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Nova RepúblicaPFLViés: transição conservadora tutelada pelos militares
José Sarney
Governou de 15/03/1985 a 15/03/1990
Ex-presidente da Arena e do PDS, assumiu em 1985 como vice de Tancredo Neves e governou até 1990. Seu governo convocou a Constituinte, lançou o Plano Cruzado e decretou a moratória de 1987, e a inflação chegou a 1.764,86% em 1989. Para Florestan Fernandes, a Nova República prolongou os métodos da ditadura, e Armando Boito vê um governo civil tutelado pelos militares.
- Partido
- Frente Liberal (PFL), pela qual compôs a chapa de 1985
- Como chegou
- vice eleito pelo Colégio Eleitoral na chapa de Tancredo Neves; assumiu de forma interina em 15 de março de 1985 e foi efetivado com a morte de Tancredo, em 21 de abril
- Como saiu
- terminou o mandato em 15 de março de 1990, data fixada pela Constituição de 1988 (ADCT, art. 4º)
- Nascimento
- Pinheiro (MA), 1930
- Antes da presidência
- advogado; deputado federal pela UDN (1959-1966), governador do Maranhão (1966-1970) e senador (1971-1985) pela Arena e pelo PDS, partidos que presidiu
O governo em datas
José Sarney, 1985–1990
- 15/03/1985Sarney assume a presidência de forma interina.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 15/05/1985Emenda nº 25 restabelece as diretas para presidente e libera a criação de partidos.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985
- 27/11/1985Emenda nº 26 convoca a Assembleia Nacional Constituinte.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985
- 27/02/1986Decreto-Lei nº 2.283 cria o cruzado, congela os preços e institui o seguro-desemprego.Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986
- 01/02/1987Instalação da Assembleia Nacional Constituinte.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 05/10/1988Promulgação da Constituição.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988
- 15/11/1989Primeira eleição para presidente depois da Constituição.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988
- 15/03/1990Fim do mandato de Sarney.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988
O que o governo fez
Principais medidas
- 1985
Diretas e liberdade partidária
Eleição direta para presidente, voto dos analfabetos e livre criação de partidos.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985 - 1985
Convocação da Constituinte
Deputados e senadores reunidos em Assembleia Nacional Constituinte a partir de 1º de fevereiro de 1987.
Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 - 1986
Plano Cruzado
Nova moeda, congelamento de preços e gatilho salarial a cada 20% de inflação acumulada.
Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986 - 1986
Seguro-desemprego
Assistência financeira temporária ao trabalhador demitido sem justa causa.
Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986 - 1987
Moratória
Suspensão do pagamento dos juros da dívida externa aos bancos privados, de fevereiro a novembro.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
Da Arena à Aliança Democrática
José Sarney nasceu em Pinheiro (MA), em 24 de abril de 1930, e era advogado. Ele foi deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN) e, com o bipartidarismo imposto pelo AI-2, entrou na Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido de sustentação do regime militar, pela qual governou o Maranhão de 1966 a 1970 e foi senador de 1971 a 1985. Presidente da Arena em 1979 e do Partido Democrático Social (PDS) em 1980, ele passou em 1984, com outros dissidentes do PDS, para a Frente Liberal, que o lançou como vice na chapa de Tancredo Neves. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52)
Sarney assumiu a presidência de forma interina em 15 de março de 1985, por causa da doença de Tancredo, e foi efetivado com a morte dele, em 21 de abril. Ruy Mauro Marini lembra que o novo presidente tinha sido líder do PDS e que o primeiro ano do governo enfrentou o questionamento da sua legitimidade, por ser chefiado pelo vice de um presidente que não tomara posse. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52; Marini, Brasil, pp. 15-16)
Diretas, partidos e Constituinte
A Emenda Constitucional nº 25, de maio de 1985, restabeleceu a eleição direta para presidente, abriu caminho para o voto dos analfabetos e tornou livre a criação de partidos políticos. A Emenda nº 26, de novembro de 1985, convocou os deputados e os senadores a se reunirem numa Assembleia Nacional Constituinte unicameral a partir de 1º de fevereiro de 1987, e a Assembleia se instalou nessa data, sob a liderança do deputado Ulysses Guimarães. (Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985, arts. 74, 147 e 152; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985, art. 1º; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52)
A Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988. Ela previu o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, tornou facultativo o voto dos analfabetos e dos jovens de 16 e 17 anos, assegurou o direito de greve e fixou a jornada em 44 horas semanais. A Carta também definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado e manteve as Forças Armadas como garantidoras da lei e da ordem. (Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, arts. 7º, XIII, na redação original, 9º, 14, 142 e 196)
Marini chamou a nova Constituição de liberal, democrática e nacionalista, porque ela reservou às empresas nacionais a exploração do solo e do subsolo, mas observou que ela recuou na desapropriação de terras para a reforma agrária. O texto declarou a propriedade produtiva insuscetível de desapropriação para esse fim. Segundo Marini, as organizações patronais e as Forças Armadas pressionaram a Constituinte de fora, e um agrupamento conservador, o Centrão, respondeu pela regulamentação final das questões que mais interessavam a essas forças. (Marini, Brasil, pp. 19-20; Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, art. 185)
O Plano Cruzado e a moratória
Em 27 de fevereiro de 1986, o Decreto-Lei nº 2.283 criou o cruzado, que valia mil cruzeiros, congelou os preços no nível daquele dia e mandou reajustar os salários toda vez que a inflação acumulada passasse de 20%, o chamado gatilho. O mesmo decreto-lei criou o seguro-desemprego para o trabalhador demitido sem justa causa. O Arquivo Nacional registra que o plano foi considerado heterodoxo, por diferir dos planos recomendados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). (Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, arts. 1º, 23, 26 e 36; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52)
Para Marini, o Cruzado foi concebido pelo ministro da Fazenda Dílson Funaro, industrial paulista ligado ao PMDB, para legitimar Sarney, recuperar o controle burguês sobre o movimento de massas e devolver a iniciativa à burguesia industrial. Como a fração financeira barrou as reformas, em especial a bancária, o plano não foi muito além do congelamento e acabou beneficiando essa fração e o setor agrário exportador. O PMDB venceu as eleições de 1986, e o governo pôs fim ao congelamento de preços depois delas. (Marini, Brasil, pp. 17-18)
Em fevereiro de 1987, com as reservas em queda, o país suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa aos bancos privados, uma moratória que terminou em novembro, quando o Brasil pagou 500 milhões de dólares ao FMI. Novos planos vieram em janeiro de 1988 e em janeiro de 1989, e a inflação ficou em torno de 1.000% em 1988 e chegou a 1.764,86% em 1989. Marini atribui a moratória à perda das reservas, provocada pela queda das exportações e pela alta das importações sob a política cambial do Cruzado. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52; Marini, Brasil, p. 18)
A integração com a Argentina
Em julho de 1986, Sarney e o presidente argentino Raúl Alfonsín assinaram a Ata para a Integração Brasil-Argentina, com doze protocolos, e a aproximação, que atraiu depois o Uruguai e o Paraguai, levou ao projeto de um mercado comum dos quatro países. Marini interpreta essa política como um contrapeso à retomada da influência norte-americana na região. O governo também reatou as relações diplomáticas com Cuba. (Marini, Brasil, p. 17; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52)
Como os marxistas leram o governo
Florestan Fernandes via o governo Sarney como sucessor da ditadura e seu equivalente político, e chamou o presidente de grão-vizir civil do regime militar. Em 1987, ele escreveu que Sarney agiu como o equivalente civil dos generais-presidentes para sabotar a Constituinte, e em 1988 defendeu a renúncia ou a destituição do presidente. Na promulgação, Florestan afirmou que a Constituição nasceu sufocada pelo poder do dinheiro e por uma Nova República que prolongava os métodos da ditadura, mas que ela abria caminhos para dar peso e voz ao trabalhador. (Fernandes, Congresso Constituinte; Fernandes, Adeus à transição; Fernandes, Renúncia ou destituição; Fernandes, A Constituição de 1988)
Luiz Carlos Prestes disse, em 1986, que não havia nenhuma Nova República, porque nenhum torturador tinha sido punido, o DOI-CODI continuava intacto e a legislação da ditadura, como a Lei de Segurança Nacional e a lei contra as greves, seguia de pé. Para ele, a política de Sarney era reacionária, jogava a crise nas costas dos trabalhadores e reduzia o salário real, e o PMDB tinha virado o partido do governo. (Prestes, Entrevista ao programa Roda Viva, §§ 4, 6, 83 e 103)
Armando Boito descreve o governo Sarney como civil, não eleito e tutelado pelos militares. Para ele, o bloco no poder, o conjunto das frações de classe que controlam a política do Estado, não mudou de forma significativa com a troca da ditadura pelo governo civil e continuou dirigido pelas grandes empresas monopolistas, nacionais e estrangeiras, com os proprietários de terra e a média burguesia como frações subordinadas. Boito registra greves gerais contra a política econômica em dezembro de 1986 e em agosto de 1987, com cerca de dez milhões de participantes cada uma, e em março de 1989, com vinte milhões e dois dias de duração, segundo cálculos de Salvador Sandoval. (Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 85-87)
O que dizem os historiadores marxistas
Ruy Mauro Marini
A Nova República reforçou o caráter ambíguo da transição, e o Plano Cruzado buscou legitimar o governo e devolver a iniciativa à burguesia industrial, mas acabou beneficiando a fração financeira e o setor agrário exportador.
Marini, Brasil, pp. 15-18Florestan Fernandes
O governo Sarney era o sucessor da ditadura e seu equivalente político.
Fernandes, Congresso ConstituinteFlorestan Fernandes
A Constituição de 1988 nasceu sob uma Nova República que prolongava os métodos da ditadura, mas abriu caminhos para dar peso e voz ao trabalhador.
Fernandes, A Constituição de 1988Luiz Carlos Prestes
Não houve Nova República, e a política de Sarney era reacionária e descarregava a crise nos trabalhadores.
Prestes, Entrevista ao programa Roda Viva, §§ 4 e 83Armando Boito Jr.
O governo Sarney era civil, não eleito e tutelado pelos militares, e o bloco no poder da ditadura não mudou de forma significativa.
Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 85
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- grandes empresas monopolistas, nacionais e estrangeiras, com proprietários de terra e média burguesia como frações subordinadas (Boito, 1996, p. 85); disputa entre a burguesia industrial e a fração financeira no Plano Cruzado (Marini, 1991, pp. 17-18)
- Relação com o imperialismo
- barganha
- Relação com os trabalhadores
- conciliação, concessão
Para estudar este governo
MARINI, Ruy Mauro. Brasil: da ditadura à democracia, 1964-1990. 1991. Onde ler: pp. 15-20.
FERNANDES, Florestan. A Constituição de 1988. São Paulo: Folha de S.Paulo, 4 de outubro de 1988, p. A-3, 1988.
FERNANDES, Florestan. Adeus à transição. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 19 de outubro de 1987, 1987.
FERNANDES, Florestan. Congresso Constituinte. 1985.
PRESTES, Luiz Carlos. Entrevista ao programa Roda Viva (1986). 1986. Onde ler: §§ 4, 6, 83 e 103.
BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Onde ler: pp. 85-86 e 95.
FERNANDES, Florestan. Renúncia ou destituição. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 12 de janeiro de 1988, 1988.
De onde vem cada afirmação desta página (40)
- FatoO Arquivo Nacional atribui ao governo Sarney a assinatura do protocolo do Mercosul, que Marini descreve como projeto de mercado comum iniciado pela integração com a Argentina.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoA Assembleia Nacional Constituinte se instalou em 1º de fevereiro de 1987, sob a liderança do deputado Ulysses Guimarães.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoSarney presidiu a Arena em 1979 e o PDS em 1980; em 1984, com outros dissidentes do PDS, integrou a Frente Liberal, que o lançou como vice na chapa de Tancredo Neves.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoEm julho de 1986, Sarney e Raúl Alfonsín firmaram em Buenos Aires a Ata para a Integração Brasil-Argentina, com doze protocolos, e a política atraiu o Uruguai e o Paraguai rumo a um mercado comum dos quatro países.Marini, Brasil, p. 17
- Interpretação · Armando Boito Jr.O bloco no poder dos anos 1980 não sofreu alteração significativa com a substituição da ditadura por um governo civil e continuou dirigido pelas grandes empresas monopolistas, nacionais e imperialistas, com os proprietários de terra e a média burguesia como frações subordinadas.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 85
- FatoA greve geral de dezembro de 1986 e a de agosto de 1987 tiveram cerca de dez milhões de participantes cada uma, e a de março de 1989, com dois dias de duração, vinte milhões, segundo cálculos de Salvador Sandoval citados por Boito.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 86-87, nota 9
- Interpretação · Armando Boito Jr.Os governos Sarney e Collor encenaram a apresentação de propostas de pacto social às centrais sindicais.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 95
- Interpretação · Armando Boito Jr.De 1985 a 1990, a CUT agiu em oposição a um governo civil, não eleito e tutelado pelos militares, o governo de José Sarney.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 85
- FatoSarney foi deputado federal pela UDN (1959-1966), entrou na Arena com o bipartidarismo do AI-2, governou o Maranhão (1966-1970) e foi senador (1971-1985).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoA Constituição declarou insuscetíveis de desapropriação para reforma agrária a pequena e média propriedade rural e a propriedade produtiva.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, art. 185
- FatoA Constituição de 1988 previu o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular, tornou facultativo o voto dos analfabetos e dos maiores de 16 e menores de 18 anos e assegurou o direito de greve.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, arts. 9º e 14
- FatoNa redação original, a Constituição de 1988 fixou a duração do trabalho normal em até oito horas diárias e 44 semanais.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, art. 7º, XIII
- FatoA Constituição foi promulgada em 5 de outubro de 1988.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoA Constituição definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado e destinou as Forças Armadas à defesa da pátria e à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, arts. 142 e 196
- FatoO Plano Cruzado, anunciado em 1º de março de 1986, foi considerado heterodoxo por diferir dos planos recomendados pelo FMI.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoO Arquivo Nacional data o anúncio do Plano Cruzado em 1º de março de 1986, e o Decreto-Lei nº 2.283 é de 27 de fevereiro de 1986.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoO Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, criou o cruzado, equivalente a mil cruzeiros, congelou os preços nos níveis daquele dia e determinou o reajuste automático dos salários sempre que a variação acumulada do índice de preços ao consumidor passasse de 20%.Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, arts. 1º, 23 e 36
- FatoO governo Sarney reatou relações diplomáticas com Cuba.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoA Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985, restabeleceu a eleição do presidente por sufrágio universal e voto direto, mandou a lei dispor sobre o alistamento e o voto dos analfabetos e tornou livre a criação de partidos políticos.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985, arts. 74, 147, § 4º, e 152
- FatoA Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985, convocou os membros da Câmara e do Senado a se reunirem, unicameralmente, em Assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana, em 1º de fevereiro de 1987.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985, art. 1º
- Interpretação · Florestan FernandesA Constituição de 1988 nasceu sufocada pelo poder do dinheiro e oprimida pelo arbítrio de uma Nova República que prolongava a ditadura por seus métodos, mas abria caminhos que davam peso e voz ao trabalhador na sociedade civil.Fernandes, A Constituição de 1988
- Interpretação · Florestan FernandesO governo Sarney se mostrava como sucessor da ditadura e seu equivalente político, e Sarney era o grão-vizir civil da ditadura.Fernandes, Congresso Constituinte
- Interpretação · Florestan FernandesÀ testa da Nova República estava o equivalente civil dos generais-presidentes, que manobrou para cortar as asas da Constituinte.Fernandes, Adeus à transição
- Interpretação · Florestan FernandesA única saída para a tragédia iniciada em 1964 e prolongada na Nova República era a renúncia ou a destituição de José Sarney.Fernandes, Renúncia ou destituição
- FatoHouve novos planos de estabilização em janeiro de 1988 e em janeiro de 1989; a inflação girou em torno de 1.000% em 1988 e foi de 1.764,86% em 1989.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- Interpretação · Ruy Mauro MariniOrganizações patronais e as Forças Armadas pressionaram a Constituinte de fora, e o Centrão respondeu pela regulamentação final das questões que mais interessavam a essas forças.Marini, Brasil, p. 20
- Interpretação · Ruy Mauro MariniA Constituição de 1988 é, em linhas gerais, liberal, democrática e nacionalista, reserva às empresas nacionais a exploração do solo e do subsolo e retrocede em relação à legislação anterior na desapropriação de terras.Marini, Brasil, p. 19
- Interpretação · Ruy Mauro MariniA integração com a Argentina buscou um contrapeso à retomada da influência norte-americana na região.Marini, Brasil, p. 17
- Interpretação · Ruy Mauro MariniO Plano Cruzado, concebido por Dílson Funaro, industrial paulista ligado ao PMDB, buscou legitimar o governo, restabelecer o controle burguês, via PMDB, sobre o movimento de massas e devolver a iniciativa à burguesia industrial.Marini, Brasil, p. 17
- FatoO PMDB foi o grande vencedor das eleições de 1986, e o governo pôs fim ao Plano Cruzado depois delas, suspendendo o congelamento de preços.Marini, Brasil, p. 18
- Interpretação · Ruy Mauro MariniA fração financeira impediu as reformas, em especial a bancária, e o Plano Cruzado não foi além do congelamento, acabando por beneficiar essa fração e o setor agrário exportador.Marini, Brasil, p. 18
- Interpretação · Ruy Mauro MariniO aumento artificial da demanda e a política cambial do Cruzado levaram ao desabastecimento, ao crescimento das importações e à queda das exportações, liquidando as reservas e levando à moratória de 1987.Marini, Brasil, p. 18
- FatoSarney, ex-líder do PDS, estava no PFL quando assumiu, e o primeiro ano do governo teve a legitimidade questionada por ser chefiado pelo vice de um presidente que não tomara posse.Marini, Brasil, pp. 15-16
- FatoEm fevereiro de 1987, com a queda das reservas, o país suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa aos bancos privados; a moratória foi suspensa em novembro, quando o Brasil pagou 500 milhões de dólares ao FMI.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoJosé Sarney, advogado, nasceu em Pinheiro (MA), em 24 de abril de 1930.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- FatoSarney assumiu interinamente a presidência em 15 de março de 1985, pela doença de Tancredo Neves, e foi efetivado com a morte de Tancredo, em 21 de abril.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 52
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesNão havia nenhuma Nova República, porque nenhum torturador tinha sido punido, o DOI-CODI estava intacto e a legislação da ditadura, como a Lei de Segurança Nacional, a lei contra as greves e a lei de imprensa, continuava de pé depois da posse de Sarney.Prestes, Entrevista ao programa Roda Viva, §§ 4 e 6
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesA política do governo Sarney era reacionária e contra os interesses do povo.Prestes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 103
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesA política de Sarney descarregava a crise nas costas dos trabalhadores e reduziu o salário real, e o PMDB tinha se tornado partido do governo.Prestes, Entrevista ao programa Roda Viva, § 83
- FatoO Decreto-Lei nº 2.283 instituiu o seguro-desemprego, assistência financeira temporária ao trabalhador dispensado sem justa causa.Presidência da República, Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, art. 26
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- MARINI, Ruy Mauro. Brasil: da ditadura à democracia, 1964-1990. 1991. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 25, de 15 de maio de 1985. planalto.gov.br, 15/05/1985. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 (convoca a Assembleia Nacional Constituinte). planalto.gov.br, 27/11/1985. Abrir ↗
- Assembleia Nacional Constituinte. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. planalto.gov.br, 05/10/1988. Abrir ↗
- Presidência da República. Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986 (cruzado e seguro-desemprego; revogado pelo Decreto-Lei nº 2.284, de 1986). planalto.gov.br, 27/02/1986. Abrir ↗
- FERNANDES, Florestan. Congresso Constituinte. 1985. Abrir ↗
- FERNANDES, Florestan. Adeus à transição. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 19 de outubro de 1987, 1987. Abrir ↗
- FERNANDES, Florestan. Renúncia ou destituição. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 12 de janeiro de 1988, 1988. Abrir ↗
- FERNANDES, Florestan. A Constituição de 1988. São Paulo: Folha de S.Paulo, 4 de outubro de 1988, p. A-3, 1988. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. Entrevista ao programa Roda Viva (1986). 1986. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Abrir ↗