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Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Epitácio Pessoa

Retrato oficial de Epitácio Pessoa
Foto: Governo do Brasil / Musso, c. 1919. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaViés: oligarquia alinhada aos Estados Unidos

Epitácio Pessoa

Governou de 28/07/1919 a 15/11/1922

Epitácio Pessoa, paraibano, venceu a eleição extraordinária de 1919, depois da morte de Rodrigues Alves, e governou até 1922. O governo dele reprimiu a onda de greves com prisões, deportações e a Lei nº 4.269, de 1921, contra o anarquismo, e assinou o contrato da Itabira Iron com o norte-americano Percival Farquhar. No fim do mandato, a revolta do Forte de Copacabana abriu o ciclo tenentista.

Como chegou
eleição direta extraordinária de 13 de abril de 1919, convocada depois da morte de Rodrigues Alves
Como saiu
fim do mandato; passou o cargo a Artur Bernardes
Nascimento
Umbuzeiro (PB), 1865
Morte
Petrópolis (RJ), 1942
Antes da presidência
advogado; constituinte (1890-1891), deputado federal, ministro da Justiça (1898-1901), ministro do STF (1902-1912), senador pela Paraíba e chefe da delegação brasileira em Versalhes

O governo em datas

Epitácio Pessoa, 1919–1922

  1. 13/04/1919Eleição extraordinária vencida por Epitácio Pessoa.Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues
  2. 28/07/1919Posse.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  3. 25/12/1919Decreto nº 3.965 dá início às obras contra as secas do Nordeste.Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio
  4. 23/02/1920Intervenção federal na Bahia.Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio
  5. 07/09/1920Criada a Universidade do Rio de Janeiro.Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio
  6. 01/03/1922Artur Bernardes vence a eleição presidencial.Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio
  7. 25/03/1922Fundação do Partido Comunista do Brasil.Octávio Brandão, Agrarismo e industrialismo
  8. 05/07/1922Revolta do Forte de Copacabana.Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Eleito em Versalhes

Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa nasceu em Umbuzeiro (PB), em 1865, foi ministro da Justiça de Campos Sales, ministro do Supremo Tribunal Federal e senador pela Paraíba. Com a morte de Rodrigues Alves, a Constituição exigiu nova eleição, e Epitácio venceu a de 13 de abril de 1919 enquanto chefiava a delegação brasileira na Conferência de Paz, em Versalhes. Ele tomou posse em 28 de julho de 1919 e, pela primeira vez na República, nomeou civis para os ministérios da Guerra e da Marinha, o que irritou os círculos militares. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 22; Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV), ALVES, Rodrigues, seção "Última eleição"; Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio, seção "Na presidência da República")

As greves e a repressão

Epitácio assumiu no meio da onda de greves que crescia desde 1917, e o movimento se intensificou no fim de outubro de 1919, apesar da repressão. Segundo o militante Everardo Dias, citado pelo CPDOC, a prisão de dezenas de líderes e a deportação de cerca de 150 fizeram o movimento declinar, e ele mesmo foi deportado no fim de 1919 com outros 22 estrangeiros acusados de atividade anarquista. Em janeiro de 1921, o governo promulgou a Lei nº 4.269, chamada de nova Lei Adolfo Gordo, que regulou a repressão ao anarquismo e permitiu fechar associações e sindicatos. Projetos de lei trabalhista apresentados pelos deputados Maurício de Lacerda e Nicanor Nascimento não foram aprovados. (Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio, seção "Na presidência da República"; Michel Goulart da Silva, Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias, p. 11)

Astrojildo Pereira registra que, em 1919, os operários da construção civil do Rio decretaram por conta própria a jornada de oito horas, que passou a valer em 2 de maio, e que a greve da Leopoldina, em 1920, atingiu o Distrito Federal, o estado do Rio e Minas Gerais. Octávio Brandão chamou de etapa das perseguições epitacianas o período que vai do fim de 1919 a novembro de 1921 e descreveu Epitácio como inimigo implacável dos trabalhadores. (Pereira, Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil; Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 26 e 119)

O café e o capital estrangeiro

Uma crise mundial derrubou o preço do café em quase 50%, e Epitácio, pressionado pelos cafeicultores de São Paulo e Minas, emitiu papel-moeda e, em outubro de 1921, lançou a terceira defesa do café, com empréstimos tomados na Inglaterra. Em 1920, o governo assinou com a Itabira Iron Ore Company, representada pelo norte-americano Percival Farquhar, um contrato para exportar minério de ferro de Itabira (MG) em troca da construção de usinas e ferrovias, e a oposição, liderada pelo governo de Minas, considerou o contrato lesivo ao país. O governo também contratou três firmas estrangeiras, sem concorrência pública, para as obras contra as secas do Nordeste. Para Octávio Brandão, Epitácio era um agente do imperialismo norte-americano, e Artur Bernardes desmoralizou essa política. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 22; Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio, seção "Realizações do governo Epitácio Pessoa"; Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 95)

A sucessão e o tenentismo

Na sucessão, São Paulo e Minas lançaram o mineiro Artur Bernardes, e as oligarquias do Rio Grande do Sul, da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro formaram a Reação Republicana, com Nilo Peçanha. Em outubro de 1921, o jornal Correio da Manhã publicou cartas falsas atribuídas a Bernardes com ataques ao marechal Hermes e ao Exército, e o Clube Militar as declarou autênticas. Depois da vitória de Bernardes, em 1º de março de 1922, o governo puniu Hermes, fechou o Clube Militar e prendeu o marechal no começo de julho. Em 5 de julho, o Forte de Copacabana se revoltou, e o grupo que marchou pela praia contra as tropas do governo foi morto, ferido ou preso, no episódio que abriu o ciclo das revoltas tenentistas. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 22; Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio, seções "A sucessão presidencial", "Oposição militar a Epitácio" e "A revolta de 5 de julho de 1922")

Para Nelson Werneck Sodré, o tenentismo foi um fenômeno típico da classe média, que via na corrupção e na fraude eleitoral os males do regime e resumia o seu programa em representação e justiça. Brandão via o levante de 1922 como a primeira tentativa de destruir os elementos feudais do país e atribuía o fracasso à inexperiência política dos chefes. Em 25 de março de 1922, foi fundado o Partido Comunista do Brasil, e Brandão escreveu que o proletariado já tinha forjado o seu partido, enquanto a burguesia industrial ainda não tinha formado o dela. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 320; Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 36, 52 e 119)

O fim do governo

Epitácio governou o resto do mandato sob estado de sítio, decretado depois do levante e prorrogado até 31 de dezembro de 1922, e festejou em setembro o Centenário da Independência com uma exposição internacional no Rio. O governo criou a Universidade do Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1920, e o Departamento Nacional de Saúde Pública. Epitácio passou o cargo a Bernardes em 15 de novembro de 1922, foi juiz da Corte Permanente de Justiça Internacional, em Haia, e morreu em Petrópolis (RJ), em 1942. (Sônia Dias (CPDOC/FGV), PESSOA, Epitácio, seções "A revolta de 5 de julho de 1922", "O centenário da Independência" e "Realizações do governo Epitácio Pessoa"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 22)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
oligarquias do café de São Paulo e Minas, que impuseram a defesa do café, com espaço para o capital estrangeiro, sobretudo norte-americano, em minério e obras públicas (Arquivo Nacional, p. 22; CPDOC; Brandão, p. 95)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão

Lutas de classes no governo

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (30)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Alice Beatriz da Silva Gordo Lang (CPDOC/FGV). ALVES, Rodrigues (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. Sônia Dias (CPDOC/FGV). PESSOA, Epitácio (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  4. Michel Goulart da Silva. Repressão e exílio na trajetória de Everardo Dias (Perseu, n. 15, ano 12, 2018). revistaperseu.fpabramo.org.br. Abrir ↗
  5. PEREIRA, Astrojildo. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil. 1952. Abrir ↗
  6. BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
  7. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  8. Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
  9. Astrojildo Pereira. Lutas operárias que antecederam a fundação do Partido Comunista do Brasil (Problemas, n. 39, mar.-abr. 1952). marxists.org. Abrir ↗
  10. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗