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Estudos / História do Brasil / Era Vargas / Getúlio Vargas

Retrato oficial de Getúlio Vargas
Foto: Governo do Brasil, c. 1930. Public domain. Wikimedia Commons ↗

Era VargasPRRViés: populismo varguista

Getúlio Vargas

Governou de 03/11/1930 a 29/10/1945

Líder da Revolução de 1930, dissolveu o Congresso, foi eleito pela Constituinte em 1934 e, em 1937, deu o golpe do Estado Novo, ditadura que durou até a sua deposição, em 1945. Criou o salário mínimo e a CLT e pôs os sindicatos sob controle do Estado, enquanto perseguia comunistas e militantes da Aliança Nacional Libertadora. Para Sodré, o Estado Novo tentou fazer a revolução burguesa sem o proletariado.

Partido
Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), na Aliança Liberal; fundaria o PTB em 1945
Como chegou
Revolução de 1930; chefe do Governo Provisório depois da junta governativa e, em 1934, eleito presidente pela Assembleia Constituinte
Como saiu
deposto por militares em 29 de outubro de 1945
Nascimento
São Borja (RS), 1883
Morte
Rio de Janeiro (RJ), 1954
Antes da presidência
advogado; deputado estadual e federal pelo PRR, ministro da Fazenda (1926-1927) e presidente do Rio Grande do Sul (1928-1930)

O governo em datas

Getúlio Vargas, 1930–1945

  1. 03/11/1930Vargas toma posse como chefe do Governo Provisório.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
  2. 11/11/1930Decreto nº 19.398 institui o Governo Provisório e confirma a dissolução do Congresso.Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930
  3. 16/07/1934Promulgada a Constituição de 1934.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934
  4. 04/04/1935Lei nº 38 define os crimes contra a ordem política e social.Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935
  5. 11/07/1935Vargas fecha a Aliança Nacional Libertadora por decreto.Anita Leocadia Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora
  6. 10/11/1937Golpe do Estado Novo e outorga da Carta de 1937.Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937
  7. 01/05/1943Decreto-Lei nº 5.452 aprova a CLT.Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943
  8. 29/10/1945Vargas é deposto por militares.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República

O que o governo fez

Principais medidas

Para entender o governo

Da Revolução de 1930 ao Governo Provisório

Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja (RS), em 1883, e fez carreira no Partido Republicano Rio-Grandense, como deputado, ministro da Fazenda de Washington Luís e presidente do Rio Grande do Sul. Derrotado na eleição de 1930 pelo paulista Júlio Prestes, ele articulou o movimento armado que depôs Washington Luís e tomou posse como chefe do Governo Provisório em 3 de novembro de 1930. Oito dias depois, o Decreto nº 19.398 confirmou a dissolução do Congresso Nacional e das assembleias dos estados e dos municípios. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27; Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, art. 2º)

Para Nelson Werneck Sodré, a Revolução de 1930 nasceu de uma brecha na classe dominante, que se dividiu e permitiu a aliança de uma de suas frações com a classe média, representada sobretudo pelo tenentismo, o movimento da média oficialidade do Exército, sem a participação da classe operária. Nos anos seguintes, o governo oscilou entre os tenentes e os políticos tradicionais, até que a classe dominante recompôs a sua unidade depois da derrota da rebelião paulista de 1932. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 328-329; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 9)

A crise do café e o mercado interno

A crise mundial de 1929 reduziu as exportações, desorganizou as finanças públicas e obrigou o governo a comprar e destruir estoques de café. Sodré registra que a queima retirou do mercado 80 milhões de sacas, o equivalente a três anos do consumo mundial. Ele mostra que a recuperação veio de fatores internos e que a produção industrial cresceu cerca de 50% entre 1929 e 1937. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 323, 326 e 327)

Francisco de Oliveira vê em 1930 o fim da hegemonia agrário-exportadora, isto é, do comando dos grupos que viviam de vender café e outros produtos primários para fora. A partir dali, segundo ele, o Estado passou a penalizar a produção para exportação em favor da acumulação industrial, embora a renda da indústria só tenha superado a da agricultura em 1956. (Oliveira, A economia brasileira, pp. 9-10)

As leis do trabalho e o sindicato de Estado

Nos quinze anos de governo, leis fixaram a jornada de oito horas na indústria e no comércio, regularam o trabalho de mulheres e menores e criaram a carteira profissional, o salário mínimo e as comissões mistas de conciliação. O governo criou também o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 1º de maio de 1943, o Decreto-Lei nº 5.452 aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que reuniu a legislação social e trabalhista do período. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27; Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, art. 1º; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 10)

Para Armando Boito Jr., o varguismo foi um populismo, isto é, uma política apoiada na expectativa dos trabalhadores pouco organizados por uma ação salvadora do Estado. A CLT, segundo ele, trouxe os direitos trabalhistas junto com uma estrutura sindical de Estado, que burocratizou cedo o movimento sindical. Vargas usou essa estrutura para manter os sindicatos sob controle e impedir que a luta política dos comunistas se juntasse à luta dos trabalhadores por salário e direitos. (Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 29-32)

Francisco de Oliveira acrescenta que a lei tratou o salário mínimo como salário de subsistência, calculado pelas necessidades de alimentação do trabalhador. Para ele, a legislação trabalhista criou as condições internas da acumulação industrial e selou um pacto da burguesia industrial com os trabalhadores urbanos contra as antigas classes proprietárias rurais, sem tocar nas relações de trabalho no campo. (Oliveira, A economia brasileira, pp. 11 e 35-36)

A ANL, 1935 e o golpe de 1937

Em 16 de julho de 1934, a Assembleia Constituinte promulgou uma Constituição de feição liberal e elegeu Vargas presidente. Em 30 de março de 1935, foi lançada no Rio de Janeiro a Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente contra o integralismo, versão brasileira do fascismo, contra o imperialismo e contra o latifúndio. Dias depois, a Lei nº 38 definiu os crimes contra a ordem política e social. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27-28; Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934; Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, pp. 101 e 118; Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935)

Anita Leocadia Prestes registra que a ANL tinha de 70 mil a 100 mil militantes quando Vargas a fechou por decreto, em 11 de julho de 1935. Em novembro, os levantes armados decididos pela direção do PCB foram derrotados. Para a historiadora, eles não queriam implantar o comunismo, como diz a versão oficial que os chamou de Intentona, e sim derrubar Vargas e formar um governo popular nacional revolucionário. Ela aponta como erro dos comunistas o julgamento de que a situação do país já era revolucionária. (Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, pp. 107, 112, 114 e 117-118)

Sodré, que chama o movimento de 1935 de intentona, afirma que a repressão abriu um período de reação fascista e que o golpe de 1937 foi recebido sem aplausos e sem resistência, porque as forças democráticas estavam isoladas. Em 10 de novembro de 1937, Vargas dissolveu o Congresso e outorgou uma nova Carta, que deu início ao Estado Novo, a ditadura que durou até 1945. Em 1938, o governo enfrentou o levante integralista, tentativa de golpe da extrema direita. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 330; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27-28; Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937)

O Estado Novo e a guerra

Para Sodré, num esquema que ele mesmo chama de simplista, a ditadura de 1937 foi uma tentativa de realizar a revolução burguesa sem o proletariado, isto é, de fazer avançar o capitalismo sem dar lugar político aos operários. Ele observa que o Estado Novo tomou as aparências do fascismo e procurou tirar proveito das disputas entre as potências imperialistas. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 331)

Em 31 de agosto de 1942, pressionado sobretudo pelos Estados Unidos, o governo declarou guerra aos países do Eixo e, em 1944, mandou à Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB). A guerra ajudou a viabilizar a Usina Siderúrgica de Volta Redonda, com empréstimo dos Estados Unidos, projeto estatal ao qual os industriais se opuseram, segundo Décio Saes, porque achavam que o aço importado sairia sempre mais barato. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 8)

A queda

Em 1945, o governo anistiou os condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional e convocou a Assembleia Constituinte. O queremismo, movimento que pedia a permanência de Vargas e o adiamento da eleição presidencial, teve apoio da classe operária, dos sindicatos e dos comunistas e provocou forte reação dos militares e da oposição liberal. Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28)

Em maio de 1945, Prestes defendeu a união nacional para chegar à Constituinte por eleições livres e disse que a anistia tinha sido obra também do governo. Para Sodré, os opositores de Vargas queriam voltar ao passado, e o golpe que o depôs foi uma tentativa de deter pela força um processo que não podia ser detido. (Prestes, União nacional para a democracia e o progresso; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 333)

Nesta leitura

O que dizem os historiadores marxistas

Leitura de classe do governo

Regime
ditadura
Bloco no poder
burocracia de Estado e classe média à frente de um projeto de industrialização que beneficiou a burguesia industrial, com apoio dos trabalhadores urbanos e contra a burguesia cafeeira, na oposição desde 1932 (Boito, pp. 31-32; Saes, pp. 8-9)
Relação com o imperialismo
barganha
Relação com os trabalhadores
repressão, tutela, concessão

Lutas de classes no governo

  • Levante de 1935 · 1935 · Natal (RN), Recife (PE) e Rio de Janeiro, então capital da República

Para estudar este governo

Principal
Complementar
De onde vem cada afirmação desta página (53)

Fontes desta página

  1. Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
  2. Governo Provisório. Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930 (institui o Governo Provisório). planalto.gov.br, 11/11/1930. Abrir ↗
  3. SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
  4. SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
  5. OLIVEIRA, Francisco de. A economia brasileira: crítica à razão dualista. 1972. Abrir ↗
  6. Presidência da República. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (aprova a Consolidação das Leis do Trabalho). planalto.gov.br, 01/05/1943. Abrir ↗
  7. BOITO JR., Armando. Vargas e a herança populista. Vitória da Conquista: Politeia: História e Sociedade (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), v. 3, n. 1, pp. 29-37, 2003. Abrir ↗
  8. Assembleia Nacional Constituinte. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934. planalto.gov.br, 16/07/1934. Abrir ↗
  9. PRESTES, Anita Leocadia. 70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Porto Alegre: Estudos Ibero-Americanos (PUCRS), v. 31, n. 1, pp. 101-120, 2005. Abrir ↗
  10. Congresso Nacional. Lei nº 38, de 4 de abril de 1935 (define crimes contra a ordem política e social). planalto.gov.br, 04/04/1935. Abrir ↗
  11. Presidência da República. Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937. planalto.gov.br, 10/11/1937. Abrir ↗
  12. PRESTES, Luiz Carlos. União nacional para a democracia e o progresso. 1945. Abrir ↗
  13. Anita Leocadia Prestes. 70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL) (Estudos Ibero-Americanos, v. 31, n. 1, 2005). redalyc.org. Abrir ↗
  14. PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto da Aliança Nacional Libertadora. 1935. Abrir ↗