Estudos / História do Brasil / República de 1946 / Carlos Luz

República de 1946PSDViés: interino derrubado pelo 11 de novembro
Carlos Luz
Governou de 08/11/1955 a 11/11/1955
Deputado do PSD e presidente da Câmara, assumiu em 8 de novembro de 1955, no lugar de Café Filho, afastado por doença. Três dias depois, foi deposto pelo movimento militar do general Lott, sob a acusação de ligação com os que queriam impedir a posse de Juscelino Kubitschek. Para Sodré, o 11 de novembro barrou a saída golpista do latifúndio e do imperialismo.
- Partido
- Partido Social Democrático (PSD)
- Como chegou
- como presidente da Câmara, substituto legal de Café Filho, afastado por doença
- Como saiu
- deposto em 11 de novembro de 1955 pelo movimento militar do general Lott e declarado impedido pelo Congresso no mesmo dia
- Nascimento
- Três Corações (MG), 1894
- Morte
- Rio de Janeiro (RJ), 1961
- Antes da presidência
- advogado; prefeito de Leopoldina (1923-1932), secretário de Estado em Minas Gerais, deputado federal (1935-1937 e 1947-1961), ministro da Justiça (1946) e presidente da Câmara
O governo em datas
Carlos Luz, 1955
- 03/10/1955Juscelino Kubitschek vence a eleição presidencial.Luiz Carlos Prestes, Nossa política
- 08/11/1955Carlos Luz assume a presidência.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 11/11/1955O movimento do general Lott depõe Carlos Luz; o Congresso o declara impedido.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
Um político mineiro do PSD
Carlos Coimbra da Luz nasceu em Três Corações (MG), em 1894, e era advogado. Foi vereador e prefeito de Leopoldina, secretário de Estado em Minas Gerais e deputado federal de 1935 a 1937, pelo Partido Progressista mineiro. Durante o Estado Novo, presidiu a Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro. Em 1945, elegeu-se deputado constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD), mas foi nomeado ministro da Justiça e só depois assumiu o mandato, renovado nas eleições seguintes até 1961. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33)
A eleição de 1955
Em 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek, da coligação do PSD com o PTB, venceu a eleição presidencial com 3.077.411 votos, 35,7% dos votos dados aos candidatos. Juarez Távora, da UDN, teve 30,3%, Ademar de Barros, do PSP, 25,8%, e Plínio Salgado, chefe integralista, 8,3%. Para vice, João Goulart, do PTB, teve 44,2% dos votos. (Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1955; Prestes, Nossa política; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 28 e 35)
O PCB apoiou Juscelino, e Jacob Gorender acredita que vieram dos comunistas os cerca de meio milhão de votos de vantagem do eleito. Segundo nota do historiador Waldir Rampinelli à entrevista de Gorender, a UDN chegou a contestar a vitória alegando que os votos comunistas eram ilegais. Na mesma nota, ele lembra que Carlos Lacerda dizia na televisão que Juscelino não seria candidato e, se fosse, não seria eleito, não tomaria posse e não governaria. (Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50, nota 2)
Três dias no Catete
A Constituição de 1946 mandava que o presidente da Câmara assumisse a presidência da República na falta do presidente e do vice. Café Filho se afastou por doença em 3 de novembro de 1955, e Carlos Luz, então presidente da Câmara, assumiu o governo em 8 de novembro como o seu substituto legal. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 32-33)
Em 11 de novembro, um movimento político-militar liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Lott, depôs Carlos Luz, sob a alegação de que ele estava ligado aos conspiradores que queriam impedir a posse de Juscelino. Luz se refugiou no cruzador Tamandaré, de onde tentou organizar a resistência, mas no mesmo dia o Congresso o declarou impedido e o substituiu por Nereu Ramos. Na legenda de uma foto do episódio, o Arquivo Nacional o chama de golpe da legalidade. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33)
Depois da deposição, Carlos Luz voltou à Câmara dos Deputados, onde ficou até o fim da vida. Ele morreu no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1961. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33)
Como os marxistas leram o 11 de novembro
Para Nelson Werneck Sodré, a eleição de Juscelino anunciava a continuidade do regime democrático, e as forças contrárias buscavam impedir a posse a qualquer custo, com um regime de exceção que desse ao latifúndio e ao imperialismo toda a liberdade de ação. Segundo ele, o Movimento de 11 de Novembro cortou essa saída desesperada e projetou o general Lott, cuja posição nacionalista cresceu nos anos seguintes. Sodré afirma ainda que o movimento mudou o conteúdo do governo cuja posse garantiu. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390)
Em julho de 1955, Luiz Carlos Prestes já advertia que as forças mais reacionárias preparavam um golpe enquanto disputavam a eleição. Ele defendia que o essencial era garantir a Constituição, eleições livres e a posse dos eleitos, quaisquer que fossem. Jacob Gorender resume que Juscelino tomou posse com dificuldade, porque precisou do apoio do ministro da Guerra, o general Lott. (Prestes, Nossa política; Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50)
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
O Movimento de 11 de Novembro cortou a saída golpista das forças que queriam um regime de exceção a serviço do latifúndio e do imperialismo e mudou o conteúdo do governo de Juscelino.
Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390Luiz Carlos Prestes
As forças mais reacionárias preparavam um golpe; era preciso defender a Constituição e a posse dos eleitos.
Prestes, Nossa políticaJacob Gorender
Juscelino tomou posse com dificuldade, apoiado pelo general Lott; os votos comunistas decidiram a sua vitória.
Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- setores da UDN e militares acusados de conspirar contra a posse de Juscelino, segundo o movimento de 11 de novembro (Arquivo Nacional, p. 33; Sodré, pp. 389-390)
Para estudar este governo
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: pp. 389-390.
GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002.
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PRESTES, Luiz Carlos. Nossa política (entrevista de julho de 1955). 1955.
De onde vem cada afirmação desta página (24)
- FatoCafé Filho afastou-se temporariamente em 3 de novembro de 1955, por um distúrbio cardiovascular.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 32
- FatoCarlos Luz presidiu a Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro de 1939 a 1946.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoCarlos Luz foi vereador em Leopoldina e prefeito da cidade (1923-1932), secretário de Agricultura, Viação e Obras Públicas (1932-1933) e do Interior (1933-1935) de Minas Gerais e deputado federal (1935-1937) pelo Partido Progressista mineiro.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoEm 11 de novembro de 1955, o movimento político-militar liderado pelo general Lott, ministro da Guerra, depôs Carlos Luz, sob a alegação de que ele estaria ligado a conspiradores que queriam impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoA eleição presidencial de 1955 foi marcada para 3 de outubro.Prestes, Nossa política
- FatoJuscelino tomou posse com dificuldade, pois necessitou do apoio do ministro da Guerra, general Teixeira Lott.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- Interpretação · Jacob GorenderJuscelino se elegeu com uma diferença de meio milhão de votos, que vieram do PCB.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- FatoJuscelino concorreu pela coligação PSD-PTB, tendo como vice João Goulart.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 35
- FatoCarlos Lacerda afirmou na televisão que Juscelino não seria candidato, que se fosse candidato não seria eleito, que se eleito não tomaria posse e que, empossado, não governaria.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50, nota 2, do entrevistador
- FatoUma legenda de foto do Arquivo Nacional chama o episódio de golpe da legalidade.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoCarlos Luz morreu no Rio de Janeiro, em 9 de fevereiro de 1961.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoCarlos Coimbra da Luz, advogado, nasceu em Três Corações (MG), em 4 de agosto de 1894.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoEm 1955, o PCB resolveu apoiar Juscelino Kubitschek.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50
- FatoA Ação Integralista Brasileira era liderada por Plínio Salgado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- FatoComo presidente da Câmara, Carlos Luz assumiu interinamente a presidência em 8 de novembro de 1955, como substituto legal de Café Filho, afastado do governo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesEm julho de 1955, as forças mais reacionárias disputavam a eleição e ao mesmo tempo preparavam o golpe; o essencial era defender a Constituição, eleições livres e a posse dos eleitos.Prestes, Nossa política
- FatoEleito deputado constituinte pelo PSD em 1945, Carlos Luz não tomou posse porque foi nomeado ministro da Justiça (1946); depois reassumiu o mandato e reelegeu-se deputado pelo PSD nas legislaturas seguintes (1947-1961).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoDe acordo com a Constituição de 1946, o presidente da Câmara exerceria a presidência da República na ausência do titular e do vice-presidente.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- Interpretação · Nelson Werneck SodréO Movimento de 11 de Novembro cortou a saída desesperada das forças reacionárias, projetou o general Lott, cuja posição nacionalista cresceu, e alterou o conteúdo do governo cuja posse assegurou.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 390
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA eleição de Juscelino anunciava a continuidade do regime democrático, e as forças contrárias queriam impedir a posse a qualquer custo, com um regime de exceção que desse ao latifúndio e ao imperialismo liberdade completa de ação.Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 389-390
- FatoCarlos Luz refugiou-se no cruzador Tamandaré, de onde tentou organizar a resistência; no mesmo dia, o Congresso o considerou impedido e o substituiu por Nereu Ramos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 33
- FatoUm dos motivos apresentados pela UDN para impugnar a vitória de Juscelino em 1955 foi a suposta ilegalidade dos votos comunistas.Gorender, Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50, nota 2, do entrevistador
- FatoPara vice-presidente, em 1955, João Goulart (PTB) teve 3.591.409 votos, 44,2% dos votos dados aos candidatos a vice.Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1955, soma das UFs; cálculo nosso
- FatoNa eleição de 1955, Juscelino Kubitschek (PSD, em coligação com PTB e PST) teve 3.077.411 votos, 35,7% dos votos dados aos candidatos; Juarez Távora (UDN), 30,3%; Ademar de Barros (PSP), 25,8%; Plínio Salgado (PRP), 8,3%.Tribunal Superior Eleitoral, Votação nominal por UF, eleições de 1955, soma das UFs; cálculo nosso
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Votação nominal por UF, eleições de 1955 (Portal de Dados Abertos do TSE; somas nossas). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. Nossa política (entrevista de julho de 1955). 1955. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Entrevista sobre o PCB e sua atuação nos anos 50. 2002. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- Luiz Carlos Prestes. Nossa política: Prestes fala à nação (Problemas, n. 68, julho de 1955). marxists.org. Abrir ↗