Estudos / História do Brasil / Ditadura empresarial-militar / Humberto de Alencar Castelo Branco

Ditadura empresarial-militarViés: ditadura do capital associado
Humberto de Alencar Castelo Branco
Governou de 15/04/1964 a 15/03/1967
Marechal e articulador do golpe de 1964, foi eleito pelo Congresso e governou até 1967 com atos institucionais que extinguiram os partidos e tornaram indiretas as eleições. Seu plano econômico, conduzido por associados do IPES, cortou crédito e reajustes salariais e criou o FGTS no lugar da estabilidade. Para Francisco de Oliveira, o ajuste jogou o custo da inflação sobre os trabalhadores.
- Como chegou
- eleito pelo Congresso Nacional, em eleição indireta prevista no AI-1, depois do golpe de 1964, de que foi um dos principais articuladores
- Como saiu
- passou o cargo a Costa e Silva em 15 de março de 1967, depois de ter o mandato prorrogado pela Emenda Constitucional nº 9
- Nascimento
- Fortaleza (CE), 1897
- Morte
- Ceará, em acidente aéreo, 1967
- Antes da presidência
- militar; integrou a Força Expedicionária Brasileira na Itália, comandou o IV Exército, em Recife (1962-1963), e chefiou o Estado-Maior do Exército (1963-1964)
O governo em datas
Humberto de Alencar Castelo Branco, 1964–1967
- 15/04/1964Castelo Branco toma posse depois de eleito pelo Congresso.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
- 13/06/1964Lei nº 4.341 cria o Serviço Nacional de Informações (SNI).Congresso Nacional, Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964
- 22/07/1964Emenda Constitucional nº 9 estende o mandato até 15 de março de 1967.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 22 de julho de 1964
- 27/10/1965AI-2 extingue os partidos e torna indireta a eleição do presidente.Presidência da República, Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965
- 05/02/1966AI-3 torna indireta a eleição dos governadores.Presidência da República, Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966
- 13/09/1966Lei nº 5.107 cria o FGTS.Congresso Nacional, Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966
- 24/01/1967Promulgada a Constituição de 1967.Congresso Nacional, Constituição do Brasil, de 24 de janeiro de 1967
- 13/03/1967Decreto-Lei nº 314 define os crimes contra a segurança nacional.Presidência da República, Decreto-Lei nº 314, de 13 de março de 1967
O que o governo fez
Principais medidas
- 1964
PAEG
Plano para conter a inflação com restrição ao crédito e redução dos reajustes salariais.
Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v - 1964
Banco Central
Criação do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central.
Congresso Nacional, Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964 - 1964
BNH
Banco Nacional da Habitação para financiar a casa própria.
Congresso Nacional, Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964 - 1965
Arrocho salarial
Reajustes dos dissídios calculados sobre o salário real médio dos 24 meses anteriores.
Congresso Nacional, Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965 - 1966
FGTS
Fundo de garantia no lugar da estabilidade no emprego.
Congresso Nacional, Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966 - 1966
INPS
Unificação dos institutos de aposentadoria e pensões.
Arquivo Nacional, Os presidentes e a República
Para entender o governo
O marechal do golpe
Humberto de Alencar Castelo Branco nasceu em Fortaleza (CE), em 1897, e fez carreira no Exército, com passagem pela Força Expedicionária Brasileira na Itália e pela Escola Superior de Guerra. Ele comandou o IV Exército, em Recife, chefiou o Estado-Maior do Exército a partir de 1963 e foi um dos principais articuladores do golpe que derrubou João Goulart em 1964. Eleito pelo Congresso de forma indireta, tomou posse em 15 de abril de 1964 e morreu num acidente aéreo no Ceará, em julho de 1967. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42)
O Ato Institucional nº 1, baixado em 9 de abril de 1964 pelo Comando Supremo da Revolução, mandou o Congresso eleger o novo presidente em dois dias e suspendeu por seis meses a estabilidade de servidores e juízes, que puderam ser demitidos depois de uma investigação sumária. A Emenda Constitucional nº 9, de julho de 1964, estendeu o mandato de Castelo até 15 de março de 1967. (Comando Supremo da Revolução, Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, arts. 2º e 7º; Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 22 de julho de 1964)
Atos institucionais e dois partidos
Segundo o Arquivo Nacional, o governo respondeu à oposição com intervenção em sindicatos, extinção de entidades estudantis, invasão de universidades e prisões, e muitos opositores partiram para o exílio. Em junho de 1964, a Lei nº 4.341 criou o Serviço Nacional de Informações (SNI), o órgão encarregado da informação e da contrainformação em nome da segurança nacional. Em novembro, a Lei nº 4.464 proibiu as entidades estudantis de fazer propaganda político-partidária e de apoiar ausências coletivas às aulas. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42; Congresso Nacional, Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964, art. 2º; Congresso Nacional, Lei nº 4.464, de 9 de novembro de 1964, art. 14)
Quando a oposição venceu as eleições para governador na Guanabara e em Minas Gerais, em outubro de 1965, o governo baixou o AI-2, que tornou indireta a eleição do presidente, extinguiu os partidos e abriu a Justiça Militar ao julgamento de civis acusados de crimes contra a segurança nacional. Um ato complementar permitiu só dois partidos, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), de apoio ao governo, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), de oposição. O AI-3, de fevereiro de 1966, tornou indireta também a eleição dos governadores, e o AI-4 convocou o Congresso para votar a Constituição de 24 de janeiro de 1967. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42; Presidência da República, Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, arts. 8º, 9º e 18; Presidência da República, Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966, art. 1º; Presidência da República, Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966; Congresso Nacional, Constituição do Brasil, de 24 de janeiro de 1967)
O PAEG e o arrocho salarial
Na economia, o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG) buscou conter a inflação, retomar o crescimento e normalizar o crédito. Em 1964, a Lei nº 4.595 criou o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central, e a Lei nº 4.380 criou o Banco Nacional da Habitação (BNH) para financiar a casa própria. (Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42; Congresso Nacional, Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964; Congresso Nacional, Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964)
A Comissão Nacional da Verdade registra que a política de arrocho salarial, a redução dos índices de reajuste dos salários, começou com uma circular do Ministério da Fazenda de junho de 1964 para o setor público. A Lei nº 4.725, de julho de 1965, levou a regra aos dissídios do setor privado, com o reajuste calculado sobre o salário real médio dos 24 meses anteriores. A Lei nº 4.330, de junho de 1964, já tinha regulado o direito de greve e o negado à maior parte dos servidores públicos. (Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323; Congresso Nacional, Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965, art. 2º; Congresso Nacional, Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, art. 4º)
Em setembro de 1966, a Lei nº 5.107 criou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que, segundo o Arquivo Nacional, substituiu a estabilidade no emprego. As empresas passaram a depositar todo mês 8% da remuneração de cada empregado numa conta vinculada, e o anteprojeto da lei saiu de uma equipe do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Em novembro do mesmo ano, os institutos de aposentadoria foram unificados no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). (Congresso Nacional, Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, art. 2º; Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323; Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42)
O IPES no governo
O IPES foi fundado no fim de 1961 por empresários, executivos e oficiais das Forças Armadas, como o general Golbery do Couto e Silva, e fez campanha contra o governo Goulart. A Comissão Nacional da Verdade registra que associados do IPES ocuparam cargos de peso no governo Castelo, entre eles Roberto Campos, no Planejamento, e Octávio Gouveia de Bulhões, na Fazenda, os dois ministros que conduziram o PAEG. (Melo, Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente, p. 42; Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, pp. 317 e 323)
Como os marxistas leram o governo
Para Francisco de Oliveira, o PAEG repetiu a receita do Plano Trienal de Goulart, de conter a demanda, e produziu uma recessão que durou até 1967. Ele afirma que o combate à inflação transferiu o custo do ajuste para as classes de renda baixa, com controle salarial mais estrito e uma reforma tributária de fundo regressivo, em que os impostos indiretos, cobrados sobre o consumo, cresciam mais que os impostos sobre a renda. Para ele, o FGTS só beneficiou a acumulação de capital, porque acelerou a rotatividade e a expulsão dos trabalhadores com mais de 40 anos. (Oliveira, A economia brasileira, pp. 59-60 e 76)
Nelson Werneck Sodré viu nos anos de 1964 a 1968 a preparação do que a propaganda chamaria de modelo brasileiro de desenvolvimento. Segundo ele, a compressão dos salários só foi possível com violência policial e desmonte dos sindicatos, e o corte do crédito levou à falência 440 empresas nacionais em 1966 e 550 em 1967. Sodré resume a política como abertura aos interesses externos de um lado e compressão salarial do outro. (Sodré, Brasil, pp. 100-102)
Demian Bezerra de Melo, apoiado na tese de René Dreifuss, lê o governo como a tomada do aparelho de Estado pelo capital multinacional e associado, organizado no IPES como um partido no sentido de Gramsci, isto é, como a organização que dirige politicamente uma classe. Ruy Mauro Marini lembra que o regime ampliou em 1965 as vantagens do capital estrangeiro, ao mudar a Lei nº 4.131, de 1962, e abriu caminho para empréstimos em dinheiro entre empresas estrangeiras e nacionais. Carlos Marighella, em 1966, chamou o regime de ditadura militar que usava a violência e o terror contra o povo e denunciou a submissão do governo ao Fundo Monetário Internacional. (Melo, Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente, p. 43; Dreifuss, 1964: a conquista do Estado; Marini, A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo, pp. 60-61; Marighella, A crise brasileira, pp. 8 e 55)
Nesta leitura
O que dizem os historiadores marxistas
Francisco de Oliveira
O PAEG produziu recessão até 1967 e transferiu às classes de renda baixa o custo do combate à inflação; o FGTS só beneficiou a acumulação.
Oliveira, A economia brasileira, pp. 59-60 e 76Nelson Werneck Sodré
De 1964 a 1968 se preparou o modelo, com compressão salarial imposta pela violência policial e abertura aos interesses externos.
Sodré, Brasil, pp. 99-102René Armand Dreifuss
O complexo IPES/IBAD, partido do capital multinacional e associado, tomou o aparelho de Estado em 1964 e ocupou os ministérios econômicos.
Dreifuss, 1964: a conquista do Estado, resumido por Melo (2012), p. 43Ruy Mauro Marini
Desde 1965 o regime montou a estrutura jurídica para atrair o capital estrangeiro, base do projeto subimperialista.
Marini, A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo, pp. 60-61Carlos Marighella
O regime era uma ditadura militar que usava a violência e o terror e se submetia ao FMI.
Marighella, A crise brasileira, pp. 8 e 55
Leitura de classe do governo
- Regime
- ditadura
- Bloco no poder
- capital multinacional e associado, organizado no IPES, com a cúpula militar e o latifúndio (Melo, p. 43; Sodré, p. 99; Comissão Nacional da Verdade, v. II, p. 323)
- Relação com o imperialismo
- alinhamento
- Relação com os trabalhadores
- repressão, tutela
Para estudar este governo
OLIVEIRA, Francisco de. A economia brasileira: crítica à razão dualista. 1972. Onde ler: pp. 59-60 e 76.
Ler grátis: A economia brasileira: crítica à razão dualista ↗
DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. 1981.
MARINI, Ruy Mauro. A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo. Trad. Maíra Machado Bichir e Fábio Pádua dos Santos. Outubro, n. 20, 1º semestre de 2012, pp. 27-70, 2012. Onde ler: pp. 60-61.
Ler grátis: A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo ↗
MARIGHELLA, Carlos. A crise brasileira (ensaios políticos). 1966. Onde ler: pp. 8 e 55.
SODRÉ, Nelson Werneck. Brasil: radiografia de um modelo. Petrópolis: Vozes, 1974. Onde ler: pp. 99-102.
MELO, Demian Bezerra de. Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente. Marechal Cândido Rondon: Espaço Plural (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), v. 13, n. 27, pp. 39-53, 2012. Onde ler: pp. 42-43.
De onde vem cada afirmação desta página (42)
- FatoO Ato Complementar nº 4, de 20 de novembro de 1965, impôs a formação de só dois partidos, a Arena, de apoio ao governo, e o MDB, de oposição.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoO AI-1, de 9 de abril de 1964, determinou a eleição do presidente pelo Congresso dentro de dois dias.Comando Supremo da Revolução, Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, art. 2º
- FatoO AI-1 suspendeu por seis meses as garantias de vitaliciedade e estabilidade, e os seus titulares puderam ser demitidos, aposentados ou postos em disponibilidade mediante investigação sumária.Comando Supremo da Revolução, Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964, art. 7º, § 1º
- FatoO AI-2, de 27 de outubro de 1965, instituiu a eleição indireta do presidente e do vice, extinguiu os partidos e estendeu a Justiça Militar a civis acusados de crimes contra a segurança nacional.Presidência da República, Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, arts. 8º, 9º e 18
- FatoO AI-3, de 5 de fevereiro de 1966, tornou indireta a eleição dos governadores e determinou a nomeação dos prefeitos das capitais pelos governadores.Presidência da República, Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966, arts. 1º e 4º
- FatoO AI-4, de 7 de dezembro de 1966, convocou o Congresso para votar a nova Constituição, promulgada em 24 de janeiro de 1967.Presidência da República, Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966, ementa
- FatoA política de arrocho salarial foi inaugurada com a Circular nº 10 do Ministério da Fazenda, de 19 de junho de 1964, que fixava as condições dos reajustes do setor público.Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323
- FatoCom a Lei nº 4.725, de 1965, a política de arrocho foi estendida aos trabalhadores do setor privado.Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323
- FatoCastelo Branco foi um dos principais articuladores do golpe militar de 1964, que depôs João Goulart.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoA Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, criou o Conselho Monetário Nacional e reorganizou o sistema financeiro, com o Banco Central.Congresso Nacional, Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ementa
- FatoA Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, criou o Banco Nacional da Habitação e o sistema financeiro para aquisição da casa própria.Congresso Nacional, Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, ementa
- FatoCastelo integrou a seção de planejamento da FEB na Itália, comandou o IV Exército em Recife (1962-1963) e foi chefe do Estado-Maior do Exército (1963-1964).Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoUma das primeiras medidas do governo foi o rompimento de relações com Cuba, e a política externa passou a buscar apoio econômico, político e militar nos Estados Unidos.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoNas eleições diretas para governador de 3 de outubro de 1965, a oposição venceu na Guanabara e em Minas Gerais, o que provocou reação do governo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoA Emenda Constitucional nº 9, de 22 de julho de 1964, estendeu os mandatos do presidente e do vice até 15 de março de 1967.Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Emenda Constitucional nº 9, de 22 de julho de 1964, art. 2º, parágrafo único
- FatoO FGTS substituiu a estabilidade do trabalhador no emprego.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoO anteprojeto do FGTS foi preparado por uma equipe do IPES.Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323
- FatoA Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, criou o FGTS e obrigou as empresas a depositar todo mês 8% da remuneração de cada empregado em conta vinculada.Congresso Nacional, Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966, art. 2º
- FatoA Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, regulou o direito de greve e o vedou aos servidores públicos, salvo em serviço industrial sem remuneração fixada em lei.Congresso Nacional, Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964, art. 4º
- FatoEm novembro de 1966, o governo unificou os institutos de aposentadoria e pensões no INPS.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoO IPES organizou uma campanha de desestabilização do governo Goulart.Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 317
- FatoO IPES foi constituído no final de 1961 por setores empresariais, executivos de empresas e oficiais das Forças Armadas, como o general Golbery do Couto e Silva.Melo, Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente, p. 42
- FatoNo governo Castelo Branco, associados e parceiros do IPES ocuparam cargos importantes, e as pastas do Planejamento e da Fazenda ficaram com Roberto Campos e Octávio Gouveia de Bulhões, que conduziram o PAEG.Comissão Nacional da Verdade, Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v, p. 323
- FatoA Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965, mandou calcular os reajustes dos dissídios coletivos sobre o salário real médio da categoria nos 24 meses anteriores.Congresso Nacional, Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965, art. 2º
- FatoA Lei nº 4.464, de 9 de novembro de 1964, vedou às entidades estudantis a propaganda político-partidária e o apoio a ausências coletivas às aulas.Congresso Nacional, Lei nº 4.464, de 9 de novembro de 1964, art. 14
- Interpretação · Carlos MarighellaA política econômico-financeira do governo trazia concordatas, desemprego, carestia, submissão ao FMI e política antioperária.Marighella, A crise brasileira, p. 8
- Interpretação · Carlos MarighellaDesde abril de 1964, o Brasil estava sob uma ditadura militar que empregava a violência e o terror contra o povo.Marighella, A crise brasileira, p. 55
- Interpretação · Ruy Mauro MariniEm 1965, o regime ampliou as vantagens do capital estrangeiro, modificando a Lei nº 4.131, de 1962, e abriu a porta para empréstimos em dinheiro entre empresas estrangeiras e locais.Marini, A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo, pp. 60-61
- Interpretação · Demian Bezerra de MeloPara Dreifuss, o IPES foi um partido, no sentido gramsciano, do capital multinacional e associado, que tomou de assalto o aparelho de Estado e ocupou o Planejamento, a Fazenda e a Indústria e Comércio.Melo, Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente, p. 43
- FatoCastelo Branco morreu no Ceará, em 18 de julho de 1967, num acidente aéreo.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoCastelo Branco, militar, nasceu em Fortaleza (CE), em 20 de setembro de 1897.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- Interpretação · Francisco de OliveiraA substituição da estabilidade pelo FGTS somente beneficiou a acumulação, acelerando a rotatividade e a expulsão dos trabalhadores com mais de 40 anos.Oliveira, A economia brasileira, p. 76
- Interpretação · Francisco de OliveiraA política de combate à inflação procurou transferir às classes de rendas baixas o ônus desse combate, com reforma fiscal de fundo regressivo e controle salarial mais estrito.Oliveira, A economia brasileira, p. 60
- Interpretação · Francisco de OliveiraO PAEG tinha enorme semelhança formal com o Plano Trienal, e o seu primeiro resultado foi uma forte recessão que se prolongou até 1967.Oliveira, A economia brasileira, p. 59
- FatoO PAEG tinha o objetivo de conter a inflação, retomar o crescimento econômico e normalizar o crédito.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoPor eleição indireta, Castelo Branco passou a exercer a presidência em 15 de abril de 1964.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoO governo Castelo respondeu à oposição com intervenção em sindicatos, extinção de entidades estudantis, invasão de universidades e prisões indiscriminadas; muitos foram para o exílio.Arquivo Nacional, Os presidentes e a República, p. 42
- FatoA Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964, criou o SNI para superintender e coordenar as atividades de informação e contrainformação, em particular as de segurança nacional.Congresso Nacional, Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964, arts. 1º e 2º
- Interpretação · Nelson Werneck SodréÀ compressão salarial, de um lado, correspondeu a abertura aos interesses externos, de outro.Sodré, Brasil, p. 102
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA etapa de 1964 a 1968 preparou o modelo econômico que se definiu a partir de 1968.Sodré, Brasil, p. 100
- FatoEm 1966, 440 empresas nacionais foram à falência; em 1967, 550.Sodré, Brasil, p. 101
- Interpretação · Nelson Werneck SodréA compressão salarial só foi possível pela violência policial e pelo desmantelamento sindical, e o estancamento do crédito arrasou pequenas e médias empresas nacionais.Sodré, Brasil, p. 101
Fontes desta página
- Arquivo Nacional. Os presidentes e a República: Deodoro da Fonseca a Dilma Rousseff, 3. ed. rev. e ampl. (2012). gov.br. Abrir ↗
- Comando Supremo da Revolução. Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964. planalto.gov.br, 09/04/1964. Abrir ↗
- Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Emenda Constitucional nº 9, de 22 de julho de 1964. planalto.gov.br, 22/07/1964. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.341, de 13 de junho de 1964 (cria o Serviço Nacional de Informações). planalto.gov.br, 13/06/1964. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.464, de 9 de novembro de 1964 (órgãos de representação dos estudantes). planalto.gov.br, 09/11/1964. Abrir ↗
- Presidência da República. Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965. planalto.gov.br, 27/10/1965. Abrir ↗
- Presidência da República. Ato Institucional nº 3, de 5 de fevereiro de 1966. planalto.gov.br, 05/02/1966. Abrir ↗
- Presidência da República. Ato Institucional nº 4, de 7 de dezembro de 1966. planalto.gov.br, 07/12/1966. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Constituição do Brasil, de 24 de janeiro de 1967. planalto.gov.br, 24/01/1967. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964 (cria o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central). planalto.gov.br, 31/12/1964. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964 (cria o Banco Nacional da Habitação). planalto.gov.br, 21/08/1964. Abrir ↗
- Comissão Nacional da Verdade. Relatório da Comissão Nacional da Verdade, v. II, textos temáticos (dezembro de 2014). gov.br. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.725, de 13 de julho de 1965 (dissídios coletivos e reajustes salariais). planalto.gov.br, 13/07/1965. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 4.330, de 1º de junho de 1964 (regula o direito de greve). planalto.gov.br, 01/06/1964. Abrir ↗
- Congresso Nacional. Lei nº 5.107, de 13 de setembro de 1966 (cria o FGTS). planalto.gov.br, 13/09/1966. Abrir ↗
- MELO, Demian Bezerra de. Ditadura "civil-militar"? Controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os desafios do tempo presente. Marechal Cândido Rondon: Espaço Plural (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), v. 13, n. 27, pp. 39-53, 2012. Abrir ↗
- OLIVEIRA, Francisco de. A economia brasileira: crítica à razão dualista. 1972. Abrir ↗
- SODRÉ, Nelson Werneck. Brasil: radiografia de um modelo. Petrópolis: Vozes, 1974. Abrir ↗
- DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe. 1981.
- MARINI, Ruy Mauro. A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo. Trad. Maíra Machado Bichir e Fábio Pádua dos Santos. Outubro, n. 20, 1º semestre de 2012, pp. 27-70, 2012. Abrir ↗
- MARIGHELLA, Carlos. A crise brasileira (ensaios políticos). 1966. Abrir ↗
- Presidência da República. Decreto-Lei nº 314, de 13 de março de 1967 (Lei de Segurança Nacional). planalto.gov.br, 13/03/1967. Abrir ↗