Estudos / História do Brasil / República Oligárquica / Nilo Peçanha

República OligárquicaPartido Republicano FluminenseViés: oligarquia fluminense
Nilo Peçanha
Governou de 14/06/1909 a 15/11/1910
Nilo Peçanha, vice de Afonso Pena, governou de junho de 1909 a novembro de 1910 e criou as Escolas de Aprendizes Artífices e o Serviço de Proteção aos Índios. No governo dele, São Paulo e Minas se dividiram na sucessão, com a Campanha Civilista de Rui Barbosa contra o marechal Hermes. Para Octávio Brandão, Nilo era um fazendeiro fluminense ligado ao capital inglês.
- Partido
- Partido Republicano Fluminense
- Como chegou
- vice-presidente eleito em 1906; assumiu com a morte de Afonso Pena
- Como saiu
- fim do mandato; passou o cargo a Hermes da Fonseca
- Nascimento
- Campos (RJ), 1867
- Morte
- Rio de Janeiro (RJ), 1924
- Antes da presidência
- advogado; constituinte (1890-1891), deputado federal pelo Partido Republicano Fluminense, presidente do estado do Rio (1903-1906) e vice-presidente (1906-1909)
O governo em datas
Nilo Peçanha, 1909–1910
- 14/06/1909Com a morte de Afonso Pena, Nilo Peçanha assume a presidência.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 15/11/1910Nilo passa o cargo a Hermes da Fonseca.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo
- 01/03/1922Candidato da Reação Republicana, Nilo perde a eleição para Artur Bernardes.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo
O que o governo fez
Principais medidas
Escolas de Aprendizes Artífices
Deram início ao ensino técnico no país.
Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, NiloServiço de Proteção aos Índios
Criado sob a direção de Cândido Rondon.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a RepúblicaMinistério da Agricultura, Indústria e Comércio
Passou a funcionar e criou serviços de inspeção agrícola, indústria animal e meteorologia.
Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo- 1909
Pagamento antecipado da dívida externa
O governo pagou antes do prazo dívidas externas que venciam em 1911.
Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo Intervenção no Amazonas
Apoio federal ao governador civilista derrubado pelo vice com o apoio de Pinheiro Machado.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
O vice que completou o mandato
Nilo Procópio Peçanha nasceu em Campos, na província do Rio de Janeiro, em 1867, foi constituinte em 1891, deputado federal pelo Partido Republicano Fluminense e presidente do estado do Rio de 1903 a 1906. Com o apoio de Pinheiro Machado, ele foi eleito vice-presidente na chapa de Afonso Pena em 1906 e assumiu a presidência com a morte de Pena, em 14 de junho de 1909. Nilo governou por 17 meses, até 15 de novembro de 1910. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18; Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção "Na presidência da República")
Escolas, ferrovias e o SPI
No governo de Nilo, começou a funcionar o Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, e foram criadas as Escolas de Aprendizes Artífices, que deram início ao ensino técnico no país. Nilo defendeu a emissão de papel-moeda e o aumento dos impostos de importação como estímulo à indústria nacional e procurou atrair capital para uma siderúrgica. O governo ampliou ferrovias na Bahia, no Nordeste e no Sul, construiu 1.556 quilômetros de linhas telegráficas e criou o Serviço de Proteção aos Índios, dirigido por Cândido Rondon. Em 1909, ele mandou pagar antes do prazo dívidas externas que venciam em 1911. (Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção "Na presidência da República"; Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção "Presidente da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18)
São Paulo e Minas em lados opostos
Segundo o Arquivo Nacional, paulistas e mineiros, que costumavam se unir em torno de um mesmo candidato na chamada política do café com leite, ficaram em lados opostos na sucessão de 1910, com São Paulo e a Bahia apoiando o civil Rui Barbosa e Minas Gerais, o Rio Grande do Sul e os militares apoiando o marechal Hermes da Fonseca. Rui fez a Campanha Civilista, contra o militarismo, e percorreu o país em busca de apoio popular, fato inédito na República. Nilo interveio em estados para garantir governadores aliados, e a intervenção no Amazonas, a favor de um governador civilista derrubado com o apoio de Pinheiro Machado, levou ao rompimento entre os dois. Para Nelson Werneck Sodré, a Campanha Civilista marcou a mudança política que crescia no país. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18; Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção "Na presidência da República"; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315)
Como Brandão via Nilo
Octávio Brandão, em 1926, apresentava Nilo Peçanha como um fazendeiro de Campos que favoreceu a companhia inglesa Leopoldina e cujo governo foi elogiado pela casa bancária Rothschild. Para Brandão, Nilo se aliou a Rui Barbosa, que ele via como agente da Inglaterra, contra Epitácio Pessoa, que ele via como agente dos Estados Unidos. Na leitura de Brandão, o Brasil viveu sob a supremacia inglesa até 1914, e de 1914 a 1922 os Estados Unidos passaram à frente. (Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 94-95)
Décio Saes lembra que, em toda a Primeira República, só o Partido Republicano tinha chance real de vencer, e que a disputa se dava entre as oligarquias estaduais desse partido. A sucessão de 1910 foi uma dessas disputas, com os grupos dominantes de São Paulo de um lado e os de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul de outro. (Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 15; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18)
Depois da presidência
Nilo passou o cargo a Hermes da Fonseca em 15 de novembro de 1910 e voltou ao Senado em 1912. Na eleição de 1922, ele foi o candidato da Reação Republicana, aliança das oligarquias do Rio Grande do Sul, da Bahia, de Pernambuco e do Rio de Janeiro, e perdeu para Artur Bernardes. Brandão o incluiu entre os chefes que considerava incapazes na revolta militar de 5 de julho de 1922. Nilo Peçanha morreu no Rio de Janeiro em março de 1924. (Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção "Na presidência da República"; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 18 e 22; Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 52)
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
A Campanha Civilista de 1909 assinala a alteração política que se avolumava e o declínio das oligarquias.
Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315Octávio Brandão
Nilo, fazendeiro em Campos, favoreceu a companhia inglesa Leopoldina, foi elogiado pela casa Rothschild e se aliou a Rui Barbosa, agente da Inglaterra, contra Epitácio, agente dos Estados Unidos.
Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 94-95
Leitura de classe do governo
- Regime
- oligárquico
- Bloco no poder
- oligarquias estaduais do Partido Republicano em disputa aberta, com São Paulo de um lado e Minas Gerais e Rio Grande do Sul de outro (Arquivo Nacional, p. 18; Saes, p. 15)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
Para estudar este governo
BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Onde ler: pp. 52 e 94-95.
SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Onde ler: p. 15.
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: p. 315.
De onde vem cada afirmação desta página (23)
- FatoNilo Peçanha nasceu em Campos, na província do Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 1867, e era advogado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
- FatoEm 1909, Nilo determinou o pagamento antecipado de dívidas externas que só expirariam em 1911.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoNa sucessão de 1910, paulistas e mineiros, que durante anos estiveram unidos em torno de um mesmo candidato na chamada política do café com leite, ficaram em lados opostos: Hermes foi apoiado por Minas Gerais, pelo Rio Grande do Sul e pelos militares, e Rui Barbosa, por São Paulo e pela Bahia.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
- FatoA Campanha Civilista de Rui Barbosa foi uma oposição civil à candidatura militar de Hermes, e Rui percorreu o país em busca de apoio popular, fato inédito na vida republicana.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
- FatoNilo realizou intervenções em estados para garantir a posse de presidentes estaduais aliados; a intervenção no Amazonas, em apoio ao civilista Antônio Bittencourt, destituído com o apoio de Pinheiro Machado, levou ao rompimento definitivo entre Nilo e Pinheiro Machado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
- Interpretação · Nelson Werneck SodréPara Sodré, a campanha civilista que Rui empreende em 1909 assinala a alteração política que se avoluma.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 315
- Interpretação · Octávio BrandãoPara Brandão, Nilo Peçanha, fazendeiro em Campos, favoreceu a companhia inglesa Leopoldina, e a casa Rothschild elogiou seu governo como uma das mais sábias administrações financeiras do Brasil.Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 95
- Interpretação · Octávio BrandãoPara Brandão, Nilo combateu Epitácio, agente do imperialismo norte-americano, e aliou-se a Rui Barbosa, agente da Inglaterra.Brandão, Agrarismo e industrialismo, pp. 94-95
- Interpretação · Octávio BrandãoBrandão dividiu a disputa imperialista pelo Brasil em supremacia da Inglaterra de 1822 a 1914, supremacia dos Estados Unidos de 1914 a 1922 e rivalidade anglo-americana em 1923-1924.Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 95
- Interpretação · Décio SaesPara Saes, na Primeira República apenas o Partido Republicano era eleitoralmente viável, o que operava como um regime informal de partido único.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 15
- FatoNilo passou a presidência a Hermes da Fonseca em 15 de novembro de 1910 e voltou ao Brasil em 1912 já eleito senador pelo estado do Rio.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoNilo foi deputado à Constituinte (1890-1891), deputado federal pelo Partido Republicano Fluminense e presidente do estado do Rio de Janeiro (1903-1906).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
- FatoAs oligarquias do Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro formaram a Reação Republicana e lançaram Nilo Peçanha, que foi vencido por Artur Bernardes.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 18 e 22
- Interpretação · Octávio BrandãoPara Brandão, os chefes do levante de 1922 eram incapazes, e ele incluiu Nilo Peçanha entre eles.Brandão, Agrarismo e industrialismo, p. 52
- FatoNilo Peçanha morreu no Rio de Janeiro em março de 1924; o Arquivo Nacional dá o dia 31 e o CPDOC, o dia 21.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18; CPDOC, fim do verbete
- FatoAs eleições presidenciais de 1922, em que Nilo foi derrotado, realizaram-se em 1º de março.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção A derrota da Reação Republicana
- FatoEm 1906, Nilo foi indicado vice-presidente na chapa de Afonso Pena, sustentado pelas articulações de Pinheiro Machado.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoCom a morte de Afonso Pena, em junho de 1909, Nilo assumiu a presidência e a exerceu por 17 meses, até novembro de 1910.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoO Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, criado no governo Pena, só funcionou efetivamente depois da morte dele.Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV), PENA, Afonso, seção Presidente da República
- FatoNilo criou as Escolas de Aprendizes Artífices, dando início ao desenvolvimento do ensino técnico no país.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoNa presidência, Nilo sustentou que a emissão de papel-moeda e a elevação dos impostos de importação poderiam impulsionar a indústria nacional e buscou atrair capitais para uma siderúrgica.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoO governo Nilo ampliou redes ferroviárias na Bahia, no Nordeste e no Sul e construiu 1.556 quilômetros de linhas telegráficas.Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV), PEÇANHA, Nilo, seção Na presidência da República
- FatoO Serviço de Proteção aos Índios foi criado no governo Nilo, sob a direção de Cândido Rondon.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 18
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Marieta de Moraes Ferreira (CPDOC/FGV). PEÇANHA, Nilo (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
- Cláudia Maria Ribeiro Viscardi (CPDOC/FGV). PENA, Afonso (verbete do Dicionário da Primeira República). cpdoc.fgv.br. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- BRANDÃO, Octávio. Agrarismo e industrialismo: ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, 1924. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006. Abrir ↗
- SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
- Nelson Werneck Sodré. Formação histórica do Brasil (PDF digitalizado da edição Brasiliense, com marca da Biblioteca Nacional). marxists.org. Abrir ↗
- Octávio Brandão. Agrarismo e industrialismo (PDF da 2. ed., Anita Garibaldi, 2006). marxists.org. Abrir ↗
- Décio Azevedo Marques de Saes. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo (Novos Rumos, v. 52, n. 1, 2015). revistas.marilia.unesp.br. Abrir ↗