas à luta armada. 1987.
- MARIGHELLA, Carlos. A crise brasileira (ensaios políticos). 1966. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Entrevista à Margem Esquerda. 2007. Abrir ↗
- Maria Victoria de Mesquita Benevides. 1964, um golpe de classe? Sobre um livro de René Dreifuss (Lua Nova, n. 58, 2003; resenha usada só para a ficha da edição). scielo.br. Abrir ↗
- Caio Navarro de Toledo. 1964: o golpe contra as reformas e a democracia (Revista Brasileira de História, v. 24, n. 47, 2004). redalyc.org. Abrir ↗