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Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Washington Luís

Retrato oficial de Washington Luís
Foto: Governo do Brasil, c. 1926. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaPRPViés: oligarquia cafeeira paulista

Washington Luís

Governou de 15/11/1926 a 24/10/1930

Washington Luís, do Partido Republicano Paulista, governou de 1926 a 1930, libertou presos políticos e legalizou o Partido Comunista, mas em 1927 aprovou a Lei Celerada, que voltou a censurar a imprensa e pôs o PCB na ilegalidade. A crise de 1929 derrubou o preço do café e dividiu as oligarquias na sucessão. Ele foi deposto por generais em 24 de outubro de 1930, durante a Revolução de 1930.

Partido
Partido Republicano Paulista (PRP)
Como chegou
eleição direta de 1926, prevista no acordo entre São Paulo e Minas que levou Bernardes à presidência
Como saiu
deposto por generais no Rio de Janeiro em 24 de outubro de 1930, durante a Revolução de 1930
Nascimento
Macaé (RJ), 1869
Morte
São Paulo (SP), 1957
Antes da presidência
advogado; prefeito de São Paulo, presidente do estado de São Paulo (1920-1924) e senador pelo PRP (1925-1926)

O governo em datas

Washington Luís, 1926–1930

  1. 15/11/1926Posse de Washington Luís.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  2. 31/12/1926O estado de sítio expira e não é renovado.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  3. 03/02/1927A Coluna Prestes se interna na Bolívia.Mauro Malin (CPDOC/FGV), BERNARDES, Artur
  4. 12/09/1929Convenção situacionista indica Júlio Prestes à sucessão.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  5. 01/03/1930Júlio Prestes vence a eleição presidencial; a oposição denuncia fraude.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  6. 26/07/1930Assassinato de João Pessoa, candidato a vice da Aliança Liberal.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  7. 03/10/1930Começa a Revolução de 1930 no Rio Grande do Sul.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  8. 24/10/1930Washington Luís é deposto por generais no Rio de Janeiro.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

O paulista que sucedeu Bernardes

Washington Luís Pereira de Sousa nasceu em Macaé (RJ), em 1869, fez carreira em São Paulo, onde foi prefeito da capital e presidente do estado de 1920 a 1924, e foi senador pelo Partido Republicano Paulista. A candidatura dele já estava prevista no acordo entre São Paulo e Minas que levou Bernardes à presidência. Ele tomou posse em 15 de novembro de 1926 e formou um ministério para garantir a hegemonia paulista, com o gaúcho Getúlio Vargas na Fazenda. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 22 e 24; Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington, seção "Na presidência da República")

Distensão e Lei Celerada

No começo do governo, Washington Luís fechou o presídio da ilha da Trindade, libertou presos políticos, deixou expirar o estado de sítio em 31 de dezembro de 1926 e legalizou o Partido Comunista em janeiro de 1927. A anistia pedida pela oposição foi recusada pela maioria governista. Em agosto de 1927, o governo aprovou a Lei Celerada, que retomou a censura à imprensa e restringiu o direito de reunião, e devolveu o Partido Comunista à ilegalidade. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington, seção "Na presidência da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 24)

A crise do café

Em dezembro de 1926, uma reforma monetária devolveu o país ao padrão-ouro e criou a Caixa de Estabilização para fixar o câmbio. Com a crise mundial iniciada em outubro de 1929, o preço do café, que respondia por 70% das exportações, despencou, e o governo manteve o câmbio fixo e negou um empréstimo de cem mil contos ao Instituto Paulista de Defesa do Café. Em dezembro de 1929, os cafeicultores reunidos em congresso avisaram que, se não fossem atendidos, a lavoura passaria a ficar sem o governo e depois contra ele. Segundo Nelson Werneck Sodré, as reservas de ouro do país eram de 31,1 milhões de libras em setembro de 1929 e quase desapareceram até dezembro de 1930. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington, seções "Na presidência da República" e "A questão sucessória"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 24; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 319)

A sucessão e a Revolução de 1930

Washington Luís apoiou para a sucessão o presidente de São Paulo, Júlio Prestes, e Minas Gerais se aliou ao Rio Grande do Sul e à Paraíba na Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas e João Pessoa com um programa de voto secreto, Justiça Eleitoral e anistia. Na eleição de 1º de março de 1930, Júlio Prestes teve cerca de um milhão de votos, contra cerca de oitocentos mil de Vargas, e a oposição denunciou fraude. O assassinato de João Pessoa, em 26 de julho, fortaleceu a corrente revolucionária, e o movimento começou no Rio Grande do Sul em 3 de outubro. Em 24 de outubro, generais lotados no Rio depuseram Washington Luís, que deixou o palácio Guanabara como prisioneiro, sem renunciar. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington, seções "A questão sucessória" e "As eleições presidenciais e a Revolução de 1930")

Como os marxistas leem 1930

Para Nelson Werneck Sodré, a crise de 1929 dividiu a classe dos senhores de terras, e a parte dela que não vivia da exportação passou a querer mudar a política econômica do café. Ele afirma que a Revolução de 1930 juntou essa dissidência com os tenentes, como a classe média tinha se juntado a uma fração dos senhores de terras em 1889, e cita o presidente de Minas, Antônio Carlos, que falava em fazer a revolução antes que o povo a fizesse. Décio Saes vê em 1930 a destruição da democracia oligárquica, necessária para liquidar a hegemonia da burguesia comercial-exportadora, e lembra que a burguesia industrial paulista ficou do lado do Partido Republicano Paulista, contra a frente revolucionária. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 321-322; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 8 e 16)

Luís Carlos Prestes, em maio de 1930, chamou a campanha eleitoral de luta entre duas correntes oligárquicas apoiadas pelos dois imperialismos que dominavam o país, o inglês e o norte-americano. Para ele, o programa da Aliança Liberal não tocava na grande propriedade da terra nem no imperialismo, as duas bases dos oligarcas, e a aliança se calou diante da perseguição às associações operárias durante a campanha. (Prestes, Manifesto de Maio)

Washington Luís viveu no exílio na Europa e nos Estados Unidos, voltou ao Brasil em 1947 e morreu em São Paulo em 1957. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 24)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
hegemonia paulista no governo federal, com a burguesia cafeeira e a burguesia industrial de São Paulo ao lado do PRP, contra a dissidência de Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba (CPDOC; Saes, p. 8)
Relação com o imperialismo
alinhamento
Relação com os trabalhadores
repressão

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (28)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV). LUÍS, Washington (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  3. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  4. SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
  5. PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto de Maio. 1930. Abrir ↗
  6. Mauro Malin (CPDOC/FGV). BERNARDES, Artur (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  7. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
  8. Décio Azevedo Marques de Saes. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo (Novos Rumos, v. 52, n. 1, 2015). revistas.marilia.unesp.br. Abrir ↗
  9. Luiz Carlos Prestes. Manifesto de Maio (Diário da Noite, São Paulo, 29 maio 1930). marxists.org, 29/05/1930. Abrir ↗