marxista-leninistaO petróleo é nosso; imperialismo; burguesia nacional
Nelson Werneck Sodré
Formação histórica do Brasil · Brasiliense, São Paulo, 1962
“Ao assinar, em 3 de outubro de 1953, a lei 2.004, criando a Petrobrás, não podia apresentar-se como criador da emprêsa estatal; seu govêrno, muito ao contrário, perseguira duramente os movimentos de massas em defesa daquela solução.” (p. 386)
Resumo nosso: a Petrobras nasceu da luta de massas pelo monopólio estatal, e o governo Vargas, que assinou a Lei 2.004, tinha reprimido essa luta. Depois de agosto de 1954, o grupo que chegou ao governo tentou destruir a empresa e recuou diante da opinião do país. Entre as medidas de um desenvolvimento independente do imperialismo, Sodré lista o monopólio de Estado e a autossuficiência no abastecimento de petróleo.
Ler a fonte ↗marxista-leninistaimperialismo; monopólio; partilha do mundo
Vladímir Lênin
Imperialismo, estágio superior do capitalismo, cap. V (A partilha do mundo entre as associações de capitalistas) · Arquivo Marxista na Internet, 1916
“A indústria do petróleo oferece-nos um exemplo elucidativo de uma tentativa de nova partilha deste gênero, da luta para o conseguir.” (cap. V; o texto do MIA traz ‘urna’ por erro de digitalização)
Resumo nosso: Lênin usa a indústria do petróleo como exemplo da luta dos monopólios pela partilha do mundo. A Standard Oil, de Rockefeller, disputou o mercado com o grupo Rothschild e Nobel e com os bancos alemães, que em 1907 aceitaram um acordo desvantajoso com ela. O acordo perderia a validade se a Alemanha criasse o monopólio estatal do petróleo, e o projeto desse monopólio foi adiado.
Ler a fonte ↗marxistarenda da terra; rentismo
Leda Maria Paulani
Acumulação e rentismo: resgatando a teoria da renda de Marx para pensar o capitalismo contemporâneo · Revista de Economia Política, v. 36, n. 3, pp. 514-535, 2016
“O exemplo brasileiro da exploração do petróleo ilustra esse tipo de rentismo.” (p. 527)
Resumo nosso: Paulani usa a teoria da renda de Marx para explicar o rentismo de hoje. No petróleo, a renda vem de um recurso esgotável do subsolo, e o Estado costuma patrocinar esse rentismo. Para ela, a Constituição de 1988 vedava o contrato de concessão, e a Lei 9.478/1997 o adotou, entregando ao concessionário as rendas do setor em vez de deixá-las sob controle do Estado.
Ler a fonte ↗marxistasubimperialismo; dependência
Ruy Mauro Marini
A acumulação capitalista mundial e o subimperialismo · Outubro, n. 20, 1º semestre de 2012, pp. 27-70 (original em espanhol, 1977), 1977
“como mostra o caso do petróleo no qual o papel dos Estados nacionais dependentes na reprodução do capital tem se acentuado” (p. 64)
Resumo nosso: nos anos 1970 o Brasil dependente passou a exportar capital e a buscar matérias-primas e fontes de energia no exterior, como o petróleo, por meio das estatais e de créditos, e Marini chama esse movimento de subimperialismo (p. 62). No petróleo, diz ele, cresce o papel dos Estados dependentes na reprodução do capital.
Ler a fonte ↗marxista-leninistadependência; refino; integração da cadeia
André Tokarski
Economia: Foco em rentabilidade ofusca função social da Petrobras · Fundação Maurício Grabois, 2024
“tornou-se exportador de petróleo cru, mas é dependente da importação de derivados para garantir o abastecimento do mercado interno de combustíveis” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: o Brasil produz mais petróleo do que consome desde 2014 e virou exportador de cru, mas depende de derivados importados. Tokarski liga esse paradoxo aos planos de negócios da Petrobras: a fatia do investimento em abastecimento (refino, transporte e comercialização) caiu de 35% no plano 2010-2014 para 18% no plano 2014-2018, e o plano 2015-2019 pôs como prioridade a desalavancagem e a geração de valor. Com o PIB crescendo acima de 3% ao ano, o país ficaria mais exposto ao dólar e ao preço do barril.
Ler a fonte ↗marxista-leninistaimperialismo; monopólio
Luiz Carlos Prestes
Nossa política: Prestes aponta aos brasileiros o caminho da libertação (Manifesto de Agosto) · Problemas, revista mensal de cultura política, nº 29, ago.-set. de 1950 (Arquivo Marxista na Internet), 1950
“O petróleo continua sob a ameaça avassaladora da Standard Oil, que faz às escancaras a mais despudorada campanha de suborno e corrupção.” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: o manifesto do PCB põe o petróleo entre as riquezas ameaçadas pelos monopólios norte-americanos e acusa a Standard Oil de comprar apoio para a entrega do petróleo brasileiro.
Ler a fonte ↗marxista-leninistaO petróleo é nosso; frente única; burguesia nacional
Augusto César Buonicore
Comunistas e militares nacionalistas na campanha “O petróleo é nosso!” · Fundação Maurício Grabois, 2016
“O núcleo central da campanha pelo monopólio estatal do petróleo estava nas Forças Armadas, especialmente na sua oficialidade nacionalista, e nos comunistas.” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: a campanha virou movimento nacional de massas em 1948, contra o Estatuto do Petróleo do governo Dutra, com a criação do CEDPEN em abril daquele ano. O projeto de Vargas, enviado em dezembro de 1951, fazia da Petrobras uma empresa de economia mista, aberta ao capital privado e estrangeiro. Comunistas e militares nacionalistas atacaram o projeto e defenderam o monopólio estatal, e a Fiesp apoiou a versão de Vargas.
Ler a fonte ↗marxista-leninistaICMS; paridade de importação
Leonardo Godim
O aumento dos combustíveis e a farsa de Bolsonaro · PCB (portal do partido), 2021
“A redução de impostos, porém, não ataca o motivo da alta nos preços.” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: os reajustes do começo de 2021 vieram da paridade de importação. Ao culpar o ICMS dos estados, Bolsonaro desviou a responsabilidade do governo federal e protegeu o projeto privado para o setor, que depende da indexação aos preços internacionais para garantir mercado às importadoras.
Ler a fonte ↗marxista-leninistaICMS; paridade de importação
Iram Alfaia
Zerar impostos sobre combustíveis é proposta eleitoreira · Vermelho (portal do PCdoB), 2022
“Trata-se de uma medida que não altera em nada o Preço de Paridade de Importação (PPI) por meio do qual os valores dos combustíveis estão atrelados ao dólar.” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: o PCdoB tratou o teto de 17% para o ICMS e a compensação aos estados, propostos pelo governo Bolsonaro em 2022, como medida eleitoral que deixava intacta a causa da alta, a paridade de importação.
Ler a fonte ↗marxista-leninistacontrole operário; monopólio estatal
Unidade Classista dos Petroleiros (corrente sindical do PCB)
Pela Petrobrás 100% estatal! · PCB (portal do partido), 2022
“defendemos que a empresa, e todo o setor energético, sejam 100% estatais, e estejam sob gestão dos trabalhadores da indústria do petróleo e escrutínio direto de conselhos populares deliberativos” (texto on-line, sem paginação)
Resumo nosso: a corrente lembra a presença do PCB na campanha ‘O petróleo é nosso’ no fim dos anos 1940, critica a venda da BR Distribuidora e a mudança no regime de partilha do pré-sal e defende o setor energético inteiro estatal, sob gestão dos trabalhadores e controle de conselhos populares.
Ler a fonte ↗sindicalprivatização do refino e da distribuição; paridade de importação
INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra, ligado à FUP)
Boletim de Preços dos Combustíveis nº 41 (dados de setembro de 2026) · INEEP, 2026
“As medidas fiscais são instrumentos relevantes, mas emergenciais e de eficácia limitada diante de choques prolongados.” (p. 1)
Resumo nosso: com o Brent a US$ 114,16 em setembro de 2026, alta de 25,3% no mês, a Petrobras manteve os menores preços de refinaria, e as refinarias privatizadas seguiram o PPI ou ficaram acima dele. A Ream vendeu o diesel a R$ 7,34 o litro, contra R$ 3,31 da Petrobras. No GLP, o PPI levaria o preço a R$ 51,37, e a Petrobras cobrou R$ 34,67. O INEEP conclui que a coordenação estatal dos preços ficou limitada pela venda da BR Distribuidora (2021) e da Liquigás (2020).
Ler a fonte ↗contraponto declaradoparidade de importação
Petrobras (diretoria executiva de Pedro Parente)
Adotamos nova política de preços de diesel e gasolina · Petrobras, blog Fatos e Dados (cópia guardada pelo Poder360), 2016
“A diretoria executiva definiu que não praticaremos preços abaixo desta paridade internacional.”
Resumo nosso: a Petrobras justificou a paridade de importação pela perda de mercado para os importadores, que já atendiam 14% da demanda de diesel. A política somou ao PPI uma margem para riscos e lucro e passou a revisar os preços pelo menos uma vez por mês.
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