Estudos / História do Brasil / República de 1946 / Getúlio Vargas

República de 1946PTBViés: populismo nacionalista
Getúlio Vargas
Governou de 31/01/1951 a 24/08/1954
Voltou ao poder pelo voto em 1950, criou o BNDE e a Petrobras, restringiu as remessas de lucros e, em 1954, dobrou o salário mínimo. Isolado diante da UDN, dos militares e da imprensa, matou-se em 24 de agosto de 1954 e deixou a Carta-Testamento, que levou o povo às ruas. Para Boito, a queda foi um golpe da burguesia contra o populismo e um ensaio do golpe de 1964.
- Partido
- Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em coligação com o PSP
- Como chegou
- eleição direta de 3 de outubro de 1950, com 48,7% dos votos dados aos candidatos
- Como saiu
- matou-se em 24 de agosto de 1954, no auge da crise aberta pela oposição da UDN, dos militares e da imprensa
- Nascimento
- São Borja (RS), 1883
- Morte
- Rio de Janeiro (RJ), 1954
- Antes da presidência
- chefe do governo de 1930 a 1945; senador pelo PSD (1946-1949) e fundador do PTB, em 1945
O governo em datas
Getúlio Vargas, 1951–1954
- 03/10/1950Vargas é eleito presidente.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 31/01/1951Posse de Vargas.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 04/01/1952Decreto restringe as remessas de lucros para o exterior.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 20/06/1952Lei nº 1.628 cria o BNDE.Congresso Nacional, Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952
- 03/10/1953Lei nº 2.004 institui a Petrobras.Congresso Nacional, Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953
- 01/05/1954Reajuste de 100% do salário mínimo.Armando Boito Jr., Vargas e a herança populista
- 05/08/1954Atentado contra Carlos Lacerda na rua Toneleros mata o major Rubens Vaz.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 24/08/1954Vargas se mata e deixa a Carta-Testamento.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
O que o governo fez
Principais medidas
- 1952
Limite às remessas de lucros
Decreto de 4 de janeiro de 1952 restringe as remessas de lucros das empresas estrangeiras.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1952
BNDE
Criação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico.
Congresso Nacional, Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952 - 1953
Petrobras
Política Nacional do Petróleo e criação da Petrobras.
Congresso Nacional, Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953 Nova lei do salário mínimo
Aumento de cerca de 300% sobre o nível anterior.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a RepúblicaFim do atestado ideológico
Revogada a exigência de atestado ideológico para os sindicatos, criada no governo Dutra.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República- 1954
Salário mínimo dobrado
Reajuste de 100% em 1º de maio de 1954, contra inflação de 12% em doze meses.
Armando Boito Jr., Vargas e a herança populista
Para entender o governo
A volta pelo voto
Depois de deposto em 1945, Getúlio Vargas foi eleito senador pelo PSD e disputou a eleição presidencial de 3 de outubro de 1950 pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), que ele mesmo tinha fundado. Teve 3.849.040 votos, 48,7% dos votos dados aos candidatos, contra 2.342.384 de Eduardo Gomes, da UDN, e 1.697.193 de Cristiano Machado, do PSD. Ele tomou posse em 31 de janeiro de 1951, num país de 53 milhões de habitantes. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27 e 31; Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1950)
Para Nelson Werneck Sodré, o novo governo era visto com esperança tanto pelos trabalhadores, tratados como caso de polícia no governo anterior, quanto pelas forças da produção nacional, abandonadas por Dutra. Esse apoio amplo carregava uma contradição, que Vargas teria resolvido pelo pior caminho ao afastar o seu ministro da Guerra, o general Newton Estillac Leal. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 386)
O projeto nacional
O governo combinou duas diretrizes, a participação decisiva do Estado e do capital privado nacional na industrialização e o estímulo à entrada de capital estrangeiro. O Brasil recusou-se a participar da intervenção da ONU na Coreia, e um decreto de 4 de janeiro de 1952 restringiu as remessas de lucros das empresas estrangeiras para o exterior. Uma nova lei elevou o salário mínimo em cerca de 300%, e o governo acabou com a exigência de atestado ideológico para os sindicatos, criada no governo Dutra. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31)
Em 1952, a Lei nº 1.628 criou o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), e, em 3 de outubro de 1953, depois de uma grande campanha popular, a Lei nº 2.004 instituiu a Petrobras. Sodré observa que Vargas não podia se apresentar como o criador da empresa estatal, porque o seu governo tinha perseguido duramente os movimentos de massas que a defendiam. Em janeiro de 1954, segundo Sodré, Vargas denunciou o superfaturamento das importações e as remessas de lucros como sangrias da economia nacional. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31; Congresso Nacional, Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952, art. 8º; Congresso Nacional, Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 386-387)
A crise de 1954
Armando Boito Jr. conta que, sob o cerco dos adversários, Vargas procurou ampliar o apoio popular e, em 1º de maio de 1954, concedeu um reajuste de 100% do salário mínimo, quando a inflação dos doze meses anteriores tinha sido de 12%. Ele anunciou o aumento com um discurso radical, em que disse aos trabalhadores que eles estavam com ele no poder e que no futuro seriam o próprio poder. Para Boito, o efeito foi o contrário do esperado, porque a burguesia industrial abandonou o governo. (Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 32-33)
Em 1954, Vargas enfrentava a oposição da União Democrática Nacional (UDN), dos militares e da imprensa, em especial de Carlos Lacerda. Em 5 de agosto, um atentado contra Lacerda na rua Toneleros, no Rio de Janeiro, matou o major-aviador Rubens Vaz e precipitou a crise. Isolado politicamente, Vargas matou-se em 24 de agosto de 1954 e deixou a Carta-Testamento, e a sua morte levou o povo às ruas. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31)
Segundo Sodré, na carta Vargas acusou grupos econômicos e financeiros internacionais, aliados a grupos nacionais revoltados contra as garantias do trabalho, de comandar uma campanha contra o seu governo. Boito registra que a reação popular veio tarde e na forma clássica do populismo, com três dias de quebra-quebras nas capitais contra jornais conservadores e empresas ligadas aos Estados Unidos. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 388; Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 33)
Como os marxistas leram o governo
Para Sodré, o segundo governo Vargas foi uma solução de compromisso entre o novo e o velho, que acabou desacreditada tanto diante do imperialismo e dos seus aliados quanto diante das forças anti-imperialistas. Ele afirma que Vargas teria de se apoiar nas bases populares e desafiar o imperialismo, ou seria destruído, e que o erro dele foi não criar uma base de forças para a política que defendia em palavras. Sodré conclui que o suicídio marcou o fim de uma época e de uma política. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 333-334 e 388)
Boito vê no governo um populismo progressista, controlado pela burocracia do Estado, que levava adiante a industrialização capitalista com um mínimo de direitos trabalhistas. Para ele, o governo não representava os trabalhadores nem, em sentido estrito, a burguesia industrial, embora essa fração tenha sido a maior beneficiária da sua política. Boito trata o 24 de agosto como um golpe de Estado da grande burguesia organizada na UDN e o considera um ensaio geral da deposição de João Goulart, dez anos depois. (Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 31-33; Boito Jr., O golpe de 1954)
A autocrítica dos comunistas
No Manifesto de Agosto de 1950, Prestes chamou Vargas de tirano, e Jacob Gorender lembraria depois que o PCB se absteve na eleição e atacou o governo o tempo todo. Segundo Gorender, mesmo no auge da crise de agosto de 1954 o partido continuou no ataque, e só poucos dias antes do suicídio Prestes chamou os comunistas a apoiar Vargas. Depois da morte do presidente, os militantes comunistas foram às ruas ao lado dos trabalhistas. (Prestes, Manifesto de Agosto; Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50)
No informe ao IV Congresso do PCB, em dezembro de 1954, Prestes já chamava o 24 de agosto de golpe de Estado, feito, segundo ele, sob inspiração e ordem direta da embaixada dos Estados Unidos. Gorender avalia que a Declaração de Março de 1958, que mudou a linha do partido, foi um reconhecimento do erro cometido em relação a Vargas. (Prestes, Informe de balanço do Comitê Central do PCB ao IV Congresso do Partido Comunista do Brasil; Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50)
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
Solução de compromisso que levou Vargas ao isolamento; o erro dele foi não criar uma base de forças para a política que defendia; o suicídio encerrou uma época e uma política.
Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 333-334 e 386-388Armando Boito Jr.
Populismo progressista controlado pela burocracia de Estado; a burguesia industrial o abandonou, e o 24 de agosto foi um golpe da grande burguesia, ensaio do golpe de 1964.
Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 31-33Jacob Gorender
O PCB errou ao atacar Vargas até o fim; a Declaração de Março de 1958 reconheceu esse erro.
Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50Luiz Carlos Prestes
Em dezembro de 1954, o 24 de agosto foi chamado de golpe de Estado sob ordem da embaixada norte-americana.
Prestes, Informe de balanço do Comitê Central do PCB ao IV Congresso do Partido Comunista do Brasil, parte I
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- burocracia de Estado à frente da industrialização, com a burguesia industrial como maior beneficiária e apoio difuso dos trabalhadores urbanos, contra a grande burguesia organizada na UDN e o imperialismo norte-americano (Boito, pp. 31-33)
- Relação com o imperialismo
- nacional-desenvolvimentista
- Relação com os trabalhadores
- concessão, tutela, repressão
Lutas de classes no governo
- Greve dos 300 mil · 1953 · Cidade de São Paulo e outras cidades paulistas
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando. O golpe de 1954: a burguesia contra o populismo. 1982.
GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002.
Ler grátis: Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50 ↗
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: pp. 333-334 e 386-389.
PRESTES, Luiz Carlos. Informe de balanço do Comitê Central do PCB ao IV Congresso do Partido Comunista do Brasil. 1954.
PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto de Agosto (Nossa política: Prestes aponta aos brasileiros o caminho da libertação). 1950.
BOITO JR., Armando. Vargas e a herança populista. Vitória da Conquista: Politeia: História e Sociedade (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), v. 3, n. 1, pp. 29-37, 2003. Onde ler: pp. 29-33.
De onde vem cada afirmação desta página (35)
- FatoVargas recebeu 48,7% dos votos e tomou posse em 31 de janeiro de 1951.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoO governo revogou a exigência de atestado ideológico para os sindicatos, que datava do governo Dutra.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoA Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952, criou o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico.Congresso Nacional, Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952, art. 8º
- Interpretação · Armando Boito Jr.O efeito político foi o oposto do esperado, porque a burguesia industrial abandonou Vargas.Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 33
- Interpretação · Armando Boito Jr.O governo Vargas não representava os trabalhadores nem, em sentido estrito, a burguesia industrial, grande beneficiária da sua política; era controlado pela burocracia do Estado, que sustentava um projeto de industrialização capitalista com um mínimo de direitos.Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 33
- FatoVargas apresentou o aumento com um discurso radicalizado, afirmando que os trabalhadores, pela força do número, acabariam por chegar ao poder.Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 33
- Interpretação · Armando Boito Jr.A grande burguesia organizou a UDN, com a qual fez diversos golpes de Estado, inclusive o golpe de agosto de 1954 que depôs Vargas; essa deposição foi um ensaio geral da deposição de João Goulart.Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 32-33
- FatoNo 1º de maio de 1954, Vargas concedeu um reajuste de 100% do salário mínimo, para uma inflação acumulada de 12% nos doze meses anteriores.Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 32-33
- FatoA Petrobras foi criada em 1953, após uma grande campanha.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoNa carta, Vargas mencionou décadas de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais e a campanha desses grupos, aliados a grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 388
- FatoO governo brasileiro recusou-se a participar da intervenção das Nações Unidas na Coreia do Norte.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoNo último dia de janeiro de 1954, Vargas denunciou a espoliação imperialista, com o superfaturamento das importações e a remessa de lucros como sangrias da economia.Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 386-387
- FatoO governo projetou duas diretrizes: a participação decisiva do Estado e de setores privados nacionais na industrialização e o estímulo à entrada de capital estrangeiro.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoEm 3 de outubro de 1950, Getúlio Vargas foi reeleito presidente.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoO PCB se absteve nas eleições de 1950 e atacou Vargas durante todo o seu governo.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- FatoNo auge da crise de agosto de 1954, o PCB continuou atacando Vargas; só alguns dias antes do suicídio Prestes conclamou o partido, pela imprensa, a apoiá-lo, e depois do suicídio os comunistas se juntaram aos trabalhistas nos protestos.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- Interpretação · Jacob GorenderA Declaração de Março de 1958 foi um reconhecimento do erro cometido pelo PCB em relação a Vargas, que levou o partido à impotência na crise de agosto de 1954.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- FatoEm 1954, Vargas enfrentava a oposição da UDN, dos militares e da imprensa, em especial de Carlos Lacerda, e da própria estrutura burocrática.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoA Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953, dispôs sobre a Política Nacional do Petróleo e instituiu a Petrobras.Congresso Nacional, Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953, ementa
- FatoNo segundo governo, o país contava 53 milhões de habitantes.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoA morte de Vargas reverteu, no plano simbólico, a situação política e levou o povo às ruas.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesA deposição do governo Vargas, em 24 de agosto, foi um golpe de Estado realizado sob a inspiração e por ordem direta da embaixada norte-americana.Prestes, Informe de balanço do Comitê Central do PCB ao IV Congresso do Partido Comunista do Brasil, parte I
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesEm agosto de 1950, o Manifesto de Agosto chamou Vargas de tirano e criticou a sua aliança com Ademar de Barros.Prestes, Manifesto de Agosto
- FatoA reação popular veio tardiamente e sob a forma populista clássica, com quebra-quebras por três dias nas principais capitais contra jornais conservadores e casas comerciais e instituições que lembravam os Estados Unidos.Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 33
- FatoO decreto de 4 de janeiro de 1952 restringiu as remessas de lucros das empresas estrangeiras para o exterior.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoO governo sancionou uma nova lei do salário mínimo, com aumento de aproximadamente 300% sobre o nível anterior.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoVargas elegeu-se senador (1946-1949) pelo PSD e concorreu às eleições presidenciais de 1950 pelo PTB, partido que fundara em 1945.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- Interpretação · Nelson Werneck SodréO segundo governo Vargas foi uma solução de compromisso que levou ao isolamento, desacreditando-o diante do imperialismo e das forças internas aliadas a ele e diante do campo anti-imperialista.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 333
- Interpretação · Nelson Werneck SodréO erro de Vargas foi não ter contribuído para criar um dispositivo interno de forças capaz de apoiar a política que defendia em palavras.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 388
- Interpretação · Nelson Werneck SodréO novo governo era encarado com esperança pelas massas trabalhadoras, tratadas policialmente pelo governo anterior, e pelas novas forças da produção, abandonadas por ele, mas encerrava uma contradição, que Vargas resolveu pelo pior rumo ao se desembaraçar do ministro da Guerra, general Newton Estillac Leal.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 386
- Interpretação · Nelson Werneck SodréApoiar-se nas bases populares significaria aprofundar as mudanças e desafiar o imperialismo; apoiar-se no imperialismo significaria a destruição política de Vargas; o suicídio representou o fim de uma época e de uma política.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 334
- Interpretação · Nelson Werneck SodréAo assinar a Lei nº 2.004, Vargas não podia apresentar-se como criador da empresa estatal, porque o seu governo perseguira duramente os movimentos de massas em defesa daquela solução.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 386
- FatoPoliticamente isolado, Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954, deixando a Carta-Testamento.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoO atentado contra Carlos Lacerda em 5 de agosto, na rua Toneleros, no Rio de Janeiro, matou o major-aviador Rubens Vaz e é considerado o incidente que precipitou a crise do governo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 31
- FatoNa eleição presidencial de 1950, Vargas (PTB) teve 3.849.040 votos, 48,7% dos votos dados aos candidatos; Eduardo Gomes (UDN), 2.342.384; Cristiano Machado (PSD), 1.697.193.Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1950, soma das UFs; cálculo nosso
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Votação nominal por UF, eleições de 1950 (Portal de Dados Abertos do TSE; somas nossas). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 1.628, de 20 de junho de 1952 (art. 8º: cria o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico). planalto.gov.br, 20/06/1952. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953 (Política Nacional do Petróleo; institui a Petrobras). planalto.gov.br, 03/10/1953. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. Vargas e a herança populista. Vitória da Conquista: Politeia: História e Sociedade (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), v. 3, n. 1, pp. 29-37, 2003. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. O golpe de 1954: a burguesia contra o populismo. 1982.
- PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto de Agosto (Nossa política: Prestes aponta aos brasileiros o caminho da libertação). 1950. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. Informe de balanço do Comitê Central do PCB ao IV Congresso do Partido Comunista do Brasil. 1954. Abrir ↗
- Armando Boito Jr.. Vargas e a herança populista (Politeia, v. 3, n. 1, 2003). periodicos2.uesb.br. Abrir ↗