Estudos / História do Brasil / República de 1946 / Nereu Ramos

República de 1946PSDViés: garantia da posse de Juscelino
Nereu Ramos
Governou de 11/11/1955 a 31/01/1956
Senador do PSD e antigo interventor do Estado Novo em Santa Catarina, assumiu em 11 de novembro de 1955, depois que o movimento militar do general Lott derrubou Carlos Luz. Governou até a posse de Juscelino Kubitschek, em 31 de janeiro de 1956. Para Sodré, o 11 de novembro garantiu a continuidade do regime democrático contra os que queriam impedir a posse do eleito.
- Partido
- Partido Social Democrático (PSD)
- Como chegou
- como vice-presidente do Senado, era o seguinte na linha de sucessão quando o Congresso declarou Carlos Luz impedido, em 11 de novembro de 1955
- Como saiu
- transmitiu o cargo a Juscelino Kubitschek em 31 de janeiro de 1956
- Nascimento
- Lages (SC), 1888
- Morte
- Curitiba (PR), 1958
- Antes da presidência
- advogado; fundador do Partido Liberal Catarinense, governador (1935-1937) e interventor (1937-1945) em Santa Catarina, vice-presidente da República (1946-1951), presidente da Câmara (1951-1955) e senador pelo PSD
O governo em datas
Nereu Ramos, 1955–1956
- 11/11/1955Nereu Ramos assume a presidência depois da deposição de Carlos Luz.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 22/11/1955O Congresso aprova o impedimento de Café Filho e a Câmara confirma Nereu Ramos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 31/01/1956Posse de Juscelino Kubitschek.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
Do Partido Liberal Catarinense ao PSD
Nereu de Oliveira Ramos nasceu em Lages (SC), em 1888, e era advogado. Foi deputado estadual e fundou, em 1927, o Partido Liberal Catarinense, que presidiu até 1932. Eleito deputado federal em 1930, perdeu o mandato com a Revolução de 1930 e o fechamento do Congresso. Depois foi deputado constituinte em 1934 e governador de Santa Catarina, eleito pela Assembleia, de 1935 a 1937. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34)
Com o golpe de 1937, Nereu Ramos foi nomeado interventor federal em Santa Catarina, cargo que ocupou até o fim do Estado Novo, em 1945. Naquele ano, ajudou a fundar o Partido Social Democrático (PSD) no estado e se elegeu senador constituinte. Em 19 de setembro de 1946, a Assembleia o elegeu vice-presidente da República, e depois ele presidiu o PSD, a Câmara dos Deputados e, em 1955, chegou à vice-presidência do Senado. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34)
A crise de novembro de 1955
Juscelino Kubitschek, do PSD, venceu a eleição de 3 de outubro de 1955 com 35,7% dos votos dados aos candidatos, e as forças contrárias a ele passaram a tentar impedir a sua posse. Segundo nota do historiador Waldir Rampinelli, a UDN chegou a contestar a vitória com o argumento de que os votos comunistas, decisivos para o eleito, eram ilegais. Em 11 de novembro, o ministro da Guerra, general Henrique Lott, liderou o movimento que depôs o presidente interino, Carlos Luz, acusado de ligação com essa conspiração. No mesmo dia, o Congresso declarou Luz impedido, e Nereu Ramos assumiu a presidência, porque era o seguinte na linha de sucessão. (Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1955; Prestes, Nossa política; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 389; Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50, nota 2; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 33-34)
Café Filho, que tinha se afastado por doença em 3 de novembro, tentou voltar ao cargo. Em 22 de novembro, o Congresso aprovou o seu impedimento, e a Câmara confirmou Nereu Ramos na presidência até a posse de Juscelino. O Supremo Tribunal Federal confirmou o impedimento de Café Filho em dezembro. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 32 e 34)
Nereu Ramos passou o cargo a Juscelino em 31 de janeiro de 1956. Foi nomeado ministro da Justiça do novo governo, deixou o ministério em 1957 e voltou ao Senado. Ele morreu num acidente de avião em Curitiba, em 16 de junho de 1958. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 34-35)
Como os marxistas leram o 11 de novembro
Para Nelson Werneck Sodré, a eleição de Juscelino anunciava a continuidade do regime democrático, e as forças contrárias queriam impedir a posse a qualquer custo, com um regime de exceção a serviço do latifúndio e do imperialismo. Segundo ele, o Movimento de 11 de Novembro cortou essa saída e projetou o general Lott, que assumiu posições nacionalistas nos anos seguintes. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390)
Sodré afirma que, sem o 11 de novembro e a luta em defesa do regime, a sucessão de 1955 teria sido igual às anteriores. Para ele, o movimento alterou a qualidade do processo político e explica o caráter misto do governo instalado em janeiro de 1956, que resultou de uma composição entre velhas e novas forças políticas, unidas para enfrentar a ameaça às instituições que tinha levado Vargas ao suicídio. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 390)
Em julho de 1955, Luiz Carlos Prestes já tinha dito que o essencial era defender a Constituição, eleições livres e a posse dos eleitos, quaisquer que fossem, porque as forças mais reacionárias preparavam um golpe. Jacob Gorender lembra que Juscelino tomou posse com dificuldade e precisou do apoio do general Lott. (Prestes, Nossa política; Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50)
Nesta leitura
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
O Movimento de 11 de Novembro barrou o regime de exceção que as forças reacionárias buscavam e deu ao governo de Juscelino um caráter misto, de composição entre velhas e novas forças.
Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390Luiz Carlos Prestes
Era preciso defender a Constituição e a posse dos eleitos contra o golpe que as forças mais reacionárias preparavam.
Prestes, Nossa política
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- PSD e PTB, com o apoio do ministro da Guerra, general Lott, para garantir a posse de Juscelino (Arquivo Nacional, pp. 33-34; Sodré, p. 390)
Para estudar este governo
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: pp. 389-390.
GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002.
Ler grátis: Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50 ↗
PRESTES, Luiz Carlos. Nossa política (entrevista de julho de 1955). 1955.
De onde vem cada afirmação desta página (23)
- FatoEleito deputado federal pelo PLC em 1930, Nereu Ramos teve o mandato cassado em virtude da revolução e do fechamento do Congresso.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoCom a deposição de Carlos Luz, em 11 de novembro de 1955, Nereu Ramos assumiu a presidência, pois, como vice-presidente do Senado, era o seguinte na linha sucessória.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoO impedimento de Café Filho foi aprovado pelo Congresso em 22 de novembro de 1955 e confirmado pelo STF em dezembro.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 32
- FatoEm 22 de novembro, com o afastamento definitivo de Café Filho, a Câmara confirmou Nereu Ramos como presidente da República até a posse de Juscelino Kubitschek.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoNomeado ministro da Justiça em 1956, Nereu Ramos exonerou-se em 1957 e voltou ao Senado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoNa página de Carlos Luz, o Arquivo Nacional chama Nereu Ramos de presidente do Senado; na dele, de vice-presidente do Senado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 33-34
- FatoA eleição presidencial de 1955 foi marcada para 3 de outubro.Prestes, Nossa política
- FatoJuscelino tomou posse com dificuldade, pois precisou do apoio do ministro da Guerra, general Teixeira Lott.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- FatoNereu Ramos foi deputado à Assembleia Constituinte de 1934 e eleito indiretamente governador de Santa Catarina (1935-1937).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoCom o golpe de 1937, Nereu Ramos foi nomeado interventor federal em Santa Catarina, cargo que ocupou até o fim do Estado Novo, em 1945.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoJuscelino Kubitschek tomou posse em 31 de janeiro de 1956, após grave crise política.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 35
- FatoNa eleição de 1955, Juscelino Kubitschek teve 35,7% dos votos dados aos candidatos.Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1955, soma das UFs; cálculo nosso
- FatoEm 11 de novembro de 1955, o movimento político-militar liderado pelo general Lott, ministro da Guerra, depôs Carlos Luz, sob a alegação de que ele estaria ligado a conspiradores que queriam impedir a posse de Juscelino Kubitschek; o Congresso o considerou impedido no mesmo dia.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoNereu Ramos morreu num desastre aéreo em Curitiba, em 16 de junho de 1958.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoNereu de Oliveira Ramos, advogado, nasceu em Lages (SC), em 3 de setembro de 1888.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- FatoNereu Ramos foi deputado estadual (1911-1912 e 1919-1921) e fundador e primeiro presidente (1927-1932) do Partido Liberal Catarinense.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesEm julho de 1955, o essencial era defender a Constituição, eleições livres e a posse dos eleitos, porque as forças mais reacionárias preparavam um golpe.Prestes, Nossa política
- FatoEm 1945, Nereu Ramos foi um dos fundadores do PSD em Santa Catarina, legenda pela qual se elegeu senador constituinte.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- Interpretação · Nelson Werneck SodréSem o Movimento de 11 de Novembro e a luta em defesa do regime, a sucessão de 1955 teria tido as características das anteriores; o movimento alterou qualitativamente o processo e resultou no caráter misto do governo de janeiro de 1956, composição entre velhas e novas forças políticas unidas contra a ameaça às instituições que levara Vargas ao suicídio.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 390
- Interpretação · Nelson Werneck SodréAs forças contrárias ao regime queriam impedir a posse de Juscelino com um regime de exceção que desse liberdade de ação ao latifúndio e ao imperialismo; o Movimento de 11 de Novembro cortou essa saída e projetou o general Lott.Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390
- FatoUm dos motivos apresentados pela UDN para impugnar a vitória de Juscelino em 1955 foi a suposta ilegalidade dos votos comunistas.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50, nota 2, do entrevistador
- FatoEm 19 de setembro de 1946, Nereu Ramos foi eleito indiretamente vice-presidente da República (1946-1951); depois presidiu o PSD (1947-1949) e a Câmara dos Deputados (1951-1955), elegeu-se senador em 1954 e tornou-se vice-presidente do Senado em 1955.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 34
- Interpretação · Jacob GorenderJuscelino se elegeu com uma diferença de meio milhão de votos, que vieram do PCB.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Votação nominal por UF, eleições de 1955 (Portal de Dados Abertos do TSE; somas nossas). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. Nossa política (entrevista de julho de 1955). 1955. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002. Abrir ↗