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Estudos / História do Brasil / Nova República / Luiz Inácio Lula da Silva

Retrato oficial de Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Ricardo Stuckert/PR, 2023. CC BY 2.0. Wikimedia Commons ↗

Nova RepúblicaPTViés: frente ampla com austeridade fiscal

Luiz Inácio Lula da Silva

Governou desde 01/01/2023

Eleito em 2022, Lula enfrentou o ataque às sedes dos Três Poderes uma semana após a posse. O governo recriou o Bolsa Família, retomou a valorização do salário mínimo, aprovou o arcabouço fiscal e isentou do imposto de renda quem ganha até 5 mil reais, e em 2026 o Congresso aprovou a jornada de 40 horas. Valerio Arcary o define como governo de frente ampla, e Ricardo Araujo vê no arcabouço a volta da austeridade.

Partido
Partido dos Trabalhadores (PT)
Como chegou
eleito no segundo turno de 30 de outubro de 2022, com 60.345.999 votos, 50,90% dos válidos, contra Jair Bolsonaro
Nascimento
Garanhuns (PE), 1945
Antes da presidência
presidente da República de 2003 a 2010; preso em 2018 e solto em 2019, teve as condenações anuladas pelo STF em 2021

O governo em datas

Luiz Inácio Lula da Silva, 2023–hoje

  1. 01/01/2023Lula toma posse pela terceira vez.Arquivo Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva
  2. 08/01/2023Ataque às sedes dos Três Poderes e intervenção federal no Distrito Federal.Presidência da República, Decreto nº 11.377, de 8 de janeiro de 2023
  3. 19/06/2023Lei nº 14.601 recria o Bolsa Família.Congresso Nacional, Lei nº 14.601, de 19 de junho de 2023
  4. 28/08/2023Lei nº 14.663 cria a valorização permanente do salário mínimo.Congresso Nacional, Lei nº 14.663, de 28 de agosto de 2023
  5. 30/08/2023Lei Complementar nº 200, o arcabouço fiscal.Congresso Nacional, Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023
  6. 20/12/2023Emenda nº 132, a reforma tributária.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023
  7. 26/11/2025Lei nº 15.270 isenta do imposto de renda quem ganha até 5 mil reais.Congresso Nacional, Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025
  8. 16/10/2026Emenda nº 141 prevê a redução gradual da jornada para 40 horas semanais.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

A volta em 2022

Lula foi preso em 2018 e solto em 2019, e em 2021 o Supremo Tribunal Federal anulou as suas condenações, reconhecendo a incompetência da vara que o julgou e a parcialidade do juiz. Ele voltou a disputar a Presidência em 2022, com uma ampla coalizão. No primeiro turno teve 48,43% dos votos válidos, contra 43,20% de Jair Bolsonaro, e em 30 de outubro venceu o segundo com 60.345.999 votos, ou 50,90%, e se tornou o primeiro brasileiro a exercer três mandatos presidenciais. (Arquivo Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos)

Antes da posse, a Emenda Constitucional nº 126, de dezembro de 2022, ampliou em 145 bilhões de reais o limite de gastos de 2023 e mandou o presidente enviar ao Congresso, até 31 de agosto de 2023, um projeto de regime fiscal sustentável. A Emenda nº 111, de 2021, já tinha fixado que o eleito em 2022 tomaria posse em 1º de janeiro de 2023 e governaria até a posse do sucessor, em 5 de janeiro de 2027. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 126, de 21 de dezembro de 2022, arts. 3º e 6º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, art. 4º)

O 8 de janeiro

Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. No mesmo dia, o Decreto nº 11.377 pôs a segurança pública do Distrito Federal sob intervenção federal até 31 de janeiro, para pôr fim a atos de violência e à invasão de prédios públicos, e nomeou interventor Ricardo Garcia Cappelli. Valerio Arcary chamou o ataque de semi-insurreição e defendeu a punição exemplar dos envolvidos, inclusive de Bolsonaro e dos militares de alta patente, sem anistia. (Arquivo Nacional, Jair Messias Bolsonaro; Presidência da República, Decreto nº 11.377, de 8 de janeiro de 2023, arts. 1º e 2º; Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, p. 2)

Bolsa Família, salário mínimo e arcabouço

A Lei nº 14.601, de junho de 2023, recriou o Bolsa Família, com 142 reais por pessoa da família, um complemento para que nenhuma família receba menos de 600 reais e mais 150 reais por criança de até 7 anos incompletos. A Lei nº 14.663, de agosto de 2023, criou uma política permanente de valorização do salário mínimo, que soma a inflação do ano anterior ao crescimento real do PIB de dois anos antes. Em julho de 2023, a Lei nº 14.611 tratou da igualdade salarial entre mulheres e homens. (Congresso Nacional, Lei nº 14.601, de 19 de junho de 2023, art. 7º; Congresso Nacional, Lei nº 14.663, de 28 de agosto de 2023, art. 3º; Congresso Nacional, Lei nº 14.611, de 3 de julho de 2023, art. 1º)

A Lei Complementar nº 200, de agosto de 2023, conhecida como arcabouço fiscal, trocou o teto de gastos por um limite que cresce 70% do aumento real da receita, ou 50% se a meta de resultado não for cumprida. Esse crescimento real fica sempre entre 0,6% e 2,5% ao ano, e o investimento previsto no orçamento não pode ficar abaixo de 0,6% do PIB. A Emenda nº 126 já previa a revogação dos artigos do teto de gastos com a sanção dessa lei. (Congresso Nacional, Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023, arts. 5º e 10; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 126, de 21 de dezembro de 2022, art. 9º)

A reforma tributária, Emenda nº 132, de dezembro de 2023, previu um imposto sobre bens e serviços compartilhado por estados e municípios e uma contribuição federal sobre bens e serviços, a serem criados por lei complementar. A Lei nº 15.270, de novembro de 2025, zerou a partir de 2026 o imposto de renda de quem ganha até 5 mil reais por mês e criou uma tributação mínima para quem recebe mais de 600 mil reais por ano. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023, art. 1º; Congresso Nacional, Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025, arts. 2º e 8º)

A jornada de 40 horas

Em 16 de outubro de 2026, as Mesas da Câmara e do Senado promulgaram a Emenda Constitucional nº 141, que fixou o limite de 40 horas semanais de trabalho, a ser alcançado em etapas, e dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução de salário. A jornada máxima cai para 42 horas dois meses depois da publicação e para 40 horas um ano depois disso. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, arts. 1º, 2º e 6º)

Pablo Bandeira, da coordenação nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), escreveu que o governo conseguiu pôr em votação no Senado, durante a campanha do segundo turno, a proposta que acabou com a escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de folga, e chamou a emenda de maior conquista de direitos desde a Constituição de 1988. Em 2016, Armando Boito tinha registrado que a redução da jornada para 40 horas era uma demanda histórica do sindicalismo ignorada pelos governos do PT. (Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos; Boito Jr., A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia, p. 160)

Como os marxistas leem o governo

Ricardo Souza Araujo, que usa a teoria marxista da dependência, vê no arcabouço a volta da austeridade fiscal das décadas anteriores, com risco aos pisos constitucionais de gasto em saúde e educação. Ele cita Elaine Behring, para quem a regra foi uma rendição precoce às pressões da burguesia, mais flexível que o teto de Temer, mas com a mesma lógica de ajuste. Para Araujo, esse ajuste aprofunda a superexploração da força de trabalho, isto é, o pagamento do trabalho abaixo do seu valor, típico do capitalismo dependente. (Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 594 e 603)

Araujo afirma que o pacote de novembro de 2024 limitou o aumento real do salário mínimo a 2,5% ao ano e dificultou o acesso ao abono salarial, e pergunta até que ponto vale conciliar com o rentismo em nome de uma frente ampla. Para ele, a austeridade aplicada por governos que se dizem progressistas abre caminho para a extrema direita. (Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 603-606)

Valerio Arcary, num livro de textos escritos em 2023 e 2024, define o governo como de frente ampla, com a participação de segmentos da burguesia, segundo a resenha de Pedro Felipe Narciso. Para ele, a correlação política de forças se inverteu em 2022, mas a correlação social pouco mudou, e só a mobilização popular poderia alterá-la. (Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 2-3)

Em março de 2026, Arcary escreveu que a reeleição de Lula estava indefinida, embora os indicadores econômicos fossem favoráveis. Para ele, a implantação social, política, cultural e ideológica da extrema direita era incontroversa, e o país seguia fraturado apesar da condenação de Bolsonaro e das mobilizações contra a anistia em 2025. (Arcary, Reeleição de Lula não está definida)

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita
Bloco no poder
frente ampla com participação de segmentos da burguesia (Arcary, segundo Narciso, 2026, p. 3); [a pesquisar]
Relação com os trabalhadores
conciliação, concessão, ampliação de direitos

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (31)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Luiz Inácio Lula da Silva (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  2. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  3. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 126, de 21 de dezembro de 2022 (transição da Presidência e orçamento de 2023). planalto.gov.br, 21/12/2022. Abrir ↗
  4. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021 (data da posse do presidente, entre outros temas). planalto.gov.br, 28/09/2021. Abrir ↗
  5. Arquivo Nacional. Jair Messias Bolsonaro (biografia, Centro de Referência de Acervos Privados Presidenciais). presidentes.an.gov.br. Abrir ↗
  6. Presidência da República. Decreto nº 11.377, de 8 de janeiro de 2023 (intervenção federal no Distrito Federal). planalto.gov.br, 08/01/2023. Abrir ↗
  7. NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Abrir ↗
  8. Congresso Nacional. Lei nº 14.601, de 19 de junho de 2023 (institui o Programa Bolsa Família). planalto.gov.br, 19/06/2023. Abrir ↗
  9. Congresso Nacional. Lei nº 14.663, de 28 de agosto de 2023 (valorização permanente do salário mínimo). planalto.gov.br, 28/08/2023. Abrir ↗
  10. Congresso Nacional. Lei nº 14.611, de 3 de julho de 2023 (igualdade salarial entre mulheres e homens). planalto.gov.br, 03/07/2023. Abrir ↗
  11. Congresso Nacional. Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023 (regime fiscal sustentável). planalto.gov.br, 30/08/2023. Abrir ↗
  12. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 132, de 20 de dezembro de 2023 (reforma tributária). planalto.gov.br, 20/12/2023. Abrir ↗
  13. Congresso Nacional. Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 (redução do imposto de renda e tributação mínima das altas rendas). planalto.gov.br, 26/11/2025. Abrir ↗
  14. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026 (duração do trabalho e repouso semanal). planalto.gov.br, 16/10/2026. Abrir ↗
  15. Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD. Lula 4, com mais democracia e direitos (Brasil de Fato, 30/10/2026). brasildefato.com.br, 30/10/2026. Abrir ↗
  16. BOITO JR., Armando. A crise política do neodesenvolvimentismo e a instabilidade da democracia. Crítica Marxista, n. 42, pp. 155-162, 2016. Abrir ↗
  17. ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Abrir ↗
  18. ARCARY, Valerio. Reeleição de Lula não está definida. São Paulo: Brasil de Fato, 31 de março de 2026 (coluna), 2026. Abrir ↗