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Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Júlio Prestes

Retrato oficial de Júlio Prestes
Foto: Photo Schmitd, S.P., arquivo de Arlindo Leite, 1930. Public domain. Wikimedia Commons ↗

República OligárquicaPRPViés: candidato da oligarquia paulista

Júlio Prestes

Eleito em 01/03/1930, não tomou posse

Júlio Prestes, presidente de São Paulo e candidato de Washington Luís, venceu a eleição de 1º de março de 1930 com 1.091.709 votos, mas não tomou posse. A Revolução de 1930 derrubou o governo antes de 15 de novembro, e ele se asilou no consulado britânico e partiu para o exílio. Para Luís Carlos Prestes, a disputa de 1930 opôs duas correntes oligárquicas apoiadas pelos imperialismos que dominavam o país.

Partido
Partido Republicano Paulista (PRP)
Como chegou
eleito em 1º de março de 1930 com 1.091.709 dos 1.890.524 votos, como candidato de Washington Luís
Como saiu
impedido de tomar posse pela Revolução de 1930; asilou-se no consulado britânico e partiu para o exílio
Nascimento
Itapetininga (SP), 1882
Morte
São Paulo (SP), 1946
Antes da presidência
advogado; deputado estadual (1909-1923) e federal (1924-1927) pelo PRP, líder da maioria na Câmara e presidente de São Paulo (1927-1930)

O governo em datas

Júlio Prestes, eleito em 1930

  1. 14/07/1927Júlio Prestes toma posse como presidente de São Paulo.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio
  2. 12/09/1929Convenção situacionista lança a chapa Júlio Prestes-Vital Soares.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington
  3. 01/03/1930Júlio Prestes vence a eleição presidencial.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio
  4. 24/10/1930Deposição de Washington Luís; Júlio Prestes desiste de resistir em São Paulo.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio
  5. 09/02/1946Morte de Júlio Prestes, em São Paulo.Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Um quadro do Partido Republicano Paulista

Júlio Prestes de Albuquerque nasceu em Itapetininga (SP), em 1882, filho do político Fernando Prestes, e foi deputado estadual pelo Partido Republicano Paulista de 1909 a 1923. Eleito deputado federal em 1924, ele liderou a bancada paulista e, durante a revolta tenentista de julho daquele ano, organizou com o pai e com Washington Luís batalhões de voluntários contra os revoltosos na região de Itararé. Como deputado estadual, ele apresentou o projeto que autorizou o governo paulista a rescindir o contrato com a Sorocabana Railway Company, e a ferrovia passou ao controle do estado. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio, seção "De deputado a presidente estadual")

No governo de Washington Luís, Júlio Prestes foi líder da maioria na Câmara e preparou a lei da reforma monetária. Em 14 de julho de 1927, ele tomou posse como presidente de São Paulo, e o seu governo contratou empréstimos com banqueiros de Londres e de Nova York para obras na estrada de ferro Sorocabana. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 25; Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio, seção "De deputado a presidente estadual")

O candidato do governo

Washington Luís indicou Júlio Prestes para a sucessão, e a convenção situacionista de 12 de setembro de 1929 lançou a chapa dele com o baiano Vital Soares. A candidatura teve o apoio de associações industriais de São Paulo, mas perdeu o dos cafeicultores, que viam nele o continuador da política de câmbio fixo, considerada desastrosa na crise do café. Contra ele se formou a Aliança Liberal, com Minas Gerais, o Rio Grande do Sul e a Paraíba, que lançou Getúlio Vargas e João Pessoa. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio, seção "Da disputa sucessória à Revolução de 1930"; Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), LUÍS, Washington, seção "A questão sucessória")

A eleição de 1930

Na eleição de 1º de março de 1930, de um total de 1.890.524 votos, Júlio Prestes teve 1.091.709 e foi eleito, e Vital Soares foi eleito vice. Depois da vitória, ele viajou como presidente eleito aos Estados Unidos, à França e à Inglaterra, onde foi homenageado em Londres no palacete Rothschild. A oposição denunciou fraude, e Epitácio Pessoa apontou que o município paulista de Osasco, com 3.095 eleitores, deu 6.018 votos a Júlio Prestes. O Congresso também deixou de reconhecer 14 deputados eleitos em Minas e os deputados eleitos na Paraíba. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio, seção "Da disputa sucessória à Revolução de 1930")

A revolução e o exílio

A revolução começou em 3 de outubro de 1930, e em 24 de outubro Washington Luís foi deposto e uma junta governativa assumiu o poder no Rio. Diante da adesão do comandante da Força Pública paulista à revolução e da agitação nas ruas, Júlio Prestes desistiu de resistir, passou o governo de São Paulo ao general Hastínfilo de Moura e se asilou no consulado britânico. O Arquivo Nacional registra que ele foi impedido de tomar posse pela Revolução de 1930. Júlio Prestes voltou do exílio em 1934, foi um dos fundadores da União Democrática Nacional em 1945 e morreu em São Paulo em 1946. (Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV), PRESTES, Júlio, seção "Da disputa sucessória à Revolução de 1930"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 25)

Como os marxistas leem a eleição de 1930

Luís Carlos Prestes, no Manifesto de Maio de 1930, chamou a eleição de farsa e descreveu a campanha como a luta entre duas correntes oligárquicas, apoiadas pelos imperialismos que dominavam o país. Décio Saes destaca que a burguesia industrial paulista ficou do lado do Partido Republicano Paulista, que representava a burguesia exportadora de café, contra a frente revolucionária. Para Nelson Werneck Sodré, a política de valorização do café tinha chegado a um impasse antes da crise de 1929, e a divisão da classe dominante na sucessão abriu caminho para a Revolução de 1930. (Prestes, Manifesto de Maio; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 8; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 318 e 321-322)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
oligárquico
Bloco no poder
continuidade do PRP no governo federal, com o apoio de associações industriais de São Paulo e a oposição dos cafeicultores à política cambial (CPDOC; Saes, p. 8)
Relação com o imperialismo
alinhamento

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (20)

Fontes desta página

  1. Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV). PRESTES, Júlio (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  2. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  3. Jorge Miguel Mayer (CPDOC/FGV). LUÍS, Washington (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
  4. PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto de Maio. 1930. Abrir ↗
  5. SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
  6. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  7. Luiz Carlos Prestes. Manifesto de Maio (Diário da Noite, São Paulo, 29 maio 1930). marxists.org, 29/05/1930. Abrir ↗
  8. Décio Azevedo Marques de Saes. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo (Novos Rumos, v. 52, n. 1, 2015). revistas.marilia.unesp.br. Abrir ↗
  9. Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗