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Era VargasPRRViés: populismo varguista
Getúlio Vargas
Governou de 03/11/1930 a 29/10/1945
Líder da Revolução de 1930, dissolveu o Congresso, foi eleito pela Constituinte em 1934 e, em 1937, deu o golpe do Estado Novo, ditadura que durou até a sua deposição, em 1945. Criou o salário mínimo e a CLT e pôs os sindicatos sob controle do Estado, enquanto perseguia comunistas e militantes da Aliança Nacional Libertadora. Para Sodré, o Estado Novo tentou fazer a revolução burguesa sem o proletariado.
- Partido
- Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), na Aliança Liberal; fundaria o PTB em 1945
- Como chegou
- Revolução de 1930; chefe do Governo Provisório depois da junta governativa e, em 1934, eleito presidente pela Assembleia Constituinte
- Como saiu
- deposto por militares em 29 de outubro de 1945
- Nascimento
- São Borja (RS), 1883
- Morte
- Rio de Janeiro (RJ), 1954
- Antes da presidência
- advogado; deputado estadual e federal pelo PRR, ministro da Fazenda (1926-1927) e presidente do Rio Grande do Sul (1928-1930)
O governo em datas
Getúlio Vargas, 1930–1945
- 03/11/1930Vargas toma posse como chefe do Governo Provisório.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 11/11/1930Decreto nº 19.398 institui o Governo Provisório e confirma a dissolução do Congresso.Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930
- 16/07/1934Promulgada a Constituição de 1934.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934
- 04/04/1935Lei nº 38 define os crimes contra a ordem política e social.Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935
- 11/07/1935Vargas fecha a Aliança Nacional Libertadora por decreto.Anita Leocadia Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora
- 10/11/1937Golpe do Estado Novo e outorga da Carta de 1937.Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937
- 01/05/1943Decreto-Lei nº 5.452 aprova a CLT.Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943
- 29/10/1945Vargas é deposto por militares.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
O que o governo fez
Principais medidas
- 1930
Governo Provisório
Dissolução do Congresso e das assembleias estaduais e municipais.
Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930 Leis do trabalho
Jornada de oito horas na indústria e no comércio, carteira profissional, salário mínimo, comissões mistas de conciliação e regras para os sindicatos.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República- 1935
Lei de Segurança Nacional
Definição dos crimes contra a ordem política e social, usada contra comunistas e aliancistas.
Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935 - 1937
Carta do Estado Novo
Constituição outorgada depois da dissolução do Congresso.
Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937 - 1942
Guerra ao Eixo
Declaração de guerra aos países do Eixo; em 1944, envio da FEB à Itália.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República - 1943
CLT
Consolidação das Leis do Trabalho.
Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943
Para entender o governo
Da Revolução de 1930 ao Governo Provisório
Getúlio Dornelles Vargas nasceu em São Borja (RS), em 1883, e fez carreira no Partido Republicano Rio-Grandense, como deputado, ministro da Fazenda de Washington Luís e presidente do Rio Grande do Sul. Derrotado na eleição de 1930 pelo paulista Júlio Prestes, ele articulou o movimento armado que depôs Washington Luís e tomou posse como chefe do Governo Provisório em 3 de novembro de 1930. Oito dias depois, o Decreto nº 19.398 confirmou a dissolução do Congresso Nacional e das assembleias dos estados e dos municípios. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27; Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, art. 2º)
Para Nelson Werneck Sodré, a Revolução de 1930 nasceu de uma brecha na classe dominante, que se dividiu e permitiu a aliança de uma de suas frações com a classe média, representada sobretudo pelo tenentismo, o movimento da média oficialidade do Exército, sem a participação da classe operária. Nos anos seguintes, o governo oscilou entre os tenentes e os políticos tradicionais, até que a classe dominante recompôs a sua unidade depois da derrota da rebelião paulista de 1932. (Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 328-329; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 9)
A crise do café e o mercado interno
A crise mundial de 1929 reduziu as exportações, desorganizou as finanças públicas e obrigou o governo a comprar e destruir estoques de café. Sodré registra que a queima retirou do mercado 80 milhões de sacas, o equivalente a três anos do consumo mundial. Ele mostra que a recuperação veio de fatores internos e que a produção industrial cresceu cerca de 50% entre 1929 e 1937. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28; Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 323, 326 e 327)
Francisco de Oliveira vê em 1930 o fim da hegemonia agrário-exportadora, isto é, do comando dos grupos que viviam de vender café e outros produtos primários para fora. A partir dali, segundo ele, o Estado passou a penalizar a produção para exportação em favor da acumulação industrial, embora a renda da indústria só tenha superado a da agricultura em 1956. (Oliveira, A economia brasileira, pp. 9-10)
As leis do trabalho e o sindicato de Estado
Nos quinze anos de governo, leis fixaram a jornada de oito horas na indústria e no comércio, regularam o trabalho de mulheres e menores e criaram a carteira profissional, o salário mínimo e as comissões mistas de conciliação. O governo criou também o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Em 1º de maio de 1943, o Decreto-Lei nº 5.452 aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que reuniu a legislação social e trabalhista do período. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27; Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, art. 1º; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 10)
Para Armando Boito Jr., o varguismo foi um populismo, isto é, uma política apoiada na expectativa dos trabalhadores pouco organizados por uma ação salvadora do Estado. A CLT, segundo ele, trouxe os direitos trabalhistas junto com uma estrutura sindical de Estado, que burocratizou cedo o movimento sindical. Vargas usou essa estrutura para manter os sindicatos sob controle e impedir que a luta política dos comunistas se juntasse à luta dos trabalhadores por salário e direitos. (Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 29-32)
Francisco de Oliveira acrescenta que a lei tratou o salário mínimo como salário de subsistência, calculado pelas necessidades de alimentação do trabalhador. Para ele, a legislação trabalhista criou as condições internas da acumulação industrial e selou um pacto da burguesia industrial com os trabalhadores urbanos contra as antigas classes proprietárias rurais, sem tocar nas relações de trabalho no campo. (Oliveira, A economia brasileira, pp. 11 e 35-36)
A ANL, 1935 e o golpe de 1937
Em 16 de julho de 1934, a Assembleia Constituinte promulgou uma Constituição de feição liberal e elegeu Vargas presidente. Em 30 de março de 1935, foi lançada no Rio de Janeiro a Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente contra o integralismo, versão brasileira do fascismo, contra o imperialismo e contra o latifúndio. Dias depois, a Lei nº 38 definiu os crimes contra a ordem política e social. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27-28; Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934; Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, pp. 101 e 118; Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935)
Anita Leocadia Prestes registra que a ANL tinha de 70 mil a 100 mil militantes quando Vargas a fechou por decreto, em 11 de julho de 1935. Em novembro, os levantes armados decididos pela direção do PCB foram derrotados. Para a historiadora, eles não queriam implantar o comunismo, como diz a versão oficial que os chamou de Intentona, e sim derrubar Vargas e formar um governo popular nacional revolucionário. Ela aponta como erro dos comunistas o julgamento de que a situação do país já era revolucionária. (Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, pp. 107, 112, 114 e 117-118)
Sodré, que chama o movimento de 1935 de intentona, afirma que a repressão abriu um período de reação fascista e que o golpe de 1937 foi recebido sem aplausos e sem resistência, porque as forças democráticas estavam isoladas. Em 10 de novembro de 1937, Vargas dissolveu o Congresso e outorgou uma nova Carta, que deu início ao Estado Novo, a ditadura que durou até 1945. Em 1938, o governo enfrentou o levante integralista, tentativa de golpe da extrema direita. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 330; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27-28; Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937)
O Estado Novo e a guerra
Para Sodré, num esquema que ele mesmo chama de simplista, a ditadura de 1937 foi uma tentativa de realizar a revolução burguesa sem o proletariado, isto é, de fazer avançar o capitalismo sem dar lugar político aos operários. Ele observa que o Estado Novo tomou as aparências do fascismo e procurou tirar proveito das disputas entre as potências imperialistas. (Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 331)
Em 31 de agosto de 1942, pressionado sobretudo pelos Estados Unidos, o governo declarou guerra aos países do Eixo e, em 1944, mandou à Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB). A guerra ajudou a viabilizar a Usina Siderúrgica de Volta Redonda, com empréstimo dos Estados Unidos, projeto estatal ao qual os industriais se opuseram, segundo Décio Saes, porque achavam que o aço importado sairia sempre mais barato. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28; Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 8)
A queda
Em 1945, o governo anistiou os condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional e convocou a Assembleia Constituinte. O queremismo, movimento que pedia a permanência de Vargas e o adiamento da eleição presidencial, teve apoio da classe operária, dos sindicatos e dos comunistas e provocou forte reação dos militares e da oposição liberal. Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28)
Em maio de 1945, Prestes defendeu a união nacional para chegar à Constituinte por eleições livres e disse que a anistia tinha sido obra também do governo. Para Sodré, os opositores de Vargas queriam voltar ao passado, e o golpe que o depôs foi uma tentativa de deter pela força um processo que não podia ser detido. (Prestes, União nacional para a democracia e o progresso; Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 333)
Nesta leitura
O que dizem os historiadores marxistas
Nelson Werneck Sodré
A Revolução de 1930 saiu de uma brecha na classe dominante, sem a classe operária; o Estado Novo foi uma tentativa de realizar a revolução burguesa sem o proletariado.
Sodré, Formação histórica do Brasil, pp. 328-331Armando Boito Jr.
O varguismo foi um populismo progressista; a CLT juntou direitos trabalhistas e uma estrutura sindical de Estado que manteve os sindicatos sob controle.
Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 29-32Francisco de Oliveira
A legislação trabalhista, com o salário mínimo de subsistência, criou as condições internas da acumulação industrial e selou um pacto que preservou as relações de trabalho no campo.
Oliveira, A economia brasileira, pp. 9-11 e 35-36Anita Leocadia Prestes
Os levantes de 1935 queriam um governo popular nacional revolucionário, e não o comunismo; os comunistas erraram ao julgar a situação revolucionária, e Vargas usou o anticomunismo para derrotar as forças democráticas.
Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, pp. 114-118Décio Saes
A classe média levou ao intervencionismo industrializante depois de 1930, e a política populista antecipou reivindicações populares para buscar apoio que a classe dominante negava.
Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, pp. 8-10
Leitura de classe do governo
- Regime
- ditadura
- Bloco no poder
- burocracia de Estado e classe média à frente de um projeto de industrialização que beneficiou a burguesia industrial, com apoio dos trabalhadores urbanos e contra a burguesia cafeeira, na oposição desde 1932 (Boito, pp. 31-32; Saes, pp. 8-9)
- Relação com o imperialismo
- barganha
- Relação com os trabalhadores
- repressão, tutela, concessão
Lutas de classes no governo
- Levante de 1935 · 1935 · Natal (RN), Recife (PE) e Rio de Janeiro, então capital da República
Para estudar este governo
SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Onde ler: pp. 323-333.
PRESTES, Anita Leocadia. 70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Porto Alegre: Estudos Ibero-Americanos (PUCRS), v. 31, n. 1, pp. 101-120, 2005. Onde ler: pp. 101-118.
OLIVEIRA, Francisco de. A economia brasileira: crítica à razão dualista. 1972. Onde ler: pp. 9-11 e 35-36.
Ler grátis: A economia brasileira: crítica à razão dualista ↗
SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Onde ler: pp. 8-10.
PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto da Aliança Nacional Libertadora. 1935.
PRESTES, Luiz Carlos. União nacional para a democracia e o progresso. 1945.
Ler grátis: União nacional para a democracia e o progresso ↗
BOITO JR., Armando. Vargas e a herança populista. Vitória da Conquista: Politeia: História e Sociedade (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), v. 3, n. 1, pp. 29-37, 2003. Onde ler: pp. 29-32.
De onde vem cada afirmação desta página (53)
- FatoEm 1945, foram anistiados os condenados pelo Tribunal de Segurança Nacional e convocada a Assembleia Nacional Constituinte.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- Interpretação · Anita Leocadia PrestesOs comunistas erraram ao caracterizar a situação do país como revolucionária, e o governo Vargas, com o apoio da direita e as bandeiras do anticomunismo, impôs grave derrota às forças democráticas.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 118
- Interpretação · Anita Leocadia PrestesOs levantes de novembro de 1935 não pretendiam estabelecer o comunismo, como afirma a história oficial que os chamou de Intentona Comunista, e sim derrubar o governo Vargas e estabelecer um governo popular nacional revolucionário.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 114
- FatoEm 11 de julho de 1935, Vargas assinou o decreto que fechou a ANL, acusada de ser instrumento do comunismo internacional.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 112
- FatoA ANL foi lançada em 30 de março de 1935, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, como frente contra o integralismo e o fascismo, a dominação imperialista e o latifúndio.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 101
- FatoO manifesto da ANL de 5 de julho de 1935, assinado por Prestes, pedia a derrubada do governo Vargas, um governo popular nacional revolucionário e todo o poder à ANL.Prestes, Manifesto da Aliança Nacional Libertadora
- FatoNo momento do seu fechamento, no início de julho de 1935, a ANL tinha entre 70 mil e 100 mil militantes, segundo dados de Caio Prado Júnior.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 107
- Interpretação · Armando Boito Jr.A CLT trouxe a legislação trabalhista e a estrutura sindical corporativa de Estado, que burocratizou precocemente o movimento sindical; Vargas a usou para manter o controle do Estado sobre os sindicatos e impedir a unificação da luta política dos comunistas com a luta reivindicativa dos trabalhadores.Boito Jr., Vargas e a herança populista, p. 32
- Interpretação · Armando Boito Jr.O varguismo foi um populismo, fenômeno marcado pela expectativa de setores populares menos organizados por uma ação salvadora do Estado, e um populismo progressista, porque levou adiante a industrialização.Boito Jr., Vargas e a herança populista, pp. 29-31
- FatoAntes de 1930, Vargas foi deputado estadual e federal pelo Partido Republicano Rio-Grandense, ministro da Fazenda de Washington Luís (1926-1927) e presidente do Rio Grande do Sul, com posse em 25 de janeiro de 1928.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoO Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho.Presidência da República, Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, art. 1º
- FatoA legislação social e trabalhista foi reunida na CLT durante o Estado Novo.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 10
- FatoA Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil foi promulgada em 16 de julho de 1934.Assembleia Nacional Constituinte, Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934, preâmbulo
- FatoA Constituição dos Estados Unidos do Brasil outorgada pelo presidente é de 10 de novembro de 1937.Presidência da República, Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937, preâmbulo
- FatoA crise de 1929 reduziu as exportações, desorganizou as finanças públicas e obrigou o governo a comprar e destruir estoques de café.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- FatoO Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, instituiu o Governo Provisório e confirmou a dissolução do Congresso Nacional e dos órgãos legislativos dos estados e dos municípios.Governo Provisório, Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, art. 2º
- FatoVargas foi deposto em 29 de outubro de 1945.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoCandidato da Aliança Liberal, Vargas foi derrotado nas urnas pelo paulista Júlio Prestes e articulou o movimento de deposição de Washington Luís.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoCom a promulgação da Constituição de 1934, de características liberais, Vargas foi eleito presidente pela Assembleia Constituinte.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, pp. 27-28
- FatoEm 10 de novembro de 1937, Vargas anunciou a dissolução do Congresso e outorgou nova Carta, dando início ao Estado Novo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoEm 31 de agosto de 1942, pressionado pelas nações aliadas, sobretudo pelos Estados Unidos, e pela opinião pública interna, o governo declarou guerra aos países do Eixo; em 1944, enviou a FEB à Itália.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- FatoA produção industrial cresceu cerca de 50% entre 1929 e 1937.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 327
- Interpretação · Anita Leocadia PrestesO integralismo foi o congênere nacional do fascismo.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 118
- FatoNo período, leis estabeleceram a jornada de oito horas na indústria e no comércio, regularam o trabalho feminino e o de menores, instituíram a carteira profissional, o salário mínimo e as comissões mistas de conciliação e trataram da organização sindical e patronal.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoEm 1938, o governo enfrentou o levante integralista, movimento golpista de extrema direita de conspiradores ligados à recém-extinta Ação Integralista Brasileira, liderada por Plínio Salgado.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- FatoA decisão de desencadear os levantes de novembro de 1935 foi tomada pela direção do PCB junto com o Secretariado Sul-Americano da Internacional Comunista.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 117
- FatoOs levantes de novembro de 1935 foram derrotados.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 117
- FatoA Lei nº 38, de 4 de abril de 1935, definiu crimes contra a ordem política e social.Congresso Nacional, Lei nº 38, de 4 de abril de 1935, ementa
- FatoForam criados os ministérios da Educação e Saúde Pública, da Agricultura e do Trabalho, Indústria e Comércio.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoVargas suicidou-se no Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1954.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoGetúlio Vargas nasceu em São Borja (RS), em 19 de abril de 1883.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- Interpretação · Francisco de OliveiraA Revolução de 1930 marca o fim da hegemonia agrário-exportadora e o início da predominância da estrutura produtiva de base urbano-industrial.Oliveira, A economia brasileira, p. 9
- FatoA renda do setor industrial superou a da agricultura pela primeira vez em 1956.Oliveira, A economia brasileira, p. 9
- Interpretação · Francisco de OliveiraA legislação trabalhista criou as condições da acumulação industrial e foi a cumeeira de um pacto de classes em que a burguesia industrial usou o apoio das classes trabalhadoras urbanas para liquidar politicamente as antigas classes proprietárias rurais, sem afetar as relações de produção no campo.Oliveira, A economia brasileira, pp. 35-36
- Interpretação · Francisco de OliveiraA destruição das regras da economia agrário-exportadora significou penalizar o custo e a rentabilidade da produção para o exterior em favor da indústria.Oliveira, A economia brasileira, p. 10
- Interpretação · Francisco de OliveiraA legislação interpretou o salário mínimo como salário de subsistência, calculado pelas necessidades alimentares do trabalhador, sem incorporar os ganhos de produtividade.Oliveira, A economia brasileira, p. 11
- FatoApoiado na Lei de Segurança Nacional e na polícia do Distrito Federal, o governo intensificou a perseguição aos comunistas, aos aliancistas e aos antifascistas, prendendo líderes e proibindo atos públicos.Prestes, 70 anos da Aliança Nacional Libertadora, p. 110
- FatoNo início do governo, o país tinha cerca de 37 milhões de habitantes, dos quais 70% viviam na área rural.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoDepois do exercício da junta governativa, Vargas tomou posse como chefe do Governo Provisório em 3 de novembro de 1930.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- Interpretação · Luiz Carlos PrestesEm maio de 1945, o PCB defendia a união nacional e o caminho pacífico, por eleições livres, até a Assembleia Constituinte, e via a anistia como obra também do governo, que preferira ficar com o povo.Prestes, União nacional para a democracia e o progresso
- FatoPela queima, foram retiradas do mercado 80 milhões de sacas de café, o correspondente a três anos do consumo mundial.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 323
- FatoO queremismo, apoiado pela classe operária, pelos sindicatos e pelos comunistas, pedia o adiamento da eleição presidencial e a manutenção de Vargas no poder e provocou forte reação nos meios militares e na oposição liberal.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
- FatoDurante o Estado Novo, o empresariado industrial se opôs ao projeto estatal de Volta Redonda, alegando que o aço importado seria sempre mais barato.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 8
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA Revolução de 1930 resultou de uma brecha na classe dominante, que permitiu a composição de uma de suas frações com a classe média, representada sobretudo pelo tenentismo; a classe operária esteve ausente, o que bastaria para caracterizá-la.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 328
- Interpretação · Nelson Werneck SodréAs forças que se opunham a Vargas em 1945 pretendiam o retorno ao passado, e o golpe que o retirou do poder foi uma tentativa de deter pela força um processo inexorável.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 333
- Interpretação · Nelson Werneck SodréNa sua primeira metade, o Estado Novo buscou no exterior uma política de equilíbrio para tirar proveito das contradições entre os imperialismos.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 331
- Interpretação · Nelson Werneck SodréNum esquema simplista, a ditadura de 1937 correspondia a uma tentativa de realizar a revolução burguesa sem o proletariado; o Estado Novo tomou as exterioridades do fascismo, mas correspondia a uma etapa capitalista inicial.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 331
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA recuperação brasileira depois de 1929 veio de fatores internos, e a demanda interna passou a ser o elemento dinâmico da economia.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 326
- Interpretação · Nelson Werneck SodréO Governo Provisório oscilou entre os tenentes e os políticos tradicionais, e a classe dominante recompôs a sua unidade depois da vitória sobre a rebelião paulista.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 329
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA repressão à intentona de 1935 inaugurou um período de reação fascista, e o golpe de 1937 foi recebido sem aplausos e sem resistências por causa do isolamento das forças democráticas.Sodré, Formação histórica do Brasil, p. 330
- FatoA participação da classe média na Revolução de 1930 se fez representar pela média oficialidade do Exército, o movimento tenentista.Saes, Capitalismo e processo político no Brasil, p. 9
- FatoO Congresso promulgou a Lei de Segurança Nacional e foi criado o Tribunal de Segurança Nacional.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 27
- FatoA participação do Brasil na guerra contribuiu para a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, que contou com empréstimo dos Estados Unidos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 28
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Governo Provisório. Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930 (institui o Governo Provisório). planalto.gov.br, 11/11/1930. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do Brasil. 1962. Abrir ↗
- SAES, Décio Azevedo Marques de. Capitalismo e processo político no Brasil: a via brasileira para o desenvolvimento do capitalismo. 2015. Abrir ↗
- OLIVEIRA, Francisco de. A economia brasileira: crítica à razão dualista. 1972. Abrir ↗
- Presidência da República. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 (aprova a Consolidação das Leis do Trabalho). planalto.gov.br, 01/05/1943. Abrir ↗
- BOITO JR., Armando. Vargas e a herança populista. Vitória da Conquista: Politeia: História e Sociedade (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia), v. 3, n. 1, pp. 29-37, 2003. Abrir ↗
- Assembleia Nacional Constituinte. Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, de 16 de julho de 1934. planalto.gov.br, 16/07/1934. Abrir ↗
- PRESTES, Anita Leocadia. 70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL). Porto Alegre: Estudos Ibero-Americanos (PUCRS), v. 31, n. 1, pp. 101-120, 2005. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 38, de 4 de abril de 1935 (define crimes contra a ordem política e social). planalto.gov.br, 04/04/1935. Abrir ↗
- Presidência da República. Constituição dos Estados Unidos do Brasil, de 10 de novembro de 1937. planalto.gov.br, 10/11/1937. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. União nacional para a democracia e o progresso. 1945. Abrir ↗
- Anita Leocadia Prestes. 70 anos da Aliança Nacional Libertadora (ANL) (Estudos Ibero-Americanos, v. 31, n. 1, 2005). redalyc.org. Abrir ↗
- PRESTES, Luiz Carlos. Manifesto da Aliança Nacional Libertadora. 1935. Abrir ↗