Estudos / História do Brasil / Nova República / Luiz Inácio Lula da Silva

Nova RepúblicaPT
Luiz Inácio Lula da Silva
Eleito em 25/10/2026, com posse marcada para 05/01/2027
Lula foi reeleito em 25 de outubro de 2026, com 51,79% dos votos válidos, contra Flávio Bolsonaro, depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar. Pela Emenda Constitucional nº 111, o quarto mandato dele começa em 5 de janeiro de 2027. Para Nina Fideles, do Brasil de Fato, a virada veio da mobilização popular, e Valerio Arcary via em março uma extrema direita implantada no país.
- Partido
- Partido dos Trabalhadores (PT)
- Vice
- Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho
- Como chegou
- reeleito no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra Flávio Bolsonaro, depois de terminar o primeiro turno com 45,16%, atrás dele
- Nascimento
- Garanhuns (PE), 1945
- Antes da presidência
- presidente da República de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026
O governo em datas
Luiz Inácio Lula da Silva, posse em 05/01/2027
- 04/10/2026Primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos
- 25/10/2026Lula é reeleito no segundo turno.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos
- 05/01/2027Posse prevista do novo mandato.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021
Para entender o governo
O primeiro turno
No primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro teve 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição com Geraldo Alckmin de vice, teve 53.879.538, ou 45,16%. Augusto Cury, com 2,89%, Renan Santos, com 2,24%, e Ronaldo Caiado, com 2,18%, vieram em seguida, e nenhum dos outros sete candidatos chegou a 1%. A abstenção foi de 21,08% do eleitorado. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno)
A virada no segundo turno
No segundo turno, em 25 de outubro, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro, que tinha Alfredo Gaspar de Mendonça Neto de vice. A diferença foi de 4.430.191 votos, e o comparecimento subiu de 78,92% para 80,78% do eleitorado entre os dois turnos. O relatório de totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz esses números como resultado sujeito a modificações. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 2º turno)
Pelas somas do próprio relatório, Lula ganhou 10.376.694 votos entre os turnos, e o adversário, 3.721.538. A votação superou a das vitórias anteriores de Lula, de cerca de 53 milhões em 2002, 58.295.042 em 2006 e 60.345.999 em 2022. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos)
Para a jornalista Nina Fideles, do Brasil de Fato, foi a primeira vez que um candidato a presidente venceu depois de terminar o primeiro turno em desvantagem. Ela atribui a virada à mobilização social em torno de pautas da classe trabalhadora, com 21 dias de manifestações que começaram entre estudantes da Universidade Federal Fluminense dois dias depois do primeiro turno e chegaram a mais de 40 universidades. Para ela, o resultado mostra que o país continua dividido em dois projetos opostos. (Nina Fideles, Nunca antes na história desse país)
O mandato que começa em 2027
A Emenda Constitucional nº 111, de 2021, mudou a data da posse a partir da eleição de 2026, e o mandato do presidente passa a começar em 5 de janeiro do ano seguinte ao da eleição. Por isso, o mandato atual de Lula vai até 5 de janeiro de 2027, e o novo começa nesse dia. Será o quarto mandato dele, depois de 2003, 2007 e 2023. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, arts. 1º, 4º e 5º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60)
A campanha do segundo turno coincidiu com a promulgação da Emenda nº 141, em 16 de outubro de 2026, que fixou a jornada máxima de 40 horas semanais, a ser alcançada em etapas, e dois dias de repouso semanal. Desde janeiro de 2026 também valia a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, arts. 1º e 6º; Congresso Nacional, Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025, arts. 2º e 8º)
Leituras do resultado
Pablo Bandeira, da coordenação nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), escreveu que o governo conseguiu pôr em votação no Senado, durante a campanha, a emenda que acabou com a escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de folga. Para ele, a vitória abre um novo ciclo de possibilidades para a classe trabalhadora, mas a pressão de economistas ligados ao mercado financeiro por um ajuste fiscal será grande, e só a mobilização de massas e a organização de base podem garantir os interesses da maioria. (Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos)
Em março de 2026, Valerio Arcary, professor do Instituto Federal de São Paulo e militante da corrente Resistência, do PSOL, considerava a reeleição indefinida, apesar de indicadores econômicos favoráveis. Para ele, a extrema direita tinha se implantado de forma social, política, cultural e ideológica, e o país seguia fraturado mesmo depois da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Num livro de 2024, resenhado por Pedro Felipe Narciso, Arcary expunha e justificava a linha do PSOL de apoiar sem condições o governo Lula contra o neofascismo, sem participar dele. (Arcary, Reeleição de Lula não está definida; Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, p. 3)
Ricardo Souza Araujo, que estudou o arcabouço fiscal com a teoria marxista da dependência, registrou em 2025 que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, previa um grande ajuste fiscal depois das eleições de 2026. Para ele, a austeridade aplicada por governos que se dizem progressistas abre caminho para a extrema direita. (Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 603 e 606)
O que dizem os historiadores marxistas
Valerio Arcary
A reeleição era incerta porque a extrema direita está implantada na sociedade, apesar dos bons indicadores econômicos.
Arcary, Reeleição de Lula não está definidaValerio Arcary, segundo Pedro Felipe Narciso
A esquerda deve apoiar o governo Lula contra o neofascismo sem participar dele, e só a mobilização muda a correlação social de forças.
Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, pp. 2-3Nina Fideles
A virada no segundo turno veio da mobilização social em torno de pautas da classe trabalhadora.
Nina Fideles, Nunca antes na história desse paísPablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD
A vitória abre um novo ciclo para a classe trabalhadora, que depende da mobilização de massas diante da pressão por ajuste fiscal.
Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
Para estudar este governo
ARCARY, Valerio. Reeleição de Lula não está definida. São Paulo: Brasil de Fato, 31 de março de 2026 (coluna), 2026.
ARCARY, Valerio. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo. 2024. Onde ler: não lido; conteúdo pela resenha de Narciso, 2026.
NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Onde ler: pp. 2-3.
ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Onde ler: pp. 603-606.
Ler grátis: Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula ↗
De onde vem cada afirmação desta página (22)
- FatoLula foi eleito em 2002 com cerca de 53 milhões de votos e reeleito em 2006 com 58.295.042.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60
- FatoEm 2022, Lula foi eleito com 60.345.999 votos no segundo turno.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos
- Interpretação · Ricardo Souza AraujoA austeridade aplicada por governos supostamente progressistas abre caminho para o fortalecimento da extrema direita.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 606
- Interpretação · Valerio ArcaryEm março de 2026, a reeleição de Lula não estava definida, apesar de indicadores econômicos positivos, porque a implantação social, política, cultural e ideológica da extrema direita era incontroversa e o país seguia fraturado mesmo depois da condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe.Arcary, Reeleição de Lula não está definida
- Interpretação · Valerio Arcary, segundo Pedro Felipe NarcisoA correlação social de forças pouco mudou desde 2016, e para alterá-la é preciso confiar na mobilização popular.Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, p. 2
- Interpretação · Valerio Arcary, segundo Pedro Felipe NarcisoA linha que orienta o PSOL, cujas razões o livro expõe e justifica, é apoiar incondicionalmente o governo Lula na luta contra o neofascismo, sem participar do governo.Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, p. 3
- FatoValerio Arcary é professor titular no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e militante da Resistência, corrente do PSOL, segundo a apresentação da coluna.Arcary, Reeleição de Lula não está definida
- Interpretação · Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTDA vitória eleitoral de Lula abre um novo ciclo de possibilidades para a classe trabalhadora, mas a pressão pela adoção de medidas impopulares será grande, como mostram os economistas alinhados ao mercado financeiro, e só a capacidade de mobilização de massas e de organização de base poderá moldar o futuro de acordo com os interesses da maioria.Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos
- Interpretação · Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTDO governo conseguiu pautar no Senado, durante a campanha de segundo turno, a votação da PEC que pôs fim à escala 6x1.Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos
- FatoA Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, fixou a duração do trabalho em até 40 horas semanais, alcançada em etapas, e o repouso semanal remunerado de 2 dias.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, arts. 1º e 6º
- Interpretação · Nina FidelesAinda existem dois Brasis, com uma sólida polarização entre dois projetos distintos.Nina Fideles, Nunca antes na história desse país
- Interpretação · Nina FidelesNunca antes na história do Brasil um presidente ganhou uma eleição revertendo a desvantagem do primeiro turno.Nina Fideles, Nunca antes na história desse país
- Interpretação · Nina FidelesA vitória foi garantida pela mobilização social em torno de pautas caras à classe trabalhadora, com 21 dias de manifestações, a primeira delas puxada por estudantes da Universidade Federal Fluminense dois dias depois do primeiro turno, que se espalharam por mais de 40 universidades em dez estados.Nina Fideles, Nunca antes na história desse país
- FatoA redução do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2026.Congresso Nacional, Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025, arts. 2º e 8º
- FatoA Emenda Constitucional nº 111, de 2021, deu ao art. 82 da Constituição a redação segundo a qual o mandato do presidente começa em 5 de janeiro do ano seguinte ao da eleição, aplicável a partir das eleições de 2026, e estendeu o mandato do eleito em 2022 até a posse do sucessor, em 5 de janeiro de 2027.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, arts. 1º, 4º e 5º
- FatoPelas somas do relatório do TSE, a diferença no segundo turno foi de 4.430.191 votos, Lula ganhou 10.376.694 votos entre os turnos e Flávio Bolsonaro, 3.721.538 (cálculo nosso).Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos
- FatoNo primeiro turno de 4 de outubro de 2026, Flávio Nantes Bolsonaro teve 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, com Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho de vice, teve 53.879.538, 45,16%; os dois foram ao segundo turno.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno, resultado de votação
- FatoNo primeiro turno de 2026, o comparecimento foi de 78,92% e a abstenção, de 21,08% do eleitorado apto.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno, resumo geral
- FatoNo primeiro turno de 2026, Augusto Jorge Cury teve 2,89% dos votos válidos, Renan Antonio Ferreira dos Santos, 2,24%, Ronaldo Ramos Caiado, 2,18%, e os outros sete candidatos ficaram abaixo de 1%.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno, resultado de votação
- FatoNo segundo turno de 25 de outubro de 2026, Lula foi eleito com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Nantes Bolsonaro, 48,21%, que tinha Alfredo Gaspar de Mendonça Neto como vice.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 2º turno, resultado de votação
- FatoNo segundo turno de 2026, o comparecimento foi de 80,78% do eleitorado apto, e o relatório registra o resultado como sujeito a modificações.Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 2º turno, resumo geral
- FatoA ministra do Planejamento, Simone Tebet, previu um grande ajuste fiscal na janela de oportunidade de novembro de 2026, depois das eleições, segundo entrevista ao Valor citada por Araujo.Araujo, Arcabouço fiscal, p. 603
Fontes desta página
- Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- Nina Fideles. Nunca antes na história desse país (Brasil de Fato, 26/10/2026). brasildefato.com.br, 26/10/2026. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021 (data da posse do presidente, entre outros temas). planalto.gov.br, 28/09/2021. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026 (duração do trabalho e repouso semanal). planalto.gov.br, 16/10/2026. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 (redução do imposto de renda e tributação mínima das altas rendas). planalto.gov.br, 26/11/2025. Abrir ↗
- Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD. Lula 4, com mais democracia e direitos (Brasil de Fato, 30/10/2026). brasildefato.com.br, 30/10/2026. Abrir ↗
- ARCARY, Valerio. Reeleição de Lula não está definida. São Paulo: Brasil de Fato, 31 de março de 2026 (coluna), 2026. Abrir ↗
- NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Abrir ↗
- ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Abrir ↗