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Estudos / História do Brasil / Nova República / Luiz Inácio Lula da Silva

Retrato oficial de Luiz Inácio Lula da Silva
Foto: Ricardo Stuckert/PR, 2023. CC BY 2.0. Wikimedia Commons ↗

Nova RepúblicaPT

Luiz Inácio Lula da Silva

Eleito em 25/10/2026, com posse marcada para 05/01/2027

Lula foi reeleito em 25 de outubro de 2026, com 51,79% dos votos válidos, contra Flávio Bolsonaro, depois de terminar o primeiro turno em segundo lugar. Pela Emenda Constitucional nº 111, o quarto mandato dele começa em 5 de janeiro de 2027. Para Nina Fideles, do Brasil de Fato, a virada veio da mobilização popular, e Valerio Arcary via em março uma extrema direita implantada no país.

Partido
Partido dos Trabalhadores (PT)
Vice
Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho
Como chegou
reeleito no segundo turno de 25 de outubro de 2026, com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra Flávio Bolsonaro, depois de terminar o primeiro turno com 45,16%, atrás dele
Nascimento
Garanhuns (PE), 1945
Antes da presidência
presidente da República de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026

Para entender o governo

O primeiro turno

No primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro teve 56.104.503 votos, ou 47,03% dos válidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição com Geraldo Alckmin de vice, teve 53.879.538, ou 45,16%. Augusto Cury, com 2,89%, Renan Santos, com 2,24%, e Ronaldo Caiado, com 2,18%, vieram em seguida, e nenhum dos outros sete candidatos chegou a 1%. A abstenção foi de 21,08% do eleitorado. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 1º turno)

A virada no segundo turno

No segundo turno, em 25 de outubro, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro, que tinha Alfredo Gaspar de Mendonça Neto de vice. A diferença foi de 4.430.191 votos, e o comparecimento subiu de 78,92% para 80,78% do eleitorado entre os dois turnos. O relatório de totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) traz esses números como resultado sujeito a modificações. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos, 2º turno)

Pelas somas do próprio relatório, Lula ganhou 10.376.694 votos entre os turnos, e o adversário, 3.721.538. A votação superou a das vitórias anteriores de Lula, de cerca de 53 milhões em 2002, 58.295.042 em 2006 e 60.345.999 em 2022. (Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60; Tribunal Superior Eleitoral, Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos)

Para a jornalista Nina Fideles, do Brasil de Fato, foi a primeira vez que um candidato a presidente venceu depois de terminar o primeiro turno em desvantagem. Ela atribui a virada à mobilização social em torno de pautas da classe trabalhadora, com 21 dias de manifestações que começaram entre estudantes da Universidade Federal Fluminense dois dias depois do primeiro turno e chegaram a mais de 40 universidades. Para ela, o resultado mostra que o país continua dividido em dois projetos opostos. (Nina Fideles, Nunca antes na história desse país)

O mandato que começa em 2027

A Emenda Constitucional nº 111, de 2021, mudou a data da posse a partir da eleição de 2026, e o mandato do presidente passa a começar em 5 de janeiro do ano seguinte ao da eleição. Por isso, o mandato atual de Lula vai até 5 de janeiro de 2027, e o novo começa nesse dia. Será o quarto mandato dele, depois de 2003, 2007 e 2023. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021, arts. 1º, 4º e 5º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 59-60)

A campanha do segundo turno coincidiu com a promulgação da Emenda nº 141, em 16 de outubro de 2026, que fixou a jornada máxima de 40 horas semanais, a ser alcançada em etapas, e dois dias de repouso semanal. Desde janeiro de 2026 também valia a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais por mês. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026, arts. 1º e 6º; Congresso Nacional, Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025, arts. 2º e 8º)

Leituras do resultado

Pablo Bandeira, da coordenação nacional do Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), escreveu que o governo conseguiu pôr em votação no Senado, durante a campanha, a emenda que acabou com a escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de folga. Para ele, a vitória abre um novo ciclo de possibilidades para a classe trabalhadora, mas a pressão de economistas ligados ao mercado financeiro por um ajuste fiscal será grande, e só a mobilização de massas e a organização de base podem garantir os interesses da maioria. (Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD, Lula 4, com mais democracia e direitos)

Em março de 2026, Valerio Arcary, professor do Instituto Federal de São Paulo e militante da corrente Resistência, do PSOL, considerava a reeleição indefinida, apesar de indicadores econômicos favoráveis. Para ele, a extrema direita tinha se implantado de forma social, política, cultural e ideológica, e o país seguia fraturado mesmo depois da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Num livro de 2024, resenhado por Pedro Felipe Narciso, Arcary expunha e justificava a linha do PSOL de apoiar sem condições o governo Lula contra o neofascismo, sem participar dele. (Arcary, Reeleição de Lula não está definida; Narciso, A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo, p. 3)

Ricardo Souza Araujo, que estudou o arcabouço fiscal com a teoria marxista da dependência, registrou em 2025 que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, previa um grande ajuste fiscal depois das eleições de 2026. Para ele, a austeridade aplicada por governos que se dizem progressistas abre caminho para a extrema direita. (Araujo, Arcabouço fiscal, pp. 603 e 606)

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
democracia liberal restrita

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (22)

Fontes desta página

  1. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2026, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  2. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  3. Tribunal Superior Eleitoral. Relatório Resultado da Totalização da eleição presidencial de 2022, 1º e 2º turnos (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
  4. Nina Fideles. Nunca antes na história desse país (Brasil de Fato, 26/10/2026). brasildefato.com.br, 26/10/2026. Abrir ↗
  5. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 111, de 28 de setembro de 2021 (data da posse do presidente, entre outros temas). planalto.gov.br, 28/09/2021. Abrir ↗
  6. Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026 (duração do trabalho e repouso semanal). planalto.gov.br, 16/10/2026. Abrir ↗
  7. Congresso Nacional. Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025 (redução do imposto de renda e tributação mínima das altas rendas). planalto.gov.br, 26/11/2025. Abrir ↗
  8. Pablo Bandeira, da coordenação nacional do MTD. Lula 4, com mais democracia e direitos (Brasil de Fato, 30/10/2026). brasildefato.com.br, 30/10/2026. Abrir ↗
  9. ARCARY, Valerio. Reeleição de Lula não está definida. São Paulo: Brasil de Fato, 31 de março de 2026 (coluna), 2026. Abrir ↗
  10. NARCISO, Pedro Felipe. A armadilha do bolsonarismo e os limites do lulismo (resenha do livro de Valerio Arcary). Crítica Marxista, v. 33, e026007, pp. 1-4, 2026. Abrir ↗
  11. ARAUJO, Ricardo Souza. Arcabouço fiscal: uma análise crítica da atual política econômica do Governo Lula. São Luís: Revista de Políticas Públicas (UFMA), v. 29, n. 2, pp. 594-609, 2025. Abrir ↗