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Trilhas / Economia política em 4 passos / Passo 1 de 4

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Corte comentadoMais-valia

Por que Marx comemorou a jornada?

Economia política › Trabalho e exploração › Mais-valia · pauta: Escala 6x1

O trecho

O corte vai de 4:17 a 5:51 do vídeo “Karl Marx e o fim da escala 6x1 no Brasil”, publicado pelo Jones Manoel em 15/10/2026.

Ver o trecho no vídeo original
Conceito

Mais-valia

O dia de trabalho tem duas partes. Na primeira, o trabalhador produz o valor do próprio salário. No resto do dia, produz a mais-valia, que fica com o patrão. Por isso, cada hora a menos na jornada sai do lucro.

Fonte: O Capital, livro I, capítulos 7 a 10 (Karl Marx, 1867)

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Transcrição do corte

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O vídeo tem legendas na tela. A transcrição traz também o texto dos cards, para quem não vê a imagem. A narração é nossa, e a fala do Jones vem do vídeo original, sem alteração.

Narração · Esquerda Valente

Em 1847, a Inglaterra limitou a 10 horas por dia o trabalho de mulheres e jovens nas fábricas. Marx chamou essa lei de vitória de um princípio. O historiador Jones Manoel explica por quê.

Jones Manoel · fala originalTrecho de 4:17 a 5:51 do vídeo completo

Primeiro, Karl Marx n'O Capital. Quando ele vai falar da luta pela regulamentação da jornada de trabalho em 10 horas diárias, ele fala que aquilo ali foi a primeira vitória da economia política do trabalho contra o capital. E aí, por quê?

A luta em torno da redução da jornada de trabalho deixa muito explícito o que é a exploração capitalista. Deixa muito explícita o que é a disputa pela apropriação da mais-valia produzida ou do mais valor produzido no âmbito da dinâmica de produção capitalista. Fica muito claro, fica muito claro que o tempo de trabalho que você dedica para ter sua força de trabalho utilizada pelo capital é pra produzir o lucro do capitalista.

Então, quando você reduz a jornada de trabalho, quando você coloca a perspectiva de tempo de trabalho em jogo, você humaniza o trabalhador, porque o trabalhador é visto como muito para além de uma máquina produtiva. Esse ponto é importante. O Domenico Losurdo, em vários livros, por exemplo, mostra que a tradição liberal tende a resumir o trabalhador ou a trabalhadora a uma máquina falante.

Ou a um cavalo, a um animal falante, né? Comparando o trabalhador com um cavalo, um jumento, uma besta. Vocês podem ver isso, por exemplo, no livro A Contra-história do Liberalismo, do Domenico Losurdo.

Então, quando você coloca a jornada de trabalho em debate, o tempo livre do trabalhador da trabalhadora do ambiente de produção, você humaniza ele, você trata ele como uma pessoa, como um ser humano, você debate o que são as condições do trabalhador, e você coloca em perspectiva o que é a disputa pela riqueza socialmente produzida.

Na tela

Lei das 10 horas, Inglaterra, 1847

Domenico Losurdo · Contra-história do liberalismo (2005)

Narração · Esquerda Valente

O dia de trabalho tem duas partes. Na primeira, o trabalhador produz o valor do próprio salário. No resto do dia, produz a mais-valia, que fica com o patrão. Por isso, cada hora a menos na jornada sai do lucro. No próximo corte, o Jones conta o que acontece quando faz campanha com a foice e o martelo.