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Nova RepúblicaPRNViés: neoliberal
Fernando Collor de Mello
Governou de 15/03/1990 a 02/10/1992
Primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura, venceu Lula em 1989 e governou de 1990 a 1992. Bloqueou a poupança, abriu a economia às importações e criou o programa de privatizações, até ser afastado pelo processo de impeachment e renunciar. Para Armando Boito, a eleição de Collor levou ao poder a plataforma neoliberal da burguesia.
- Partido
- Partido da Reconstrução Nacional (PRN)
- Como chegou
- eleito pelo voto direto em 1989, no segundo turno, contra Lula, com 53,03% dos votos dados aos dois candidatos (soma dos arquivos do TSE)
- Como saiu
- afastado em 2 de outubro de 1992, depois que a Câmara autorizou o processo de impeachment; renunciou em 29 de dezembro de 1992, no início do julgamento no Senado, que no dia 30 o condenou à inabilitação por oito anos
- Nascimento
- Rio de Janeiro (RJ), 1949
- Antes da presidência
- jornalista; prefeito nomeado de Maceió (1980-1982), deputado federal pelo PDS (1983-1987) e governador de Alagoas pelo PMDB (1987-1989)
O governo em datas
Fernando Collor de Mello, 1990–1992
- 15/11/1989Primeiro turno da eleição presidencial.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988
- 15/03/1990Collor toma posse e anuncia o plano econômico.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 12/04/1990Leis nº 8.024 (bloqueio dos cruzados novos) e nº 8.031 (Programa Nacional de Desestatização).Congresso Nacional, Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990
- 01/06/1992Instalação da CPMI sobre os negócios de PC Farias.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- 29/09/1992A Câmara autoriza o processo de impeachment por 441 votos a 38.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- 02/10/1992Collor é afastado, e Itamar Franco assume de forma provisória.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- 29/12/1992Collor renuncia no início do julgamento no Senado.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- 30/12/1992O Senado aprova a inabilitação de Collor por oito anos.Senado Federal, Resolução
O que o governo fez
Principais medidas
- 1990
Plano Collor
Bloqueio dos depósitos e da poupança acima de 50 mil cruzados novos, devolvidos em doze parcelas a partir de setembro de 1991.
Congresso Nacional, Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990 - 1990
Programa Nacional de Desestatização
Transferência de empresas e atividades do Estado à iniciativa privada.
Congresso Nacional, Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990 - 1990
Reforma administrativa
Extinção de órgãos públicos e demissão e disponibilidade de servidores federais.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1990
Abertura comercial
Eliminação de tarifas aduaneiras e aumento das importações.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1991
Plano Collor II
Juros altos, desindexação e incentivo às importações.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
De Maceió ao PRN
Fernando Affonso Collor de Mello nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1949, e era jornalista. Ele foi prefeito nomeado de Maceió de 1980 a 1982, deputado federal pelo PDS de 1983 a 1987 e governador de Alagoas pelo PMDB de 1987 a 1989. Depois, fundou o Partido da Reconstrução Nacional (PRN), pelo qual disputou a presidência. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53)
A eleição de 1989
A Constituição marcou para 15 de novembro de 1989 a primeira eleição presidencial depois da sua promulgação, e Collor se tornou o primeiro presidente civil eleito pelo voto direto desde 1960. No primeiro turno, ele teve 20.611.030 votos, contra 11.622.321 de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e 11.167.665 de Leonel Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), segundo a soma dos arquivos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No segundo turno, Collor venceu Lula por 35.090.206 votos a 31.075.803, ou 53,03% contra 46,97% dos votos dados aos dois. (Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, ADCT, art. 4º, § 1º; Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor; Tribunal Superior Eleitoral, Votação por candidato e UF, eleição presidencial de 1989)
Ruy Mauro Marini conta que as organizações patronais, os grupos econômicos e os meios de comunicação se dividiram entre cinco candidatos no primeiro turno e só se uniram em torno de Collor no segundo, quando viram a força dos candidatos de esquerda. Jacob Gorender escreveu que Collor, um candidato marginal no sentido burguês, conseguiu se impor aos empresários e os obrigou a apoiá-lo como única alternativa diante do risco de vitória de Lula. (Marini, Brasil, pp. 20-21; Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 14º parágrafo)
O confisco e a abertura
No primeiro dia de governo, em março de 1990, Collor anunciou um plano econômico que bloqueou o dinheiro das contas correntes e das cadernetas de poupança acima de 50 mil cruzados novos. A Lei nº 8.024, que converteu em lei a Medida Provisória nº 168, ato do presidente com força de lei, mandou devolver o excedente a partir de 16 de setembro de 1991, em doze parcelas mensais. A Lei nº 8.031, da mesma data, criou o Programa Nacional de Desestatização, para transferir à iniciativa privada atividades que a lei dizia exploradas indevidamente pelo setor público. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53; Congresso Nacional, Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990, arts. 5º e 6º; Congresso Nacional, Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990, art. 1º)
O Arquivo Nacional registra que o governo extinguiu órgãos públicos, demitiu e pôs em disponibilidade servidores federais e privatizou empresas públicas, e que a equipe da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Melo, eliminou tarifas aduaneiras. A inflação caiu, mas voltou no fim de 1990, e o Plano Collor II, de janeiro de 1991, intensificou os juros altos e a abertura às importações, com queda da produção industrial e alta do desemprego. Para o Arquivo Nacional, esse projeto se ajustava à ideia de Estado mínimo, conceituada como neoliberal. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53)
Armando Boito registra, com dados do departamento de estudos econômicos da CUT, que a economia encolheu 4,4% em 1990, cresceu 1,1% em 1991 e caiu 0,9% em 1992. O salário mínimo, em dólares de dezembro de 1993, passou de 90,93 em 1989 para 64,22 em 1990 e 62,41 em 1991, e o número de grevistas caiu de 12,4 milhões em 1990 para 2,9 milhões em 1992. (Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 89-90)
O impeachment
Em 1992, a imprensa denunciou um esquema de corrupção no governo comandado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha de Collor. Uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI), instalada em 1º de junho, aprovou em 26 de agosto, por 16 votos a 5, um relatório que incriminava o presidente. Com apoio popular maciço, segundo o Arquivo Nacional, os presidentes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediram o impeachment, o processo que julga o presidente por crime de responsabilidade. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53; Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor)
Em 29 de setembro de 1992, a Câmara autorizou o processo por 441 votos a 38, e Collor foi afastado em 2 de outubro, quando o vice Itamar Franco assumiu de forma provisória. Em 29 de dezembro, no início do julgamento no Senado, Collor renunciou por meio de uma carta. No dia seguinte, o Senado o condenou, por 76 votos a 2, à inabilitação por oito anos para o exercício de função pública. (Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor; Senado Federal, Resolução)
Como os marxistas leram o governo
Marini via no governo Collor uma aposta no neoliberalismo, com estabilização monetária, renegociação da dívida externa, redução da presença do Estado na economia e abertura comercial. Para ele, essa estratégia rompeu a unidade do bloco dominante, ao opor a grande burguesia industrial protecionista, das indústrias automobilística, siderúrgica e metal-mecânica, aos setores mais novos, como a informática e as telecomunicações, e levou o governo a colidir com a CUT e com os trabalhadores das estatais. Marini descreveu ainda um estilo personalista, que apelava às massas desorganizadas e se apoiava nas Forças Armadas. (Marini, Brasil, pp. 21-22)
Boito afirma que a eleição de Collor levou ao poder a plataforma neoliberal, apoiada na abertura da economia ao capital estrangeiro, que ele chama de imperialista, na privatização e na desregulamentação das relações de trabalho. Segundo ele, a Força Sindical, central criada em 1991, defendeu essa plataforma com apoio político e financeiro do governo e de empresários, e a campanha do impeachment foi uma oportunidade que o sindicalismo combativo deixou passar. Em 2003, Boito apontou Collor como o pioneiro do discurso que jogava os pobres contra o funcionalismo público, com a caça aos marajás em nome dos descamisados. (Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 81 e 89-91; Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25 e 33)
Gorender afirmou, em julho de 1990, que a hiperinflação, a recessão, a queda dos salários e o desemprego em massa ameaçavam direitos que os trabalhadores tinham conquistado em décadas de luta. Em 1995, ele lembrou que a corrupção escandalosa de Collor terminou num impeachment inédito, feito por um procedimento legal. Para Décio Saes, de 1990 a 2002 o reforço do Poder Executivo, que governa por medidas provisórias, serviu para impor à sociedade e até a setores da classe dominante uma política neoliberal favorável ao capital estrangeiro e à burguesia associada. (Gorender, Entrevista à Teoria e Debate, § 93; Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 12º parágrafo; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 16-17)
O que dizem os historiadores marxistas
Ruy Mauro Marini
Collor apostou no neoliberalismo e rompeu a unidade do bloco dominante, opondo a grande burguesia industrial protecionista aos setores integrados à economia mundial, e colidiu com a CUT e os trabalhadores das estatais.
Marini, Brasil, pp. 21-22Armando Boito Jr.
A eleição de Collor levou ao poder a plataforma neoliberal, e a Força Sindical a defendeu com apoio do governo e de empresários.
Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 82-90Armando Boito Jr.
Collor foi o pioneiro do populismo regressivo neoliberal, que jogava os pobres contra o funcionalismo com a caça aos marajás.
Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25 e 33Jacob Gorender
Collor foi um candidato marginal que se impôs aos empresários como única alternativa ao risco de vitória de Lula.
Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 14º parágrafoDécio Saes
De 1990 a 2002, o presidencialismo forte serviu para impor uma política neoliberal favorável ao capital estrangeiro e à burguesia associada.
Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 16-17
Leitura de classe do governo
- Regime
- democracia liberal restrita
- Bloco no poder
- frente burguesa unida em torno de Collor no segundo turno de 1989, com conflito entre a grande burguesia industrial protecionista e os setores integrados à economia mundial (Marini, 1991, pp. 20-21); capital estrangeiro e burguesia associada (Saes, 2015, pp. 16-17)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
- Relação com os trabalhadores
- tutela, conciliação
Para estudar este governo
BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Onde ler: pp. 80-91.
BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Onde ler: pp. 25 e 33.
MARINI, Ruy Mauro. Brasil: da ditadura à democracia, 1964-1990. 1991. Onde ler: pp. 20-22.
SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Onde ler: pp. 16-17.
GORENDER, Jacob. Entrevista à Teoria e Debate (julho de 1990). 1990. Onde ler: § 93.
GORENDER, Jacob. Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94. 1995. Onde ler: introdução.
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De onde vem cada afirmação desta página (41)
- FatoRespaldada por apoio popular maciço, a abertura do processo de impeachment foi proposta pelos presidentes da ABI e da OAB.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoEm 2 de outubro de 1992, Collor foi afastado até a conclusão do processo no Senado, e o vice Itamar Franco assumiu provisoriamente.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoO Arquivo Nacional diz que a sessão de julgamento de 29 de dezembro de 1992 tornou Collor inelegível por oito anos; a Câmara registra a votação da inabilitação em 30 de dezembro.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoO projeto de modernização do governo Collor se ajustava à ideia de Estado mínimo e à nova ordem mundial do fim da Guerra Fria, conceituada como neoliberal.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- Interpretação · Armando Boito Jr.A Força Sindical, criada em 1991, contou com o apoio político e financeiro do governo Collor e de empresários e defendeu abertamente as ideias neoliberais.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 82-83 e 90
- FatoOs grevistas foram 12,4 milhões em 1990, 8,8 milhões em 1991 e 2,9 milhões em 1992.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 90
- Interpretação · Armando Boito Jr.A campanha do impeachment de Collor, em 1992, foi uma oportunidade criada e desperdiçada pelo sindicalismo combativo.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 91
- Interpretação · Armando Boito Jr.Collor foi o pioneiro do discurso que apelava aos descamisados contra os marajás, elegendo o funcionalismo como inimigo para fazer caixa para o capital financeiro.Boito Jr., A hegemonia neoliberal no governo Lula, pp. 25-26 e 33
- Interpretação · Armando Boito Jr.Os governos Sarney e Collor encenaram a apresentação de propostas de pacto social.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 95
- FatoCom dados do DESEP, da CUT, Boito registra que a economia cresceu 3,3% em 1989, caiu 4,4% em 1990, cresceu 1,1% em 1991 e caiu 0,9% em 1992.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 89
- Interpretação · Armando Boito Jr.A eleição de Collor em 1989 levou a plataforma neoliberal ao poder; o tripé dessa plataforma era a abertura da economia ao capital imperialista, a privatização e a desregulamentação das relações de trabalho.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, pp. 81 e 89
- FatoEm dólares de dezembro de 1993, o salário mínimo foi de 90,93 em 1989, 64,22 em 1990, 62,41 em 1991 e 65,70 em 1992.Boito Jr., Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil, p. 90
- FatoEm 29 de setembro de 1992, a Câmara votou a favor da abertura do processo de impeachment por 441 votos a favor, 38 contra, 1 abstenção e 23 ausentes.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoCollor foi prefeito nomeado de Maceió (1980-1982), deputado federal pelo PDS (1983-1987) e governador de Alagoas pelo PMDB (1987-1989), e fundou o Partido da Reconstrução Nacional (PRN).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoA inflação voltou no fim de 1990, e o Plano Collor II, de janeiro de 1991, intensificou os juros altos, a desindexação e a abertura às importações, com queda da produção industrial e desemprego.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoA CPMI sobre os negócios de PC Farias foi instalada em 1º de junho de 1992, e o relatório do senador Amir Lando, que incriminava Collor, foi aprovado em 26 de agosto por 16 votos a 5.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoA primeira eleição para presidente depois da promulgação da Constituição de 1988 foi marcada para 15 de novembro de 1989.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988, ADCT, art. 4º, § 1º
- Interpretação · Jacob GorenderA hiperinflação, a recessão, a redução dos salários e o desemprego maciço ameaçavam os trabalhadores com a perda do que conquistaram em lutas de muitos decênios.Gorender, Entrevista à Teoria e Debate, § 93
- Interpretação · Jacob GorenderA corrupção escandalosa do presidente Collor terminou num impeachment inédito, por um procedimento legal.Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 12º parágrafo
- Interpretação · Jacob GorenderEm 1989, um candidato marginal no sentido burguês conseguiu impor-se aos empresários e os obrigou a apoiá-lo como única alternativa diante do risco da vitória de Lula.Gorender, Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94, introdução, 14º parágrafo
- FatoEm 30 de dezembro de 1992, por 76 votos a 2, o Senado condenou Collor à inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoA Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990, conversão da Medida Provisória nº 168, converteu em cruzeiros os depósitos à vista e a poupança até o limite de 50 mil cruzados novos e mandou converter o excedente a partir de 16 de setembro de 1991, em doze parcelas mensais.Congresso Nacional, Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990, arts. 5º e 6º
- FatoA Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990, instituiu o Programa Nacional de Desestatização, com o objetivo de transferir à iniciativa privada atividades indevidamente exploradas pelo setor público e de contribuir para a redução da dívida pública.Congresso Nacional, Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990, art. 1º
- FatoMarini escreveu que Lula e Brizola reuniram mais de 24 milhões de votos no primeiro turno, contra 17 milhões de Collor; a soma dos arquivos do TSE dá 22,8 milhões para os dois e 20,6 milhões para Collor.Marini, Brasil, pp. 20-21
- Interpretação · Ruy Mauro MariniO governo Collor entrou em colisão com os sindicatos, em especial com a CUT, e com os trabalhadores das empresas estatais, que se opunham à política recessiva e privatizante.Marini, Brasil, p. 22
- Interpretação · Ruy Mauro MariniOrganizações patronais, grupos econômicos e meios de comunicação se dividiram entre cinco candidatos no primeiro turno de 1989, e só ao perceber a força dos candidatos de esquerda a classe dominante uniu forças para garantir a vitória de Collor no segundo turno.Marini, Brasil, pp. 20-21
- Interpretação · Ruy Mauro MariniApostando no neoliberalismo, o governo Collor adotou uma estratégia de estabilização monetária, renegociação da dívida externa, redução da presença estatal na economia e abertura comercial.Marini, Brasil, p. 21
- Interpretação · Ruy Mauro MariniCollor acentuava um estilo personalista de governar, apelando às massas desorganizadas e apoiando-se nas Forças Armadas.Marini, Brasil, p. 22
- FatoMarini chama o partido de Collor de Partido de Renovação Nacional; o Arquivo Nacional o registra como Partido da Reconstrução Nacional.Marini, Brasil, p. 20
- Interpretação · Ruy Mauro MariniA estratégia de Collor rompeu a unidade do bloco dominante, ao contrapor a grande burguesia industrial protecionista, das indústrias automobilística, siderúrgica, elétrica e metal-mecânica, aos setores industriais mais recentes, como informática, telecomunicações e aeronáutica.Marini, Brasil, p. 21
- FatoFernando Affonso Collor de Mello, jornalista, nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1949.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoEm 1992, a imprensa denunciou um esquema de corrupção no governo comandado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha presidencial de Collor.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoNo primeiro dia de governo, Collor anunciou o plano de combate à inflação que confiscou provisoriamente contas de poupança, contas correntes e outras aplicações financeiras acima de determinado valor.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoCollor foi o primeiro presidente civil eleito por voto direto desde 1960, escolhido pelas regras da Constituição de 1988, em dois turnos.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoO programa de governo extinguiu órgãos públicos, demitiu e colocou em disponibilidade servidores federais e privatizou empresas públicas.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoEm 29 de dezembro de 1992, no início do julgamento no Senado, Collor renunciou por meio de uma carta lida pelo advogado José Moura Rocha.Câmara dos Deputados, 20 anos do impeachment do Collor
- FatoA Resolução do Senado nº 101, de 30 de dezembro de 1992, dispôs sobre as sanções no processo de impeachment contra Fernando Affonso Collor de Mello.Senado Federal, Resolução
- Interpretação · Décio SaesEntre 1990 e 2002, o reforço do Poder Executivo, que governa por medidas provisórias, foi um instrumento para impor à sociedade e a segmentos da classe dominante uma política neoliberal favorável ao capital estrangeiro e à burguesia associada.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 16-17
- FatoA eliminação das tarifas aduaneiras pela equipe da ministra Zélia Cardoso de Melo aumentou as importações.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 53
- FatoNo primeiro turno de 1989, somando as UFs do arquivo do TSE, Collor (PRN) teve 20.611.030 votos, Lula (PT) 11.622.321, Brizola (PDT) 11.167.665, Mário Covas (PSDB) 7.790.381 e Paulo Maluf (PDS) 5.986.585, num total de 67.625.886 votos dados a candidatos.Tribunal Superior Eleitoral, Votação por candidato e UF, eleição presidencial de 1989, arquivo votacao_candidato_uf_1989; soma nossa
- FatoNo segundo turno de 1989, somando as UFs do arquivo do TSE, Collor teve 35.090.206 votos (53,03%) e Lula 31.075.803 (46,97%) dos 66.166.009 votos dados aos dois.Tribunal Superior Eleitoral, Votação por candidato e UF, eleição presidencial de 1989, arquivo votacao_candidato_uf_1989; soma e percentuais nossos
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Assembleia Nacional Constituinte. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. planalto.gov.br, 05/10/1988. Abrir ↗
- Câmara dos Deputados. 20 anos do impeachment do Collor (Escrevendo a História, Departamento de Taquigrafia da Câmara dos Deputados). www2.camara.leg.br. Abrir ↗
- Tribunal Superior Eleitoral. Votação por candidato e UF, eleição presidencial de 1989 (Portal de Dados Abertos do TSE). cdn.tse.jus.br. Abrir ↗
- MARINI, Ruy Mauro. Brasil: da ditadura à democracia, 1964-1990. 1991. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94. 1995. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990 (conversão da Medida Provisória nº 168, de 1990). planalto.gov.br, 12/04/1990. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 8.031, de 12 de abril de 1990 (cria o Programa Nacional de Desestatização). planalto.gov.br, 12/04/1990. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. Hegemonia neoliberal e sindicalismo no Brasil. Crítica Marxista, n. 3, pp. 80-105, 1996. Abrir ↗
- Senado Federal. Resolução (SF) nº 101, de 1992: sanções no processo de impeachment contra o presidente Fernando Affonso Collor de Mello (ficha da matéria). www25.senado.leg.br, 30/12/1992. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. A hegemonia neoliberal no governo Lula. Crítica Marxista, n. 17, pp. 10-36, 2003. Abrir ↗
- GORENDER, Jacob. Entrevista à Teoria e Debate (julho de 1990). 1990. Abrir ↗
- SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗